Nicolas Bouvier (Lancy, – Genebra, ) foi um escritor, viajante, iconógrafo e fotógrafo suíço. Nascido em Genebra, formou-se em história e direito, mas, segundo o mesmo, escolheu a estrada. Entre 1953 e 1954, atravessou os Bálcãs, Irã, Afeganistão, Índia, Ceilão e Japão, quase sempre com pouquíssimos recursos. Fora reconhecido principalmente por ter optado pela pobreza voluntária.
Maiores Viagens miniaturadaimagem|Mapa de viagem de Nicolas Bouvier, feita entre 1953 e 1954 e mencionada em sua autobiografia "L'Usage du monde. Os nomes das localidades seguem indicação do autor. Os países são apresentados com suas respectivas fronteiras atuais.
Khyber Pass (1953 - 1954) Mesmo sem aguardar os resultados de seus exames, Nicolas Bouvier partiu em viagem com o amigo Thierry Vernet, a bordo de um Fiat Topolino. Foi em Bombaim que soube que havia sido aprovado e obtido a licenciatura em Letras.
A viagem estendeu-se até dezembro de 1954. O primeiro destino foi a Iugoslávia, seguido pela Turquia, e depois pelo Irã e pelo Paquistão. Bouvier e Vernet separaram-se no Passo de Khyber. A partir desse ponto, Bouvier seguiu sozinho. Anos mais tarde, suas palavras e desenhos seriam reunidos para recontar essa jornada na obra L’Usage du monde.
Na obra, o autor expressa sua concepção da viagem ao afirmar: “Uma viagem não precisa de razões. Já há muito é uma razão por si mesma. Acredita-se que se vai fazer uma viagem, mas é a viagem que nos faz ou nos refaz.”
O livro foi descrito como uma jornada de autoconhecimento, sendo comparado, em On the Order of Robert M. Pirsig’s Zen and the Art of Motorcycle Maintenance, a uma experiência transformadora. Posteriormente, em The Paths of Halle-San, o autor reforça essa visão ao afirmar: “Se não concedermos à viagem o direito de nos destruir um pouco, talvez fosse melhor permanecer em casa.”
Sri Lanka (1955) Em companhia intermitente, Bouvier atravessa o Afeganistão, o Paquistão e a Índia antes de chegar ao Ceilão. Aqui, perde o seu chão: a solidão e o calor são o seu chão. Levou 7 meses para deixar a ilha e quase trinta anos para se libertar do peso desta aventura com "Le Poisson-Scorpion", um conto mágico oscilando entre a luz e a sombra. Acaba com uma citação de Louis-Ferdinand Céline: "A maior derrota de todas é esquecer, e especialmente a coisa que te derrotou."
Japão (1955-1956) Depois do Ceilão, parte para o Japão e encontra um país em mudança, voltando alguns anos mais tarde. Essas experiências levaram à criação de "Japon", que se transformou em "Chroniques Japonaises" depois de uma terceira estadia em 1970. Nele, há uma mistura de suas experiências pessoais e reescreve a história do Japão de uma perspectiva ocidental.
Bouvier produziu alguns livros para o pavilhão suíço na Expo de Osaka, mas houve uma reedição mais tarde. Na sua visão, "o Japão é uma aula de economia. Não é considerado bom ocupar muito espaço".
Irlanda (1985) A partir de reportagens para um jornal das ilhas Aran, Bouvier escreveu "Journal d'Aran et d'autres lieux", um conto de viagens que às vezes tende para o supernatural, onde o viajante sofre de tifóide. Como ele mesmo disse, "dilatam, tonificam, intoxicam, tornam mais leve e libertam na cabeça os espíritos animais, que se dão a jogos desconhecidos, mas divertidos. Conglomera as virtudes da champanhe, cocaína, cafeína, arrebatamento amoroso e o escritório de turismo comete um grande erro em esquecer isso nos seus prospectos."
Obras L'Usage du monde, 1963, Payot poche, 1992. Japon, éditions Rencontre, Lausanne, 1967. Chronique japonaise, 1975, éditions Payot, 1989. Vingt cinq ans ensemble, histoire de la television Suisse Romande, éditions SSR, 1975. Le Poisson-scorpion, 1982, éditions Gallimard, Folio, 1996. Les Boissonas, une dynastie de photographes, éditions Payot, Lausanne, 1983. Journal d'Aran et d'autres lieux, éditions Payot, 1990. L'Art populaire en Suisse, 1991. Le Hibou et la baleine, éditions Zoé, Genève, 1993. Les Chemins du Halla-San, éditions Zoé, Genève, 1994. Comment va l'écriture ce matin?, éditions Slatkine, Genève, 1996. La Chambre rouge et autres textes, éditions Métropolis, 1998. Le Dehors et le dedans, éditions Zoe, Genève, 1998. Entre errance et éternité, éditions Zoé, Genève, 1998. Une Orchidée qu'on appela vanille, éditions Métropolis, Genève, 1998. La Guerre à huit ans, éditions Mini Zoé, Genève, 1999. L'Échappée belle, éloge de quelques pérégrins, éditions Métropolis, Genève, 2000. Histoires d'une image, éditions Zoé, Genève, 2001. L'Oeil du voyageur, éditions Hoëbeke, 2001. Charles-Albert Cingria en roue libre, éditions Zoé, Genève, 2005.
Referências "A Master Traveler (Nicolas Bouvier)", 'Paths to Contemporary French Literature', volume 1, by John Taylor, New Brunswick, New Jersey: Transaction Publishers, 2004, pp. 60–61.
LOEFFLER, François. Nicolas Bouvier. Paris: Seghers, 1997.
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