A Cultura da União Soviética passou por fases durante os 69 anos da sua existência. Resultante da união da cultura majoritária russa com aquelas das 14 restantes repúblicas soviéticas. miniaturadaimagem|Dyadya Lenin (1920) O Estado Soviético apoiou instituições culturais, mas também realizou uma censura rigorosa a qualquer tipo de fomentação cultural que não se alinhasse com a visão estatal, particularmente aquelas inspiradas pelo Ocidente.

História

Período Lenin (1918–1929) A principal característica deste período foi a relativa liberdade e experimentação significante com diversos gêneros, visando alcançar um estilo distinto que fosse característico deste novo regime.

Escritores possuiam um grau de liberdade ponderado, porém muitos ainda assim fugiram da Rússia, devido a oposição ao governo bolchevique.

Lenin era um homem tradicional, tendo desdém pelas novas sensações (Futurismo e Expressionismo). Mesmo assim, demonstrou apoio à cena artística, desejando que fosse acessível ao povo. Nacionalizou muitas coleções privadas de arte e criou o Museu da Nova Arte Ocidental, em Moscou.

Almejava também ter domínio completo da cultura propagada, criando o Departamento de Artes Visuais do Comissariado do Povo para reger este desenvolvimento. Seus membros queriam tornar a arte mais simpática para a população, promovendo uma maior participação destes nas artes. Muitos estúdios de arte foram criados em diversas cidades. miniaturadaimagem|Um pôster soviético figurando Vladimir Lenin (1870-1924), publicado no quinto aniversário de sua morte em 1929. Em vários aspectos a NEP trouxe relativa liberdade e expressão para a vida social e cultural da União Soviética. O governo tolerou uma variedade de tendências nestes domínios, desde que não fossem abertamente hostis ao regime.

Na arte e literatura, numerosas escolas proliferaram. Os escritores comunistas Máximo Gorki e Vladimir Maiakovski eram ativos durante este tempo.

A educação, sob o comissário Anatóli Lunacharski, entrou numa fase baseada em teorias de aprendizagem progressiva. Ao mesmo tempo, o estado ampliou as escolas primárias e de ensino secundário. As políticas ideológicas de admissão dos candidatos para o ensino superior possuiam um claro viéz para a classe proletária, depreciando aqueles provindos da antiga burguesia, independentemente das qualificações dos candidatos.

Na vida familiar, atitudes em geral, se tornaram mais permissivas. O estado legalizou o aborto, e e fez do divórcio progressivamente mais fáctivel. Em geral, as atitudes tradicionais em relação às instituições, tais como casamento, foram lentamente alteradas seguindo um paradigma de ideais revolucionárias.

Era Stalin (1929-1953) miniaturadaimagem|Faixa retratando Marx, Engels, Lenin e Stalin. Durante o governo de Joseph Stalin, impôs-se e consolidou-se, por meio de incentivos governamentais, a criação de principalmente filmes, a tendência cultural conhecida como realismo socialista, com a maioria das outras tendências sendo friamente reprimidas, com esparsas exceções.

Muitos autores foram presos e mortos, alguns morrendo de inanição, sendo exemplos destes tratamentos, Ossip Mandelstam, Isaac Babel e Boris Pilniak. Andrei Platonov, um exemplo de autor reprimido pela censura stalinista, não foi autorizado a publicar.

Houve um breve período de renascimento da literatura ucraniana, compreendido pela década de 1920 ao começo de 1930. Contudo, mesmo abrangendo este período de relativa paz para os escritores, mais de 250 escritores soviéticos e ucranianos morreram durante o Grande Expurgo (por exemplo, Valeran Pidmohyl'nyi).

Textos de autores detidos pela NKVD foram confiscados, com alguns deles posteriormente sendo publicados.

Período Brejnev (1960-1980)

Nos anos 1960 aos anos 1980, durante a Era brejnev, a cultura soviética caracterizava-se pela vida pública e conformista, com foco intenso na vida pessoal.

Surge uma febre envolvendo a cultura popular americana, o maior exemplo sendo o jeans.

Houve a liberalização de todos os aspectos da vida a partir do Degelo de Khrushchev, criando-se a possibilidade para a evolução das diversas formas de arte não-formal, que possivelmente não envolveria prisão sumária ou envio aos gulags.

Na música, o Estado continuava condenando a cultura ocidental, como o jazz e o rock.

Literatura A literatura soviética era conhecida por sua diversidade e complexidade, apesar da censura estatal. O Realismo socialista tornou-se a política oficial do Estado em 1932.

Por outro lado, a literatura de resistência ou "Samizdat" cresceu no submundo, com obras circulando ilegalmente. Aleksandr Solzhenitsyn, autor de Arquipélago Gulag, tornou-se a voz mais proeminente contra as repressões do sistema de gulags.

Mikhail Sholokhov, autor de O Fluxo Tranquilo do Don, recebe o Nobel de Literatura.

Cinema O cinema foi considerado a mais importante das artes por Vladimir Lenin. No início, o cinema soviético foi pioneiro na técnica de montagem, com diretores como Sergei Eisenstein (O Encouraçado Potemkin) e Dziga Vertov definindo a linguagem cinematográfica moderna.

Nas décadas de 1960 e 1970, o cinema soviético viu um ressurgimento artístico com diretores como Andrei Tarkovsky, que explorou temas metafísicos e espirituais em filmes como Stalker e Solaris, frequentemente enfrentando dificuldades com a censura estatal.

Música A vida musical na União Soviética foi marcada por uma tensão constante entre a inovação artística e as exigências ideológicas. Compositores como Dmitri Shostakovich e Sergei Prokofiev foram figuras centrais. Shostakovich, em particular, teve uma relação complexa com Stalin, sendo denunciado duas vezes pelo regime, mas também recebendo prêmios estatais.

A música popular também evoluiu, desde as canções patrióticas de massa até o surgimento do rock soviético e da música de autor (bardos) como Vladimir Vysotsky na década de 1970, que capturou o espírito de desilusão de uma geração.

Gastronomia A culinária soviética tornou-se uma amálgama de tradições de diversas repúblicas, caracterizada pela padronização e pela disponibilidade limitada de ingredientes. Pratos como a Salada russa (Salada Olivier) e o Strogonoff tornaram-se grampos domésticos.

Estilo de vida e Religião O estilo de vida soviético era moldado pela economia planificada e pelo coletivismo. A educação era gratuita e altamente valorizada, com um forte foco nas ciências e na engenharia.

O Estado promoveu ativamente o Ateísmo de Estado, fechando igrejas e perseguindo líderes religiosos. No entanto, a religião persistiu na esfera privada e, durante a Segunda Guerra Mundial, o Estado relaxou algumas restrições para mobilizar o apoio nacionalista.

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