250px|miniaturadaimagem|A região da Síria no Oriente Médio

Este artigo detalha a história da Síria. A República Árabe Síria é um país da ásia ocidental, fazendo fronteira com o Líbano, com o mar mediterrâneo no oeste, a Turquia no Norte, o Iraque no leste, a Jordânia no sul e Israel no sudoeste.BBC: "Syria profile"

Antiguidade

Com uma história documentada por achados arqueológicos de mais de 50 séculos, a Síria, que na Antiguidade incluía também a Mesopotâmia (actual Iraque) e o Líbano, foi sucessivamente ocupada por canaanitas, fenícios, arameus, hebreus, egípcios, sumérios, assírios, babilónios, hititas, persas, gregos e bizantinos.

Desde a Antiguidade, a região compreendida entre a Península da Anatólia, a Turquia e a Península do Sinai já era denominada como Síria , o domínio deste território foi um objetivo constante das antigas civilizações egípcias, que consideravam aquela região como a porta de entrada de seu país, e para persas, que o viam aquela região como uma ponte para a ampliação de seu império.

Entre os séculos XII e , desenvolveu-se, na parte central de seu litoral, a Civilização Cananeia, conhecida pelos gregos como Civilização Fenícia, naquela sociedade destacavam-se marinheiros e comerciantes que, sem se interessar por qualquer expansão territorial ou mesmo por sua unificação política (as cidades fenícias sempre foram independentes, ainda que, por certos períodos, uma ou outra exercesse hegemonia sobre as demais) criaram a primeira civilização mercantil do planeta.

Dentre as realizações dos fenícios se destaca a invenção do alfabeto, a construção de barcos adequados para a navegação em mar aberto, a confecção de cerâmicas e de tecidos, a sistematização dos conhecimentos geográficos e a primeira circunavegação da África. A difusão desses elementos em toda a região do Mar Mediterrâneo está na origem daquilo que viria a ser chamado de Civilização Ocidental, cujos principais expoentes foram os gregos.

Por volta de era dividida em vários Estados: Gesur, Zobá, Arã, Damasco. Mas quando o rei de Zobá perdeu uma batalha em para Davi, os sírios uniram-se sob a liderança de Damasco para formarem uma grande nação. De fato, os sírios invadiram Israel várias vezes, sob a liderança dos reis: Ben-Hadade I, Ben-Hadade II, Hazael, Ben-Hadade III e Rezim (PHRB-88)

Após a morte de Alexandre, o Grande, em , o vasto Império formado por aquele conquistador foi dividido e Síria se tornou o centro do Império Selêucida, assim denominado por ser inicialmente chefiado por Seleuco, que fora um general de Alexandre), que se estendia até o oeste da Índia.

Posteriormente, a região passou a ser uma província do Império Romano, que já não incluía a parte oriental do antigo Império Selêucida, então dominada pelos partos (persas), nesse período aquela região foi constantemente agitada por guerras.

Omíadas

Em 636, o domínio da região passou do Império Bizantino para os árabes, liderados pelo califa Omar. Damasco passou a ser a capital do mais poderoso império da época, o Califado Omíada. A Igreja de São João Batista virou a Mesquita Omíada de Damasco. Em 711, durante o califado de as tropas berberes sob comando de Tárique entram no Império Visigótico, e com o apoio dos herdeiros legítimos do trono de Toledo, matam o imperador Rodrigo na Batalha de Guadalete. Rodrigo era tido como um tirano e o califado contava com o apoio do Bispo Opas de Híspalis, do Conde Juliano de Transfetana e até com um apoio secreto dos herdeiros do trono, impedidos por Rodrigo, Sisebuto e Ebas. Além de anexar a Ibéria, Alualide anexou todos os territórios desde o Rio Eufrates até o atual Paquistão.

Em 732, o califa de Damasco, Hixame ibne Abedal Maleque envia um gigantesco exército para garantir a expansão do califado pela Europa. Foram atacados pelo exército franco de Carlos Martel não muito longe de Paris (Batalha de Tours), sendo derrotados.

Cruzadas A Síria é significativa na história do cristianismo, o apóstolo Paulo foi convertido na estrada de Damasco, e surgiu como uma figura importante na Igreja de Cristo em Antioquia, de onde partiu em muitas de suas viagens missionárias.

Em 750, o último califa omíada, é assassinado, e os Abássidas assumem o poder do Califado e transferem sua capital para Bagdá, enquanto os Omíadas fogem para Córdova, na Península Ibérica. Os Omíadas só lograram restabelecer um califado ibérico em 950, com . Mas, a esta altura, Damasco já tinha perdido sua importância política, sendo agora um centro regional.

Essa perda do poder político de Damasco foi considerável, e resultou no na quase indiferença com que os califas de Bagdá enfrentaram a invasão dos cruzados naquela região. Aqueles califas pouco ajudaram os emires locais na defesa da região, além disso, a capacidade de defesa também estava prejudicada por rivalidades internas, o que explica a tomada de parte daquela região por uma pequena força cristã, longe de suas bases de apoio, que durou quase 200 anos.

Em 1175, Salah Al Din (Saladino) unifica o Egito, Síria e Iraque, e estabelece capital novamente em Damasco, o que possibilita o início do processo de expulsão dos cruzados. A região também enfrentou tentativas de invasões mongóis invasores e tártaras.

Como resultado da constante categuização desde o tempo do apóstolo Paulo Acts 9:1–43 e posteriormente das cruzadas pode-se destacar que até a atualidade existem significativas comunidades cristãs na região, especialmente os maronitas.

Domínio otomano

No , a região passou a ser uma província do Império Otomano. Em 1831, o quediva do Egito, Maomé Ali, conquistou a região e passou a cobrar pesados ​​impostos e a exigir serviço militar obrigatório, o que provocou uma revolta popular que uniu com cristãos e muçulmanos. O fato de comunidades cristãs que participaram dessa revolta estarem sob ameaça de severa repressão, serviu como um pretexto para a interferência militar europeia, num processo que levou à instalação de tropas francesas na região, visando a proteção dos cristãos sírios.

Em 1840, a região voltou ao controle do Império Otomano, que permitiu a instalação de missões e escolas cristãs subsidiados pelos europeus. Em 1858, os maronitas, organizados em comunidades situadas na região montanhosa entre Damasco e Jerusalém, romperam com a classe dominante cristã e aboliram o sistema feudal da posse da terra. Seus vizinhos muçulmanos, principalmente os drusos, decidiram reprimir o movimento antes que se alastrasse por toda a região. O conflito culminou com os chamados massacres de junho de 1860.

Um mês depois, tropas francesas desembarcaram em Beirute para proteger os cristãos. Essa intervenção forçou o Império Otomano a criar uma província separada, o "Pequeno Líbano", que deveria ser governado por um cristão nomeado pelo sultão e aprovado pelas potências europeias. Além disso, a província teria sua própria força policial. A medida também previa a extinção dos privilégios feudais. Trata-se de um caso sui generis de conflito social que se transformou em confronto entre grupos confessionais, resultando afinal na criação do Pequeno Líbano, onde os cristãos exerceriam a hegemonia política sobre a população muçulmana local.

Domínio francês

Depois da queda do Império Otomano durante a primeira guerra mundial, a Síria foi administrada pela França até a independência em 1946.

Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, o Emir Faiçal foi proclamado rei da Grande Síria, como um desdobramento da Revolta Árabe, na época, as intenções da França e do Império Britânico eram desconhecidas, mas, por meio do Acordo Sykes-Picot, Paris e Londres haviam divido o crescente fértil deixando a Síria e o Líbano sob controle/influência francesa, enquanto que o Império Britânico exerceria controle/influência sobre a Palestina, a Jordânia e o Iraque.

Em 1920, a França ocupou militarmente o país, forçando a retirada de Faiçal. Dois meses depois, a Síria foi dividida em cinco Estados coloniais: Grande Líbano (que agregava outras regiões ao território do Pequeno Líbano), Damasco, Alepo, Djabal Druza e Alawis (Lataquia); sendo que os quatro últimos foram reunificados em 1924. Entre 1925 e 1927, os sírios se levantaram em revolta contra o domínio francês. A rebelião, contudo, acabou sendo esmagada.

Até 1932, o país viveu em relativa tranquilidade, naquele ano foram eleitos o presidente e o parlamento, mas a França deixou clara sua intenção de não permitir uma grande autonomia interna. A negativa francesa engendrou a agitação e conflitos, que cessaram em 1936 com um acordo onde os franceses reconheceram a justiça das reivindicações dos sírios, sendo que a principal delas era a reunificação com o Líbano, entretanto, esse acordo nunca foi ratificado, o que causou mais agitação que culminou em 1939 com a renúncia do presidente sírio e a suspensão da Constituição de 1930.

Em 1941, forças da França Livre em operação conjunta com o Império Britânico ocuparam a região destituindo do poder os colaboracionistas.

Em 1943 foram eleitos Chikri Al-Quwatti como presidente na Síria, e Bechara Al-Kuri como presidente do Líbano. Entretanto, quando Bechara defendeu a supressão de cláusulas da Constituição relativas ao domínio francês, tal atitude, levou tropas francesas a prendê-lo, junto com todo o seu gabinete, o que deu início a novos conflitos na Síria e no Líbano, que terminaram em março de 1946, quando a ONU ordenou a retirada das forças europeias e determinou o fim do domínio francês na região.

Independência

A retirada das tropas francesas somente foi concluída em 1947.

Em 1948, as forças sírias lutaram contra a divisão da Palestina e, em 1957, durante a Guerra do Suez, foram aliadas do Egito, atacado por Israel, França e Inglaterra.

Em 1958, a Síria e o Egito iniciaram uma experiência de unificação política por meio da República Árabe Unida, que foi um ambicioso projeto impulsionado por Gamal Abdel Nasser, que teve curta duração, e, portanto, em 1961, os dois países voltaram a ser estados distintos. Dez anos depois foi feita outra tentativa de unificação política dos países árabes, por meio da Federação das Repúblicas Árabes, que foi uma tentativa de unificação política que concedia uma maior autonomia aos países membros e que, além do Egito, incluia também a Líbia.

Partido Baath no poder

Em 1963, ocorre uma revolução popular que levou ao poder o Partido Baath Árabe Socialista, que fora fundado em 1947 por Michel Aflaq, um militante nacionalista de origem cristã.

Em novembro de 1970, o general Hafez al-Assad assumiu o poder e introduziu reformas nas estruturas econômicas e sociais. Durante o V Congresso do Partido Baath, prevaleceu a tese de que os estados árabes eram divisões regionais de uma grande Nação Árabe, Assad foi nomeado secretário-geral e propôs: "acelerar os passos para a transformação socialista nos diferentes campos", esse modo de pensar foi institucionalizado sob a nova Constituição, aprovada em 1973.

O país teve participação fundamental nas guerras árabe-israelenses travadas em 1967 (Guerra dos Seis Dias) e em 1973 (Guerra do Yom Kipur), durante as quais as forças israelenses ocuparam as Colinas de Golã. Posteriormente, se opôs à política dos EUA na região e aos acordos de Camp David, formando a Frente de Firmeza, em conjunto com a Argélia, o Iêmen e a OLP.

Em 1976, tropas sírias formavam a maioria da Força Árabe de Dissuasão, que interveio para evitar que a partição do Líbano, durante a Guerra Civil Libanesa.

Em 1978, as facções síria e iraquiana do Partido Baath mantiveram conversações para a unificação entres a Síria e o Iraque, mas o projeto fracassou.