Teatro de Arena de Porto Alegre é um teatro e um centro de memória e pesquisa sobre as Artes Cênicas no estado brasileiro do Rio Grande do Sul. Está situado na cidade de Porto Alegre. O Teatro de Arena marcou época durante a ditadura militar como um centro de resistência e debate político e social. Hoje é um equipamento da Secretaria da Cultura do Estado do Rio Grande do Sul.

História O teatro foi fundado pelo Grupo de Teatro Independente, ativo desde 1964 e integrado pelos atores Alba Rosa, Araci Esteves, Hamilton Braga, Edviga Faleg e Câncio Vargas, liderados por Jairo de Andrade, diplomados no Curso de Arte Dramática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Hamilton Braga e Jairo de Andrade em 1966 descobriram que o porão do Edifício Duque de Caxias, na subida do Viaduto Otávio Rocha, estava abandonado, e imaginando que poderia ser transformado em um teatro, alugaram o espaço.Oliveira, Júlia Visentini de. Quem foi Sonia Duro e qual foi seu papel na cena teatral gaúcha?. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2024, pp. 20-24

Naquela época havia poucos teatros na cidade mas a movimentação teatral era significativa. Porém, o campo era dinamizado em sua maioria por companhias amadoras ou itinerantes. O grupo tinha a ideia de estabelecer um centro de atividade estável que propiciasse sua própria profissionalização, e também promovesse a formação de novos atores e qualificasse a produção teatral em Porto Alegre, montando espetáculos que despertassem no público uma consciência crítica sobre a realidade política e social da época. Nesta altura Marlise Saueressig também havia se juntado ao grupo.

Os próprios atores escavaram o subsolo para rebaixar o piso e elevar o pé-direito e fizeram toda a reforma para transformar o espaço em um pequeno teatro em forma de arena. Com capacidade para 120 lugares, foi inaugurado em 17 de outubro de 1967 com o nome Teatro de Arena de Porto Alegre, apresentando a peça O Santo Inquérito, de Dias Gomes, já apontando o interesse do grupo pela dramaturgia nacional e a discussão da realidade brasileira.Pilger, Raquel. "O Teatro Arena de Porto Alegre". In: Revista Cena, 2006 (5): 68-85

Surgindo na época da ditadura militar, o Teatro de Arena se distinguiu na história da cultura porto-alegrense pela sua atuação politicamente engajada, criticando o regime e funcionando como um núcleo de resistência cultural."Teatro de Arena reabre nesta quarta-feira (1º) com programação gratuita e aberta ao público". Sul 21, 29 de junho de 2026 Encenavam peças de autores como Plínio Marcos, Oduvaldo Vianna Filho, Consuelo de Castro, Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri. Seus principais modelos eram o Grupo Opinião, o Teatro Oficina e o Teatro de Arena de São Paulo, que muitas vezes cedeu cenários e figurinos às montagens do grupo gaúcho. Ali também se reuniam sindicalistas e estudantes politicamente mobilizados. Em poucos meses de atuação, tornou-se alvo da repressão, e com a decretação do Ato Institucional n.º 5, em dezembro de 1968, a situação piorou. O Teatro sofreu invasões violentas, recebeu diversas ameaças, teve muitos textos censurados, e alguns atores foram agredidos por forças do regime."Teatro de Arena (Tapa)". In: Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. Itaú Cultural, 30 de junho de 2026

Sobreviveu com dificuldade, mas foi um centro importante de teatro socialmente engajado, formou novos atores, promoveu o debate sobre o contexto cultural e político, difundia suas ideias em palcos de periferia, pelo interior do estado e pelo Brasil, oferecia cursos intensivos para a formação de público e a criação de novos núcleos teatrais, inclusive dentro do próprio Arena, como foi o caso dos grupos Teatro Jornal, Grêmio Dramático Açores, Descascando o Abacaxi e Vende-se Sonhos.

Apesar do apoio da categoria e da ajuda financeira recebida do Serviço Nacional de Teatro, teve que fechar as portas em 1977 pela perseguição política e pela carência de verbas de manutenção.ver nota Outras datas de fechamento são dadas na bibliografia: 1978, 1979 ou 1980, mas Hamilton Braga declarou ser 1977 (apud Oliveira, op. cit.) O espaço foi abandonado e se degradou ainda mais. Mais tarde, lideranças culturais passaram a mobilizar a classe artística para o restabelecimento do Teatro e a criação de um núcleo de pesquisa e documentação. A reabilitação de um local tão carregado de memórias políticas se tornava possível pelo contexto de redemocratização do país. Em 1988, foi considerado de utilidade pública e desapropriado pelo Estado, passando a ser um equipamento da Secretaria Estadual da Cultura, posto sob a direção da atriz, cenógrafa e produtora cultural Sônia Duro.

O espaço foi reformado, dotado de equipamentos modernos e reaberto em 1991 como um espaço para o teatro experimental e atores locais, mas a proposta não foi seguida de perto, dando muito espaço para profissionais do eixo Rio-São Paulo vinculados ao teatro tradicional e limitando seu escopo experimentalista para atividades promovidas pelo curso de teatro da UFRGS. Ainda em 1991 foi criada a Associação dos Amigos do Teatro de Arena, com o objetivo de buscar recursos de manutenção, pois o financiamento do governo seria cronicamente insuficiente. Sônia Duro havia trazido consigo a ideia de criar um centro de documentação e pesquisa, que tomou impulso depois que Dilmar Messias descobriu que os textos teatrais que haviam sido barrados pela censura da ditadura estavam a ponto de ser incinerados, conseguindo sua doação para o Teatro, mas o centro só começou a ser organizado efetivamente sob a gestão de Olga Reverbel a partir de 1992.

A criação do Projeto Incentivo à Pesquisa Teatral em 1995 e sua transformação em um prêmio de pesquisa deram impulso às atividades do centro, mas ele ainda não tinha um funcionamento formal e a situação geral continuava precária em termos financeiros e infraestruturais. Relatos na imprensa já noticiavam o sucateamento do Teatro e a desativação da Associação de Amigos. Sob as três gestões de Rosa Campos Velho as atividades cênicas retomaram seu foco experimental, foi dado incentivo à pesquisa, a Associação dos Amigos foi ressuscitada, e em 2004 instalou-se oficialmente o centro de documentação e pesquisa com o nome Espaço Sônia Duro — Centro de Desenvolvimento, Pesquisa e Documentação de Artes Cênicas. O Espaço Sônia Duro tem como competências assessorar o Instituto Estadual de Artes Cênicas na elaboração e coordenação da política cultural para as Artes Cênicas no Rio Grande do Sul, fomentar o desenvolvimento da pesquisa científica sobre as Artes Cênicas no estado dos pontos de vista histórico, promocional e educativo, organizar um banco de dados, um banco de memória oral, e assessorar projetos de encenações com base em pesquisa. O Teatro voltou a ser muito frequentado, sendo o espaço com a maior ocupação nos festivais Porto Verão Alegre e Palco Giratório Sesc.Maria, Marihá. "Quando aberto, é o palco mais vivo da cidade: Teatro de Arena inicia obra de revitalização". Sul 21, 17 de outubro de 2025

Em 2022 os textos teatrais censurados passaram a ser disponibilizados no acervo digital. Fechou em dezembro de 2023 para uma reforma geral, que só iniciou em outubro de 2025, reabrindo em 1 de julho de 2026 com uma programação especial de shows, performances circenses, dança e teatro. O secretário-adjunto da Cultura, Fabiam Thomas, valorizou a importância histórica do local assinalando que o Teatro de Arena se tornou um símbolo da resistência e da valorização da arte e da liberdade cultural durante a ditadura militar."Governo inicia obras de modernização do Teatro de Arena, em Porto Alegre". Governo do Estado do Rio Grande do Sul, 16 de outubro de 2025

Ligações externas

Teatro de Arena completa 50 anos

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