thumb|right|150px|Armas do Reino da Galiza. O reino da Galiza, ou unidade administrativa da Galiza, de jure dependente do reino das Astúrias (até depois do século X) ou de Leão OLIVEIRA MARQUES, A. H. de. História de Portugal. 11ª ed. Lisboa: Palas, 1983. Vol. I , p. 55. , surgiu como reino de facto na primeira divisão das Astúrias por testamento de Afonso III, o Casto entre os seus três filhos (a saber: Garcia I de Leão, Ordonho II de Galiza e Fruela II das Astúrias). Tornando ora a anexar-se, ora a independentizar-se por curto período (não em sentido de autonomia permanente ou de esforços com fins de indepedência), a Galiza, não obstante a emancipassem politicamente testamentos e desavenças internas, consistiu, até Garcia II (1065-1071), numa dentre as três grandes unidades para fins de organização administrativa das Astúrias que esporadicamente se independentizou (demais unidades: Astúrias, propriamente dita, Leão e, pelos fins do século IX, Portucale) OLIVEIRA MARQUES, A. H. de. História de Portugal. 11ª ed. Lisboa: Palas, 1983. Vol. I , p. 55. . Deste marco em diante, não se lhe havendo mais conferido independência política, governou-se-a unicamente como território de jure OLIVEIRA MARQUES, A. H. de. Op. cit., p. 57. dos sucessivos e absorvidos reinos Leão (até 1230) e Castela (até 1516) pelo vindouro (e moderno) de Espanha, porquanto o termo Galiza constituísse mero "título" agregado aos das respectivas e sucessivas coroas.
No entanto, a ideia de um reino na Idade Média está longe da ideia de um reino na Idade Moderna , e em particular a historiografia castelhana ou espanhola subestimou a importância do reino da Galiza. Explica isso o historiador Miguel-Anxo Murado: «Por exemplo o historiador Moyrata, em sua História Geral da Espanha, transforma "Gallaécia" na Cantábria; Gayangos, em uma edição das crônicas de Almacari, traduz "ardhu al-Jalalkah" (a terra dos galegos) por "Galiza e Astúrias", enquanto para Lafuente "Jalikiya" (um dos topônimos árabes para a Galiza) é, não se sabe como, "Reino de Leão"; Ordonho I é intitulado "Rei da Galiza" sem mais, e quando o Papa João IX se dirige a Afonso III, ele o chama de "Adefonsus Regi Gallaeciarum"; Claudio Sánchez Albornoz escreveu um ensaio sobre essa carta e intitulou: "sobre una epístola del Papa Juan IX a Alfonso II de Asturias", o que é bastante estranho, porque se formos ao texto original o que se lê é "Rex Gallaetiae"».
Durante breve espaço de tempo, os reis portugueses Fernando I e Afonso V também se consideraram reis da Galiza (bem como reis de Castela e Leão), por via matrimonial. Oficialmente, a Galiza manteve-se como «reino» até 1833, ano em que foi dividida conforme suas quatro actuais províncias. Em 1837, a denominação foi extinguida da intitulação régia, supondo-se-a sob o termo geral de Reino de Espanha.
Reis suevos de Galicia (409-585)
Primeira Dinastia Real (409–456) Hermerico (409–438) Réquila (438–448) Requiário (448–456) Agiulfo (456–457)
Reis durante a Guerra Civil Sueva (457–469)
Nota: a Guerra Civil Sueva dividiu o Reino, com vários reis a governar diferentes porções da Galiza.
Frantano (456-457). Dominando a parte sul. Agiulfo (456-457). Dominando a parte norte. Maldras (457–459) Frumário (459–463) Requimundo (459–463) Remismundo (459–469) - reunificação em 463
Período obscuro (469–550) Hermenerico Veremundo Teodemundo
Período final dos Suevos (550–585) Carriarico (550–558) Ariamiro (558–561) Teodomiro (561–570) Miro or Mirón (570–583) Eborico, ou Eurico (583–584) Andeca (584–585) Amalarico (585)
Reis da Galiza
Dinastia Asturo-Leonesa
Em 910, Afonso III, o Grande foi forçado a abdicar em favor de seus filhos, Ordonhoo, Fruela e Garcia, que dividiram o reino entre eles. Ordonho é o primeiro a adotar o título de "Rei da Galiza". NomeRetratoNascimentoInício ReinadoFim ReinadoCasamento(s)MorteNotasOrdonho II225x225pxc. 871?Filho de Afonso III das Astúrias e Jimena Garcês de Pamplona10 de dezembro de 910924Elvira Mendes de Coimbra892cinco filhosAragonta Gonçalves922sem filhosSancha Sanches de PamplonaFevereiro de 923sem filhos924Leãoc. 53 anosSepultado na Catedral de LeãoGovernava desde 910 sob o titulo de dominus (senhor).https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/4542037.pdf Também rei de Leão (914-924); o seu domínio estende-se pelos antigos conventii de Lugo e Braga.Fruela IIO Leproso222x222pxc. 874OviedoFilho de Afonso III das Astúrias e de Jimena Garcês de Pamplona924925Ximena Nuniloc. 911três filhosJulho de 925Zamorac. 51 anosSepultado na Catedral de LeãoTambém rei das Astúrias e de Leão.Afonso FroilazO Corcundac. 911?Filho de Fruela II das Astúrias e Nunilo Jimena?925925Não casouc. 933?c. 34 anosSepultado na Basílica de Santo Isidoro, em LeãoFilho de Fruela II, foi rei de Leão e da Galiza durante um breve lapso de tempo, entre 925 e 926; tão desafortunado foi que a História nem sequer o regista com um ordinal para acompanhar o nome.Sancho Ordonhesc. 895925929Goto Moniz de CoimbraAntes de 927três filhos929c. 34Sepultado no Castrelo de MiñoPrimogénito de Ordonho II.Afonso IVO Monge254x254pxc. 899?Filho de Ordonho II da Galiza e Leão e Elvira Mendes de Coimbra929931Onneca Sanches de Pamplona925dois filhosAgosto de 933Ruiforco de Toríoc. 34 anosSepultado na Basílica de Santo Isidoro, em LeãoLista de monarcas de Leão (931-982)Bermudo IIO Gotoso223x223pxc. 948?Filho de Ordonho III de Leão e Urraca Fernandes de Castela982999Velasquita Ramires980um filhoElvira Garcia980três filhosc. 999?Villanueva del Bierzoc. 51 anosSepultado na Basílica de Santo Isidoro, em LeãoCoroado como anti-rei pela nobreza galega em Santiago de Compostela. Descaminhou Ramiro III de Leão na batalha da Portela de Areas, após a qual ascendeu ao trono de Leão.Afonso VO Nobre198x198pxc. 994?Filho de Bermudo II de Leão e Elvira Garcia9997 de agosto de 1028Elvira Mendes de Portucale1014dois filhosUrraca Garcês de PamplonaEntre maio e novembro de 1023um filho7 de agosto de 1028Viseuc. 34 anosSepultado na Basílica de Santo Isidoro, em LeãoO primeiro a usar o título de rei de Castela (como Afonso V de Castela).Bermudo IIIO Moço243x243px1017Filho de Afonso V de Leão e Castela e Elvira Mendes de Portucale7 de agosto de 10284 de setembro de 1037Jimena SánchezAntes de 17 de fevereiro de 1035um filho4 de setembro de 1037Toledoc. 20 anos
Dinastia Jiménez
NomeRetratoNascimentoInício ReinadoFim ReinadoCasamento(s)MorteNotasSancha I226x226pxc. 1018?Filha de Afonso V de Leão e Castela e Elvira Mendes de Portucale4 de setembro de 103727 de dezembro de 10651032cinco filhos7 de novembro de 1067Leãoc. 49 anosSepultada na Basílica de Santo Isidoro, em LeãoIrmã de Bermudo III, governa conjuntamente com o esposo, Fernando I, primeiro rei de Castela.Fernando IO Grande221x221pxc. 1016?NavarraFilho de Sancho Garcês III de Pamplona e Munia Mayor de Castela27 de dezembro de 1065Leãoc. 49 anosSepultado na Basílica de Santo Isidoro, em LeãoPrimeiro rei de Castela. Depois de derrotar as tropas leonesas e da morte do rei Bermudo III, Fernando I, que já era rei de Castela (que se autonomizara de condado em reino chefiado pelos reis de Navarra), acedeu ao trono de Leão; o seu direito fundamentava-se no casamento com Sancha, irmã de Bermudo; trata-se da primeira unificação dos tronos de Leão e Castela. Após a morte de Fernando, o reino foi repartido pelos seus três filhos, Garcia (Galiza), Sancho (Castela) e Afonso (Leão).Garcia II194x194px1040Filho de Fernando I de Leão e Sancha I de Leão27 de dezembro de 10651071Não casou22 de março de 1090Castelo de Vermoimc. 50 anosSepultado no Panteão Real de São Isidoro de LeãoReinou na Galiza e no Condado de Portugal, com o título de, desde 1070, com a deposição do conde Nuno II Mendes. Foi deposto pelos seus irmãos Afonso e Sancho em 1071, após o que foi feito prisioneiro até à sua morte em 1090.Sancho IIO Forte241x241pxc. 1040?ZamoraFilho de Fernando I de Leão e Sancha I de Leão10717 de outubro de 1072Alberta7 de outubro de 1072Zamora31-32 anosSepultado no Mosteiro de San Salvador de OñaTambém rei de Castela (1065-1072) e Leão (1072), irmão de Afonso VI. Depôs o irmão Garcia II.Afonso VIO Bravo216x216px1047Santiago de CompostelaFilho de Fernando I de Leão e Sancha I de Leão7 de outubro de 10721 de julho de 1109Inês da Aquitânia1073sem filhosConstança da Borgonha1079seis filhosBerta25 de novembro de 1093sem filhosIsabel (Zaida de Sevilha?)1100dois filhosBeatriz1108sem filhos1 de julho de 1109Toledo62 anosSepultado no Mosteiro de SahagúnTambém rei de Leão (1065-1109) e de Castela (1072-1109), usando o título de imperador a partir de 1073. Depôs o irmão, Sancho II, recuperando o trono.Urraca IA Temerária228x228px24 de junho de 1081LeãoFilha de Afonso VI de Leão e Castela e Constança da Borgonha1 de julho de 110917 de setembro de 1111Raimundo de Borgonha1095dois filhosAfonso I de Aragão1106sem filhos8 de março de 1126Saldaña44 anosSepultada na Basílica de Santo Isidoro, em LeãoCasada com Raimundo da Borgonha (m. 1107) e depois com Afonso I de Aragão, o Batalhador, rei-consorte, não de jure
Dinastia da Borgonha
NomeRetratoNascimentoInício ReinadoFim ReinadoCasamento(s)MorteNotasAfonso VIIO Imperador277x277px1 de março de 1105Caldas de ReisFilho de Urraca I de Leão e Castela e Raimundo de Borgonha17 de setembro de 111121 de agosto de 1157Berengária de Barcelona1127-1128sete filhosRiquilda da Polônia1152uma filha21 de agosto de 1157Viso del Marqués52 anosSepultado na Catedral de ToledoFoi coroado em 1111 como o mediatizado rei da Galiza em Santiago de Compostela como herdeiro aparente da sua mãe. Em 1126 sucedeu a Urraca como rei de Leão, Castela e Toledo. Durante o seu reinado, Afonso I de Portugal rebelou-se contra Leão, de quem era vassalo. A partir de 1152 Afonso VII associou os seus filhos ao trono, recebendo Fernando o título de Rei da Galiza. A lista prossegue com Lista de monarcas de Leão e Lista de reis de Castela.
Portugueses que reclamaram posse da Galiza
Dinastia de Borgonha Fernando I de Portugal, último rei borgonhense, aclamou-se rei de Galiza e Leão após o assassínio de Pedro I de Castela, exigindo a submissão de várias cidades galegas e leonesas (1369-1373).
Dinastia de Avis Afonso V de Portugal e Joana de Castela, a Beltraneja, aclamados de jure reis da Galiza em 1475, viram as suas pretensões ao trono castelhano desbaratadas na batalha de Toro (1479).
Galiza