A Igreja Paroquial de São João de Brito é uma igreja situada no bairro de Alvalade, em Lisboa. O templo foi erigido na década de 1950, com a traça do arquitecto Vasco Regaleira, destacando-se tanto pela sua dimensão, como pela conjugação entre o estilo modernista característico do Estado Novo e algumas peças oriundas da antiga igreja da Conceição Nova situada na Baixa.

História A edificação deste templo encontra-se intimamente ligada à expansão da capital para Norte, planeada no século XIX e consolidada através do Plano de Gröer em 1938 e do plano de urbanização do Sítio de Alvalade de 1945, desenhado por João Faria da Costa. A criação do bairro residencial previu a inclusão de diversos equipamentos de acesso facilitado, onde se incluía então este espaço religioso. A actividade comercial circunscreveu-se inicialmente ao segmento da Avenida da Igreja compreendido entre a Praça de Alvalade e a igreja, encontrando-se associada a dois mercados, a Norte e a Sul da área habitacional. A fundação da freguesia homónima viria a ocorrer a 25 de Março de 1959. O orago escolhido foi João Heitor de Brito, missionário jesuíta e mártir na Índia, onde faleceu em 1693. Em conjunto com as circunscrições do Campo Grande e de Alvalade, o novo pólo religioso contribuiu para que o bairro se convertesse num centro urbano autónomo, de certo modo uma alternativa à Baixa Pombalina.

O Cardeal Patriarca de Lisboa D. Manuel Gonçalves Cerejeira, delineou pessoalmente a vertente funcional do novo edifício, recorrendo aos fundos obtidos com a venda e demolição da Igreja da Conceição Nova, antiga estrutura erigida entre 1679 e 1730 no cruzamento da Rua Nova do Almada com a Rua da Conceição. O projecto arquitectónico foi concebido no ano de 1951 pelo arquitecto Vasco Regaleira. A empreitada de construção decorreu entre 1952 e 1955, sob a direcção dos engenheiros Pinheiro da Silva e Marques da Silva, com a execução a cargo do construtor Diamantino Tojal. A inauguração solene decorreu a 2 de Outubro de 1955, contando com a presença do Cardeal Cerejeira. Mais tarde, a 15 de Novembro de 1978, foi adicionado junto à fachada posterior do edifício um busto de bronze de João de Deus Ramos, executado pelo escultor Raul Xavier e assente em pedra amorfa, financiado através de subscrição pública.

Descrição

Exterior Implantada no topo da Avenida da Igreja, no cruzamento com a Avenida do Rio de Janeiro, a estrutura evidencia uma frontaria de recorte dominada por uma empena triangular muito pronunciada, rematada por beiral de telhado à portuguesa. O desenho exterior configura um pano reentrante de contorno idêntico, delimitado por um friso de cantaria, que gera um nártex profundo. O acesso principal faz-se por um vão térreo e largo, encimado por um vasto janelão com vidros dispostos em losango que repete a forma da frontaria. No topo da empena eleva-se a torre sineira, coroada por uma cruz em ferro forjado com cinco metros de altura, repousando as armas do Cardeal Patriarca de Lisboa sobre a vidraça central. Em frente ao janelão, impõe-se a imagem do padroeiro, executada pelo escultor Joaquim Martins Correia. As fontes divergem sobre a materialidade desta peça, referindo a utilização de granito ou de cimento policromado com resplendor em cobre esmaltado a fogo. A envolver a entrada, uma larga moldura granítica exibe palavras gravadas em latim e português:INGREDIMINI IN CIVITATEM DOMINI - AEDIFICATA EST VOBIS ECCLESIA NOVA MCMLII (Entrai na cidade do Senhor - uma nova igreja foi edificada para vós 1952).A ornamentação exterior inclui ainda elementos heráldicos, nomeadamente o brasão da família ladeado pelas inscrições "ST. JOAHANNES 1642" e "DE BRITO 1693", bem como dois emblemas alusivos a Lisboa e a Portugal, ostentando respectivamente a caravela com o corpo de São Vicente deitado e dois corvos, e o escudo com sete castelos e cinco quinas. O volume global do edifício salienta o corpo frontal, uma vez que a nave possui uma cobertura de duas águas cuja inclinação acompanha os pendentes da empena, mas posicionada num plano inferior. As paredes laterais são rasgadas por frestas estreitas verticais.

Interior O espaço interno, concebido para acolher entre 1000 a 1500 pessoas sentadas, desenvolve-se numa planimetria de cruz latina de nave única, com 59×16,5 metros de largura, culminando numa altura máxima interior de 18,2 metros. O transepto perfaz as medidas de 12,5×36 metros, e o presbitério 11,5×14 metros. A cobertura da nave assume a forma de abóbada de berço. O pavimento é revestido a tacos de madeira clara, interrompido por secções em pedra de lioz de tonalidade cinzenta na área de entrada, na zona central entre os bancos, no corpo da nave, no transepto e na totalidade do presbitério.

A decoração interna conjuga trabalhos de cantaria, peças em mármore, azulejaria policromada da Fábrica Sant'Anna e um vasto conjunto escultórico. O arquitecto responsável pelo projecto integrou no novo ambiente moderno o património da degradada e demolida Igreja da Conceição Nova, do qual transitou o retábulo-mor setecentista, as molduras de duas portas em jaspe profusamente trabalhado colocadas no transepto, dois altares de pedra laterais, a pia baptismal e variadas alfaias litúrgicas. Deste espólio constam também um crucifixo de grandes dimensões posicionado na parede de fundo da capela-mor, um retábulo com colunas coríntias encimado pela figuração simbólica do Espírito Santo, a estátua de Nossa Senhora da Conceição posicionada à esquerda do retábulo e um medalhão em jaspe ostentando a imagem da Virgem em alto-relevo posicionado no murete do coro.

A capela-mor exibe um altar em mármore verde de Viana, iluminado por um candeeiro suspenso composto por um círculo duplo com três metros de diâmetro que simula uma coroa luminosa. O sacrário, de planta quadrangular e grandes dimensões, apresenta portas metálicas douradas incrustadas com fragmentos de vidro colorido que, ao reflectirem a claridade, produzem efeitos luminosos. O trono escalonado em andares encontra-se oculto por um cortinado de veludo.

O antigo baptistério, que actualmente alberga o cartório, encontra-se decorado com o painel Baptismo de Jesus, executado e oferecido ao templo pelo pintor Severo Portela no ano de 1955, e com a inscrição: "EM LOUVOR DE SAM JOANNES DE BRITO FOI ESTE PAINEL PINTADO E OFERECIDO Á IGREJA PELO PINTOR SEVERO PORTELA MAIO DE 1955".

A imaginária de cerâmica e escultura reparte-se por diversos autores. Domingos Soares Branco concebeu as duas estátuas do orago destinadas ao interior do edifício, ficando uma delas posicionada à direita do retábulo, sendo este mesmo artista igualmente responsável pelas representações das quatro estações visíveis nos edifícios fronteiros correspondentes aos números 103 a 105 e 96 a 98 da Avenida de Roma. A escultora Amélia Carvalheira foi responsável pelas figuras do Sagrado Coração de Jesus, de Nossa Senhora de Fátima, de São Francisco Xavier, de Santo António e pelos 14 anjos constituintes da Via Sacra. Por fim, as imagens de São José e de Santa Teresinha são da autoria de Stella de Albuquerque.

Ligações externas

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