Eliane Lima dos Santos (Rio de Janeiro, 29 de setembro de 1950), conhecida por Eliane Potiguara, é professora, escritora, ativista e empreendedora indígena brasileira. Fundadora da Rede Grumin de Mulheres Indígenas. Foi uma das 52 brasileiras indicadas para o projeto internacional "Mil Mulheres para o Prêmio Nobel da Paz".
Biografia Formada em Letras (Português e Literatura) e Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro com Especialização em Educação Ambiental pela UFOP. Em dezembro de 2021 recebeu o título de doutora honoris causa, do Conselho Universitário (Consuni), órgão máximo da UFRJ.
Participou de vários seminários sobre direitos indígenas na Organização das Nações Unidas (ONU), em organizações governamentais e não governamentais.
Foi esposa do cantor e compositor Taiguara de 1978 a 1985, pai dos seus 3 filhos.
É considerada a primeira escritora indígena no Brasil.
Com uma bolsa que conquistou da ASHOKA em 1989 (Empreendedores Sociais), o seu salário de professora, o apoio de Betinho/IBASE e os recursos do Programa de Combate ao Racismo (o mesmo que apoiava Nelson Mandela), pode prosseguir a sua luta ativista a época, associada ao sustento e cuidados de seus três filhos (Moína Lima, Tajira Kilima e Samora Potiguara).
Em 1990, foi a primeira mulher indígena a conseguir uma petição no 47º Congresso dos Índios Norte-Americanos, no Novo México, para ser apresentada às Nações Unidas. Neste Congresso reuniram-se mais de 1500 indígenas americanos. Desse modo, participou durante anos da elaboração da "Comitê Inter-Tribal 500 Anos Declaração Universal dos Direitos Indígenas", na ONU, em Genebra. Em 1996, recebeu por este trabalho o título de "Cidadania Internacional", concedido pela organização filosófica Iraniana Baha'i, que milita pela implantação da Paz Mundial.
É defensora dos Direitos Humanos, tendo sido criadora do primeiro jornal indígena, de boletins conscientizadores e de uma cartilha de alfabetização indígena dentro do método Paulo Freire com o apoio da Unesco. Em 1991, organizou em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, um encontro com a participação de mais de 200 mulheres indígenas de várias regiões do Brasil, tendo como convidados especiais a cantora Baby Consuelo e vários líderes indígenas internacionais. Além disso, também organizou vários cursos referentes à Saúde e Diretos Reprodutivos das Mulheres Indígenas e foi consultora de outros encontros sobre o tema.
Em 1992 foi cofundadora e pensadora do Comitê Inter-Tribal 500 Anos ("kari-oka"), por ocasião da Conferência Mundial da ONU sobre Meio-Ambiente, junto com Marcos Terena, Idjarruri Karajá, Megaron e Raoni e muitos outros líderes indígenas do país, além de ter participado de dezenas de assembleias indígenas em todo o Brasil.
220px|miniaturadaimagem|esquerda|Potiguara em 2014 Discutiu a questão dos direitos indígenas em vários fóruns nacionais e internacionais, governamentais e não governamentais, propondo diversas diretrizes e estratégias de ordem político-econômica, inclusive no fórum sobre o Plano Piloto para a Amazônia, em Luxemburgo, em 1999.
Em 1995, na China, no Tribunal das Histórias Não Contadas e Direitos Humanos das Mulheres que aconteceu na Conferência da ONU, narrou a história de sua família que emigrou das terras paraibanas na década de 1920 por ação violenta dos neo-colonizadores e as consequências físicas e morais desta violência à dignidade histórica de seu bisavô, avós e descendentes. Contou também o terror físico, moral e psicológico pelo qual passou ao buscar a verdade, além de sofrer violência psicológica e humilhação por ser detida pela Polícia Federal por estar defendendo os povos indígenas, seus parentes, do racismo e exploração. O seu nome foi caluniado na imprensa do estado da Paraíba.
Foi Conselheira da Fundação Palmares/Minc, e "fellow" da organização internacional ASHOKA, dirigente do GRUMIN e membro do Women's Writes World. Participou de 56 fóruns internacionais e para mais de 100 nacionais culminando na Conferência Mundial contra o Racismo na África do Sul, em 2001, e outro fórum sobre os Povos Indígenas em Paris, em 2004.
Integra o Comitê Consultivo do Projeto Mulher: 500 anos atrás dos panos, que culminou no Dicionário mulheres do Brasil.
Tem 10 obras publicadas entre romances, poesia e ensaios. Seu carro chefe é o livro intitulado Metade Cara, Metade Máscara que está na sua terceira edição pela GRUMIN Edições, aborda a questão indígena no Brasil, foi adotado pelo TCU (Tribunal de Contas da União) do MS e pela Secretaria de Educação do DF. Este livro está nos Anais da Mostra Científica e mestrandos e doutorandos estudam esta e outras obras literárias da autora.
Em 2023 lançou pela GRUMIM Edições o livro O Vento Espalha Minha Voz Originária.
Foi homenageada em 10/01/2024 pela Maurício de Sousa Produções (Turma da Mônica) no Projeto Donas da Rua.
Em 2024 lançou os livros Questão Indígena Brasileira: Visto Minha Própria Pele sem Medo pela Editora Cultura e Conhori e as Icamiabas- Guerreiras da Amazônia pela Editora Brasil. Em novembro do mesmo ano foi homenageada na Feira Literária de Saquarema (FLIS) pela Prefeitura de Saquarema/RJ. https://veja.abril.com.br/coluna/radar/feira-literaria-de-saquarema-vai-homenagear-escritora-e-ativista-indigena
Prêmios Foi nomeada entre as "Dez Mulheres do Ano de 1988" pelo Conselho das Mulheres do Brasil, por ter criado a primeira organização de mulheres indígenas no Brasil - o GRUMIN (Grupo Mulher-Educação Indígena) - e por ter trabalhado pela educação e integração da mulher indígena no processo social, político e econômico no país durante a elaboração da Constituição brasileira de 1988. O GRUMIN foi o grupo pioneiro do movimento de mulheres indígenas no Brasil.Macedo, Michelle Reis de. "Mulheres Indígenas, organizem-se! Mesmo que seja em suas casas' as ações político-pedagógicas do Grupo Mulher-Educação Indígena (décadas de 1980 e 1990)". In: Karloni, Carla & Magalhães, Lívia (orgs.). Mulheres no Brasil republicano. Curitiba: CRV, 2021.
No final de 1992, por seu espírito de luta, traduzido na sua obra "A Terra é a Mãe do Índio", foi premiada pelo Pen Club da Inglaterra, no mesmo momento em que Caco Barcelos ("Rota 66") e ela estavam sendo citados na lista dos "Marcados para Morrer", anunciados no Jornal Nacional da Rede Globo de Televisão, em rede nacional, por terem denunciado esquemas duvidosos e violação dos direitos humanos e indígenas.
Em 05/11/2014 foi agraciada pelo governo da presidente Dilma Rousseff com o título da Ordem do Mérito Cultural na classe cavaleirohttps://jornalgrandebahia.com.br/2014/11/dilma-entrega-ordem-do-merito-cultural/
Em 20/05/2025 foi condecorada pela segunda vez com o título da Ordem do Mérito Cultural na classe cavaleiro, desta vez pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva.https://www.gov.br/cultura/pt-br/assuntos/noticias/minc-entrega-ordem-do-merito-cultural-nesta-terca-20-confira-quem-sao-os-as-agraciados-as
Em 28/05/2025 foi anunciada como uma das concorrentes à cadeira 33 da Academia Brasileira de Letras, anteriormente ocupada pelo filólogo Evanildo Bechara.https://vejario.abril.com.br/coluna/lu-lacerda/eliane-potiguara-primeira-escritora-indigena-do-pais-se-inscreveu-na-abl/
Em 27/10/2025 foi finalista do Prêmio Jabuti eixo "Literatura" na categoria "Literatura Juvenil" pelo livro "Conhori e as Icamiabas - Guerreiras da Amazônia" (2024 - Editora do Brasil), juntamente com o ilustrador Tainan Rocha.https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/premio-jabuti-veja-a-lista-completa-de-finalistas-de-2025/
Em dezembro de 2025 foi agraciada com o título de bacharel honoris causa pelo Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro.https://blog.cp2.g12.br/centro/2025/12/01/cpii-comemora-188-anos-com-programacao-extensa/
Obras 1989: A Terra É Mãe do Índio 1994: Akajutibiro: Terra do Índio Potiguara 2004: Metade Cara, Metade Máscara 2005: Sol do Pensamento [Ebook] 2023: O Vento Espalha Minha Voz Originária 2024: Questão Indígena Brasileira: Visto Minha Própria Pele sem Medohttps://www.amazon.com.br/Quest%C3%A3o-Ind%C3%ADgena-Brasileira-Visto-Pr%C3%B3pria/dp/6557480537
Infantojuvenil
2004: O Coco que Guardava a Noite 2014: O Pássaro Encantado 2015: A Cura da Terra 2024: Conhori e as Icamiabas - Guerreiras da Amazôniahttps://lojavirtual.editoradobrasil.com.br/produto/conhori-e-as-icamiabas-guerreiras-da-amazonia-1105
Editorais
Jornal do GRUMIN (edição nacional e internacional) Cadernos Conscientizadores Poemas-Pôsters Vídeos-Poemas
Ligações externas
Eliane Potiguara - Site Oficial Rede de Grumin de Mulheres - Presidente: Eliane Potiguara Metade Cara, Metade Máscara
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