Sherlock é uma série de televisão britânica de drama policial baseada nas histórias do detetive Sherlock Holmes escritas por Arthur Conan Doyle. Criada por Steven Moffat e Mark Gatiss, foi estrelado por Benedict Cumberbatch como Sherlock Holmes e Martin Freeman como o . Sendo exibida desde 25 de julho de 2010, já foram produzidos treze episódios para série, transmitidos em quatro temporadas de três episódios cada, além de um especial exibido no início de 2016.

Sherlock é uma coprodução entre a British Broadcasting Corporation (BBC) e a WGBH Boston para sua série antológica Masterpiece exibida na Public Broadcasting Service (PBS), com Sue Vertue e Elaine Cameron da Hartswood Films servindo como produtores. A série é filmada principalmente em Cardiff, País de Gales, além de North Gower Street em Londres, que é usada ​​para gravações no exterior da casa de Holmes e Watson na 221B Baker Street.

Sherlock Holmes retrata um "detetive consultor" que auxilia a Polícia Metropolitana de Londres, principalmente Greg Lestrade (Rupert Graves), na resolução de vários crimes. Holmes é assistido pelo seu colega de apartamento, Dr. John Watson, que voltou do serviço militar no Afeganistão. Embora a série descreve uma variedade de crimes e criminosos, o conflito de Holmes com seu nêmesis Jim Moriarty (Andrew Scott) é um recurso recorrente. A patologista Molly Hooper (Louise Brealey) auxilia o detetive em seu laboratório. Outros papéis recorrentes incluem Una Stubbs como Sra. Hudson, a proprietária do apartamento onde os protagonistas moram, Vinette Robinson como a sargento Sally Donovan e Mark Gatiss como o irmão de Sherlock, Mycroft Holmes.

Sherlock recebeu aclamação da crítica, com muitos comentários elogiando a qualidade do roteiro, atuações e direção. A série recebeu indicações para vários prêmios, incluindo Emmys, BAFTAs e um Globo de Ouro, tendo ganhado em várias categorias. A terceira temporada se tornou a série de drama mais vista do Reino Unido desde 2010.Jones, Paul - Sherlock series 3 is most watched BBC drama series for over a decade. An average of almost 12 million people tuned into the third series of the detective drama on BBC1 Radio Times, 22 January 2014 O programa também foi vendido para mais de 200 territórios. Todas as temporadas foram lançadas em DVD e Blu-ray, juntamente com os contos originais de Conan Doyle e a trilha sonora composta por David Arnold e Michael Price.

Enredo Sherlock mostra a história do detetive Sherlock Holmes (Benedict Cumberbatch) resolvendo vários mistérios na Londres contemporânea. Holmes é ajudado pelo seu amigo Dr. John Watson, um médico que retorna à Inglaterra depois de servir como médico no exército britânico na Guerra do Afeganistão. Apesar de no início o inspector Lestrade da Polícia Metropolitana de Londres, assim como outros, inicialmente duvidarem de Holmes, seu excelente intelecto e suas habilidades de observação e dedução persuadem todos do seu valor. Com as suas aventuras sendo documentadas no blog de Watson, Holmes se torna uma celebridade relutante e seus casos, assim como sua vida excêntrica, são mostrados na imprensa. Tanto pessoas comuns como o governo pedem a sua ajuda.

A série retrata uma série de criminosos, incluindo o arqui inimigo de Sherlock, Jim Moriarty. Molly Hooper (Louise Brealey), uma patologista do St Bartholomew's Hospital ocasionamente ajuda Holmes nos casos.

Produção

Concepção e desenvolvimento

thumb|left|upright|Steven Moffat Steven Moffat e Mark Gatiss, ambos grandes fãs de Sherlock Holmes, já tinham adaptado obras da literatura vitoriana à televisão quando começaram a pensar num conceito para uma série sobre o famoso detetive. Moffat adaptou o romance The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde para a série Jekyll e Gatiss escreveu o episódio The Uniquiet Dead da série Doctor Who que, para além de conter vários elementos dos romances de Charles Dickens, o próprio autor é uma das personagens. Steve Moffat e Mark Gatiss, ambos argumentistas na série Doctor Who, discutiram os planos para uma adaptação de Sherlock Holmes durante as várias viagens de comboio para Cardiff, cidade onde a série Doctor Who é produzida. Quando se encontravam em Monte Carlo para uma cerimónia de entrega de prémios, a esposa de Steven Moffat, a produtora Sue Vertue, encorajou o marido e o amigo a desenvolverem o projeto antes que outra equipe tivesse a mesma ideia. Moffat e Gatiss convidaram Steve Thompson para escrever para a série em setembro de 2008.

Mark Gatiss criticou algumas das adaptações mais recentes das histórias de Sir Arthur Conan Doyle, dizendo que estas eram "demasiado reverentes e lentas" e que tinham como objetivo serem tão irreverentes ao cânone como os filmes dos anos 1930 e 1940 com Basil Rathbone. O Sherlock Holmes de Benedict Cumberbatch usa tecnologias modernas tais como SMS's, internet e GPS para resolver crimes. Paul McGuigan, que realizou dois episódios de Sherlock, diz que isto é fiel à personagem de Conan Doyle uma vez que "nos livros, ele usava todas as engenhocas possíveis e estava sempre no laboratório a fazer experiências. Isto não passa de uma versão moderna disso. Ele usa ferramentas que estão disponíveis hoje em dia para descobrir coisas".

thumb|upright|Mark Gatiss

Esta atualização mantém alguns dos elementos tradicionais das histórias, tais como a morada em Baker Street e o arqui-inimigo de Holmes, Moriarty. Apesar de alguns dos acontecimentos dos livros serem transferidos para os dias de hoje, os elementos do cânone estão incorporados na história. Por exemplo, a personagem de Martin Freeman, o Dr. Watson, regressa do serviço militar no Afeganistão. Ao discutir o facto de o Dr. Watson original ter ficado inválido na Segunda Guerra Anglo-Afegã (1878-1880), Gatiss apercebeu-se de que "agora estamos a viver a mesma guerra. A mesma guerra impossível de vencer".

Foi anunciado que seria produzido um episódio de 60 minutos de Sherlock no Edinburgh International Television Festival em agosto de 2008 e esse episódio seria transmitido no final de 2009. A intenção era produzir uma série de seis episódios de 60 minutos se o episódio piloto tivesse sucesso. Porém, a primeira versão do piloto que, segundo o jornal The Guardian, terá custado 800 000 libras, deu origem a rumores na BBC e noutros meios de comunicação de que Sherlock poderia ser um desastre. A BBC decidiu não transmitir o piloto e pediu que este voltasse a ser filmado, mudando a sua encomenda para três episódios de 90 minutos. O episódio piloto original foi incluído no DVD da primeira série. Durante o comentário-áudio, a equipa criativa disse que a BBC tinha ficado "bastante satisfeita" com o piloto, mas pediu que o formato fosse mudado. Quando o piloto foi lançado no DVD, o crítico Mark Lawson notou que o episódio que acabou por ser transmitido foi "aumentado e reescrito de forma substancial e foi completamente re-imaginado no seu aspeto, ritmo e som". Em julho de 2009, o departamento de drama da BBC anunciou que tinha planos para produzir três episódios de 90 minutos que seriam transmitidos em 2010. Steven Moffat tinha anunciado anteriormente que, se fosse encomendada uma série de Sherlock, este assumiria o papel de produtor executivo para que se pudesse concentrar na produção de Doctor Who.

Personagens thumb|left|Benedict Cumberbatch no papel de Sherlock Holmes

Steven Moffat e Sue Vertue ficaram interessados em Benedict Cumberbatch depois de o verem no filme Atonement. O ator foi escolhido para o papel de Sherlock Holmes depois de ler o guião para a equipe criativa. O jornal The Guardian disse: "Benedict Cumberbatch é conhecido por representar homens bizarros e brilhantes muito bem, e o seu Holmes é frio, um amante de tecnologia e tem alguns traços da Síndrome de Asperger". Cumberbatch disse: "Quando estou a interpretar, sinto uma carga de energia devido ao volume de palavras que tenho na cabeça e à velocidade de pensamento que me obriga a conectar as coisas muito depressa. Ele está sempre à frente da audiência e de toda a gente com um intelecto normal que o rodeia. Essas pessoas não conseguem perceber onde é que ele está a ir". Piers Wenger, o chefe do departamento de drama da BBC Wales, descreveu o Sherlock Holmes da série como "um super-herói dinâmico num mundo moderno, um investigador arrogante e genial motivado pelo desejo de provar que é mais esperto do que o criminoso e a polícia e toda a gente, na verdade". Em consequência da mudança nas atitudes da sociedade e dos regulamentos de transmissão, o Sherlock Holmes de Cumberbatch usa adesivos de nicotina em vez de fumar um cachimbo. Os argumentistas eram da opinião que Sherlock Holmes devia falar como "uma pessoa completamente moderna", disse Steven Moffat, mas a intenção inicial era que "nunca parecesse que ele estava a dar uma aula". Porém, Steven Moffat tornou a personagem "mais vitoriana" na segunda temporada de forma a aproveitar a "bela voz" de Benedict Cumberbatch e para parecer que "ele está a dar uma aula".

Numa entrevista ao The Observer, o cocriador Mark Gatiss disse que tiveram mais dificuldade a encontrar o ator certo para o papel de Dr. John Watson do que para a personagem principal. A produtora Sue Vertue disse: "O Benedict foi a única pessoa que vimos para [o papel de] Sherlock...assim que conseguimos o Benedict, a única coisa que nos restava fazer era garantir que encontrávamos a química certa com o John [Watson] e acho que conseguimos isso, mal eles entram numa sala conseguimos ver que eles resultam juntos. Vários atores fizeram a audição para o papel de Watson e Martin Freeman foi o escolhido para o papel. Steven Moffat disse que Matt Smith foi o primeiro ator que fez a audição para o papel, sem sucesso. Foi rejeitado por ser demasiado "excêntrico" e os produtores queriam alguém mais "sério" para o papel de Watson. Pouco tempo depois, Steven Moffat escolheu Matt Smith para o papel de 11º Doutor em Doctor Who.

thumb|Martin Freeman no papel de

Os escritores disseram que a escolha de Martin Freeman desenvolveu a forma como Benedict Cumberbatch interpreta Sherlock Holmes. O tema da "amizade" era apelativo tanto para Mark Gatiss como para Steven Moffat. Gatiss afirmou a importância de alcançar o tom correto da personagem. "O Watson não é um idiota, apesar de ser verdade que Conan Doyle sempre o menosprezou", disse Gatiss. "Mas só um idiota é que se rodeia de outros idiotas". Moffat disse que Freeman é "uma espécie de oposto do Benedict em tudo, menos na quantidade de talento...O Martin encontra uma espécie de poesia no homem comum. Adoro o realismo fastidioso de tudo o que ele faz". Martin Freeman descreve a sua personagem como a "bússola moral" de Sherlock porque a personagem epônima nem sempre tem em consideração a moralidade e a ética das suas ações".

Rupert Graves foi o escolhido para o papel de Greg Lestrade. Os argumentistas referiam-se à personagem como "Inspetor Lestrade" durante a fase de desenvolvimento até Mark Gatiss se aperceber que atualmente a personagem teria o título de "Detetive Inspetor" no Reino Unido. Moffat e Gatiss sublinham que Lestrade não aparece com frequência nas histórias e é bastante inconsistente nelas. Eles decidiram escolher a versão que surge em The Adventure of the Six Napoleons: um homem que fica frustrado com Holmes, mas que o admira e que Holmes considera a melhor pessoa na Scotland Yard. No episódio The Hounds of Baskerville é revelado que o primeiro nome de Lestrade é Greg.