Turn It Up é o álbum de estreia da cantora inglesa Pixie Lott. A jovem artista foi apresentada a compositores compatriotas e estrangeiros aos quatorze anos de idade com planos de lançar sua carreira musical. Ao mesmo tempo, estava encontrando seu lugar em uma gravadora, até que foi contratada pela Mercury em 2008 e começou a colaborar com novos músicos no seu então futuro disco. O resultado foi a seleção de doze composições feitas por Lott durante sua adolescência, com seu lançamento ocorrendo em 11 de setembro de 2009. O material deriva dos gêneros pop, soul e R&B, com sons de retrô em um projeto musical contemporâneo que inclui baladas e números dançantes. Suas letras são de temas como relacionamentos amorosos inspiradas em situações emotivas.
Turn It Up recebeu em sua maioria resenhas mistas. Críticos avaliaram o produto como divertido e de boa qualidade e elogiaram a execução vocal de Lott, notando sua posição entre uma sonoridade mais clássica em um contexto atual, da mesma forma que a falta de originalidade do conjunto foi desfavorecida. A faixa "Cry Me Out" foi aclamada pela sua musicalidade e conteúdo lírico considerado profundo. O trabalho estreou na tabela britânica de álbuns mais vendidos, a UK Albums Chart, na sexta colocação e recebeu a certificação de platina dupla pela British Phonographic Industry (BPI). Em outros países europeus, asiáticos e oceânicos, veio a ter um desempenho médio nas suas respectivas listas. Até 2011, vendeu cerca de um milhão de cópias mundialmente.
Suas duas principais canções lançadas como singles, "Mama Do (Uh Oh, Uh Oh)" e "Boys and Girls", atingiram o topo da UK Singles Chart, com a primeira sendo indicada aos Brit Awards de 2010 na categoria British Single. Outras músicas de promoção foram "Cry Me Out", "Gravity" e a faixa-título, as quais entraram em classificações da nação de origem de Lott e da Europa. A divulgação do Turn It Up foi feita através de apresentações da artista e na sua turnê de debute, a esgotada Crazy Cats Tour, que percorreu dezenove cidades britânicas para um público total de 40 mil pessoas durante o último bimestre de 2010, após o álbum ter sido reeditado sob o título Turn It Up Louder.
Antecedentes Em 2005, a estudante de quatorze anos inglesa Victoria Lott viu um anúncio no jornal local The Stage, o qual indicava audições musicais. Para ingressar, ela mentiu sobre sua idade — a mínima era de dezesseis anos — e interpretou uma canção de Mariah Carey, impressionando o empresário David Sonenberg. Ele acabou por apresentá-la a compositores do Reino Unido e dos Estados Unidos. Logo, a cantora passou a compor músicas com os profissionais em ambos países e planos de um disco começaram.
Em 2006, L.A. Reid, produtor executivo estado-unidense da gravadora Island Def Jam, voou até Londres para ouvir a jovem cantar e consequentemente contratou-a para sua companhia; novas sessões de composição e gravação com diferentes músicos iniciaram-se. Entretanto, sem mais a orientação de Sonenberg, a postagem de faixas de Lott na rede social MySpace rendeu um interesse maior da indústria fonográfica na artista, com disputas de agentes fazendo-a sair da sua então editora. O resultado foi sua entrada em 2008 na Mercury, da sua nação, e na Interscope, dos Estados Unidos, e ela continuou a elaborar seu álbum de estreia, adotando o apelido de infância "Pixie" como parte do seu nome artístico.
Desenvolvimento A gravação do álbum ocorreu em diferentes locais. Durante seu período de elaboração, Lott viajou para diferentes países e cidades para compor com os produtores do Turn It Up, cujos estúdios musicais onde suas canções foram trabalhadas são sediados nos Estados Unidos (Atlanta, Los Angeles e Nova Iorque), na Dinamarca e na capital londrina da terra natal da cantora. "Hold Me in Your Arms" foi uma das primeiras canções escritas pela artista, que acabou por ser incluída no disco. "Mama Do (Uh Oh, Uh Oh)" foi composta por Phil Thornalley e Mads Hauge após um encontro dos dois com a intérprete, cuja informação de que ela gosta de sair para divertir-se inspirou o tema da obra.
A música do trabalho foi descrita por Paul Lester, do The Guardian, como "sofisticada e de alta tecnologia". Em "Boys and Girls", Joe Kentish, A&R do projeto, notou que uma produção mais direcionada às pistas de dança e rádios deveria ser feita, portanto ele contatou o produtor Fraser T. Smith para realizar esta tarefa. O profissional recebeu as partes da música, mas pensou que elas eram retrô demais, e assim, elaborou uma instrumentação mais contemporânea e que chamasse atenção: adicionou uma execução de bateria mais forte para que acompanhasse a voz da intérprete.
Música
Turn It Up é um álbum que deriva dos gêneros musicais pop, soul e R&B e suas faixas consistem de baladas até números mais animados. De acordo com a artista, o álbum possui sons de retrô, mas mesmo assim permancece contemporâneo. A princípio, sua música era toda voltada para a dos anos de 1970 e inspirada na da cantora Carole King, mas ao longo que Lott começou a trabalhar com produtores dos Estados Unidos, o resultado foi composições de R&B deste país com o soul do Reino Unido. A inglesa relatou que no processo de composição do disco, como no de "Cry Me Out", ela viria a "escrever sobre situações emotivas" por gostar de "colocar-se no lugar do personagem".
A música inicial "Mama Do (Uh Oh, Uh Oh)" é uma canção de soul com elementos de pop, cujo tema é um conto adolescente sobre sair de casa sem a permissão de responsáveis para encontrar uma pessoa específica. "Cry Me Out" é uma balada romântica na qual Lott canta para um ex-namorado que havia traido-a e possui uma musicalidade de Natal. "Band Aid" é um número acústico de R&B em que a artista canta na notação de bemol, ao passo que a faixa-título ao Turn It Up segue no mesmo gênero, mas contém uma produção mais animada pela utilização de sintetizadores e sua letra é sobre o término de um relacionamento que não estava dando certo, como exemplificado pelo verso "Sei que não podes ficar, então não ficarei esperando e antecipando pelo final triste". A quinta composição, "Boys and Girls", é direcionada as festas por ter um compasso inacentuado em uma mistura de pop e dance music que incorpora o funk, constituindo de linhas como "Uma boa batida nunca mata ninguém". Na obra de andamento mediano "Gravity", a intérprete usa o processador de áudio Auto-Tune e canta a respeito de uma mulher que luta para abandonar seu amante, embora acabe voltando a ele através da metáfora da força da gravidade. Outras baladas incluem a de R&B "My Love" e "Nothing Compares", quando a décima obra, "Hold Me In Your Arms", segue em um ritmo dançante. "The Way the World Works" contém partes de funk e o estilo de lançamentos da gravadora Motown em uma série de instrumentos de cordas utilizados em sua elaboração. A última composição, "Hold Me In Your Arms", é uma balada com uma sonoridade de retrô.
Recepção crítica
O portal Metacritic, a partir de oito resenhas recolhidas, deu 51 pontos ao Turn It Up em uma escala que vai até cem, indicando "análises mistas ou medianas". Stephen Thomas Erlewine, redator do Allmusic, comentou que as canções do álbum estão entre o clássico e o contemporâneo. Notou que embora tenha uma inclinação para a sonoridade de grupos femininos e a preferência de Lott para cantar em voz alta, não tem a mesma música retrô das cantoras Duffy e Amy Winehouse — a obra foi referenciada como uma versão mais leve do disco da última Back to Black. O profissional terminou a crítica, afirmando: "(...) ela [Lott] sabe vender uma música e injetá-la com o entusiasmo para a idade apropriada que aguenta-a através dos momentos nos quais Turn It Up escorrega na sua própria superfície, ao passo que também torna o álbum — no seu melhor — incrivelmente contagioso." Lester, também da rede BBC, relatou que certas canções como "Nothing Compares" e "Hold Me in Your Arms" faltam originalidade e elogiou os dois primeiros singles "Mama Do (Uh Oh, Uh Oh)" e "Boys and Girls", citando a balada "Cry Me Out" como um destaque por ser "espirituosa e sábia. Uma grande lição em como pôr linguagem contemporânea em função de uma melodia sublime". Logo, chamou o trabalho de "um debute com classe, senão clássico da recém-chegada da pop (...)". Robert Spellman, do jornal Daily Express, foi mais crítico: observou que o produto desaponta a partir da expectativa do primeiro single e que somente as faixas "Cry Me Out" e outras de R&B servem algum tipo de profundidade que era esperada. Eduardo Guimarães, da página brasileira Território da Música, desfavoreceu Turn It Up por ser descartável devido a uma possível pressão de sucesso sofrida pela cantora. Porém, Sarah-Louise James, do Daily Star, foi bastante positiva ao reparar a diversidade musical contida no álbum e as faixas selecionadas "Turn It Up" e "Here We Go Again" por serem "dançantes" e "Cry Me Out" e "Nothing Compares" por serem "arrebatadoras". Ela completou o artigo ao descrever Turn It Up como "(...) um produto ainda não polido, mas [que] promete diversas coisas mágicas por vir".
Helen Brown, do The Daily Telegraph, referiu-se ao disco como "divertido e arrojado", mas que não tem característica própria. Cathy Rose A. Garcia, do The Korea Times, apreciou a interpretação vocal da cantora e a musicalidade alegre contida no trabalho, pondo ênfase nas baladas "Cry Me Out", "My Love" e "Nothing Compares", equanto o tabloide alemão Bild assinalou sua familiaridade para adolescentes pela sua música pop. Imogen Carter, do The Observer, comparou-o a uma trilha sonora da Disney por ser "entupido de clichês, principalmente os números mais lentos". Embora, graciou os vocais de Lott e o fato de compor suas próprias músicas, das quais algumas têm os seus versos começados com a palavra "baby" repetidamente. O editor do Digital Spy Nick Levine atentou à sua contemporaridade sem deixar de ter um andamento mediano, enfatizando as composições "Gravity", "Turn It Up" e "Here We Go Again", assim como o fato de todas serem produzidas com uma qualidade excessiva e formar um conjunto nunca fraco. Finalizou a publicação, justificando: "Mesmo assim, a pequena falta de individualidade é o preço pago por uma estreia tão sólida, com classe e deleitosa quanto esta. E aos dezoito anos, Pixie tem muito tempo para redefinir seu próprio estilo."
Desempenho comercial Turn It Up fez a sua estreia nas tabelas de sucesso pela Irish Albums Chart em território irlandês ao atingir o número dezoito na edição de 17 de setembro de 2009. Quatro dias após na Nova Zelândia, ficou na trigésima colocação da lista publicada pela Recording Industry Association of New Zealand. No Reino Unido, alcançou o sexto lugar da UK Albums Chart, na qual permanceceu por 81 semanas consecutivas, e foi certificado como disco de platina dupla pela British Phonographic Industry. Na Schweizer Hitparade, compilação suíça, atingiu a 49.ª posição, ao passo que em outubro seguinte desempenhou-se na décima sexta da dinamarquense Hitlisten. Na classificação escocesa divulgada pela Official Charts Company e na da empresa francesa Syndicat National de l'Edition Phonographique, situou-se nos décimo sexto e sexagésimo postos enquanto nas das regiões belgas Valônia e Flandres permaneceu nos septuagésimo e 99.° empregos da Ultratop, respectivamente.