Este artigo mostra a história e a evolução dos uniformes utilizados pela Seleção Brasileira de Futebol ao longo do tempo.
Primeiramente usando camisas brancas, cor que foi "aposentada" após a derrota na Copa de 1950, e depois usando a tradicional cor canarinho. Até a derrota para o Uruguai em 1950, a seleção brasileira jogou, considerando apenas jogos de Copas do Mundo, 13 vezes com o uniforme branco. No total, alcançou sete vitórias, empatou duas partidas e saiu derrotado em quatro oportunidades. Com a camisa branca, o Brasil conquistou três títulos: os campeonatos sul-americanos de 1919, 1922 e 1949.
Em 2007, o jornal britânico The Times elegeu a camisa do Brasil de 1970 a mais bonita da história, incluindo-se também os de clubes.clicrbs.com.br/ Camisa do Brasil de 1970 é eleita a mais bonita da história
Seleção Principal Histórico Camisa Branca Em 1914, quando oito associações se reuniram para a criação da Federação Brasileira de Sports (FBS), o Brasil disputou sua primeira partida da história jogando com um uniforme todo branco e com faixas azuis na região dos cotovelosmantosdofutebol.com.br/ História da camisa da Seleção Brasileira, gola cadarço, calção branco e meias pretas com listras brancas.
Em 1916, a FBS deu lugar à CBD (Confederação Brasileira de Desportos), que manteve a base do uniforme da equipe. A primeira vez que o escudo da CBD foi usado foi no Campeonato Sul-Americano de 1917.
Em 1916 houve a primeira aparição das cores da bandeira nacional no uniforme da Seleção: maxi listras verticais combinadas com a gola cadarço. A experiência não agradou e acabou com a concepção de um modelito alvinegro, convertido mais tarde em alviverde.
A seleção conquistou a Copa América pela primeira vez em 1919, e a camisa usada naquela época se fixou. Era branca e azul com cordinhas na gola, e foi usada durante 15 anos com pouquíssimas alterações.
Nas duas décadas seguintes – 1920 e 1930 – o selecionado aderiu à moda europeia, escolhendo trajes bicolores para as suas vestes: camisa branca e bermuda azul.
O Brasil iniciou sua história nas Copas em 1930 com uma camisa predominantemente branca e com detalhes em azul, cor mais comum atualmente em uniformes da seleção. Essa base foi mantida até o Mundial de 1950, quando ocorreu o ‘Maracanazo’. Aquela derrota para o Uruguai em pleno Maracanã na final representaria a aposentadoria da camisa branca, que virou sinônimo de azar.
Um fato curioso aconteceu na Copa de 1938: Na partida Polônia 5–6 Brasil, a Seleção Brasileira e a Seleção Polonesa utilizavam uniformes brancos. Na hora do sorteio para ver quem precisaria utilizar uniformes de outra cor, o Brasil foi sorteado e correu contra o tempo para conseguir camisetas na cor azul. Foi a 1ª vez que a Seleção Brasileira utilizou uniformes na cor azul em sua história. A camisa possuía uma tonalidade mais clara que a do calção e não tinha o escudo da CBD, por falta de tempo hábil.
Antes de ser definitivamente "aposentada" após a derrota para o Uruguai em 1950, a referida camisa branca ainda foi utilizada no Campeonato Panamericano de 1952, onde a Seleção brasileira, basicamente formada pelos mesmo jogadores da copa de 1950, derrotou o mesmo Uruguai por 2 a 0, e em seguida sagrou-se campeã do torneio jogando com o mesmo uniforme branco de 1950. Também foi utilizada no Campeonato Sul-Americano de 1953, quando o Brasil perdeu o título novamente de forma dolorosa.lance.com.br/ Seleção volta a jogar de branco em torneios após 62 anos; veja curiosidades da camisa A taça escapou em jogo de desempate contra o Paraguai, em derrota por 3 a 2.
O uniforme branco ainda seria utilizado em mais algumas oportunidades, antes de ser aposentada definitivamente, como em 1956, num amistoso realizado no estadio San Siro, quando a seleção perdeu para a Italia por 3 a 0, numa excursão à Europa. Há ainda uma partida pelo Campeonato Sul-americano de 1957, no Peru, quando a Revista Manchete Esportiva n.° 70, de 23 de março de 1957 mostra foto de Didi, autor de 3 gols, vestindo a camisa branca da seleção, contra o Chile no dia 13 de março de 1957, sendo este o último jogo oficial em que a camisa foi utilizada.
Até mesmo para uma Copa a camisa branca voltou a ser levada. Segundo o jornalista Mario Neto, por conta de uma confusão causada pela falta de um segundo uniforme na Copa de 1958, a CBD foi precavida para a Copa de 1962 no Chile, tendo levado além do Kit oficial com a camisa canarinho, também o kit azul (como segundo uniforme) e o kit branco (como terceiro uniforme).
A Seleção Brasileira voltou a utilizar uniformes brancos em um amistoso, que marcou as comemorações dos 100 anos da FIFA e reuniu as duas últimas seleções campeãs do mundo até então, disputado no Stade de France no dia 19 de Maio de 2004 contra a França. O placar foi 0x0. A Seleção Brasileira entrou em campo com uniformes réplicas de 1914, os primeiros da história da Seleção, com gola pólo branca e faixas azul nas mangas. Os calções brancos e meiões azul completavam o uniforme produzido pela Nike. Esta foi a última vez que o Brasil utilizou camisas brancas.mantosdofutebol.com.br/ História da camisa branca do Brasil 1930-1950
Até a derrota para o Uruguai em 1950, a seleção brasileira jogou, considerando apenas jogos de Copas do Mundo, 13 vezes com o uniforme branco. No total, alcançou sete vitórias, empatou duas partidas e saiu derrotado em quatro oportunidades.esportes.estadao.com.br/ Camisa amarela da seleção foi escolhida em 1953, após concurso Com a camisa branca, o Brasil conquistou três sul-americanos, em 1919, 1922 e 1949.
A partida contra o Peru, em 13 de março de 1957, foi o último jogo oficial em que o Brasil jogou de branco. Depois disso, o Brasil só iria utilizá-la novamente em um jogo oficial na Copa América de 2019, depois de 69 anos, como uniforme alternativo para celebrar os 100 anos do primeiro título da seleção, conquistada na Copa América, também disputada no Brasil, em 1919.
Camisa Canarinho Após a Copa de 1950, em que o uniforme branco virou sinônimo de azar, a cor branca daria lugar à amarela, após o jornal carioca Correio da Manhã, em parceria com a CBD, idealizar um concurso, em 1952, para escolher o novo uniforme do Brasil. Após o envio de mais de 200 desenhos, o vencedor foi Aldyr Garcia Schlle, um gaúcho de 19 anos, que sugeriu “camisa amarelo-ouro com frisos verdes nas golas e punhos, calção azul-cobalto com uma listra branca ao lado e meias brancas com listras verdes e amarelas”. O novo uniforme foi apresentado ao País após ser reproduzido na capa do Correio da Manhã.
Depois de estrear nos Jogos Olímpicos de 1952, o novo uniforme canarinho teve seu primeiro grande momento na Copa do Mundo de 1958, na Suécia. No entanto, a primeira conquista de Copa pelo Brasil não foi lograda com a camisa amarela. Graças a um sorteio, o Brasil teve que jogar de azul contra a Suécia na final de 1958.globoesporte.globo.com/ Camisas da Seleção marcam lembranças de campeões mundiais Depois da derrota no sorteio organizado pela FIFA, era preciso dar a notícia aos jogadores brasileiros. Paulo Machado de Carvalho, chefe da delegação, afirmou, então, que a seleção entraria em campo com a cor do manto de Nossa Senhora.
Uma curiosidade é que foi o uniforme da Seleção Brasileira que "introduziu" o uso das estrelas em cima dos escudos das equipes brasileiras. Segundo o historiador Roberto Assaf, no Brasil, as estrelas ganharam força nos anos 70. "A camisa da seleção brasileira não tinha estrela. Quando a seleção ganhou o tricampeonato em 70, a CBF, então CBD, passou a colocar três estrelas acima do escudo da seleção. Aí, os clubes passam a imitar em definitivo", relata.g1.globo.com/ Estrelas cobiçadas
O Brasil estreou na Copa do Mundo de 1982, usando dentro do escudo um havia um raminho de café, fruto de um acordo pioneiro de patrocínio da CBF com o Instituto Brasileiro de Café (IBC). Durante o ano, o Brasil já tinha jogado com o ramo em outras partes do uniforme, mas seu uso foi vetado pela FIFA. A solução do então presidente da entidade na época para driblar a proibição foi pedir uma remodelação do escudo: saiu a Cruz de Malta e entrou a Jules Rimet, com o ramo do patrocínio em cima.
O ramo continuou no escudo da CBF até 1986, quando a FIFA convenceu a entidade a acabar com a iniciativa. Em um amistoso contra a seleção do Chile em 1987, a seleção brasileira chegou a usar uma camisa com a marca da Coca-Cola, que era patrocinadora, bem evidente. O Brasil venceu o jogo por 2 a 1, mas logo após a partida, a FIFA proibiu terminantemente o uso de patrocínios para jogos oficiais de seleções. Mas, nos treinos e entrevistas coletivas da seleção brasileira, era muito comum a cor vermelha da Coca-Cola e o logotipo da marca nos uniformes.torcedores.com/ COCA-COLA JÁ PATROCINOU SELEÇÃO BRASILEIRA E DIVERSOS CLUBES ENTRE ANOS 80 E 2000
Outras Cores Em 1918, a Seleção vestiu uma camisa com detalhes em vermelho e azul em um amistoso contra o Dublin-URU. Em 1919, o manto aurinegro do Peñarol foi usado em um duelo contra a Argentina. No Campeonato Sul-Americano de 1937, na Argentina, o Brasil, em 2 partidas, teve de jogar com cores diferentes da que estava acostumado. A 1a em uma partida válida pela primeira fase: Brasil e Peru entraram em campo usando uniformes brancos. Como na época não existia uniforme reserva, um sorteio definiu o Brasil como o incumbido de trocar de uniforme para a disputa deste jogo jogos. Assim, a equipe brasileira entrou em campo com uma camisa vermelha, que foi emprestada pelo Independiente. A 2a ocorreu na 2a fase, quando a Seleção teve que vestir a camisa do Boca Juniors, já que os adversários chilenos também usavam a cor branca em seus uniformes titulares.
Símbolo de Patriotismo Desde que o Brasil começou a ser conhecido como "O País do Futebol", a camisa verde-amarela virou uma espécie de "símbolo" e até um passaporte informal do Brasil pelo mundo. Só para se ter uma ideia, entre os símbolos nacionais brasileiros, oficiais ou não, nenhum é tão popular como a camisa amarela da seleção. É raro achar quem tenha em casa uma bandeira ou gravação do Hino Nacional, mas a camisa está nas gavetas e no inconsciente patriótico da maioria.uol.com.br/ Amor à camisa No entender de Maurício Barros, jornalista, mestre em Ciência Política pela USP (Universidade de São Paulo) e comentarista dos canais ESPN, a camisa da seleção transcendeu o futebol por uma razão simples: como o futebol é parte fundamental do nosso cotidiano, ela acaba sendo invariavelmente o único símbolo pátrio que as pessoas têm em casa.
Identidade de Manifestações Populares Por ser "o símbolo brasileiro mais popular", a simbologia da camisa pesa na construção da identidade de muitas manifestações populares no Brasil. Nas Diretas Já, o amarelo (cor da camisa da seleção) deu cor para os milhões que foram à ruas, mas os manifestantes não saíram as ruas com camisas da seleção.
Representação de uma Ideologia Política de Direita Segundo o sociólogo do futebol e professor da UERJ, Ronaldo Helal, por conta dos Protestos contra o governo Dilma Rousseff, em 2015, onde os manifestantes saíram as ruas vestidos de verde-amarelo, a camisa da seleção passou a significar uma adesão aos movimentos de quem se opunha aos governos do PT, por conta disso, muitos defensores dos governos de esquerda não querem mais sair as ruas vestidos com o uniforme da Seleção. O sociólogo salienta ainda que parte da rejeição se deve também aos escândalos de corrupção protagonizados pelos três últimos presidentes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). No entender dele, porém, “isso é uma grande bobagem. O verde e o amarelo da camisa são as cores do Brasil, símbolos pátrios. Não faz sentido renegá-los em resposta à sua apropriação por grupos políticos”.brasil.elpais.com/ Camisa da seleção, o símbolo contaminado por rixas ideológicas e as negociatas dos cartolas