thumb|direita|300px|Em Pernambuco surgiram o primeiro folguedo e o primeiro ritmo afro-brasileiros: a Congada e o Maracatu. Na foto, cortejo de Maracatu Nação no Recife. A cultura do Recife é uma das culturas mais ativas, ricas e diversificadas do Brasil.

Literatura thumb|direita|Frontispício do Historia Naturalis Brasiliae, primeiro tratado de história natural do Brasil. O marco inicial da literatura do Recife é o livro Historia Naturalis Brasiliae, primeiro tratado de história natural do Brasil, de autoria do médico e naturalista holandês Guilherme Piso, que embora publicado na Holanda foi concebido através da observação do jardim zoobotânico do Palácio de Friburgo, residência de Maurício de Nassau durante o domínio holandês em Pernambuco. Duzentos e cinquenta anos depois, o abolicionista recifense Joaquim Nabuco estava concluindo Minha Formação, obra clássica da literatura brasileira. Anos mais tarde é lido, na Semana de Arte Moderna, o poema Os Sapos do recifense Manuel Bandeira, considerado o abre-alas do movimento.

Gilberto Freyre, natural do Recife, é um dos mais importantes sociólogos do século XX, e representa um marco na história do Brasil devido ao seu livro Casa-Grande & Senzala, que demonstra a importância dos escravos para a formação do país e que brancos e negros são absolutamente iguais. Outro recifense, Paulo Freire, é um dos pensadores mais notáveis da história da pedagogia mundial e o mais aclamado educador crítico, e foi o brasileiro mais homenageado de todos os tempos, ganhando 41 títulos de Doutor Honoris Causa de universidades como Harvard, Cambridge e Oxford. João Cabral de Melo Neto, poeta nascido na capital pernambucana, foi o único escritor brasileiro a ser galardoado com o Prêmio Neustadt, tido como o "Nobel Americano", e quando morreu, em 1999, especulava-se que era um forte candidato ao Prêmio Nobel de Literatura."Reportagem sobre João Cabral de Melo Neto." O Estado de S. Paulo, São Paulo, 10 de outubro de 1999. Clarice Lispector, ucraniana naturalizada brasileira que escreveu clássicos como A Hora da Estrela, se declarava pernambucana por ter vivido a maior parte de sua infância e adolescência no Recife. E o recifense Nelson Rodrigues, uma das personalidades mais marcantes da cultura nacional, é considerado o maior dramaturgo do país.

Além dos já citados, a capital de Pernambuco deu origem a muitos outros expoentes da literatura do Brasil, como Martins Júnior, Manuel de Oliveira Lima, Geraldo Holanda Cavalcanti, Olegário Mariano, Adelmar Tavares, Barbosa Lima Sobrinho, Evaldo Cabral de Mello, Josué de Castro, Joaquim Cardoso, João Carneiro de Sousa Bandeira, Carneiro Vilela, Mário Sette, Carlos Pena Filho, Roberto Lira, Fátima Quintas, Antônio Herculano de Sousa Bandeira, Leôncio Basbaum, Vamireh Chacon, Antonio Lavareda, Luiz Felipe Pondé, Ricardo Noblat, Micheliny Verunschk, dentre outros. Muitos deles foram ou são membros da Academia Pernambucana de Letras e da Academia Brasileira de Letras, e/ou egressos da centenária Faculdade de Direito do Recife, primeira faculdade de Direito do Brasil.

Ciência e tecnologia

Em 1895 foi criada no Recife a Escola de Engenharia de Pernambuco, primeira escola de engenharia fora da região Sudeste. Nela, que logo se tornou uma das principais instituições científicas do país, surgiu uma leva de grandes cientistas brasileiros, como Mário Schenberg, José Leite Lopes e Leopoldo Nachbin, graças à ação catalisadora do professor Luís Freire, conhecido por participar ativamente de movimentos em favor da criação de escolas aptas a formar pesquisadores em matemática e física. Reconhecido como berço de cientistas destacados e nomes notórios das ciências exatas, Pernambuco deu origem ainda a nomes como Paulo Ribenboim, Aron Simis, Samuel MacDowell, Gauss Moutinho Cordeiro, Israel Vainsencher, Josué de Castro, Joaquim Cardoso, Norberto Odebrecht, Cristovam Buarque, Fernando de Souza Barros, Ricardo de Carvalho Ferreira, Leandro do Santíssimo Sacramento, José Tibúrcio Pereira Magalhães, Edson Mororó Moura, Fernando Antonio Figueiredo Cardoso da Silva, Antônio de Queiroz Galvão, João Santos, dentre muitos.

Arquitetura

thumb|Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento de Santo Antônio Recife é um dos cinco patrimônios barrocos do Brasil, porém, diferentemente de sua vizinha Olinda, não possui o título de Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO. Em que pese o fato — atribuído à demolição e descaracterização da maior parte do seu centro histórico —, a capital pernambucana possui exemplares barrocos de excepcional importância, tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Embora tenham ocorrido grandes destruições do patrimônio histórico recifense em diferentes períodos — a exemplo do Largo do Paraíso e Igreja do Corpo Santo, dentre muitas construções históricas demolidas para a modernização da área central e construção de avenidas como a Guararapes e a Dantas Barreto —, a cidade barroca resiste na sua parte mais pobre e comercial.

Os monumentos e espaços públicos tombados pelo IPHAN no Recife são a Concatedral São Pedro dos Clérigos, a Basílica e Convento de Nossa Senhora do Carmo, a Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, a Capela Dourada, o Convento e Igreja de Santo Antônio, Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento de Santo Antônio, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Militares, a Igreja Madre de Deus, a Capela de Nossa Senhora da Conceição da Congregação Mariana, a Igreja do Divino Espírito Santo, a Igreja de Nossa Senhora da Assunção, a Igreja de Nossa Senhora do Pilar, a Igreja de Nossa Senhora do Terço, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, a Igreja de Nossa Senhora do Livramento dos Homens Pardos, a Capela da Jaqueira, a Casa de Gilberto Freyre (atual Fundação Gilberto Freyre), a casa natal de Joaquim Nabuco, a casa natal de Oliveira Lima, o prédio da atual Academia Pernambucana de Letras, o prédio da atual Faculdade de Direito do Recife, o Sobrado da Madalena (atual Museu da Abolição), o Edifício Chanteclair, o Teatro de Santa Isabel, dentre outros.

No Recife foi inventado o cobogó, elemento vazado considerado um ícone da arquitetura moderna. Seu nome deriva das iniciais dos sobrenomes dos três engenheiros que o idealizaram: Amadeu Coimbra, Ernest August Boeckmann e Antônio de Góis. O recifense Joaquim Cardoso, pioneiro da arquitetura moderna, foi o engenheiro responsável pelos cálculos que permitiram a construção de diversas edificações projetadas por Oscar Niemeyer.

Produção artística e folclore thumb|esquerda|O Frevo, manifestação típica do Recife, foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. Muitas das manifestações culturais mais relevantes de Pernambuco ocorrem na capital, como o Movimento de Escritores Independentes de Pernambuco, que na década de 1980 reuniu grande número de poetas; o Abril Pro Rock, que surgiu como revelador do Movimento Manguebeat; entre outros.

O Frevo, um dos principais gêneros musicais e danças do Recife e símbolo do Carnaval Recife–Olinda, se caracteriza pelo ritmo acelerado e pelos passos que lembram a capoeira, expressão cultural que tem em Pernambuco um de seus berços. Esse gênero já revelou e influenciou grandes músicos. Antes da criação da axé music na década de 1980 o frevo era utilizado também no Carnaval de Salvador. Em cerimônia realizada na cidade de Paris, França, no ano de 2012, a UNESCO anuncia que, aprovado com unanimidade pelos votantes, o frevo foi eleito Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Nos anos 1990 surgiu em Pernambuco o Manguebeat, movimento da contracultura que mistura ritmos regionais, como o maracatu, com rock, hip hop, funk e música eletrônica. Tem como principais críticas o abandono econômico-social do mangue e a desigualdade do Recife. Apesar de ter bases já na década de 1970 com o guitarrista Robertinho do Recife e seus álbuns "Jardim da Infância" (1977), "Robertinho no Passo" (1978) e "E Agora pra Vocês... Suingues Tropicais" (1979), o manguebeat tem como ícone o músico Chico Science, ex-vocalista, já falecido, da banda Chico Science e Nação Zumbi, que foi o idealizador do rótulo mangue e principal divulgador das ideias, ritmos e contestações do movimento. Outro grande responsável pelo crescimento do gênero foi Fred Zero Quatro, vocalista da banda Mundo Livre S/A e autor do primeiro manifesto do Mangue de 1992, intitulado "Caranguejos com cérebro".

Cinema

thumb|direita|A produção cinematográfica do Recife é muito respeitada pela crítica, e recordista de premiações em diversos festivais de cinema. O Cinema do Recife tem sua história iniciada em 1922, quando o ourives Edson Chagas e o gravador Gentil Roiz se juntam com o propósito de produzir filmes de enredo. Daí, surge a película "Retribuição", que estreou em 1923 com grande sucesso nos cinemas do Recife e que é considerado o primeiro filme de enredo realizado no Nordeste — anteriormente só havia algumas experiências com documentários. A produção cinematográfica local já recebeu inúmeros prêmios nacionais e internacionais e é recordista de indicações e premiações em diversas edições de festivais. Filmes de cineastas e roteiristas pernambucanos como os dramas Baile Perfumado (1996), Amarelo Manga (2002), Cinema, Aspirinas e Urubus (2005), O Som ao Redor (2013), Serra Pelada (2013), Aquarius (2016), ou mesmo romances e comédias como O Auto da Compadecida (1999), Caramuru - A Invenção do Brasil (2001), Lisbela e o Prisioneiro (2003), A Máquina (2005), Fica Comigo Esta Noite (2006), O Bem Amado (2010), entre muitas outras produções, alcançaram grande projeção.

Nomes como Marcelo Gomes, Kleber Mendonça Filho, Cláudio Assis, Guel Arraes, Heitor Dhalia, Lírio Ferreira, Karen Harley, Hilton Lacerda, Gabriel Mascaro, entre outros tantos cineastas oriundos de Pernambuco, atingiram notoriedade internacional. Um dos muitos êxitos recentes foi o filme O Som ao Redor, do recifense Kleber Mendonça Filho, que foi incluído na respeitada lista dos 10 melhores do ano do jornal The New York Times, ao lado de produções como Django Livre de Quentin Tarantino e Lincoln de Steven Spielberg. Heitor Dhalia, por sua vez, teve sua estreia em Hollywood em 2012, com o longa-metragem 12 Horas, estrelado pela atriz norte-americana Amanda Seyfried.

Entre 2012 e 2013, o Recife conquistou os principais prêmios dos três maiores festivais nacionais: os filmes Era Uma Vez Eu, Verônica, de Marcelo Gomes, e Eles Voltam, de Marcelo Lordello, dividiram o Candango de Melhor Filme no Festival de Brasília; O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho, conquistou o Troféu Redentor de Melhor Filme no Festival do Rio; e Tatuagem, de Hilton Lacerda, ganhou o Kikito de Melhor Filme no Festival de Gramado.

Espaços culturais e de lazer

O município abriga vários museus, centros culturais e instituições voltadas para a promoção de ações artísticas, como a Fundação Gilberto Freyre, a Oficina Cerâmica Francisco Brennand, o Instituto Ricardo Brennand, o Museu do Homem do Nordeste, o Museu Cais do Sertão, o Paço do Frevo, a Galeria Suassuna, o Gabinete Português de Leitura, o Museu da Abolição, o Museu do Trem, o Memorial de Justiça de Pernambuco, o Museu da Cidade do Recife, o Museu do Estado de Pernambuco, o Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, a Caixa Cultural, o Centro Cultural dos Correios, o Santander Cultural, a Academia Pernambucana de Letras, a Academia de Artes e Letras de Pernambuco, a Fundação Joaquim Nabuco, dentre outros. A cidade também possui centros de compras considerados atrações culturais, como os seus mercados públicos históricos (entre eles o Mercado de São José — o mais antigo do Brasil) e a Casa da Cultura.