Sambas de Enredo 2010 é um álbum com as músicas das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro para o carnaval de 2010. Foi lançado oficialmente no dia 2 de dezembro de 2009, pela Universal Music em parceria com a Gravasamba. O disco foi gravado entre outubro e novembro de 2009, após as agremiações realizarem suas disputas de samba-enredo. Na primeira fase da produção, foram gravados na Cidade do Samba, ao vivo, algo que não ocorria desde o álbum de 1998, a bateria das escolas e o coro com a participação das comunidades. Na segunda fase, foram gravadas as bases de cavaco e violão no estúdio Cia. dos Técnicos, em Copacabana, no Rio. No mesmo local, foram gravadas as vozes dos intérpretes, encerrando a terceira fase, antes da mixagem e masterização. O álbum foi produzido por Laíla e Mário Jorge Bruno, com direção artística de Zacarias Siqueira de Oliveira, e arranjos musicais de Alceu Maia e Jorge Cardoso.
Campeão do carnaval de 2009, o Salgueiro estampou a capa do álbum e foi a faixa de abertura do disco com um samba sobre o hábito de ler. Vice-campeã de 2009, a Beija-Flor estampou a contracapa e apresentou um samba sobre os cinquenta anos de Brasília, na voz de Neguinho da Beija-Flor. O samba da Portela, que tem Diogo Nogueira entre os seus compositores, tem como tema a informática e a inclusão digital. A obra foi criticada por apresentar, no refrão principal, um merchandising da Positivo, marca que patrocinou o desfile. A canção da Vila Isabel, em homenagem à Noel Rosa, foi composta por Martinho da Vila, e adaptada de outra música sua, "Presença de Noel". Foi a décima vitória de Martinho em disputas na escola. Tendo como tema os desfiles e personalidades inesquecíveis do Sambódromo, a Grande Rio juntou dois sambas concorrentes. A obra teve assinatura de Arlindo Cruz, Carlos Senna, Emerson Dias, entre outros. Assim como a Portela, a Grande Rio também recebeu criticas por inserir um merchan de sua patrocinadora, a Brahma, no refrão de seu samba.
A obra da Mangueira homenageou a música brasileira e foi interpretada por três cantores, com alusivo gravado por Emílio Santiago. O samba da Imperatriz Leopoldinense, sobre a religiosidade brasileira, marcou o retorno do intérprete Dominguinhos do Estácio à escola. A canção da Viradouro, interpretada por Wander Pires, homenageou o México. Segredos e mistérios foram os temas da composição da Unidos da Tijuca; enquanto a moda foi o enredo do Porto da Pedra. O samba da Mocidade Independente aborda os paraísos idealizados pelo homem. A União da Ilha, campeã do Grupo de Acesso em 2009, fez a junção de dois sambas concorrentes. Entre os compositores da obra, sobre Dom Quixote, estão Arlindo Neto e o intérprete da escola, Ito Melodia.
O álbum recebeu criticas mistas. Foi elogiado o retorno das gravações ao vivo, mas a safra de sambas foi classificada como mediana. As obras de Imperatriz e Vila Isabel foram apontadas como as melhores do ano pela crítica especializada. No Desfile das Escolas de Samba, além de Vila e Imperatriz, Mangueira, Beija-Flor e Unidos da Tijuca também receberam nota máxima no quesito samba-enredo, desconsiderando as notas descartadas. O samba da Imperatriz foi o mais premiado do ano, recebendo quatro prêmios, incluindo o Estandarte de Ouro, considerado o "óscar do carnaval". O samba da Mangueira recebeu três prêmios. Do seu lançamento até o carnaval de 2010, o álbum esteve entre os mais vendidos do Brasil, chegando a ocupar a primeira posição do Top 20 Semanal da ABPD.
Antecedentes esquerda|miniaturadaimagem|219x219px|O cantor e compositor Noel Rosa foi escolhido como enredo da Vila Isabel. Campeão do carnaval de 2009, o Salgueiro manteve o carnavalesco Renato Lage e escolheu como tema de seu enredo, os livros. Vice-campeã de 2009, a Beija-Flor manteve sua comissão de carnaval e anunciou uma homenagem aos cinquenta anos de Brasília, patrocinado pelo governo do Distrito Federal, mas causou polêmica ao não abordar os escândalos de corrupção no enredo. Terceira colocada, a Portela perdeu os carnavalescos Lane Santana e Jorge Caribé, que se desligaram da agremiação. Para substitui-los, montou uma nova dupla formada por Amauri Santos e Alex de Oliveira, que elaboraram um enredo sobre a informática e a inclusão digital. O desfile da escola teve patrocínio da Positivo Tecnologia. A Unidos de Vila Isabel manteve o carnavalesco Alex de Souza, que assume a escola sozinho após a parceria com Paulo Barros, que se transferiu para a Unidos da Tijuca. A agremiação escolheu homenagear o cantor e compositor Noel Rosa, morto em 1937. O sambista era conhecido como o "poeta da vila", pela sua ligação com o bairro de Vila Isabel, onde está sediada a escola de samba. O enredo foi assinado pelo carnavalesco Alex de Souza, pelo historiador Alex Varela e pelo compositor Martinho da Vila. A Grande Rio, quinta colocada em 2009, contratou Mestre Ciça e manteve o carnavalesco Cahê Rodrigues, que escolheu um enredo em homenagem aos desfiles e personagens mais marcantes do Sambódromo da Marquês de Sapucaí. A escola recebeu patrocínio da Cervejaria Brahma, gestora do Camarote N.º 1 da Sapucaí. Sexta colocada, a Estação Primeira de Mangueira elegeu o músico e compositor Ivo Meirelles como seu novo presidente e contratou Márcia Lage como sua nova carnavalesca, escolhendo como enredo a música brasileira. Após desentendimentos com a direção da escola, Márcia foi demitida em setembro de 2009, sendo substituída pelos carnavalescos Jaime Cezário e Jorge Caribé. A escola também contratou um novo casal de mestre-sala e porta-bandeira, Raphael e Marcella Alves, e os intérpretes Zé Paulo Sierra e Rixxah, para formar com Luizito um trio de cantores, apelidado de "os três tenores da Mangueira".
Após o sétimo lugar de 2009, a Imperatriz Leopoldinense e a carnavalesca Rosa Magalhães romperam a parceria de dezoito anos. A escola contratou o carnavalesco Max Lopes, que retornou a agremiação após 20 anos, e anunciou um enredo sobre a religiosidade brasileira e o sincretismo religioso. Após a saída de Paulinho Mocidade, a Imperatriz também contratou o intérprete Dominguinhos do Estácio. Oitava colocada em 2009, a Unidos do Viradouro demitiu o carnavalesco Milton Cunha. Para substituí-lo, contratou o carnavalesco Edson Pereira e efetivou ao posto o diretor de carnaval Junior Schall, escolhendo um enredo sobre o México. A escola também trocou de intérprete, dispensando David do Pandeiro e contratando Wander Pires, demitido pela Mocidade. Nona colocada, a Unidos da Tijuca recontratou o carnavalesco Paulo Barros, lançado pela escola no Grupo Especial, e escolheu como enredo os segredos da humanidade. Após o décimo lugar no carnaval anterior, a Unidos do Porto da Pedra demitiu Max Lopes e contratou o carnavalesco Paulo Menezes, que estava na Renascer de Jacarepaguá, anunciando um enredo sobre a história das roupas. Penúltima colocada no carnaval de 2009, a Mocidade Independente de Padre Miguel, contratou o carnavalesco Cid Carvalho, que desenvolveu um enredo sobre os paraísos históricos e os idealizados pelo homem. A escola demitiu o intérprete Wander Pires e contratou David do Pandeiro, que estava na Viradouro. A poucos dias do desfile, Nêgo é contratado para formar dupla com David. Campeã do Grupo A de 2009, a União da Ilha do Governador retornou ao Grupo Especial após oito anos no acesso. A escola contratou a carnavalesca Rosa Magalhães, dispensada da Imperatriz, que desenvolveu um enredo sobre Dom Quixote de La Mancha e os sonhos impossíveis, incluindo o da própria escola de permanecer na primeira divisão do carnaval carioca.
Escolha dos sambas miniaturadaimagem|Martinho da Vila é o compositor do samba da Vila Isabel pela décima vez. A Unidos de Vila Isabel foi a primeira escola a definir seu samba-enredo para o carnaval de 2010. Apontado como favorito pela imprensa e por torcedores, o samba composto por Martinho da Vila, sozinho, foi escolhido vencedor. A escola cogitou não realizar disputa e encomendar o samba diretamente à Martinho, mas desistiu da ideia. A final ocorreu na quadra da agremiação, na madrugada do domingo, dia 4 de outubro de 2009, e foi acompanhada por cerca de cinco mil pessoas. Essa foi a décima vitória de Martinho em disputas da escola. Desde 1993, o compositor não assinava uma obra para a Vila Isabel. "É uma emoção enorme, porque levar um samba para a Avenida, no maior espetáculo da Terra, é algo indescritível. Fiz um samba-enredo de verdade. E é melhor ainda por ser uma homenagem a um gênio como Noel Rosa." Campeão de 2009, o Salgueiro foi a segunda agremiação a escolher o samba para o carnaval do ano seguinte. A final da disputa foi realizada na madrugada do domingo, dia 11 de outubro de 2009, e reuniu cerca de oito mil pessoas na quadra da escola. O samba da parceria de Josemar Manfredini, Brasil do Quintal, Jassa, Betinho do Ponto e Fernando Magarça, confirmou o favoritismo e foi escolhido vencedor. A Unidos do Porto da Pedra foi a terceira escola a definir seu samba. A final da disputa foi realizada na madrugada da segunda-feira, dia 12 de outubro de 2009, e acompanhada por cerca de cinco mil pessoas em sua quadra. O samba da parceria de Bira, Porkinho e Heitor Costa foi escolhido vencedor. Foi a terceira vitória de Porkinho na Porto da Pedra. miniaturadaimagem|Diogo Nogueira venceu a disputa da Portela pela quarta vez consecutiva. A Portela realizou a final de sua disputa na madrugada do sábado, dia 17 de outubro de 2009. Cerca de dez mil pessoas passaram pela quadra da agremiação. O samba da parceria de Ciraninho, Rafael dos Santos, Diogo Nogueira, Naldo e Junior Scafura foi escolhido vencedor. Foi a quarta vitória consecutiva de Ciraninho e Diogo na Portela. "Essa escola é maravilhosa. A emoção de ganhar pela quarta vez é inexplicável. Esse ano a disputa foi muito difícil, foi uma das vitórias mais apertadas que tivemos." miniaturadaimagem|Arlindo Cruz é um dos compositores do samba da Grande Rio. Quatro escolas realizaram suas finais de samba-enredo na madrugada do domingo, dia 18 de outubro de 2009. Na Mangueira, o samba vencedor foi da parceria de Renan Brandão, Machado, Paulinho Bandolim e Rodrigo Carioca. Todos venceram pela primeira vez na agremiação. O samba foi escolhido pelo presidente da escola, Ivo Meirelles, e causou surpresa por derrotar as parcerias favoritas, de Gusttavo Clarão e de Hélio Turco. A Grande Rio optou pela junção dos sambas das parcerias de Arlindo Cruz e de Barbeirinho. Favorito a vencer a disputa, o samba de Arlindo teve uma pequena parte aproveitada, enquanto a maior parte da obra de Barbeirinho foi utilizada. Com isso, o samba final passou a ser assinado por Barbeirinho, Mingau, G. Marins, Arlindo Cruz, Emerson Dias, Levi Dutra, Carlos Senna, Chico da Vila, Da Lua, Isaac, Rafael Ribeiro e Juarez Pantoja. A Viradouro escolheu como vencedor o samba da parceria de Floriano do Carangueijo, Gustavo Marbella e Sacadura Cabral. Quase às sete horas da manhã do domingo, a Unidos da Tijuca anunciou a vitória da obra de Júlio Alves, Marcelinho Calil e Totonho. Foi a quarta vitória de Júlio na escola; e a terceira de Totonho. miniaturadaimagem|Ito Melodia é um dos compositores do samba da União da Ilha.