Rebelde é uma telenovela brasileira produzida e exibida pela Record entre 21 de março de 2011 e 12 de outubro de 2012, em 410 capítulos. É um reboot – versão de uma obra com outro encaminhamento – da telenovela mexicana Rebelde; esta que, por sua vez, é uma versão da telenovela argentina Rebelde Way, de Cris Morena.
Escrita por Margareth Boury, com colaboração de Ana Clara Santiago, Carolina Galvão, Emílio Boechat, Gidran Dipp, Renê Belmonte e Valéria Motta, sob direção de Daniel Ghivelder, Léo Miranda, Patrícia Fallopa e Rudi Lagemann e direção geral de Ivan Zettel. Rebelde foi exibida em duas temporadas: a primeira de 21 de março de 2011 a 12 de março de 2012, em 256 capítulos, e a segunda de 13 de março a 12 de outubro de 2012, em 154 capítulos.
Rebelde é uma obra representativa na história da teledramaturgia da Record por, além de ser a segunda parceria com a emissora mexicana, retomar a produção e exibição de duas telenovelas simultâneas em sua programação e ser a primeira de seu gênero a ser produzida em alta definição. A novela teve seu término previsto para 2013, porém após a baixa audiência registrada, isso foi adiantado para novembro de 2012, até ser acertado para outubro.
A trama narra o cotidiano de adolescentes que estudam num colégio em regime de semi-internato e tanto eles quanto os demais alunos do colégio enfrentam os "dramas" típicos do período, como a descoberta do primeiro amor, os conflitos de autoimagem, o desenvolvimento de distúrbios alimentares, o relacionamento conflituoso com os pais, o bullying e o alcoolismo. Os nomes dos personagens e seus perfis foram levemente alterados por Boury, o que causou certa controvérsia entre os fãs da versão mexicana, que fora bastante popular no Brasil durante sua exibição. Os Personagens principais da história são Pedro Costa Alice Albuquerque Diego Maldonado Roberta Messi Tomás Campos Penedo Sales E Carla Ferrer Na trama, os seis principais personagens formam uma banda fictícia denominada Rebeldes – e os seis atores que os interpretaram formaram, consequentemente, um grupo musical de mesmo nome, fazendo apresentações pelo Brasil.
Conta com Sophia Abrahão, Lua Blanco, Micael Borges, Arthur Aguiar, Chay Suede e Mel Fronckowiak nos papéis principais.
Antecedentes e contexto
Ainda em 2005, com a contratação do dramaturgo Lauro César Muniz, a Record anunciou seus planos de passar a ter, em sua programação, dois horários distintos destinados à exibição de telenovelas. A emissora já possuía, à época, o RecNov, um estúdio localizado no Rio de Janeiro destinado à produção de sua teledramaturgia, de forma similar ao que a TV Globo já fazia nos estúdios Projac. A estrutura, entretanto, ainda não estava totalmente definida, e as filmagens de Prova de Amor a ocupavam integralmente. Uma vez que as obras de ampliação não iriam estar concluídas em tempo hábil para o início das filmagens de Cidadão Brasileiro, a telenovela escrita por Muniz, outros locais foram utilizados pela emissora como cenário. Em março do ano seguinte, Cidadão Brasileiro começou a ser exibida nesse segundo horário. A telenovela foi exibida, em seu mês de estreia, às 20h30, mas sofreria nos meses seguintes uma série de mudanças em seu horário até regularizar-se às 22h00. Esse horário foi seguido pela produção que a sucedeu, Vidas Opostas, enquanto o horário "das oito" seria posteriormente ocupado por Luz do Sol, que começou a ser exibida em 21 de março de 2007.
Entre 2006 e 2009, sucedendo à Cidadão Brasileiro, cinco telenovelas estrearam no horário das 20h30 e em novembro de 2009, a emissora anunciou que já tinha capacidade de realizar até seis produções ao mesmo tempo, reforçando o projeto de implementar não apenas dois, mas três horários destinados à exibição de telenovelas, algo que vinha sendo cogitado desde 2005, quando Margareth Boury foi anunciada como a autora de uma produção com temática juvenil até então denominada E Aí?, que seria exibida à tarde, mas que acabou não sendo produzida. Boury escreveria, em 2006, Alta Estação, telenovela que inauguraria um terceiro horário distinto destinado à exibição de produções do gênero. Embora bem recebida pela crítica, a telenovela não alcançou índices de audiência considerados satisfatórios pela emissora, não conseguindo se consolidar como a segunda maior audiência do horário – o que levou ao seu cancelamento em maio do ano seguinte, pouco antes do término de sua primeira temporada e com os roteiros da segunda já sendo produzidos. O site NaTelinha, do portal de notícias UOL, chegaria a mencionar que tal cancelamento representaria uma decisão "precipatada" e "lamentável", colocando "um ponto final na terceira faixa de novelas, projeto audacioso da Record que dificilmente terá continuidade". Desde então, a emissora não conseguiria exibir, simultaneamente, três telenovelas inéditas. Entre 2007 e 2010, apenas dois horários da programação da emissora foram destinados à exibição de telenovelas.
Parceria entre Record e Televisa miniatura|150px|A atriz Giselle Itié, protagonista de Bela, a Feia, primeira coprodução entre Record e Televisa.
Em maio de 2008, o jornalista Daniel Castro, em sua coluna no jornal Folha de S.Paulo, noticiou que a Record e a emissora mexicana Televisa haviam começado a negociar um termo de parceria, que envolvesse não apenas a exibição de tramas produzidas no México – como a emissora tinha, desde 2000, com o canal brasileiro SBT – mas também a produção de regravações destas tramas com atores e roteiros brasileiros, sem restrições para as adaptações que fossem julgadas necessárias. Ainda naquele ano, tal parceria seria oficialmente anunciada por ambas as emissoras. Após o anúncio, o jornal Folha de S.Paulo afirmaria que estavam sendo cogitadas para serem regravadas as telenovelas Rebelde e La fea más bella, com o objetivo de serem exibidos estes remakes no horário das 19h. Rebelde, à época, chegou a ser anunciada pela própria emissora como a primeira produção decorrente desta parceria.
Bela, a Feia, telenovela baseada em La fea más bella, inicialmente representaria um retorno ao terceiro horário de telenovelas, mas atrasos na sua produção fizeram com que fosse reposicionada na programação. Uma segunda coprodução México-Brasil entraria no lugar de Bela, a Feia, mas, em janeiro de 2010, o jornalista José Armando Vannucci noticiou que a Record não apenas não conseguiria exibir três telenovelas ao mesmo tempo, como abandonaria o segundo horário destinado ao gênero, deixando para exibir, no mínimo por todo o primeiro semestre de 2010, apenas uma telenovela: Ribeirão do Tempo.
Em janeiro de 2010, a emissora emitiu um comunicado à imprensa anunciando que, com o término de Poder Paralelo, não iria mais exibir uma telenovela no horário das 22h, com Ribeirão do Tempo substituindo Bela, a Feia, mas que ainda no primeiro semestre exibiria uma nova produção, no horário das 19h. Pouco depois, o jornalista Daniel Castro informou que a Record produziria um remake da telenovela mexicana Cuidado con el ángel, e que este começaria a ser exibido ainda no primeiro semestre. Naquela oportunidade, Margareth Boury foi apontada como a responsável pelo roteiro, que chegou a ganhar provisoriamente o título de "Vivendo o Amor". Vanucci, à época, noticiou a informação lembrando que "oficialmente, a Record diz que a nova novela "mexicobrasileira" está prevista para estrear ainda no primeiro semestre, que acaba no dia 30 de junho".
Produção Em junho de 2010, a Record anunciou que não mais produziria um remake da telenovela mexicana Cuidado con el ángel, como vinha sendo até então anunciado, em favor de uma versão brasileira de Rebelde. A telenovela é a segunda coprodução da emissora com a emissora mexicana Televisa, após Bela, a Feia, exibida em 2010. Naquela oportunidade, fora anunciado que as gravações teriam início em agosto daquele ano – e a estreia, ainda em novembro de 2010. Entretanto, em setembro daquele ano fora anunciado que a telenovela só seria exibida a partir de fevereiro de 2011, pois as gravações, até então, não puderam ser iniciadas pela dificuldade que a emissora estava enfrentando na seleção do elenco. Segundo o vice-presidente da Record, Walter Zagari, foram investidos 43 milhões no projeto e a telenovela se tornaria uma "marca", sendo alvo de diversos licenciamentos. Simultaneamente à Rebelde, a emissora anunciava estar produzindo outra telenovela, intitulada Vidas em Jogo, prevista para estrear em abril de 2011 e já planejava implementar, no decorrer de 2011, três horários dedicados à teledramaturgia.
Escolha do elenco miniatura|270px|Os seis principais personagens de Rebelde: Alice, Pedro, Carla, Tomás, Diego e Roberta A seleção dos seis protagonistas de Rebelde durou quatro meses e teve cerca de 600 candidatos. O cantor Chay Suede participou da quinta temporada do reality show brasileiro Ídolos – e logo após ser eliminado do programa, em setembro de 2010, já era cogitado para integrar o elenco da telenovela, em razão de sua popularidade junto ao público. A saída dos atores Gabriel Braga Nunes, Tuca Andrada e Marcelo Serrado do elenco da emissora em 2010 teria sido visto como um fato determinamente para que a Record escolhesse Luciano Szafir para interpretar o papel de Franco Albuquerque, pai da personagem Alice.
Somente no final de outubro que seriam anunciados os atores que interpretariam os protagonistas da novela. Depois da definição, a emissora teria imposto certas regras a eles, como não se falarem entre si, não se envolverem em escândalos e não saírem juntos, para não terem uma superexposição na mídia. Em novembro de 2010, tiveram início os workshops destinados à preparação dos seis protagonistas. Até então, a atriz Helena Xavier era cogitada para interpretar a avó do personagem de Chay Suede.
Cenário e caracterização Um colégio, denominado Elite Way, foi o cenário da maior parte das tramas da telenovela. Para a caracterização dos alunos foi um uniforme quase idêntico ao utilizado na versão mexicana, deste distingue-se por pautar-se pelo uso de tons azuis ao invés de vermelhos. Uma outra forma de diferenciar a trama brasileira foi estabelecer que os alunos estudariam num regime de semi-internato, podendo sair da escola nos finais-de-semana para retornar às suas casas – na versão mexicana, os alunos estudavam num regime de completo internato (porém, se quisessem sair poderiam). Em decorrência disso, uma cidade cenográfica foi construída para retratar a casa dos pais dos personagens na Ilha de Guaratiba, no Rio de Janeiro. As cenas de discussões entre os personagens se caracterizam pela presença contínua de onomatopeias, como acontece nas histórias em quadrinhos.
Baixa audiência, saída de Boury e fim abrupto