Tigranes (; ; ) foi um lendário príncipe armênio, contemporâneo do xainxá aquemênida Ciro, o Grande . Aparece tanto na Ciropédia do soldado e historiador grego Xenofonte (falecido em ) quanto na História da Armênia do historiador armênio do , Moisés de Corene (falecido em ). A personagem de Xenofonte foi inspirada no hiparca persa Tigranes, enquanto a personagem de Moisés de Corene é um herói armênio, a personificação do rei armênio Tigranes, o Grande e do herói iraniano Feredum. Para Moisés, Tigranes era filho de Orontes I, o Vida Curta, a personificação heroica da dinastia orôntida.

Nome

Tigranes (; , Tigránēs) é a forma latina e grega surgida do persa antigo *Tigrana (*Tigrāna) e do acadiano Tigranu (, Tīgranu). Hračʻya Ačaṙyan propôs que derivou por haplologia de *tigrarāna, supostamente significando "lutar com flechas" (cf. o persa antigo , ⁠tigrām, “pontiagudo”, acusativo singular feminino), que Ačaṙyan entendeu que derivou do avéstico (tiγra, "flecha") e sânscrito (tigmá, "pontiagudo") e do avéstico (rə̄na, "batalha, luta") e sânscrito (raṇa, "batalha")). Ele também comparou o grego antigo Tigrapates (, Tigrapátēs, literalmente “mestre das flechas”) e, para a haplologia, o nome avéstico (vīrāz) de *vīra-rāz-. J̌ahukyan considerou a explicação improvável. É mais provável que decorra do iraniano antigo Tigrana (*Tigrāna-), uma formação patronímica com o sufixo *-āna- do nome *Tigra (*Tigrā-; lit. “delgado”), refletido no elamita Tigra (, Tīgra) e acadiano Tigra (, Tīgraʾ), da palavra discutida acima para "pontiagudo". O nome foi tardiamente registrado em armênio como Tigrã (, Tigran).

Historiografia

Tigranes aparece tanto na Ciropédia do soldado e historiador grego Xenofonte (morreu em ) quanto na História da Armênia do historiador armênio do , Moisés de Corene (falecido em ). No primeiro, é baseado no hiparca persa Tigranes, enquanto no último foi ainda mais alterado, tornando-se um herói armênio, que era a personificação do rei armênio Tigranes, o Grande e do herói iraniano Feredum. O nome "Tigranes", que era teofórico por natureza, era incomum durante o Império Aquemênida . Apenas duas figuras históricas são conhecidas por terem o nome durante esse período.

Xenofonte

De acordo com a Ciropédia, Tigranes era filho de um "rei da Armênia" não nomeado que havia concordado em fornecer tropas e pagar tributo anual ao rei medo Astíages após ser derrotado por ele. Quando a Média foi invadida pelos caldeus durante o reinado do filho e sucessor de Astíages, Ciaxares, o "rei da Armênia" se recusou a ajudá-lo como era obrigado. Como resultado, Ciro, que era filho da filha de Astíages, Mandane, rapidamente liderou uma expedição à Armênia. O "rei da Armênia" enviou sua família, incluindo seu filho mais novo Sabaris, e seu tesouro às montanhas. Eles foram, no entanto, capturados pelo comandante persa Crisantas. Os armênios entraram em pânico com a aproximação de Ciro, que capturou seu "rei". Tigranes, o filho mais velho do "rei" e "que tinha sido companheiro de Ciro uma vez numa caçada" retornou de uma viagem ao exterior e convenceu Ciro a perdoar o "rei" e reinstalá-lo.

Tigranes serviu Ciro fielmente, auxiliando-o em seu ataque à Assíria, onde os despojos foram divididos entre as partes. Também participou da campanha de Ciro na Babilônia. Este relato de Tigranes por Xenofonte, que não foi mencionado por Heródoto (morreu em ), foi considerado "pura fabricação" pela iranóloga Alireza Shapur Shahbazi. Xenofonte era conhecido por criar heróis antigos baseando-os em figuras contemporâneas. Tigranes foi provavelmente baseado no hiparca persa Tigranes, que era genro de Estrutas e viveu no mesmo período que Xenofonte. De acordo com Shahbazi, o título de "rei da Armênia" não deve ser levado a sério, pois Xenofonte também se refere ao líder dos hircanos e sátrapa da Báctria como "reis".

Moisés de Corene

thumb|esquerda|Ilustração do do sonho de Astíages

A História da Armênia foi composta para servir como uma história "nacional" da Armênia da era dos gigantes ao governo arsácida. De acordo com o livro, Tigranes era filho de Orontes I, o Vida Curta. O rei medo Astíages tinha medo do poder de Tigranes e sua aliança com Ciro. Isso foi reforçado ainda mais por seu sonho de uma mulher no topo de uma montanha que representava a Armênia. Lá ela deu à luz três gigantes, um dos quais cavalgou "um dragão monstruoso" e atacou a Média, prenunciando assim o ataque de Tigranes ao país. Para evitar isso, Astíages se casou com Tigranui, a irmã proeminente de Tigranes. Ele planejou usá-la para fazer amizade com Tigranes, convidá-lo à Média e então matá-lo. Informado da conspiração por sua irmã, Tigranes marchou contra a Média à frente de uma grande força reunida da Capadócia, Ibéria, Albânia e Grande e Pequena Armênia. Lá, libertou Tigranui e matou pessoalmente Astíages em combate.

Tigranes depois mandou sua irmã à cidade de Tigranocerta, que fundou e batizou com seu próprio nome. Também mandou deportar a família de Astíages e 10 mil medos à cidade de Ajedanacã na Armênia. Posteriormente, Tigranes "com a ajuda e encorajamento de Ciro, tomou para si o Império dos Medos e Persas." Foi sobrevivido por seus filhos Papa, Tigranes e Vaagênio. Vaé, que era descendente de Vaagênio, rebelou-se contra Alexandre da Macedônia, que como resultado o matou. Isso levou a um tumulto na Armênia até que Ársaces, o Grande (inspirado em ) instalou seu irmão Valarsaces (inspirado em ) no trono armênio. A erudição há muito tempo concorda que a história é uma mistura de história e várias lendas. Vaé é possivelmente um eco de , que junto com liderou o contingente armênio na Batalha de Gaugamela em . Orontes "o de vida curta" foi uma personificação dos orôntidas, os predecessores dos artaxíadas, cujo governante mais distinto foi Tigranes, o Grande .

Bibliografia

Categoria:Orôntidas lendários Categoria:Armênios do século VI a.C.