Quinto Múcio Cévola Áugure (m. ; ) foi um político da gente Múcia da República Romana eleito cônsul em com Lúcio Cecílio Metelo Diademado. É lembrado principalmente por ter sido uma grandes autoridades no direito romano em sua época. Ele é conhecido como "Áugure" para distingui-lo de seu sobrinho, Quinto Múcio Cévola, cônsul em , dito "o Pontífice".
Primeiros anos Cévola foi instruído no direito por Quinto Múcio Cévola, seu paiNicolas Viton de Saint-Allais, L'art De Vérifier Les Dates Des Faits Historiques: Des Inscriptions, Des Chroniques Et Autres Anciens Monuments, Avant L'ère Chretiénne, Volume 5 (1819), p.308 [google books] e cônsul em , e em filosofia pelo estoico Panécio de Rodes. Entre seus primeiros cargos estão o de tribuno da plebe (), edil () e pretor (), recebendo o governo da Ásia como propretor em 120 a.C.. Ao regressar a Roma deste posto, teve que enfrentar acusações de extorsão feitas pelo tribuno Tito Albúcio (provavelmente por algum motivo pessoal) e conseguiu defender-se com sucesso.Cícero, de Fin., 1, 3; Brutt., 26; 35; De orat., 1, 17; 2, 70. Nesta época, Cévola declarou-se contrário às reformas de Caio Graco.
Em , foi eleito cônsul com Lúcio Cecílio Metelo DiademadoGeorge Crabb, Universal Historical Dictionary: Or Explanation of the Names of Persons and Places in the Departments of Biblical, Political and Eccles. History, Mythology, Heraldry, Biography, Bibliography, Geography, and Numismatics, Volume 2 (1833), History of Rome [google books]. Por causa de erros no calendário romano, os dois tomaram posse no dia 1 de janeiro do calendário, correspondende ao dia 5 de setembro do calendário juliano proléptico.
Anos finais Em sua velhice, já um áugure, seguia demonstrando grande interesse pelo estudo das leis e demais assuntos de Roma. CíceroCícero, Filípicas, 10. conta que, durante a Guerra Social (), apesar de já muito idoso e com a saúde precária, Áugure estava sempre disposto a dar sua opinião aos que queriam ouvi-lo e durante toda a sua vida foi o primeiro a chegar até a Cúria.
Valério MáximoValério Máximo, Nove Livros de Feitos e Dizeres Memoráveis, 3, 8. afirma que Cévola defendeu Caio Mário contra a moção de Lúcio Cornélio Sula para declará-lo inimigo público de Roma alegando que não se poderia jamais odiar o homem que havia salvado os romanos dos bárbaros germânicos.
Cícero, por sua vez, utilizou o velho mestre como um interlocutor em três de seus trabalhos: De Oratore, De amicitia e De republica.
Morte Em , foi um dos adversários do tribuno da plebe Lúcio Apuleio Saturnino. Deduz-se da obra de CíceroCícero, Lelio 1. que Áugure viveu pelo menos até o tribunato de Públio Sulpício Rufo (). Cícero, que nasceu em , conta que, depois de vestir sua toga viril, seu pai o levou até Cévola, que já era muito idoso, e que aproveitou para estar sempre perto dele para aproveitar seus conhecimentos da lei. Não parece que ele tenha sobrevivido muito além de , o primeiro ano da guerra civil entre Mário e Sula.
Família Cévola casou-se com Lélia, filha de Caio Lélio Sapiente, cônsul em e grande amigo de Cipião Emiliano,Cícero Lael. 8, Brut. 26 com quem teve duas filhas. Uma delas (provavelmente Múcia Menor) casou-se com o famoso orador Lúcio Licínio Crasso Orador,Valério Máximo, Nove Livros de Feitos e Dizeres Memoráveis VIII 8; Cícero, De Orat. 1. 7 com quem teve duas filhas. As filhas e netas de Áugure eram conhecidas em Roma na época pela pureza de seu latim.
Os pontífices máximos Públio Licínio Crasso Dives Muciano e Quinto Múcio Cévola eram seus primos. O primeiro era pai de Licínia, a esposa do polêmico tribuno Caio Graco.
Ver também
Notas
Bibliografia
Categoria:Cônsules da República Romana Categoria:Romanos antigos do século I a.C. Categoria:Romanos antigos do século II a.C. Categoria:Ano de nascimento desconhecido Categoria:Nascidos no século II a.C. Categoria:Mucii Categoria:Optimates Categoria:Áugures romanos Categoria:Propretores da República Romana Categoria:Pretores da República Romana Categoria:Juristas da Roma Antiga Categoria:Guerra Social (91-88 a.C.) Categoria:Governadores romanos da Ásia