miniaturadaimagem|382x382px|Mapa climático da Região Sul do Brasil. Ao estudar o clima regional do Sul do Brasil o primeiro fato que se observa refere-se a sua homogeneidade: a Região Sul do Brasil, embora não seja mais uniforme no que diz respeito a valores e regime térmico, é, no entanto, no que se refere à pluviometria ao ritmo estacional de seu regime. O segundo fato refere-se a sua unidade. Comparando o clima da Região Sul com os das demais Regiões Geográficas do Brasil, não é difícil verificar que ele é consideravelmente diferente: enquanto as demais Regiões se caracterizam por possuir clima quente (exceção à Região Sudeste, onde predomina clima subquente) do tipo tropical, a Região Sul é o domínio exclusivo e quase absoluto do clima Mesotérmico do tipo Temperado. A homogeneidade e unidade climática desta Região se deve a uma certa homogeneidade e unidade dos fatores e processos genéticos que atuam sobre as condições de tempo nela reinantes. Por isso, para a comparação dos processos climáticos dessa Região, torna-se necessário um prévio conhecimento de seus diversos fatores, alguns de ordem estática, outros de ordem dinâmica. Todos atuam simultaneamente em constante interação, porém para facilitar sua compreensão serão examinados, de início, separadamente. Dentre os fatores estáticos salientam-se a posição e o relevo.IBGE. Geografia do Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 1977. vol. 5, p. 35-36.

No que concerne ao primeiro, o balizamento da Região Sul nas latitudes médias, na borda do oceano Atlântico, confere a posição um papel muito importante no condicionamento climático desta região. O trópico de Capricórnio passa sobre sua extremidade setentrional, enquanto os paralelos de 30 a 34° Sul tangenciam suas terras mais meridionais. Portanto, seu pequeno território (577.723 km²) está quase todo situado no interior da zona temperada, sem se estender muito para o sul e sem se afastar muito da orla marítima. Neste ponto convém lembrar que quando o Sol caminha em direção ao zênite, a Primavera e Verão sucedem ao Inverno; quando se afasta, o Outono e Inverno sucedem ao Verão. Este ritmo das estações, que tão bem caracteriza a vida nas latitudes médias (zona temperada), torna-se cada vez menos nítido em se aproximando do equador geográfico. Essa maior ou menor nitidez de ritmo estacional decorre do seguinte fenômeno: enquanto nas latitudes baixas (zona intertropical) o Sol atinge o zênite duas vezes por ano, nas latitudes médias o Sol nunca alcança o zênite.

Compreende-se, daí, por que a zona temperada não é, como a zona intertropical, submetida a uma radiação solar das mais fortes, embora seja bem superior à verificada nas latitudes elevadas. A radiação solar, por sua vez, cria melhores condições à evaporação, uma vez que no processo de evaporação é empregado calor, sendo tanto mais ativa quanto maior o calor disponível a ser empregado no seu processamento. Outra pré-condição à evaporação é a existência de superfícies líquidas. Ora, possuindo a Região Sul um litoral em toda sua extensão oriental, fica evidente que ela possui uma superfície oceânica à disposição de um muito ativo processo de evaporação e este, por sua vez, à condensação ou formação de nuvens, que se convertem em chuvas. As posições latitudinal e marítima da Região Sul determinam uma intensa insolação e evaporação, além de forte concentração de núcleos de condensação que certamente contribuem para o acréscimo de chuvas em seu território, sempre que esta Região é atingida por frentes frias e outros importantes fenômenos de ascendência dinâmica do ar.

Quanto ao relevo da Região Sul é muito simples e, tendo em vista os traços através dos quais ele age sobre os processos climáticos, pode ser assim resumido: não obstante a importância das suas baixas altitudes no Rio Grande do Sul, o que mais caracteriza a topografia na Região Sul é a existência de largas extensões de superfícies de planalto, situadas entre 300 e 900 m, sobre a qual as áreas serranas (acima de 900 m) ocupam importante superfície. Quanto aos fatores dinâmicos cumpre salientar que o clima da Região Sul não pode ser compreendido e analisado sem o concurso do mecanismo atmosférico, seu fator genético por excelência, objeto de pesquisa da Meteorologia Sinótica. Até mesmo os demais fatores, tais como o relevo, a latitude, a continentalidade ou maritimidade, nesta incluindo as correntes marítimas, etc. atuam nos processos climáticos em interação com os sistemas regionais de circulação atmosférica. Por isso, dedicar-se-á a seguir, uma unidade de estudo à circulação atmosférica que atua sobre a Região Sul do Brasil.

Em Resumo, os Climas Predominantes na Região Sul do Brasil são o Clima Subtropical Úmido Tipo Cfa e Cwa, nas áreas do Extremo Norte do Paraná, e a partir da Baixada Litorânea do Paraná ao Chuí no extremo sul do Rio Grande do Sul, como também na maior parte da região sul onde estão as terras onde jazem as planícies, e do Clima Oceânico, também chamado de Clima Temperado Marítimo nas áreas acima de 800m e abaixo da latitude 24°30'S onde observa-se verões temperados, e que também ocorre nas áreas acima dos 400m de altitude nas Serras de Sudeste no extremo sul do Rio Grande do Sul, e nestas áreas têm-se subsequentemente um clima mais fresco ou frio ao menos em algum turno do dia no verão, apresentando-se dias que podem se mostrar frescos, mornos ou mesmo quentes em caso de verões atípicos principalmente com a influência do fenômeno El Niño onde percebe-se o aquecimento do ar atmosférico na região tornando os dias mais abafados e com um grande aumento nas precipitações anuais. As massas quentes vindas da Região Tropical se intensificam no verão e aquecem os dias sulinos e as massas polares que trazem os ventos minuanos ou pampeiros fazem as temperaturas despencarem rapidamente trazendo umidade e neve para as regiões acima de 800m de altitude principalmente nas serras e planaltos dos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Após o período de umidade, as massas vão em direção ao Sudeste e ao Centro-Oeste do Brasil e deixam o céu mais claro e seco e fazendo com que a temperatura diurna(Mais Alta) se dissipe à noite e formem as Geadas sobre o solo durante as madrugadas sulistas.

Sistemas de circulação atmosféricas do Sul e suas influências sobre as condições de tempo Pela sua posição, compreendida nas latitudes médias, a Região Sul do Brasil é atingida pelos principais centros de ação quer daqueles originários das latitudes elevadas.IBGE. Geografia do Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 1977. vol. 5, p. 36-38. Próximo do trópico de Capricórnio existem dois centros de alta sobre os oceanos, tangenciando o continente. Pela sua constância e fraco deslocamento, tais altas são denominadas anticiclones permanentes e semifixos oceânicos. São centros de origem dinâmica, inseridos na zona de altas pressões subtropicais do hemisfério austral: alta do Pacífico e alta do Atlântico. Estes dois centros de divergência atmosférica constituem as fontes das principais massas de ar tropical marítimas. Ambas possuem estrutura e propriedades semelhantes e intervêm de modo importante no quadro da circulação atmosférica do Sul do Brasil. Entretanto, enquanto o anticiclone do Pacífico, barrado pela cordilheira dos Andes, é impedido de avançar para o interior do continente o anticiclone do Atlântico penetra frequentemente sobre o interior do Brasil, no que é pouco dificultado pela borda do Planalto Brasileiro. Por esse motivo dar-se-á atenção especial apenas ao anticiclone do Atlântico.

Durante todo ano nas regiões tropicais e temperadas do Brasil, à exceção do oeste da Amazônia e do Centro-Oeste do Brasil, sopram ventos de sudoeste a nordeste, oriundos das altas pressões subtropicais ou seja, do anticiclone semifixo do Atlântico Sul.

Este anticiclone, que constitui a massa de ar tropical marítima, possui, geralmente, temperaturas elevadas e amenas, fornecidas pela intensa radiação solar e telúrica das latitudes tropicais e forte umidade específica, fornecida pela intensa evaporação marítima. Entretanto, em virtude de sua constante subsidência superior e consequente inversão de temperatura, sua umidade é limitada à camada superficial, o que lhe dá um caráter de homogeneidade e estabilidade, não obstante ser este caráter menos acentuado sobre o território brasileiro, por vários motivos.

Contudo, apesar da inversão térmica superior se encontrar mais elevada no setor ocidental do anticiclone subtropical, o domínio deste anticiclone mantém a estabilidade do tempo. Praticamente, esta estabilidade, com tempo ensolarado, somente cessa com a chegada de correntes perturbadas.

Além do anticiclone subtropical do Atlântico Sul outras altas, tropicais e polar, participam diretamente do quadro da circulação atmosférica da Região Sul.

As altas tropicais são representadas por pequenas dorsais que, originárias nas latitudes baixas do Brasil, especialmente de meados da Primavera a meados de Outono, invadem a Região Sul, principalmente o Estado do Paraná, vindas de noroeste.

A respeito dessas altas existe muita controvérsia: alguns consideram-nas pertencentes à massa equatorial continental que tem seu centro de ação na Amazônia, enquanto outros consideram-nas vinculadas ao anticiclone do Atlântico Sul, constituindo-se, pois, em massa de ar tropical. Mas, seja qual for sua vinculação, o que importa é que tais altas são muito móveis e trazem consigo correntes perturbadas.

Outro centro de ação positivo é representado pela alta polar conhecida por anticiclone polar marítimo da América do Sul. Esta alta, de notável deslocamento, tem tanta importância na participação direta da circulação atmosférica da Região Sul quanto o anticiclone subtropical do Atlântico.

Os centros de ação positivos geram as massas de ar cujos ventos de natureza anticiclônica ou divergentes asseguram, geralmente, estabilidade com tempo ensolarado. Por exemplo, o anticiclone do Atlântico Sul origina a massa tropical marítima e o anticiclone polar gera a massa polar.

Entre duas massas de ar ou duas ou mais altas existe sempre uma zona depressionária que se constitui numa descontinuidade para a qual convergem os ventos das duas massas de ar ou das altas. Nessas descontinuidades os ventos convergentes ou ciclônicos tornam o tempo instável e geralmente chuvoso. Tais fenômenos são muito móveis e, por sua estrutura e deslocamento, são denominados correntes de circulação perturbada.

Destas correntes perturbadas serão salientadas apenas aquelas vindas dos quadrantes sul e oeste, uma vez que estas são as únicas que atuam diretamente sobre a Região Sul do Brasil.

As correntes perturbadas de sul São representadas pela invasão de anticiclone polar com sua descontinuidade frontal. A fonte desses anticiclones é a região polar de superfície gelada, constituída pelo Continente Antártico e pela banquisa fixa. De sua superfície anticiclônica divergem ventos que se dirigem para a zona depressionária subantártica, originando nessa zona ocupada pelo pack e outros gelos flutuantes as massas de ar polar. Dessa zona partem os ventos polares que periodicamente invadem o continente sul-americano com ventos de oeste e sudoeste nas altas latitudes, mas adquirindo, frequentemente, a direção sul a sudeste em se aproximando do trópico, sobre o território brasileiro.IBGE. Geografia do Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 1977. vol. 5, p. 39-41.