José Eduvigis Díaz Vera y Aragón (Pirayú, 17 de outubro de 1833-Paso Pucú; 7 de fevereiro de 1867), conhecido também como General Díaz, foi um militar paraguaio com patente de general de brigada que se destacou como uma das principais figuras do Exército Paraguaio durante a Guerra da Tríplice Aliança. Participou de diversas campanhas e liderou com sucesso a Batalha de Curupaiti, considerada a maior vitória paraguaia no conflito. Em sua homenagem, diversas instituições e lugares no Paraguai levam o seu nome. Sua efígie está representada na moeda de 100 guaranis.
Biografia esquerda|miniaturadaimagem|Casa onde nasceu e cresceu o general Díaz, localizada em Pirayú esquerda|miniaturadaimagem|Pintura a óleo de Héctor Da Ponte que representa o general Díaz, à direita, e à esquerda, o marechal Francisco Solano López, ambos a cavalo Nascido em 17 de outubro de 1833, em Pirayú, distrito do Departamento de Paraguarí, Paraguai, era filho de Juan Andrés Díaz e Dolores Vera, casal que teve mais cinco filhos: Petrona Ygnacia, Josefa Benedicta, María Eugenia, María Bernarda e Pedro Alejandrino. Realizou seus estudos primários em sua terra natal, com o professor Miguel de Avezada y O'Higgins, que era primo de um dos pais da Pátria do Chile, Bernardo O'Higgins. Deixou a casa da família aos dezenove anos para se alistar nas Forças Armadas do Paraguai como soldado raso.
Incorporado ao Batalhão 1 sob o comando do capitão Venancio López, filho do então presidente da República do Paraguai, Carlos Antonio López, e mais tarde sob o comando do capitão Hilario Marcó, que assumiu a liderança do batalhão de polícia, Díaz foi transferido para a Terceira Companhia. Lá foi promovido a sargento após sua destacada participação em uma missão na fundição de ferro de Ybycuí, encomendada pelo então ministro da Guerra e Marinha, Francisco Solano López.
Em 27 de setembro de 1859, Díaz partiu de Assunção no navio de guerra Tacuary com a comitiva de López rumo à Argentina para participar da mediação entre os líderes militares argentinos Justo José de Urquiza e Bartolomé Mitre em San José de Flores.
Promovido sucessivamente a subtenente, tenente e capitão, sempre ao comando da Terceira Companhia. Em 1864, após a doença do tenente-coronel Hilario Marcó, Díaz assumiu a chefia do batalhão de polícia, cargo que desempenhou até maio de 1865, momento em que, com a patente de sargento-mor, assumiu o comando do Batalhão 40, o qual desempenharia um papel crucial durante a Guerra da Tríplice Aliança.
Em 8 de junho de 1865, deixou Assunção junto com Francisco Solano López rumo à Fortaleza de Humaitá. Durante a campanha de Corrientes, esteve sob as ordens do major Avelino Cabral, participando da Batalha do Riachuelo em junho de 1865, na qual apoiou a esquadra nacional em operações terrestres. Posteriormente, integrou-se à Divisão do Sul, ao comando do brigadeiro Francisco Isidoro Resquín. Em 21 de julho de 1865, recebeu a estrela de cavaleiro da Ordem Nacional do Mérito por decreto supremo.
Sua participação foi destacada na batalha de Romero Guazú e, em 25 de outubro de 1865, foi promovido a tenente-coronel.
De volta ao território paraguaio, Díaz encarregou-se de inspecionar os restos da infantaria da Divisão do Sul e, em 31 de janeiro de 1866, participou da batalha de Corrales, sendo um dos poucos oficiais distinguidos com a Cruz da Batalha de Corrales, uma condecoração concedida a apenas 40 oficiais.
De 17 a 19 de fevereiro de 1866, comandou a ocupação de Itatí e o assalto à Ilha Cabrita, participando também da evacuação da Fortaleza de Itapirú. Em 1.º de maio de 1866, por decreto supremo, foi promovido a coronel.
No dia seguinte, lutou na Batalha de Estero Bellaco junto com o tenente-coronel Elizardo Aquino, infligindo significativas baixas ao exército aliado, comandado pelo general uruguaio Venancio Flores. Em 3 de maio de 1866, foi condecorado com a estrela de comendador da Ordem Nacional do Mérito. miniaturadaimagem|Combate de 2 de maio de 1866 no Estero Bellaco do Sul: ataque da vanguarda do exército aliado pela divisão de José Eduvigis Díaz Em 24 de maio de 1866, dirigiu uma das colunas de assalto rumo ao acampamento aliado em Tuiuti, cenário da maior e mais sangrenta batalha travada na América do Sul. Apesar dos obstáculos logísticos e da falta de coordenação das outras duas colunas comandadas pelos generais Vicente Barrios e Francisco Isidoro Resquín, Díaz reconfigurou sua formação e continuou combatendo. Diante da desorganização das outras unidades, Díaz ordenou simular um novo ataque para permitir a retirada de sua coluna sem grandes perdas.
No dia seguinte, Díaz foi promovido a general de brigada dos exércitos da República do Paraguai. Em 11 de julho de 1866, liderou as tropas paraguaias na Batalha de Yataytí Corá e, de 16 a 18 de julho, participou ativamente da Batalha do Boquerão do Sauce, onde infligiu uma derrota significativa ao exército aliado e provocou a perda de seu comandante León de Palleja.
Pouco tempo depois, foi designado para comandar a guarnição do Forte de Curuzú, onde enfrentou as forças aliadas sob o comando do Conde de Porto Alegre, Manuel Marques de Sousa, em 3 de setembro de 1866. O marechal Francisco Solano López ordenou-lhe estabelecer uma linha defensiva entre o Rio Paraguai e a lagoa Méndez. Em 22 de setembro de 1866, Díaz comandou a histórica Batalha de Curupaiti, alcançando uma vitória decisiva que deteve as operações inimigas durante quase um ano. Esse triunfo consolidou seu status como um dos principais heróis nacionais.
Em 26 de janeiro de 1867, Díaz recebeu a missão de inspecionar as manobras navais da esquadra brasileira. Embarcado em uma canoa, sofreu um grave ferimento na perna direita por um projétil inimigo. Após uma cirurgia realizada pelo doutor Skiner, sua perna foi amputada, mas, devido a complicações posteriores, faleceu em 7 de fevereiro de 1867 aos 33 anos no quartel-general de Paso Pucú, do Departamento de Ñeembucú, Paraguai. direita|miniaturadaimagem|Última fotografia tirada do general Díaz com vida; o presidente López ordenou tirá-la com ele vestindo seu uniforme militar e suas condecorações, quando sua saúde já começava a se deteriorar gravemente Díaz desempenhou um papel fundamental em grande parte da Guerra da Tríplice Aliança, participando das batalhas do Riachuelo, Corrales, Estero Bellaco, Tuiuti, Yataytí Corá, Boquerão do Sauce e Curuzú. Entre seus feitos mais significativos destaca-se a Batalha de Curupaiti de 22 de setembro de 1866.
Em seu legado, destaca-se que também planejou uma missão «comando» para desembarcar em pleno Rio de Janeiro, prender o imperador Pedro II do Brasil e impor a paz. No entanto, esse plano nunca se concretizou.
Uma testemunha o descreve assim:
Traslado de seus restos Após sua morte, seu caixão foi trasladado de Paso Pucú em uma caravana para Humaitá e de lá de barco até Assunção, onde o povo o acompanhou até sua última morada no Cemitério da Recoleta. Durante o Saque de Assunção de janeiro de 1869, seu túmulo foi um dos poucos que não foram saqueados pelas tropas aliadas, que, ao reconhecerem a quem pertencia, decidiram respeitá-lo.
No ano de 1879, o general Ignacio Genes foi sepultado no mesmo túmulo que o general Díaz.
Seu túmulo é considerado um dos lugares mais importantes do cemitério da Recoleta, pois do ano 1900 até 1936 reuniam-se ali, a cada 22 de setembro, os veteranos paraguaios da Guerra da Tríplice Aliança para comemorar a Batalha de Curupaiti, o que posteriormente deu início ao processo de reivindicação da figura do marechal López. miniaturadaimagem|Túmulo do General Díaz no Cemitério da Recoleta de Assunção Em 1907, por iniciativa de Juan Silvano Godoy e da comunidade paraguaia de Buenos Aires, encomendou-se um busto de bronze sobre seu panteão, que alguns anos depois foi roubado por desconhecidos.
Em 1939, seus restos foram trasladados e depositados em uma urna no Panteão Nacional dos Heróis, onde descansam até a atualidade. miniaturadaimagem|Restos do General Díaz no Panteão dos Heróis (canto superior direito)
Cronologia e patentes militares miniaturadaimagem|General José E. Díaz (La Ilustración Paraguaya, 1888)
12 de maio de 1852: assentou praça como soldado raso. 26 de abril de 1860: forma-se subtenente. 23 de dezembro de 1863: é promovido a tenente. 23 de maio de 1864: é promovido a capitão. 19 de maio de 1865: ascende a sargento-mor. 21 de julho de 1865: é-lhe conferida a estrela de cavaleiro da Ordem Nacional do Mérito. 25 de outubro de 1865: ascende a tenente-coronel. 31 de janeiro de 1866: participa da batalha de Corrales. 1.º de maio de 1866: é promovido a coronel. 2 de maio de 1866: luta na Batalha de Estero Bellaco. 3 de maio de 1866: recebe a estrela de comendador da Ordem Nacional do Mérito. 24 de maio de 1866: Luta na Batalha de Tuiuti, a mais sangrenta da guerra e da América do Sul. 25 de maio de 1866: por despacho supremo é nomeado brigadeiro dos exércitos da República. 11 de julho de 1866: ataca as posições aliadas em Yataytí Corá. 16-18 de julho de 1866: tem uma participação fundamental na Batalha do Boquerão do Sauce. 22 de setembro de 1866: Lidera a Batalha de Curupaiti, alcançando a maior vitória paraguaia no conflito. 26 de janeiro de 1867: após inspecionar manobras da esquadra brasileira em uma canoa, é ferido gravemente em sua perna direita por um projétil aliado e o doutor Skiner procede à amputação da perna. 7 de fevereiro de 1867: após uma lenta agonia, falece em Paso Pucú aos 33 anos.
Homenagens O Club General Díaz foi fundado em 1917 em homenagem a José Eduvigis Díaz. Seu nome também designa o distrito General José Eduvigis Díaz, a Rota PY04,Columbia Ed. Ctr. a Academia Nacional de Polícia e a primeira turma de oficiais formados na então Escola de Polícia. Em 1994, estabeleceu-se um instituto privado com seu nome no quilômetro 20 da Rota PY01. Sua efígie está representada na moeda de 100 guaranis. Diversas instituições e lugares do país levam o seu nome.
Bibliografia
Categoria:Nascidos em 1833 Categoria:Militares do Paraguai Categoria:Mortos em 1867 Categoria:Pessoas da Guerra do Paraguai