A Axia Energia, anteriomente chamada de Eletrobras (Centrais Elétricas Brasileiras), é uma empresa brasileira de capital aberto que atua como uma holding, dividida em geração e transmissão, criada em 1962 inicialmente como uma empresa estatal, para coordenar todas as empresas do setor elétrico.
A reestruturação do setor na década de 1990 reduziu as responsabilidades da empresa, com a criação da ANEEL, do ONS, da CCEE e da EPE.
Responsável por 17% do total da capacidade de geração do país, a Axia Energia tem capacidade instalada de 43.872,3 megawatts em 32 usinas hidrelétricas, 23 usinas eólicas e uma usina solar, além de participação em outros ativos de geração do Sistema Interligado Nacional (SIN). Possui mais de 74 mil quilômetros de linhas de transmissão, o que corresponde a 40,2% do total nacional.
Em 2008, a Axia Energia foi autorizada a atuar no exterior. Seu foco atual é o continente americano, em especial a integração energética na América do Sul.
Em 2010, a Axia Energia adotou uma nova identidade visual, visando consolidar o processo de transformação do Sistema Eletrobras. Na sigla da empresa, inscrita em sua marca, o acento não é mais adotado.
Criada como uma sociedade de economia mista, a Axia Energia foi oficialmente privatizada em 14 de junho de 2022.
História
Antecedentes Desde o primeiro governo de Getúlio Vargas (1930-1945), quando se implantou uma vigorosa política de substituição das importações, ficou assentado que os grandes empreendimentos, de interesse estratégico para o desenvolvimento do país, deveriam ficar sob tutela estatal. Criaram-se então, a Companhia Siderúrgica Nacional (1940), a Companhia Vale do Rio Doce (1942), e a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (1945). No seu segundo governo (1951-1954), foi fundada a Petrobrás - Petróleo Brasileiro S/A (1953).
A criação da Eletrobras foi proposta em 1954 pelo então Presidente Getúlio Vargas, como parte do projeto de desenvolvimento de Vargas, considerando a crescente demanda por energia elétrica necessária para a industrialização e a falta de investimentos por parte da iniciativa privada para a expansão do setor elétrico país. O projeto enfrentou intensa oposição no Congresso Nacional. Em 31 de agosto de 1954, foi criado o Fundo Federal de Eletrificação.
Criação e expansão Em 25 de abril de 1961, sete anos depois, o então Presidente Jânio Quadros assinou a Lei 3.890-A, que autorizava a União a constituir a Eletrobras, a qual foi constituída em 11 de junho de 1962. No Governo João Goulart, a empresa recebeu a atribuição de realizar pesquisas e projetos de usinas geradoras assim como linhas de transmissão e subestações, suprindo assim a crescente demanda de energia elétrica enfrentada pelo Brasil.
Ao ser criada, a Eletrobrás incorporou a CHESF, a FURNAS, a Companhia Hidrelétrica do Vale do Paraíba e a termelétrica de Charqueadas, representando uma capacidade de geração de 5.800 MW. No mesmo ano, a Eletrobrás assumiu o controle da Centrais Elétricas de Manaus. miniaturadaimagem|Inaugurada em 1963, a Usina de Furnas já fez parte da Eletrobras e hoje faz parte da Axia. Desempenhou um papel fundamental para o desenvolvimento da economia brasileira já no ano de 1963, um ano após sua criação, quando entrou em operação a primeira unidade da Usina Hidrelétrica de Furnas (MG), evitando assim o colapso então iminente do fornecimento de energia aos parques industriais dos estados da Guanabara, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais.
A companhia privada de energia Amforp foi comprada pela Eletrobras em 1964.
Em 1968, foi criada a subsidiária Eletrosul, para atuar como empresa geradora e transmissora na região Sul, incorporando a Termelétrica de Charqueadas (Termochar) e a Solteca.
O Regime Militar, com sua tendência ao centralismo, contribuiu para uma maior auto afirmação da Eletrobras como agência planejadora e financiadora, além de holding de outras empresas federais.
Na década de 1970, a Chesf atuou simultaneamente na construção de várias obras. Em 1974, foi concluída a Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso III. A Usina Hidrelétrica de Moxotó (Apolônio Sales) entrou em operação em abril de 1977. A Usina de Paulo Afonso IV entrou em operação no ano de 1979. Também atuou na expansão de sistemas de transmissão no Nordeste.
Para o pleno aproveitamento do Complexo Hidrelétrico de Paulo Afonso, seria necessária a regularização da vazão do rio São Francisco. Em 1973, foi iniciada a construção da Barragem de Sobradinho, formando um dos maiores lagos artificiais do mundo, além do aproveitamento para construção da Usina Hidrelétrica de Sobradinho.
Em 26 de abril de 1973, Brasil e Paraguai assinaram o Tratado de Itaipu, instrumento legal para o aproveitamento hidrelétrico do Rio Paraná pelos dois países. Em 17 de maio de 1974, foi criada a entidade Itaipu Binacional, para gerenciar a construção da usina, com capital dividido entre 50% com a Eletrobras e 50% com a estatal paraguaia Administración Nacional de Electricidad (ANDE).
Em 1973, é criada a subsidiária Eletronorte, com o objetivo de construir usinas e linhas de transmissão na Amazônia. No mesmo ano, Furnas assume a construção do sistema de transmissão da Usina Hidrelétrica de Itaipu e inicia a construção da Usina Nuclear de Angra 1.
Em 1974, é criado o Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel), na ilha do Fundão, na cidade do Rio de Janeiro, em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Em 1975, o controle da CPFL é repassada à CESP.
Em 1979, a Eletrobras adquiriu a Light, maior empresa privada de energia do país.
Em 1981, a Usina Hidrelétrica de Itumbiara entra em operação com uma potência instalada de 1.750 MW, sendo a maior usina de Furnas até então. No mesmo ano, Furnas inicia as obras da usina de Angra 2. Também no mesmo ano, a Light paulista é repassada ao governo de São Paulo, tendo sido criada a Eletropaulo. Em 1984, a usina de Angra I recebeu licença para entrar em operação.
Em 1984, foi inaugurada a Usina Hidrelétrica de Itaipu. No mesmo ano, a Eletronorte inaugurou a Usina Hidrelétrica de Tucuruí.
Nova regulação do setor elétrico brasileiro Durante a década de 90, as privatizações e algumas alterações constitucionais acarretaram em uma mudança de perfil da empresa, na qual acaba perdendo algumas funções com a criação de novas agências reguladoras e entidades estatais como a ANEEL e o ONS. Com a aprovação da Emenda Constitucional n° 6/1995, foi autorizado que empresas de capital estrangeiro pudessem atuar nos potenciais de energia hidráulica no Brasil.
Entre 1994 e 1997, os geradores da Usina Hidrelétrica de Xingó entraram em operação, sendo a maior usina da Chesf.
Em 1995, a Eletrobras foi incluída no PND (Programa Nacional de Desestatização) e, no mesmo ano, a Escelsa é privatizada. Em 1996, a Light foi privatizada e, no ano seguinte, o parque gerador da Eletrosul.
Em 1997, as usinas nucleares de Angra foram repassadas para a Eletronuclear, nova subsidiária da Eletrobras. A Usina de Angra 2 entra em operação em 2001.
Entre 1997 e 1999, o governo federalizou as distribuidoras de Alagoas (Ceal), Piauí (Cepisa), Acre (Eletroacre), Rondônia (Ceron) e do interior do Amazonas (Ceam). No entanto, a privatização dessas empresas só viria a ocorrer em 2018.
Em 1998, é criada a CGTEE, a partir da cisão dos ativos de usinas termelétricas pertencentes à CEEE. Em 2000, a empresa passou a ser controlada pela Eletrobras, em troca de dívidas do governo federal com o governo do Rio Grande do Sul.
Em 1999, é concluída a interligação entre os sistemas Norte-Nordeste com o Centro-Oeste, Sudeste e Sul.
Em 2004, a Eletrobras foi excluída do PND (Programa Nacional de Desestatização), permanecendo uma empresa estatal. Com a aprovação da lei 10.848/2004, foram introduzidos os leilões de energia nova, o que permitiu a expansão do parque de geração e transmissão a partir de investimentos privados.
A Eletrobras, por meio de suas subsidiárias, integrou consórcios com outras empresas na construção de novas usinas, como Santo Antônio (2012), Jirau (2013), Teles Pires (2015) e Belo Monte (2016), bem como do Linhão de Tucuruí (2025), permitindo que o estado de Roraima pudesse ser integrado ao Sistema Interligado Nacional (SIN).
Em 2015, a Eletrobras assumiu o controle da Celg Distribuição em razão do endividamento da companhia, após o acordo assinado em 2012 com o governo de Goiás para assumir 51% do controle. Em 2016, a Celg Distribuição é privatizada.
Em 2018, a União possuía 51% das ações ordinárias da companhia e, por isso, tinha o controle acionário da empresa. BNDES e BNDESPar detinham 6,86% e 13,04% das ações ordinárias, respectivamente, o que garantia mais de 70% das ações com direito a voto em posse do governo.
Em 19 de janeiro de 2018, o então presidente Michel Temer enviou ao Congresso Nacional o Projeto de Lei que dispõe sobre a privatização da Eletrobras.BRASIL. Presidência da República. MENSAGEM Nº 56, de 19 de janeiro de 2018. Diário Oficial da União,publicado em 22/01/2018 .Edição: 15. Seção: 1. Página: 1. Acesso em 25 de janeiro de 2018. Em abril de 2018, a Agência Sportlight revelou que os gestores da Eletrobras pagaram 1,8 milhões de reais para que empresas terceirizadas falassem mal dela mesma. Segundo a reportagem, a estratégia do governo era falar mal da empresa para tentar convencer a opinião pública a aprovar a privatização da empresa.
Em 2020, é realizada a fusão entre a CGTEE e a Eletrosul formando assim a atual CGT Eletrosul.
Em janeiro de 2024, foi aprovada a incorporação de Furnas pela Eletrobras como medida de reorganização societária e simplificação de estrutura do grupo, deliberação que foi concluída em julho de 2024.
Em 22 de outubro de 2025, a Eletrobras anunciou a mudança de nome para Axia Energia, como parte de um processo de transformação de marca iniciado em 2022. Segundo a empresa, as alterações nos tickers das ações nas bolsas de valores do Brasil (B3) e de Nova Iorque (NYSE) devem ser concluídas até 10 de novembro do mesmo ano, permanecendo inalterados os compromissos contratuais, empresariais e regulatórios.
Privatização
Aprovação legislativa Em maio de 2021, a Câmara dos Deputados aprovou uma Medida Provisória, enviada pelo Governo Bolsonaro, que prevê a privatização da Eletrobras. O processo se daria por meio do aumento do capital social da empresa através da emissão de novas ações ordinárias a serem vendidas na Bolsa de Valores B3, o que na prática ,diminuiria a participação acionária do governo e do BNDES a cerca de 45%. A MP foi aprovada no Plenário do Senado, no dia 17 de junho de 2021, com a apresentação de três pareceres diferentes pelo relator, senador Marcos Rogério (DEM-RO). A disputa se refletiu no resultado final da votação: a MP recebeu 42 votos favoráveis e 37 contrários.
Defensores da privatização argumentam que uma vez privatizada a empresa aumentaria sua capacidade de investimento. Entretanto, foi criticada por outros setores da sociedade, como o Movimento União pela Energia, Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), temendo que o projeto poderia provocar aumento de tarifas para o consumidor e causar danos ambientais. As principais preocupações quanto à privatização foram emendas com exigência de contratação de oito mil megawatt em termelétricas movidas a gás natural (custo estimado em R$ 52 bilhões até 2036) com a construção de uma rede de gasodutos (custo estimado de R$ 100 bilhões) e a autorização para construção do Linhão de Tucuruí sem a necessidade de licenças ambientais do Ibama e da Funai.