250px|direita|thumb|A Praça Roosevelt, localizada em São Paulo abrigou os primeiros rappers do país.O rap é um estilo de música que faz parte do movimento hip hop. No Brasil, assim como em outros centros urbanos marcados pela desigualdade, está associado ao cotidiano de favelas e periferias, sendo encontrado na maioria dos estados. O estilo é historicamente associado à criminalidade, mas tem ganhado espaço e é identificado como um estilo forte capaz de associar diversos sentimentos e realidades em forma de música.

História Surgimento na década de 1980 miniaturadaimagem|DIscos do período da Black Rio de artistas como Tony Tornado, Carlos Dafé, Gerson King Combo, incluíndo o compato da Melô do Mão Branca, uma coletânea da Chic Show e de outros rappers brasileiros. Antes mesmo do rap chegar ao Brasil, algumas canções no estilo já tinham sido lançadas. Como possíveis primeiras canções estão, o samba "Deixa isso pra lá" (faixa contida no álbum Vou de samba com você) de Jair Rodrigues em 1964,Rodrigues e a Música como Metáfora "Melô do Tagarela" (1979) de Arnaud Rodrigues e Luís Carlos Miele (paródia de Rapper's Delight de Sugarhill Gang), "Mandamentos Black" (1977), e Melô do Mão Branca" (1980) de Gerson King Combo.

Gerson foi um dos principais expoentes do movimento Black Rio, misturando soul e funk com letras de forte consciência social. Sua obra influenciou gerações, sendo especialmente reverenciada por artistas do rap brasileiro, que reconhecem nele uma figura pioneira na valorização da identidade negra e na denúncia das desigualdades sociais. Outros como Rappin Hood, apontam que os repentistas nordestinos seriam os precursores do estilo no país, uma característica comum é a realização de "batalhas" ou "pelejas" entre rimadores.Batalha de rap: a intimidade com as palavras através das rimasDe repente o rap na educação do negro: O Rap do Movimento Hip-Hop Nordestino como Prática Educativa da Juventude Negra

A cidade de São Paulo tornou-se um centro de referência de difusão da cultura hip hop. O rap, assim como outros elementos, chegou ao Brasil no final dos anos 1980, principalmente através das trocas ocorridas no centro da cidade. Jovens periféricos passaram a ocupar locais como a Rua Dom José de Barros, Galeria 24 de Maio (Galeria do Rock) e a estação São Bento. Nomes como JR Blaw (ou Blow, dependendo a fonte consultada) padrinho do grupo "Rota de Colisão", surgem como um dos primeiros a defender o hip hop no local, onde durante o mesmo período o movimento punk também começava a surgir. O break foi por muito tempo a linguagem principal do hip hop, portanto é comum ouvir histórias em que MC's e grafiteiros dançavam antes de seguir seus caminhos artísticos em outras vertentes.

O dançarino Nelson Triunfo é considerado um dos primeiros dançarinos de breakdance do país. Dentre estes b-boys, muitos acabaram decidindo serem rappers, como são chamados os cantores de rap. Apelidados de "tagarelas", tiveram que se mover para a Praça Roosevelt porque houve uma divisão de grupos para cada um continuar difundindo um pilar da cultura hip hop em cada lugar. Pouco tempo depois, os rappers tornaram-se os principais representantes do movimento no Brasil.

Foi de colaboração essencial para o desenvolvimento do rap no país a apresentação do popular grupo americano Public Enemy, em 1984. Através dele foi apresentado o rap a um número grande de pessoas e começou a se difundir rapidamente entre a periferia dos grandes bairros. Com o decorrer da difusão do gênero, as letras passam a funcionar como uma ferramenta de denúncia contra a ineficácia do Estado, falando sobre temas como violência policial, falta de estrutura nas periferias, racismo, entre outros. O linguajar direto e ácido, assim como sua estética, não teve boa aceitação da sociedade, sendo estigmatizado e associado à pobreza, criminalidade e inferioridade.

Um dos primeiros grupos de breakdance a gravar um disco foi o Black Juniors, formado por irmãos da periferia de São Paulo. O grupo foi descoberto por Nelson Triunfo e inicialmente usava o nome Funk Juniors, misturando soul e rap. Teve um álbum produzido com canções compostas por Mister Sam, um DJ e produtor argentino.

Em 1987, foi lançada "Kátia Flávia" pelo cantor e ator carioca Fausto Fawcett, considerado o primeiro rap do respectivo estado. O primeiro álbum exclusivo de rap brasileiro que se tem notícia é a coletânea "hip hop Cultura de Rua", lançado em 1988 pela gravadora Eldorado e produzida por Nasi e André Jung, ambos integrantes do grupo de rock Ira!. Nele foram apresentados artistas como Thaíde e DJ Hum, MC Jack e Código 13. O destaque ficou por conta de Thaíde, que interpretou os clássicos versos: "Meu nome é Thaíde /Meu corpo é fechado e não aceita revide". As bases do disco eram baseadas em funks americanos e acompanhadas espontaneamente de scratches feitos pelos equipamentos de DJs.

No mesmo ano, a segunda coletânea foi lançada e projetou um dos maiores grupos da história do rap brasileiro, os Racionais MC's aliado a formação política e social. Consciência Black, Vol. I, reuniu oito faixas, dentre elas "Tempos Difíceis" e "Racistas Otários" dos Racionais. Formado por Mano Brown, Edy Rock, Ice Blue e KL Jay, o grupo apresentou para a mídia um rap consciente, voltado para desigualdade na periferia e as injustiças sociais com a população preta. Outras compilações da década de 80 foram Ousadia do Rap, da Kaskata's Records, O Som das Ruas, de Chic Show, Situation RAP de FAT Records. A maioria destas gravadoras surgiram de pessoas que organizavam bailes blacks nos anos passados.

Com a mudança na política da capital paulista, foi criada em agosto de 1989 a MH2O, abreviatura de Movimento Organizado de hip hop no Brasil, que posteriormente se tornaria uma organização não-governamental e estando presente em quatro das cinco regiões do país. Este movimento organizou a cultura hip hop, dividindo em seus principais pilares e organizando as primeiras oficinas culturais. A MH2O pode ser considerada como a responsável pelo desenvolvimento de uma consciência social no RAP, que por vezes eram feitos com base em piadas e histórias quaisquer.

1990-2000: Era de Ouro do rap brasileiro Em 1990, os Racionais MC's lançaram o seu trabalho de estreia, intitulado Holocausto Urbano, através da gravadora Zimbabwe Records. Foi lançado em formato de LP e contava - além das duas músicas da coletânea anterior - com "Pânico na Zona Sul", "Hey Boy", "Beco sem Saída" e "Mulheres Vulgares". Racionais ainda lançou Escolha seu Caminho em 1992 e Raio X Brasil, em 1993. Este último foi considerado o marco da propagação do rap na música brasileira, fazendo os Racionais atraírem mais de 10 mil pessoas por show. Tal fato fez o grupo abrir um espetáculo do norte-americano Public Enemy. As músicas "Fim de Semana no Parque" e "Homem na Estrada", contidas em Raio X Brasil foram as primeiras de rap "alternativo" a serem executadas na rádio. No ano seguinte, uma coletânea chamada Racionais MC's foi lançada pela RDS Fonográfica reunindo as faixas dos três álbuns anteriores

Em 1993, no Rio de Janeiro, MV Bill participou da coletânea Tiro Inicial, que foi crucial para que seguisse na carreira de rapper. Mas seu primeiro álbum, Traficando Informação, só viria em 1999. Com esse álbum, MV Bill recebeu o Prêmio Hutúz de 2000, na categoria álbum do ano.

Também no Rio de Janeiro e em 1993, surgiu o Planet Hemp, liderado por Marcelo D2 com uma espécie de rapcore, misturando elementos do rap com reggae e rock. Seu primeiro álbum, intitulado Usuário, recebeu disco de ouro por 140 mil cópias vendidas. A sua temática foi bastante repreendida pelas autoridades da época, que censuraram o videoclipe de "Legalize Já", acusado de apologia ao uso da maconha. A maconha era tema recorrente nas letras do Planet Hemp, que possuía uma postura favorável à sua legalização.

Nessa mesma época, surgia Gabriel o Pensador com a demo "Tô Feliz (Matei o Presidente)", que foi censurada cinco dias após o lançamento. Apesar disso, logo depois o rapper assinou com a Sony Music e lançou o seu primeiro álbum homônimo, que alcançou grande sucesso no mainstream com músicas como "Lôrabúrra", "Retrato de um Playboy" e "175 Nada Especial", sendo que a última possuía um videoclipe vinculado na televisão com a participação de diversas personalidades, como o jogador de futebol Ronaldo.

Ainda naquele ano em São Paulo, o Facção Central, principal nome do gangsta rap brasileiro,participou da coletânea Movimento Rap Vol. 2 e no ano seguinte lançou o álbum de estreia Juventude de Atitude, de 1994. Com uma temática muito mais pesada que a da maioria dos grupos de rap da cena paulista, o Facção Central trata na totalidade de sua discografia sobre a violência, crime, pobreza e repressão policial nas favelas de São Paulo. O álbum Versos Sangrentos de 1999, foi um dos mais polêmicos. As composições fortes de Eduardo combinadas com o videoclipe de "Isso aqui é uma Guerra" vinculado na MTV, tiveram suas gravações confiscadas pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, tendo sua exibição proibida pelo Ministério Público, que abriu um processo contra os integrantes. O assessor de Direitos Humanos do Ministério Público de São Paulo, Carlos Cardoso, por sua vez declarou: "O grupo prega uma luta de classes primitiva. O casamento da letra com as imagens resulta num filme de horror absurdo." Este fato acabou trazendo ainda mais popularidade para o grupo e sua temática principal, que hoje é considerado um dos maiores nomes do rap brasileiro.

Além desses casos, o rap já foi centro de diversas outras polêmicas por causa de composições, como em 1992, em que o grupo de rapcore Pavilhão 9 causou controvérsia com o lançamento do álbum de estreia Primeiro Ato. Uma música intitulada "Otários Fardados" fez com que os integrantes fossem alvo de ameaças telefônicas anônimas.

O Realidade Cruel do interior paulista, é outro nome importante da cena do hip hop de São Paulo, seu primeiro álbum Só Sangue Bom foi lançado em 1999, com uma temática agressiva, semelhante ao Facção Central. Diversos outros grupos paulistas de grande importância para o rap brasileiro surgiram na década de 1990, entre eles Face da Morte, Detentos do Rap, Pavilhão 9 e Sistema Negro.

Nessa década também emergiu a cena hip hop no Distrito Federal, destaque para as bandas com o selo da Gravadora Discovery: Cirurgia Moral, Câmbio Negro, Código Penal, entre outras.

Em 1997, os Racionais MC's lançaram o álbum Sobrevivendo no Inferno, considerado a obra definitiva da banda com os seus maiores sucessos contidos, foi eleito pela Rolling Stone como o décimo quarto melhor disco brasileiro de todos os temposOs 100 maiores discos da Música Brasileira - Revista Rolling Stone, Outubro de 2007, edição nº 13, página 115 e vendeu mais de 1,500,000 cópias, sendo 200 mil apenas no mês de lançamento. Hits como "Capítulo 4, Versículo 3" e "Diário de um Detento", apareceram na MTV com apresentação ao vivo no VMB e videoclipe vinculado na programação, respectivamente.

Década de 2000 O início dos anos 2000 o rap produzido a nível nacional recebia indicações, contudo a crítica e especialistas viam com reservas o cenário da cultura hip hop na perspectiva de mercado. Mas, é nessa realidade que se dá a emergência e consolidação de nova tradição na música brasileira.

Em 2000 Rota de colisão lança seu Single pela 4P Discos e a música Ideias de periferia ....2002 o rapper Sabotage proveniente da Zona Sul de São Paulo lançou seu álbum de estreia Rap é Compromisso pela gravadora Cosa Nostra. Sua carreira promissora chegaria ao fim já em janeiro de 2003, quando ele foi assassinado

Em 2002 Também Campo Minado lança o CD Jogando com o Inimigo e a PM De São Paulo retira a música das programações das Rádios .