A mulher marinha (ou apenas, marinha) é um ser mítico das lendas portuguesas e da tradição popular. Pode ser descrita como uma espécie de sereia com pés de cabra: «tinha todas as perfeições até à cintura, que se discorrem na mais fermosa, e somente a desfeavam as grandes orelhas que tinha pois lhe chegavam abaixo dos ombros, e quando as levantava lhe subiam a distancia de mais de meio palmo por cima da cabeça. Da cintura para baixo toda estava coberta de escamas, e os pés eram do feitio de cabra, com barbatanas pelas pernas».
Ainda em Portugal, onde também é associada às mouras encantadas, Nereidas e Oceânides, surge em tradições do arquipélagos dos Açores. Aqui, é uma entidade híbrida que sai da água e se transforma em mulher e casando com um homem da terra, agricultor ou pescador, traz-lhe grande alegria, fertilidade e fortuna. Segundo informação do Marine Lexicon (Léxico Marinho, um projeto financiado pela iniciativas bilaterais das EEA Grants), noutras partes da Europa, é uma criatura que se transforma de foca em mulher, retirando a sua pele quando sai do mar e vem a terra. Provavelmente relacionada com a presença de focas nas praias e costas. É um elemento original da mitologia escocesa ou céltica, e tem presença equivalente na tradição folclórica e mitológica de Noruega, Ilhas Faroé e Islândia. Ainda noutras partes do mundo, estas criaturas híbridas são capazes de se transformar em mulheres de verdade e depois voltar à sua forma marinha – tal como o Boto e a Iara na mitologia e folclore do Brasil.
Referências
Ver também Ninfa Tágides Sereia
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