Gláucia Maria de Lemos é uma escritora brasileira, nascida em , (Salvador, Bahia). Autora de vários títulos de literatura infanto-juvenil, como a coleção "Marujo Verde", com quatro volumes publicados, mas também de contos, ensaios, crônicas, resenhas e romances, alguns dos quais premiados: O Riso da Raposa, pela Academia de Letras da Bahia, em 1985, A Metade da Maçã, pela Secretaria de Cultura do Recife, em 1988, As Chamas da Memória pela União Brasileira de Escritores - Rio de Janeiro, em 1990 e Bichos de Conchas (2008), vencedora do II Prêmio de Literatura da UBE/Scortecci, em 2007. A sua obra publicada é, praticamente na sua totalidade, prosa, exceptuando o livro de poesia infantil O Cão Azul (1999) e Sonetos Verdes (2019).
Biografia Filha do Major do Exército Ascânio Tasso Pinheiro de Lemos, em segundas núpcias com Adília Silva de Lemos. Foi casada com jornalista e advogado Altamirando Luquini Leal de quem é viúva há 30 anos. Graduou-se em Direito pela UCSal (Universidade Católica de Salvador) e em Crítica de Arte pela UFBA (Universidade Federal da Bahia), tendo-se especializado em Estética. Em 2010, tomou posse, ocupando a cadeira n. 14, na Academia de Letras da Bahia.
Colaborou nos jornais, de Salvador, "Diário de Notícias" e "A Tarde", tendo escrito neste jornal, durante oito anos, para a coluna de Artes Plásticas "Painel" do professor Herbert Magalhães. Participou ainda no "Jornal das Artes", de Pernambuco e no "Jornal da Crítica" e em "O Escritor", ambos de São Paulo.
O seu primeiro livro de contos, em 1979, foi publicado pela Fundação Cultural da Bahia, com ilustrações também da sua autoria. O seu conto Maré Alta foi selecionado para estudo no curso de Literatura brasileira e espanhola, da Universidade de Bolden, nos Estados Unidos da América. Com "A caneta que chorou tinta", recebeu o Prêmio Monteiro Lobato em convênio com o Laboratório Aché.
Em 1988, a Secretaria da Cultura do Estado do Maranhão premiou o seu livro Estrela, Estrela Minha. Em 1989, foi premiada pelo Instituto Nacional do Livro, com Um Elfo em Minha Mão (1987), do qual foi feita uma edição especial de 5 000 exemplares que foram distribuídos por várias bibliotecas do Brasil. Em 2005, foi finalista no Concurso João de Barro, da prefeitura de Belo Horizonte, com o livro Vou Te Contar, Meu Camarada (2008).
Em entrevista ao Jornal A Tarde (2019), Gláucia diz que não escreve motivada pela política ou por militância alguma, mas escreve com emoção, pois "A Literatura é a arte das belas letras. O que é que a gente tem que fazer com ela? Passar a beleza, o prazer de se ler e, mais do que isso, o refinamento do espírito. Você não lê um livro só pela beleza da história, mas também pela sintaxe, pelo desenvolvimento. É muito mais como você conta do que o que a história conta. É se apurar no que escreve, não fazer o lugar-comum, ser fiel ao objetivo literário que é a estética."Oliveira, Alessandra. Gláucia Lemos: "Escrever literatura é uma coisa mágica". In. À Tarde. Muito. Acesso em 03 de julho de 2026.
A preocupação da autora com a arte, com o belo e a estética, é perceptível em seu romance preferido, qual seja, Bichos de Conchas (2008). De acordo com Celso Kallarrari (2021), neste livro, a narradora "busca imagens precisas dos sentimentos, do mar, dos seus ritmos e barulhos, das palavras dialogadas em seus dialetos, uma harmonia textual carregada de possibilidades de tantas descobertas, de tantos valores e desvalores dos homens numa língua única e capaz de falar a linguagem humana da alma. É ela, a língua quem narra as proezas e desgraças humanas com a beleza da linguagem, sem, no entanto, impor nenhuma verdade, mas falar a verdade dos sentimentos que só podem ser transmitidos, captados através das palavras. Kallarrari, Celso. Entre o prazer e a fruição: Bichos de Conchas, de Gláucia Lemos.. In. Revista da Academia de Letras da Bahia, março de 2017, n. 55, p. 111-124.
Gláucia é, portanto, um dos grandes nomes da Literatura baiana, seja no romance, na poesia, na literatura infantil, destacando-se no conto. De fato, Hélio Pólvora destaca que "Gláucia (...) não faz ficção com as palavras: as emoções são a argila que a levam a compor situações de alta simplicidade - o que vale dizer de essencialidade com o gosto de fábula. e com uma sensação vertigionosa de verdade".Lemos, Gláucia. Lampadário. Simões Filho, BA: Editora Kalango, 2017. Para Aramis Ribeiro Costa, "No conto, é uma mestra, conhecedora das técnicas e dos segredos, dos recursos e dos mistérios, das armadilhas e das armas, capaz de prender, encantar, incomodar e, por muito tempo, fazer o leitor ficar pensando no que leu".
Na análise de Ruy Espinheira Filho, "escreve Gláucia Lemos contos que de certa forma nos contam. Impossível vê-los como objetos frios, flores artificiais. Porque estamos neles - e é de nós que eles falam. Como toda a arte digna deste nome, como - principalmente - só assim pode ser a Literatura."Lemos, Gláucia. Lampadário. Simões Filho, BA: Editora Kalango, 2017. E, ainda, conforme nos elucida Celso Kallarrari, a autora "tem o domínio da palavra, o domínio da escrita, é hábil observadora, porque a sua descrição, a sua linguagem é revestida de pele, de carne humana. Ela nos fere, nos machuca, mas também nos seduz, nos encanta. E Gláucia sabe muito bem seduzir, encantar com suas palavras. Escreve como quem navega sobre as ondas marítimas dos sentimentos, porque Literatura é, sobretudo, sentimento e emoção."Lemos, Gláucia. Lampadário. Simões Filho, BA: Editora Kalango, 2017.
Obras principais Romances O Riso da Raposa (1985) A Metade da Maçã (1988) As Chamas da Memória (1996) Bichos de Conchas (2008) Marce - o espelho chinês (2013) Eramos três mais a mula (2013)
Crônicas Traga amoras para o Natal (2020)
Novelas Luaral, um mundo absurdo (2003)
Poesias Sonetos Verdes (2019) O canto em que me sondas (2022)
Contos Era uma vez uma rosa que virou mulher (1979) Procissão (1998) Todas as águas (2015) Lampadário (2017)
Ensaios Comércio Baiano, Depoimentos para a sua História (2022) O Conto em Vinte e Cinco Baianos As Palavras Conduzem a Outras Palavras Salvador Era Assim 2 (2001) Antologia Panorâmica do Conto Baiano, Século XX Contos dos mares da Bahia Comércio baiano (2011)
Literatura infanto-juvenil
Coração de Lua Cheia (1986) Um Elfo em Minha Mão (1987) Estrela, Estrela Minha (1988) As Aventuras do Marujo Verde (1990) A Surpresa atrás da Porta (1991) O Menino que Acendeu as Estrelas (1991) As Novas Viagens do Marujo Verde (1992) A Morena Guiomar (1995) O Mistério do Galeão (1996) A Caneta que Chorou Tinta O Marujo Verde vai aos Andes (1996) O Poeta da Liberdade (1997) Uma Aventura no Reino dos Peixes (1997) O Marujo Verde nos Mares da Ásia (1998) Furta-cor e a Mochila Mágica (1998) A Garota do Bugre (1998) O Cão Azul (poesia) (1999) As Jóias do Gnomo (1997) Quem sabe onde mora a lua? (2006) Vou te Contar, Meu Camarada (2008) A lua no coração (2013) Souvenir e Qualquerum (2025)
Ligações externas
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