220px|right|thumb|Fotografia de borboletas D. iulia retirando substâncias mineralizadas de um crocodilo-de-morelet, no México.

Dryas iulia (erroneamente denominada Dryas julia, com "j", e conhecida popularmente por Julia, Flambeau e, em português, Labareda ou Borboleta-fogo-no-ar) é uma borboleta neotropical da família Nymphalidae e subfamília Heliconiinae, nativa do sul dos Estados Unidos até o norte do Uruguai e Argentina. É a única espécie do seu gênero (táxon monotípico); a denominação Dryas provindo de dríade, uma ninfa dos bosques. Foi classificada por Johan Christian Fabricius, com a denominação de Papilio iulia, em 1775.

Descrição Indivíduos desta espécie possuem as asas longas e estreitas, com pouco mais de 80 milímetros de envergadura, e são de coloração laranja ou amarelo escuro, vistos dorsalmente (por cima), com uma faixa amarronzada, mais ou menos pronunciada, cruzando a parte superior das asas anteriores e outra bem menor, formando um triângulo agudo, logo acima. Apresentam leve dimorfismo sexual, com as fêmeas menores e mais escuras que os machos. Vistos ventralmente (por baixo), apresentam padrão de folha seca, com ou sem manchas.

Hábitos Borboletas Dryas iulia geralmente são vistas voando em trilhas de florestas úmidas e decíduas, mas são comumente encontradas em áreas abertas e antrópicas, como clareiras florestais, pastagens, ao longo das margens dos rios e em jardins floridos. Se alimentam, muitas vezes coletivamente, de substâncias mineralizadas retiradas de pedras, do solo, de frutos, de animais, como jacarés ou crocodilos, e de substâncias retiradas de flores como a Lantana camara.

Ovo, lagarta, crisálida e planta-alimento Os ovos de Dryas iulia são colocados em plantas do gênero Passiflora (Maracujá) e são de coloração amarela a laranja-opaca. As suas larvas ou lagartas passam por cinco estágios. Dryas iulia apresenta um dos padrões de coloração mais complexos e variáveis dentre as larvas de primeiro instar em Heliconiinae (BEEBE et al., 1960). A cápsula cefálica é marrom-amarelada, restante do corpo um pouco mais claro. Conteúdo intestinal, visível por transparência após a alimentação, gerando uma faixa marrom-esverdeada. Manchas brancas e faixas marrom escuras distribuídas pelo tórax e abdome. Cerdas da cápsula cefálica marrom-escuras na base e ápice translúcido. Cerdas do tórax e abdome pretas, com a base marrom-escura e porção terminal hialina.. Em seu último estágio larvar, são de coloração predominantemente branca a creme, com listras negras, manchas avermelhadas na lateral, e com projeções espinescentes sobre a superfície. Segundo Otero, elas são agressivas e canibais. A crisálida não é uniforme em sua coloração, constituída por diversas tonalidades de marrom e cinza. O ovo de Dryas iulia alcionea (Cramer, 1779) apresenta coloração amarela a laranja-opaca, com manchas marrons, próximo à eclosão. Subcilíndrico achatado na porção apical, a base pode ser mais afilada que o ápice. Dimensões (média ± erro padrão, n =10): 1,190 ± 0,018 mm e 0,873 ± 0,012 mm para altura e diâmetro, respectivamente. BEEBE et al. (1960) e BROWN (1981); Paim; Kaminski & Moreira (2004).

Subespécies D. iulia possui catorze subespécies:

Dryas iulia iulia - Descrita por Fabricius em 1775, de exemplar proveniente de Porto Rico ("America", na descrição). Dryas iulia fucatus - Descrita por Boddaert em 1783, de exemplar proveniente da República Dominicana. Dryas iulia delila - Descrita por Fabricius em 1775, de exemplar proveniente da Jamaica ("America", na descrição). Dryas iulia alcionea - Descrita por Cramer em 1779, de exemplar proveniente do Suriname. Dryas iulia dominicana - Descrita por Hall em 1917, de exemplar proveniente da Dominica. Dryas iulia framptoni - Descrita por Riley em 1926, de exemplar proveniente de São Vicente e Granadinas. Dryas iulia lucia - Descrita por Riley em 1926, de exemplar proveniente de Santa Lúcia. Dryas iulia carteri - Descrita por Riley em 1926, de exemplar proveniente das Bahamas. Dryas iulia moderata - Descrita por Riley em 1926, de exemplar proveniente de Honduras. Dryas iulia nudeola - Descrita por Bates em 1934, de exemplar proveniente de Cuba. Dryas iulia warneri - Descrita por Hall em 1936, de exemplar proveniente de São Cristóvão e Nevis. Dryas iulia martinica - Descrita por Enrico & Pinchon em 1969, de exemplar proveniente da Martinica. Dryas iulia largo - Descrita por Clench em 1975, de exemplar proveniente da Flórida (EUA). Dryas iulia zoe - Descrita por Miller & Steinhauser em 1992, de exemplar proveniente das ilhas Cayman.

Diferenciação entre espécies

As borboletas Dryas iulia podem facilmente ser confundidas com a espécie Dione juno, da mesma subfamília, diferindo por sua maior envergadura, pelo padrão de manchas escuras das asas anteriores e por não apresentar as manchas em prata que esta última espécie apresenta, em baixo. Também podem ser confundidas com Eueides aliphera, sendo esta última menor e apresentando asas anteriores mais arredondadas, ou com Marpesia petreus, em voo.

Ligações externas Dryas iulia - (Butterflies of America). Dryas iulia na Martinica e em Guadalupe.

Categoria:Lepidópteros descritos em 1775 Categoria:Heliconiínos Categoria:Espécies descritas por Fabricius