O cão do Barrocal Algarvio é uma raça de cão de Portugal.
Originalmente, esta raça era conhecida como cão abandeirado, felpudo algarvio, peludo algarvio, ou gadelhudo algarvio, sendo que a denominação actual «cão do barrocal algarvio», resultou de um decisão mais recente, aquando dos esforços de recuperação desta raça, evocativa da área geográfica de proveniência.
Origem Raça oriunda dos tempos faraónicos, de uma raça - o galgo egípcio - que foi difundido por toda a bacia mediterrânica, por fenícios e berberes. Alcançou grande prosperidade entre os habitantes do Algarve, a região mais a sul de Portugal continental, sobretudo na sub-região do Barrocal, que abarca os concelhos de Loulé, S. Brás de Alportel, Faro, Tavira, Lagoa, entre outros, e que apresenta características geofísicas sui generis.
Enquanto raça cinegética, o cão do barrocal algarvio tinha como principal presa o coelho-bravo, bastante comum na região pedregosa e clima agreste. Este foi o habitat onde ao longo de gerações de caçadores se foram apurando os instintos desta raça de cão.
Na década de 1960, esteve à beira da extinção devido a introdução em massa de cães de outras raças, que passaram a ser preferidos pelos caçadores locais, em detrimento das raças autóctones.
Atualidade Na década de 90 do séc. XX, o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) em colaboração com o Clube Português e Canicultura (CPC) começaram a fazer o levantamento de raças e espécies do barrocal algarvio e em 2006 concluíram pela necessidade de criar uma associação para tentar fazer a recuperação do cão do barrocal algarvio.
José Afonso Correia, considerado veterano matilheiro do Algarve, iniciou uma tentativa de recuperação e reintegração da raça, nascia a Associação de Criadores do Cão do Barrocal Algarvio, onde ficou decidido entre outras informações, a denominação Cão do Barrocal Algarvio enfatizando a sua identificação geográfica.
Em 2012, com o objetivo de compilar informação histórica e científica (morfológica e genética) que permitisse justificar a atribuição da classificação de raça a esta população de cães o grupo de Biologia Molecular do Instituto Nacional de Investigação Veterinária (INIAV, IP) desenvolveu um estudo de análise molecular por forma a investigar a sua identidade genética e analisar e relação com outras raças caninas autóctones portuguesas.
Este trabalhado culminou com o registo e certificação da raça em 2016, tendo o cão do barrocal algarvio passado a ser a 11.ª raça de cão autóctone registada de Portugal.
Porém, o cão do barrocal algarvio ainda só é uma raça reconhecida nacionalmente, a sua certificação pela Federação Canina Internacional ainda não se concretizou.
Características Possui pêlos compridos e macios, em especial na cauda. Notável caçador, tanto em acoamento como em montarias, o Cão do Barrocal Algarvio foi usado ao longo dos tempos pelos caçadores do Algarve.
Não obstante a sua evidente adaptação para o terreno pedregoso, próprio do barrocal algarvio, esta raça de cão também se mostra bem adaptada a terrenos arbóreos e a mato denso, podendo integrar matilhas dedicadas à caça grossa, em vez de se dedicar exclusivamente à caça do coelho-bravo.
Morfologia Cabeça – Levantada, leve e fina, com stop ligeiramente pronunciado. O crânio é um pouco mais curto o chanfro nasal; Olhos – Semi-oblíquos em forma de amêndoa, devido à intensidade de iluminação solar da região. O cor predominante é o castanho; Orelhas – Implantação alta, eretas e pontiagudas piramidal; Pescoço – Médio comprimento; Linha dorsal – semi-arqueada; Tórax – de média profundidade; Membros – Secos, fortes; Ventre – ligeiramente arregaçado; Cauda – comprida, chegando abaixo dos corvilhões, em alerta, forma uma bandeira, daí a designação de cão Abandeirado. Pêlo – liso e médio, muito macio. Cores – Amarelos (claro, escuro e fulvo), preto, castanho (claro e escuro), branco unicolor ou malhado, conjugando qualquer das cores anteriores; Altura – Macho 45/55 cm; fêmea 40/50 cm; Peso – Macho 20/25 kg; fêmea 15/20 kg.
Temperamento
Cão de caça por excelência, de comportamento vivaz e inteligente. Dócil por temperamento e de maneio fácil, no que toca ao adestramento.
Ver também Outras raças
Ligações externas
Categoria:Spitz e cães do tipo primitivo Categoria:Raças de cães originárias de Portugal