Jehanne d'Alcy (por vezes grafada incorretamente como Jeanne d'Alcy), nascida Charlotte Lucie Marie Adèle Stephanie Adrienne Faës (Vaujours, 20 de março de 1865 – Versalhes, 14 de outubro de 1956), foi uma atriz e figurinista francesa do final do século XIX e início do século XX, uma das pioneiras do cinema. Era casada com o cineasta Georges Méliès, outro pioneiro da sétima arte.

Apareceu em filmes como Le Manoir du diable (1896), Jeanne d'Arc (1900) e Le Voyage dans la Lune (1902). Em Cléopâtre (1899), tornou-se a primeira atriz da história do cinema a interpretar Cleópatra VII nas telas.

Biografia

Vida inicial e Théâtre Robert-Houdin

Charlotte Lucie Marie Adèle Stephanie Adrienne Faës nasceu em 20 de março de 1865 em Vaujours, então no departamento de Seine-et-Oise. Casou-se pela primeira vez com Gustave Manieux, passando a ser conhecida como Fanny Manieux; após ficar viúva, instalou-se em Paris por volta de 1888.

Ágil e de pequena estatura, revelou aptidão natural para os números de ilusionismo, e foi contratada para trabalhar no Théâtre Robert-Houdin, em Paris, onde adotou o pseudônimo artístico de Jehanne d'Alcy. Quando Georges Méliès assumiu a direção do teatro, em 1888, ela permaneceu no elenco como uma das principais intérpretes das ilusões que ele criava para o palco. Em 1892, desempenhou o papel da marquesa no espetáculo de magia La Source enchantée, de Méliès.

Carreira cinematográfica

Em 1896, quando Méliès iniciou a produção de filmes e fundou a Star Film, Jehanne d'Alcy tornou-se uma de suas colaboradoras mais frequentes, participando de aproximadamente vinte de suas produções. Nesse mesmo ano, protagonizou Escamotage d'une dame au théâtre Robert Houdin, no qual interpreta uma mulher que desaparece e ressurge diante da câmera por meio de trucagem — um dos primeiros exemplos do efeito de substituição no cinema.

Em 1897, estrelou Après le bal (Après le bal, le tub), em que aparece em uma cena de banho assistida por sua camareira — considerada a primeira cena de nudez na história do cinema. Em Cléopâtre (1899), tornou-se a primeira atriz da história a interpretar Cleópatra VII nas telas, mais precisamente seu fantasma, que ressurge após a profanação de seu túmulo. O curta-metragem, de cerca de dois minutos de duração, foi por longo tempo considerado perdido e só foi reencontrado em 2005.

A partir de 1904, encerrou a carreira de atriz para dedicar-se à direção do ateliê de figurinos no estúdio de Méliès em Montreuil.

Vida posterior

Com o declínio financeiro de Méliès após a Primeira Guerra Mundial, Jehanne d'Alcy mantinha uma banca de brinquedos e confeitos no saguão da Gare Montparnasse, em Paris, com a qual o casal sobrevivia. Em 1925, Méliès, viúvo desde 1913, casou-se com ela, oficializando a longa relação que mantinham. Em 1932, com a banca tornada inviável pela crise econômica, foram acolhidos na casa de repouso da Mutuelle du Cinéma, no castelo de Orly, junto com a neta de Méliès, Madeleine Malthête-Méliès.

Após a morte de Méliès, em 21 de janeiro de 1938, dedicou-se a preservar e divulgar sua memória, colaborando com Madeleine Malthête-Méliès nesse esforço. Em 1944, prestou depoimento à Cinémathèque française no qual afirmou que o montador Ferdinand Zecca havia reduzido o filme Cendrillon (1913) à metade de seu comprimento original; ela classificou a intervenção de sabotagem deliberada à carreira de Méliès — acusação que nunca foi comprovada.

Em 1952, apareceu como ela mesma nas sequências emolduradoras do curta-metragem Le Grand Méliès, de Georges Franju, em homenagem ao cineasta, com o filho de Méliès, André, interpretando o pai. Jehanne d'Alcy faleceu em 14 de outubro de 1956, em Versalhes, aos 91 anos. Está sepultada ao lado de Georges Méliès no Cemitério do Père-Lachaise, em Paris.

A personagem de Jehanne d'Alcy foi retratada pela atriz Helen McCrory no filme A invenção de Hugo Cabret (2011), de Martin Scorsese, adaptação do livro de Brian Selznick. Em 2019, foi interpretada por Lucie Boujenah no filme Edmond, de Alexis Michalik.

Filmografia thumb|x200px|direita|Atuando em La Colonne de feu (1899). Le Manoir du diable (1896) Escamotage d'une dame au théâtre Robert Houdin (1896) — a mulher que desaparece Faust et Marguerite (1897) Après le bal (1897) — a mulher banhada Pygmalion et Galathée (1898) Jeanne d'Arc (1900) — Joana d'Arc La Colonne de feu (1899) — Ayesha Cinderella (1899) — a Fada Madrinha Cléopâtre (1899) — Cleópatra Nouvelles luttes extravagantes (1900) Barbe-bleue (1901) — a nova esposa de Barba-Azul Le Voyage dans la Lune (1902) (não creditada) L'Enchanteur Alcofrisbas (1903) Le Grand Méliès (1952) — ela mesma

Ver também Gaston Méliès

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