A raposa-vermelha (Vulpes vulpes) é a maior das raposas verdadeiras e um dos membros de maior distribuição entre a ordem Carnivora. É encontrada em todo o hemisfério Norte, incluindo a maior parte da América do Norte, Europa e Ásia, mais algumas partes do Norte da África. É listada como uma espécie pouco preocupante segundo a Lista Vermelha da IUCN. Seu alcance aumentou junto à expansão humana, tendo sido introduzida na Austrália, onde é considerada uma espécie invasiva e prejudicial às populações nativas de mamíferos e aves. Devido à sua presença na Austrália, está incluída na lista das "100 espécies exóticas invasoras mais daninhas do mundo".
Esta raposa é um mamífero onívoro e oportunista, de médio porte, com os pelos geralmente castanho-avermelhados. Tem, em geral, hábitos noturnos e crepusculares (exceto em lugares de pouca movimentação, onde pode ser vista durante o dia). Esta raposa come diariamente, em média, 500g de alimento. Caça geralmente animais pequenos como coelhos e lebres, mas seu cardápio pode se estender a roedores, aves, insetos, peixes, ovos e frutos. Caso seja necessário, pode se alimentar de restos de comida humana e de carniça.
Descrição miniaturadaimagem|esquerda|Perfil de uma raposa-vermelha. A raposa-vermelha possui um corpo alongado, com membros relativamente curtos para sua altura. Sua cauda, que é mais longa do que metade do comprimento de seu corpo (equivalente a 70% do comprimento da cabeça e do corpo), é longa, peluda e toca o solo quando a raposa está em pé. Suas pupilas são ovais e orientadas verticalmente. Membranas nictitantes estão presentes, mas movem-se apenas quando os olhos estão fechados. As patas dianteiras têm cinco dígitos enquanto as patas traseiras têm apenas quatro. Esses dedos terminam em garras semi-retráteis e são circundados por pelos interdigitais, em maior número durante o período de inverno.
A raposa-vermelha tem um crânio estreito e alongado, com a caixa craniana pequena e aproximadamente igual em comprimento à região facial, que é longa e estreita. Os caninos são longos e pontiagudos, os carniceiros bastante pequenos e muito afiados. Os incisivos são ligeiramente inclinados para dentro, permitindo que o animal agarre sua presa e corte pequenos pedaços de carne. Os pré-molares são simples e pontiagudos, enquanto os molares têm uma forma mais achatada e são bem adequados para esmagar alimentos, como ossos de pequenas presas, por exemplo.
A aparência geral da raposa-vermelha pouco difere entre os sexos, e não é fácil distingui-los. As fêmeas possuem crânios menores que os machos, com regiões nasais maiores e caninos mais longos. As fêmeas são mais fáceis de detectar durante a lactação, quando as mamas são visíveis. Fêmeas normalmente têm quatro pares de mamas, mas indivíduos com sete, nove ou dez tetas não são incomuns. Os testículos dos machos são menores do que os da raposa-do-ártico.
Dimensões A raposa-vermelha é a maior espécie do gênero Vulpes. No entanto, em relação às dimensões, as raposas-vermelhas são muito mais leves do que cães de tamanhos semelhantes do gênero Canis. Os ossos de seus membros, por exemplo, pesam 30% menos por unidade de área óssea do que o esperado para cães de tamanhos semelhantes.
A raposa-vermelha apresenta variações significativas no tamanho, dependendo do indivíduo, sexo, idade e origem geográfica. Em média, os adultos medem 35–40 cm de altura na cernelha e 45–90 cm de comprimento corporal, com a cauda medindo entre 30–55,5 cm. As orelhas medem 7,7–12,5 cm e as patas traseiras têm 12–18,5 cm. As raposas-vermelhas pesam em média entre 2,2–14 kg, com as fêmeas sendo geralmente 15–20% mais leves que os machos.
Pelo thumb|left|Raposa-vermelha prateada. thumb|Raposa leucística. O albinismo completo é raro na raposa-vermelha. thumb|Raposa-vermelha norte-americana no inverno. O pelo da raposa-vermelha é denso, macio, sedoso e relativamente longo, especialmente no inverno. Isso permite que a raposa resista a temperaturas muito baixas, de até −13 °C. O pelo é mais longo, denso e fofo em raposas do norte e mais curto, esparso e grosso em raposas que vivem mais ao sul. As raposas que vivem em grandes altitudes também apresentam uma pelagem mais longa. A pelagem da raposa é composta por duas camadas. A camada inferior é constituída por pelos finos e curtos com cerca de 4 cm, muito densos e de cor escura. A segunda camada é composta por fios mais longos e finos, cerca de 10 cm, e mais grossos. Na base dos pelos encontram-se as glândulas pilossebáceas, cuja secreção ajuda a manter a pelagem do animal e confere a cada indivíduo um perfume único. O pelo na cabeça e na parte inferior das pernas é mantido denso e curto durante todo o ano, enquanto o pelo em outras áreas muda com as estações. As raposas controlam ativamente a vasodilatação e a vasoconstrição periférica nessas áreas para regular a perda de calor.
Sentidos As raposas vermelhas têm visão binocular, mas sua visão reage principalmente ao movimento. Sua percepção auditiva é aguda, sendo capaz de ouvir tetrazes mudando poleiros a 600 passos, o voo de corvos em 0.25–0.5 km e o chiado dos ratos a cerca de 100 m. Eles são capazes de localizar sons dentro de um grau em 700-3.000 Hz, embora com menos precisão em frequências mais altas. Seu olfato é bom, mas mais fraco do que o de cães especializados.
Glândulas odoríferas As raposas vermelhas têm um par de glândulas anais revestidas por glândulas sebáceas, ambas as quais se abrem através de um único duto. As glândulas anais atuam como câmaras de fermentação nas quais bactérias aeróbicas e anaeróbicas convertem sebo em compostos odoríferos, incluindo ácidos alifáticos. A glândula caudal ovalada tem 25 mm de comprimento e 13 mm de largura, e supostamente cheiro de violetas. A presença de glândulas do pé é duvidosa. As cavidades interdigitais são profundas, com coloração avermelhada e cheiro forte. As glândulas sebáceas estão presentes no ângulo da maxila e da mandíbula.
Comportamento thumb|Um par de raposas-vermelhas-europeias (V. v. Crucigera) no British Wildlife Centre, Surrey, Inglaterra thumb|Uma raposa vermelha grávida no Parque Nacional de Abruzzo, Itália.
Comportamento social A raposa-vermelha adulta muitas vezes aparenta ser solitária (exceto durante a época de reprodução), mas às vezes pode viver em pares ou formar grupos sociais, a depender dos recursos alimentares disponíveis no biótopo e sua distribuição, flutuação e renovação, bem como da disponibilidade de abrigos diurnos. Em ambientes com recursos alimentares limitados, a raposa vive solitária, formando pares apenas durante a época de reprodução, enquanto que, em áreas mais abundantes, ela pode formar pequenos grupos. Nesse caso, apenas o par dominante se reproduz, e há uma forte hierarquia no grupo. Em habitats e/ou áreas favoráveis com baixa pressão de caça, raposas subordinadas podem estar presentes, atuando como ajudantes na criação dos filhotes. Alternativamente, sua presença pode ser explicada como sendo uma resposta a excedentes temporários de alimentos,sem relação com o sucesso reprodutivo. As raposas fêmeas não reprodutoras protegem, brincam, cuidam e alimentam filhotes, um exemplo de seleção de parentesco. As raposas-vermelhas podem deixar suas famílias quando atingem a idade adulta se as chances de conquistar um território forem altas. Caso contrário, ficarão com seus pais, ao custo de adiar sua própria reprodução.
Comportamento territorial As raposas-vermelhas estabelecem residências estáveis dentro de áreas específicas, ou são itinerantes e sem residência fixa. A raposa-vermelha é um animal territorial, e tanto o macho quanto a fêmea marcam seu território. Além do odor liberado por suas glândulas anais, que se tornam muito ativas durante a época de reprodução, a urina é muito utilizada para a demarcação do território; a raposa macho levanta uma pata traseira e sua urina é borrifada em sua frente, enquanto uma raposa fêmea se agacha para que a urina seja borrifada no solo entre as patas traseiras. A urina também é usada para marcar esconderijos vazios, usados para armazenar alimentos encontrados, como um lembrete para não perder tempo investigando-os. O uso de até 12 posturas diferentes para urinar permite que eles controlem com precisão a posição da urina marcadora.
Reprodução e desenvolvimento
A raposa atinge a maturidade sexual por volta dos dez meses. Machos e fêmeas são geralmente monogâmicos. A época de reprodução ocorre principalmente entre meados de janeiro e fevereiro. À medida que a ovulação se aproxima, o macho segue a fêmea ao longo do dia, aguardando o momento do estro, favorável à fertilização e que dura apenas três dias. Durante o período de fertilização, o volume dos testículos do macho é multiplicado por seis. Nas fêmeas, a vulva se torna rosa e inchada. O casal geralmente acasala várias vezes durante o período de estro da fêmea e a cópula é semelhante à dos cães.
O período de gestação dura 49-58 dias. Embora as raposas sejam em grande parte monogâmicas, evidências de DNA de uma população indicaram altos níveis de poliginia, incesto e de ninhadas de paternidade mista. As raposas subordinadas podem engravidar, mas geralmente não conseguem parir ou têm seus filhotes mortos no pós-parto pela fêmea dominante ou por outros subordinados.
O tamanho médio da ninhada consiste de quatro a seis filhotes, embora tenham ocorrido ninhadas de até 13 filhotes. Ninhadas grandes são típicas em áreas onde a mortalidade de raposas é alta. Os filhotes nascem cegos, surdos e desdentados, com pelo castanho escuro. No nascimento, eles pensam 56–110 g e possuem 14,5 cm de comprimento corporal e 7,5 cm de comprimento da cauda. Ao nascer, eles têm pernas curtas, cabeça grande e peito largo. As mães permanecem com os filhotes por 2–3 semanas, pois não conseguem realizar termorregulação. Se a mãe morrer antes que os filhotes sejam independentes, o pai assume como seu provedor.Dale, Thomas Francis (1906). The Fox. London, New York, Bombay: Longmans, Green, and Co. Retrieved 8 July 2016. Teacher, Amber G. F.; Thomas, Jessica A. & Barnes, Ian (2011) Os olhos dos filhotes abrem após 13-15 dias, período durante o qual seus canais auditivos se abrem e seus dentes superiores irrompem, com os dentes inferiores emergindo 3-4 dias depois. Seus olhos são inicialmente azuis, mas mudam para âmbar com 4–5 semanas. A cor da pelagem começa a mudar com três semanas de idade, quando a listra preta do olho aparece. Em um mês, manchas vermelhas e brancas são aparentes em seus rostos. Durante este tempo, suas orelhas ficam eretas e seus focinhos se alongam. Os filhotes começam a deixar suas tocas e experimentar alimentos sólidos trazidos por seus pais com a idade de 3-4 semanas. O período de lactação dura de 6 a 7 semanas. As raposas atingem proporções adultas na idade de 6–7 meses. Em cativeiro, sua longevidade pode chegar a 15 anos, embora na natureza eles normalmente não sobrevivam depois dos 5 anos de idade.
Fora da época de reprodução, a maioria das raposas-vermelhas prefere viver ao ar livre, em áreas com vegetação densa, embora possam entrar em tocas para escapar do mau tempo. Suas tocas são frequentemente cavadas em encostas de colinas ou montanhas, ravinas, penhascos, margens íngremes de corpos d'água, fossos, depressões, calhas, em fendas de rocha e ambientes humanos negligenciados. As raposas-vermelhas preferem cavar suas tocas em solos bem drenados. As covas construídas entre as raízes das árvores podem durar décadas, enquanto as cavadas nas estepes duram apenas vários anos. Eles podem abandonar permanentemente suas tocas durante surtos de sarna, possivelmente como um mecanismo de defesa contra a propagação de doenças.