Samo I (; ; ) foi um príncipe da dinastia orôntida que assumiu o controle dos Reinos da Armênia e Sofena desde algum ponto depois de
Nome
Samo (; , Sámos) é a forma latina e grega do armênio Same ( Sam), que por sua vez se originou no nome iraniano antigo Sama (Sāma), "preto". No Avestá, Sama era pai do herói avéstico Garxaspe, o que indicaria algum tipo de costume religioso iraniano ou tradição épica entre os orôntidas. Em sua forma grega, o nome designa uma ilha do mar Egeu, que segundo Estrabão, supostamente deriva seu nome de um herói. Apesar dessa interpretação, não há correlação entre o antropônimo e o topônimo, pois o último deriva de sámos (σάμος), que foi utilizado para designar uma proeminência, colina ou montanha.
Antecedentes
O Reino de Sofena foi governado pela dinastia orôntida de origem iraniana, que era descendente de , um nobre bactriano que era genro do xainxá aquemênida . De acordo com o escritor grego Estrabão (falecido em ) em sua Geografia, Sofena surgiu pela primeira vez como um reino distinto sob Zariadres (fl. ), que foi instalado como seu governante pelo rei selêucida . Ele acrescenta ainda que após a derrota de Antíoco III contra os romanos, Zariadres declarou independência. No entanto, este relato é fortemente contradito por evidências epigráficas e numismáticas. Sofena provavelmente surgiu como reino distinto no , durante o declínio gradual da influência selêucida no Oriente Próximo e a divisão da dinastia orôntida em vários ramos. Três governantes pertencentes a um ramo orôntida diferente (Samo I, e Xerxes) governaram a parte ocidental da Grande Armênia, talvez de Comagena a Arzanena.
Vida
thumb|upright=1.05|Tetradracma de , possível filho de Samo I
Samo provavelmente era filho do rei . Com base na evidência existente na inscrição no Monte Ninrode, provavelmente foi pai de Arsames I, cujo reinado em Sofena é datado depois do seu. Cyril Toumanoff propôs que foi à corte de Samo que Zielas da Bitínia fugiu após ter seu direito de sucessão negado no Reino da Bitínia, mas essa hipótese é especulativa, haja vista a evidência textual mencionar um rei armênio anônimo. Algum tempo antes de , Samo refundou a cidade de Samósata no antigo sítio neo-hitita de (Kummuh). Ele pode ter refundado a cidade para afirmar sua reivindicação sobre a área, uma prática comum entre as dinastias iranianas e helenísticas, como Capadócia, Ponto, Pártia e Armênia. A cidade foi construída numa forma arquitetônica persa "subaquemênida", semelhante ao resto dos edifícios orôntidas na Grande Armênia. Nomear cidades como Samósata (persa médio Samaxade (*Sāmašād); persa antigo Samaxiati (*Sāmašiyāti-)) como "alegria de" ou "felicidade de" era uma prática orôntida (e mais tarde artaxíada) que lembrava o discurso real aquemênida. Samósata serviu como uma das residências reais mais importantes dos reis orôntidas de Sofena.
Cunhagem
Semelhante aos primeiros arsácidas da Pártia e aos frataracas de Pérsis, os orôntidas de Sofena experimentaram imagens do poder real iraniano. No anverso de suas moedas, a cabeça de Samo aparece barbeada e virada à direita e atrás dele há um ramo de louro e uma borda de pontos. Em sua imagem, aparece vestido com um capacete alto e cônico com um diadema terminando num laço nas costas com longos fios caindo pelo pescoço. Esse capacete chama-se cirbásia, um tipo de capacete originalmente usado pelos sátrapas do Império Aquemênida. A ponta da sua cirbásia é mais proeminente, semelhante à do capacete usado pelos primeiros ariarátidas da Capadócia. Por conseguinte, no reverso das moedas, há a imagem do tirso de Dioniso entre duas cornucópias entrelaçadas.
Bibliografia
Categoria:Reis orôntidas da Armênia Categoria:Reis orôntidas de Sofena Categoria:Armênios do século III a.C. Categoria:Iranianos do século III a.C.