José Tavares Guerra (Rio de Janeiro, — Petrópolis, ) foi um financista e político brasileiro muito atuante na cidade de Petrópolis, foi vereador e participou da primeira junta administrativa da cidade. Sua residência, a Casa da Ipiranga, é atualmente uma atração turística local.
Biografia Nascido em 29 de novembro de 1858, na então Côrte Imperial do Brasil, era o filho mais moço do Comendador Luiz Tavares Guerra, próspero exportador de café, e de Maria José de Oliva Guerra, filha do antigo veador do Palácio Imperial de São Cristóvão, José Pedro de Oliva, portanto pertencente à aristocracia carioca do início do século XIX. Seus irmãos eram: João Luiz Tavares Guerra (1851 - 1921), Maria Luiza Oliva Tavares Guerra (1854 - 1941) e Lizia Tavares Guerra (1856 - 1905). Seus pais também tiveram um filho que morreu na infância, chamado Luiz.
Pouco se sabe sobre sua infância, apenas que, como era de costume na época, foi enviado para estudar na Europa aos sete anos de idade. Inicialmente foi para a Alemanha, depois para a Inglaterra (que à época não aceitava estudantes vindos diretamente da América do Sul por medo das "doenças tropicais").
Seu pai era amigo e sócio do Barão de Mauá, relação reforçada após o apadrinhamento de Lizia. Por sugestão do Barão, José foi enviado aos 13 anos de idade à Inglaterra para ingressar no Lord College em Londres. Entretanto, há dúvidas sobre o local exato de sua formação, pois outras fontes citam Eton College. Formou-se em finanças e retornou ao Brasil aos vinte e um anos, provavelmente por pedido do pai, que já se encontrava doente, como consta em correspondência existente no acervo familiar até pouco tempo. Durante o período em que viveu na Europa, teve contato com os ideais e a filosofia vigente, tornando-se um republicano e abolicionista. É muito possível, também, que, devido ao seu tempo de residência na Europa, José fosse capaz de se comunicar em mais de um idioma além do português, provavelmente inglês, alemão e francês. De volta à terra natal, recebe de presente o terreno em frente à casa de sua família em Petrópolis.
Diante do contraste à época do Brasil com a Europa, José idealiza o projeto daquela que seria sua mansão na avenida Ipiranga (à época rua Joinville) em estilo eclético com uma fachada assimétrica, sendo por isso também conhecida como Casa dos Sete Erros. A casa, construída pelo engenheiro alemão Karl Spangenberg, foi erguida entre 1879 e 1884. Foi ainda a primeira residência em Petrópolis a empregar luz elétrica em 1896. Nas obras foi utilizada mão-de-obra de imigrantes alemães em lugar da escrava, pois José era abolicionista e republicano, o que lhe rendeu rusgas com seu pai, o que pode ser evidenciado por sua atuação na firma de exportação de café de seu irmão, sócio do pai até a morte deste, em 1883, ano em que José se associa a João Luiz.
A casa está entre as três mansões particulares do séc. XIX preservadas em estado original no Brasil. Seu jardim é o único atualmente no Brasil que ainda possui traçado original criado pelo francês Auguste François Marie Glaziou, botânico e paisagista da Casa Imperial brasileira, autor dos jardins da Quinta da Boa Vista no Rio de Janeiro, entre outras obras.
Foi casado com Júlia da Fonseca Guimarães (1864 - 1937), filha de um dos sócios de seu pai, Joaquim da Fonseca Guimarães (que nomeia o Largo dos Guimarães, em Santa Teresa), passou a juventude em Paris, e foi aluna do compositor e organista César Franck. O casal teve cinco filhos:
1° Luiz Tavares Guerra (1889 - 1923), casado com Laura de Barros Franco (1898 - 1977);
2° Maria Luiza Tavares Guerra (1891 - 1988), casada com Áquila da Rocha Miranda (1886 - 1939), pais de Alcides e Celso da Rocha Miranda;
3° José Tavares Guerra (1893 - 1979), casado com Seraphina da Conceição Fernandes (1903 - 1991);
4° Maria Lysia Tavares Guerra (1894 - 1981);
5° Jorge Tavares Guerra (1899 - 1978), casado com Emília Soares Brandão (1906 - 1988).
Referências
Categoria:História de Petrópolis
Categoria:Abolicionistas do Brasil