Diogo Botelho (Montijo, século XVI - São Salvador da Bahia, século XVII), foi um nobre, militar e político português. Participou das guerras luso-marroquinas, ao lado de D. Sebastião I de Portugal, posteriormente sendo nomeado o oitavo Governador-geral do Brasil entre 1602 e 1607.
Biografia Nasceu em Motijo, Portugal, era filho de Francisco Botelho, capitão de Tânger e estribeiro-mor, e de Brites de Castenheda, filha de Rui de Castanheda, cavaleiro da Casa Real. Foi feito moço fidalgo em janeiro de 1565 e acompanhou o rei D. Sebastião de Portugal nas suas campanhas no norte da África, chegando a combater em Alcácer-Quibir, onde foi capturado, em 1578.
Com a morte de D. Sebastião, na batalha de Alcácer-Quibir (1578), a coroa portuguesa foi reclamada por Felipe II da Espanha que, sem conseguir ter suas pretensões atendidas pacificamente, invadiu e dominou Portugal, dando início à chamada "União Ibérica", que duraria 60 anos. No calor da disputa sucessória, um dos rivais do rei espanhol foi D. Antônio, prior do Crato, neto ilegítimo de Manoel I de Portugal e filho de cristã-nova. Dom Antônio do Crato conseguiu reunir um pequeno séquito, no qual Diogo Botelho e o Conde de Vimioso eram os seus principais apoiantes. Devido esse apoio, Diogo foi capturado e preso pelo governo ibérico, perdendo prestígio na corte. Ele manteve-se ao lado de D. Antônio até a sua morte, em 1595.
No final da década de 1580, Diogo Botelho seria perdoado pelo rei, graças ao seu casamento com Maria Pereira, irmã de Pedro Álvares Pereira, o secretário da corte. Com este casamento, Diogo Botelho reconquistou destaque político na corte portuguesa.
Governador-geral do Brasil (1602-1608) Diogo Botelho foi nomeado governador-geral da colônia do Brasil em fevereiro de 1601, partindo para o Brasil com uma comitiva de 20 homens. Aportou primeiramente em Pernambuco, onde nenhum governador-geral jamais havia ido, depois seguindo para Salvador, onde chegou em 12 de maio de 1602.Vicente do Salvador. História do Brasil, 1627
Colonização do Ceará Em 1603, temendo a influência francesa no norte do Brasil, nomeou o açoriano Pero Coelho de Sousa como capitão-mor da Capitania do Ceará e enviou este em uma expedição por terras cearenses, com objetivo de expulsar os franceses da Serra da Ibiapaba. Esta, foi a primeira tentativa de colonização portuguesa do Ceará, que até então, estava sob exploração dos franceses.
Entre agosto de 1604 e janeiro de 1605, a expedição de Pero Coelho expulsou os franceses do Ceará e fundou duas fortificações na costa cearense, também, deixou uma marca profunda nas populações indígenas da região, que tiveram o primeiro contato com doenças, conflitos armados e escravização. As tropas de Pero Coelho subjugaram a grande nação do povo tabajara que vivia na Serra da Ibiapaba, guerreando contra os morubixabas Irapuã e Juripariguaçu.
Contudo, devido a resistência indígena no litoral e uma seca entre 1605-1609 (a primeira seca registrada no nordeste), os colonos lusitanos fugiram do Ceará e a colonização dessa região fracassou.
Outras campanhas Diogo Botelho enviou uma campanha militar violenta contra os Aimorés, que lideravam forte resistência contra os colonos. Também, aliou-se os indígenas potiguaras para reprimir e capturar os quilombolas que fugiram dos engenhos na Bahia.
Também incentivou o comércio no Brasil, em relação ao açúcar, pau-brasil e à pesca de baleias.
Descendência Diogo Botelho casou-se com Maria Pereira, filha de Nuno Álvares Pereira de Morais e de Isabel de Mariz, com quem teve a seguinte descendência:
Nuno Álvares Botelho (1590-1631). Capitão da Índia Portuguesa em 1629.
Ancestrais
Ver também Lista de governadores-gerais do Brasil Pero Coelho de Sousa
Bibliografia Hermann, J. No reino do desejado. São Paulo: Companhia das Letras, 1998 Vainfas, Ronaldo (direção). Dicionário do Brasil Colonial: 1500 - 1808. Rio de Janeiro: Ed. Objetiva, 2000
Categoria:Governadores-gerais do Brasil Categoria:Apoiantes de D. António, Prior do Crato Categoria:Naturais de Montijo