A operação Spring foi uma operação militar levada a cabo pelas forças aliadas durante a Segunda Guerra Mundial. Ocorreu durante a batalha da Normandia entre 25 e 27 de julho de 1944 em França. O objetivo da operação era fixar as forças alemãs, principalmente as divisões de blindados, a leste da frente de forma a facilitar a operação Cobra a oeste, levada a cabo pelos americanos que tentam furar a frente a sul de Cotentin.

Esta operação é levada a cabo pelo 2º corpo canadiano comandado pelo Tenente-general Guy Simonds, confrontando o grosso das forças blindadas alemãs, principalmente o 1º SS-Panzerkorps do SS-oberstgruppenführer Sepp Dietrich, que obtém uma vitória defensiva.

Na noite do 24 para o 25 de julho, sob as luzes dos projetores antiaéreos e com o apoio de tanques e artilharia, Simonds envia a infantaria canadiana para o sul de Caen, sobre os três eixos de May, Verrières e Tilly para chegarem a Fontenay-le-Marmion, Rocquancourt e Garcelles-Secqueville, e talvez abrir a estrada de Falaise. À exceção da tomada da aldeia de Verrières pelo Regimento real de infantaria ligeira de Hamilton do Tenente-coronel J. M. Rockingham, todas as outras ações canadianas falharam frente à resistência alemã.

A operação custou muitas vidas humanas. No total os canadianas tiveram mais de 1500 perdas, das quais cerca de 450 morreram em combate. Foi, para as forças canadianas, a operação mais importante em perdas humanas da Segunda Guerra Mundial, depois do desembarque de Dieppe que de 5 000 combatentes perderam-se 3367 homens, com 907 mortos em combate.

A derrota da operação Spring e o sucesso da operação Cobra valem a Montgomery a perda do comando sobre as tropas americanas e a Simonds largas críticas.

Situação militar direita|thumb|Carta da batalha da Normandia com a situação das operações Spring e Cobra A tomada da cidade de Caen e arredores era importante para permitir aos Aliados a construção de aeródromos.Compagnon (2000), p.59 É um dos objetivos iniciais do Dia D, o primeiro dia do desembarque a 6 de junho de 1944 para o 21º Grupo de Exércitos britânicos. Além disso, estando Caen no Orne, a tomada da cidade permitiria ao Segundo Exército britânico sob as ordens do tenente-general Miles Dempsey e ao 2º Corpo canadiano do tenente-general Simonds ter uma testa de ponte na outra margem do rio e dessa forma proteger eficazmente o flanco leste de qualquer contra-ataque alemão.Mann (2004), p.59

A conquista da cidade é bem mais difícil do que previsto, provocando importantes perdas entre os soldados canadianos e britânicos.Florentin (2002), p.11 As forças do VIIº Exército alemão do SS-obergruppenführer (general de exército-SS) Paul Hausser e do 5º Grupo Panzer Oeste do general der Panzertruppe (general de exército) Heinrich Eberbach ficam enfraquecidas pelos combates,Compagnon (2000), p.143 mas recebem importantes reforços de blindados de outras regiões. A 18 de junho chega a 2ª Panzerdivision e, vinda da Bélgica, a 1ª divisão SS Leibstandarte Adolf Hitler; a 23 de junho, da Polónia, veio a 9ª Panzerdivision SS Hohenstaufen e a 10ª Panzerdivision SS Frundsberg e a 28 de junho, de Toulouse, a 2ª divisão SS Das Reich.Compagnon (2000), p.124-125

left|thumb|Um blindado Sherman e um canhão antitanque Ordnance QF 6 pounder no centro de Caen

Em junho e julho de 1944 os Aliados fazem diversas tentativas de captura da cidade e arredores com vista a estabelecer pistas de aviação para complementar o aeródromo de Carpiquet para apoio aéreo.Compagnon (2000), p. 124 As diversas operações lançadas pelo general Bernard Montgomery, comandante em chefe das forças terrestres, sobre Caen e o sul de Caen são sujeitas a polémica.Compagnon (2000), p.123}} Montgomery está satisfeito com a sua estratégiaCompagnon (2000), p. 131 em conformidade com a apresentada e aprovada em Londres a 15 de maio: « O Segundo Exército britânico tem como papel o assalto a oeste do Orne e de levar a cabo operações a sul e sudeste para assegurar aeródromos e proteger o flanco leste do 1º Exército dos Estados Unidos que deverá tomar Cherbourg. Depois o Segundo Exército seguirá pela esquerda e apresentará uma frente sólida contra manobras adversas vindas de leste. » As operações encadeiam-se mas sem resultados decisivos, e a parte norte de Caen só cairia a 10 de julho, após longas operações,Mann (2004), p.72 sem que Montgomery alguma vez procurasse mudar de estratégia:Mann (2004), p.92 operações Perch de 7 aa 15 de junho, Epsom de 25 a 29 de junho, Windsor a 4 de julho, Charnwood a 8 de julho, Jupiter a 10 de julho. A chegada ao Orne e o controlo do sul de Caen só se tornaram possíveis após as operações Greenline (15 de julho), Pomegranate (16 de julho), Atlantic (17 a 21 de julho) e Goodwood (18 a 22 de julho). Contudo, mesmo após a tomada da cidade, as praias britânicas e canadianas continuavam sob o fogo da artilharia alemã.

thumb|Explosão de um camião de munições da 11ª divisão blindada após ter sido atingido por um tiro de morteiro durante a operação Epsom (batalha de Caen)

O general Dwight David Eisenhower não tinha a opinião de Montgomery e achava o avanço demasiado lento e as perdas humanas demasiado importantes: 34 700 perdas canado-britânicas, com 6 010 mortos, e 62 028 perdas americanas, com 10641 mortos. O comandante supremo dos aliados encontra-se com o tenente-general Omar Bradley a 19 de julhoCompagnon (2000), p. 130 e com Montgomery a 20. Após uma visita de Eisenhower, Montgomery escreve numa circular: «Devemos melhorar e conservar sem fraquejar a já boa posição que ocupamos no flanco leste, e estarmos prontos a passar à ação deste lado.Grandais (1973), p. 330 » A 21 de julho pede ao seu estado-maior uma operação de grande envergadura para furar a frente a leste, onde se encontra mais fraco, ao longo da costa, em direção ao Sena, frente ao 86º Corpo alemão composto por três divisões de infantaria que ainda nunca combateram. É com vista a essa operação que o 1º Exército canadiano é reforçado e a as tropas britânicas e canadianas da frente reorganizadas.Stacey (1960), p.192-194

left|thumb|Os generais Bradley, Montgomery e Dempsey (da esquerda para a direita) na Normandia, a 10 de junho de 1944

Mas é a pedido de Bradley, que organiza a operação Cobra a oeste e que propõe a leste uma operação de equilíbrio em direção a Falaise, que Montgomery abandona a operação em direção a leste para planear a operação Spring, cujo objetivo é o de conseguir fixar os panzers à volta de Caen.Mann (2004), p. 102 Eisenhower espera uma grande operação sobre Falaise, e Montgomery deixa Simonds organizar apenas uma operação de fixação, com uma eventual exploração de uma quebra alemã se tal se providenciar. Simonds declararia mais tarde ter entendido que se tratava de uma simples "diversão" com o objetivo de manter o inimigo ocupado enquanto a principal ofensiva seria lançada na frente americana.

O atentado contra Hitler de 20 de julho não parece ter tido consequências diretas no comportamento das tropas alemãs da Normandia, mas enfraquece a confiança de Hitler nos seus chefes militares vindos da nobreza germânica; a retirada do generalfeldmarschall (marechal) von Kluge do comando a 16 de agosto é um bom exemplo. O Führer apoia-se cada vez mais nos chefes das SS, prejudicando as já difíceis relações entre a Waffen-SS e a Wehrmacht.Compagnon (2000), p. 132, 140

Após o sucesso americano e o fracasso da contra-ofensiva alemã Lüttich, Montgomery, então comandante do 21º grupo de Exércitos britânicos e promovido a Field Marshal (marechal), mas mantendo a coordenação dos dois grupos de exércitos americano e britânico, planeia um ataque a leste da frente, em direção ao sul e não a leste, com tropas canadianas e a 1ª divisão blindada polaca do general brygady (general de brigada) Stanislaw Maczek (desembarcado a 1 de agosto) durante a operação Totalize (7 de agosto).Compagnon (2000), p.139

Bradley abandona em parte a Bretanha e os seus portos para levar as suas tropas americanas com o a 2ª DB francesa do general de divisão Leclerc (desembarcado a 1 de agosto) para iniciar o cerco às forças alemãs na bolsa de Falaise (de 12 a 21 de agosto).Florentin (2002), p. 49-50

direita|thumb|Desenvolvimento da Batalha à volta de Caen

Historiografia left|thumb|Tenente-general Guy Simonds passando em revista em Inglaterra As diversas operações lançadas pelo general Montgomery sobre Caen e sul da cidade são polémicas. Já em junho e julho de 1944, o Air Chief Marshall Sir Trafford Leigh-Mallory, comandante em chefe das forças aérias e sobretudo o Air Chief Marshal Sir Arthur Tedder, adjunto direto do general Dwight David Eisenhower, acusam Montgomery dos fracos ganhos territoriais nas planícies de Caen, dificultando a instalação das pistas de aviação.Stacey (1960), p. 188-189Compagnon (2000), p.124, 130 Além de que a ação do tenente-general Simonds é fortemente submetida a críticas pelo comando superior canadiano que vê na operação Spring uma ação para abrir a estrada de Falaise, enquanto que Simonds sempre mencionou a operação como uma ação de diversão para manter o maior número de forças alemãs em prol da operação Cobra. De qualquer forma, foi essa a interpretação que ele deu às ordens de Montgomery.Jarymowycz (1993), p.75

A ação das tropas do Canadá que participaram na tomada de Caen e na operação Spring também não escapa à crítica. Acusam as tropas de falta de combatividade.Mann (2004), p.93 A primeira é de uma obra de C. P. Stacey, historiador oficial das tropas canadianas na Normandia, que menciona falta de preparação das tropas canadianas: « a falta de experiência em combate fez, sem dúvidas, o seu efeito no seio das formações canadianas. Estiveram bastante bem, mas teriam estado melhor se não tivessem que aprender a sua profissão à medida que combatiam. [...] Não é difícil assinalar algumas ocasiões no decurso da campanha da Normandia onde formações canadianas não exploraram ao máximo as suas hipóteses.Stacey (1960), p.290-291 » Quanto a John A. English em The Canadian Army and the Normandy Campaign: A Study of Failure in High Command, publicado em 1991, coloca o peso da derrota na chefia canadiana e principalmente sobre o general Simonds.

thumb|Soldados alemães com uma MG-42 (Maschinengewehr 42)