Banco Português de Negócios, S.A. (BPN) foi um banco privado português, criado em 1993, que actuava no sector da banca de investimentos, com o seu capital social detido na totalidade pela Sociedade Lusa de Negócios, desde a sua constituição em 1999. Em 2008 foi nacionalizado pela Lei 62-A/2008. A 31 de Julho de 2011 o governo português anunciou que o BPN seria vendido ao Banco BIC Português, um banco angolanohttp://economico.sapo.pt/noticias/angolanos-do-bic-ficam-com-bpn-por-40-milhoes-de-euros_123768.html que foi reprivatizado em 11 de abril de 2012. O atual presidente do conselho de administração é Fernando Teles, tendo como outros membros Isabel dos Santos e Américo Amorim.http://www.bpn.pt/Portal/v10/PT/aspx/ingles/aboutus/governing/index.aspx A sede central estava na Avenida António Augusto de Aguiar, em Lisboa.BPN: Quem somos recuperado 1 de Agosto de 2011
História Em 1993, a Soserfin e a Norcrédito, duas sociedades financeiras de investimentos, são alvo de um processo de fusão, sendo como resultado constituído o BPN, iniciando a sua atividade como banco de investimento. Quatro anos depois, em 1997, Américo Amorim, na altura o maior accionista do banco, abandona a instituição.
Em 1998, José de Oliveira e Costa assume a presidência do banco.
No ano seguinte, em 1999, é fundada a Sociedade Lusa de Negócios, holding que passa a deter a totalidade do BPN.
Em 2002, são adquiridos o banco Efisa e a corretora Fincor. Adquire igualmente o Banco Insular, de Cabo Verde, sem comunicar a sua aquisição ao Banco de Portugal que é o supervisor do sector em Portugal. Um ano depois, em 2003, inicia a sua operação no Brasil. Em 2005, 20% do BPN Brasil é adquirido pelo Banco Angolano de Investimentos (BAI), uma instituição privada angolana. Dois anos mais tarde, em 2007, o Banco de Portugal solicita ao grupo Sociedade Lusa de Negócios/BPN a clarificação da sua composição acionista e a separação entre a sua área financeira, BPN e Real Seguros, e não financeira SLN Investimentos e Plêiade e Partinvest.Diário de Noticias: Acionistas mudaram a marca e o nome da SLN recuperado 1 de Junho 2010
Crimes, fraude e branqueamento de capitais Em Fevereiro de 2008, José de Oliveira e Costa abandona a presidência do grupo, justificando a sua saída com motivos de saúde, sendo substituído interinamente pelo presidente do banco Efisa, Abdool Karim Vakil. Este levanta sérias duvidasTSF: Abdul Vakil diz que se esforçou para responder às dúvidas do Banco de Portugal recuperado 16 de Janeiro 2009 aos processos de gestão até então levados a cabo pelas anteriores entidades gestoras do grupo, solicitando às entidades competentes uma investigação. Foi igualmente neste mês que o BPN se viu envolvido em investigações no âmbito da Operação Furacão, um processo-crime que decorre desde 2005, investigando crimes de fraude fiscal e branqueamento de capitais e onde estão envolvidas várias instituições financeiras.
Em Junho de 2008, Miguel Cadilhe, antigo ministro das finanças do XI Governo Constitucional de Portugal chefiado por Cavaco Silva, e ex-administrador do Banco Comercial Português é escolhido para a presidência do Banco. Quatro meses após tomar posse, o então presidente denuncia publicamente vários crimes financeiros que alegadamente terão sido cometidos por altos funcionários de gestões anteriores, solicitando mais uma vez uma investigação profunda aos anteriores actos de gestão, nomeadamente realização de atos bancários a débito sem que existisse contrapartida de créditos no Banco Insular, em Cabo Verde, e contas bancárias instituídas pelo BPN e pela SLN em nome de entidades localizadas em paraísos fiscais. Os negócios promovidos por Manuel Dias Loureiro, enquanto administrador da SLN, em Porto Rico, e as fraudes praticadas por Duarte Lima ao BPN também atraíram considerável atenção mediática.A Mediatização do Escândalo Político em Portugal no Período Democrático: padrões de cobertura jornalística nos seminários de referência - Tese de doutoramento de Bruno Ricardo Vaz Paixão em Ciências da Comunicação, no ramo de Estudos do Jornalismo, apresentada ao Departamento de Filosofia, Comunicação e Informação da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra
O caso começou a assumir implicações políticas: destacadas figuras como o então Presidente da República (e ex-Primeiro Ministro) Cavaco Silva, alguns dos seus aliados no PSD (como Dias Loureiro) e alguns membros do Partido Socialista tinham mantido ao longo dos anos relações pessoais, profissionais ou de negócios com Oliveira e Costa e com o Banco. BPN: Oliveira Costa vendeu a Cavaco e filha 250 mil ações da SLNOliveira Costa é vizinho de Cavaco no AlgarveDias Loureiro entre os dirigentes do PSD no processo-crime do BPN
Já em Novembro do mesmo ano, o BPN vê-se em enormes dificuldades de liquidez, e o Governo (na altura liderado pelo PS de José Sócrates) procede à sua nacionalização, incorporando-o na Caixa Geral de Depósitos. A acção - a primeira nacionalização a ocorrer em Portugal desde o PREC nos anos 1970 - também gerou polémica devido às opções financeiras tomadas e às nomeações para a nova direcção do Banco.http://www.ionline.pt/dinheiro/bpn-nacionalizacao-custa-250-euros-cada-contribuinteDe 'decisão acertada' a 'erro grave' em apenas três anos
Privatização A partir de 2011, o processo passou para o novo Governo PSD/CDS liderado por Pedro Passos Coelho. A fase da reprivatização ficaria marcada por nova polémica devido ao processo de venda do BPN. Em consequência do memorando de entendimento que o XVIII Governo Constitucional de Portugal assinou com a Troika, o estado português foi obrigado a vender o BPN até ao final de Julho de 2011. Em 2011-07-20 foi anunciado que foram recebidas 4 propostas de compra do BPN, onde se incluem propostas do Banco BIC Português, Montepio e de um grupo de 15 investidores portugueses referido por Núcleo Estratégico de Investidores. Em 31 de julho 2011 o Ministério das Finanças comunicou a venda por 40 milhões de euros ao Banco BIC Português.Diário de Noticias: Clientes do BPN preocupados com venda do banco ao BIC recuperado 1 de Agosto 2011
A 1 de setembro de 2011, é adjudicada a proposta de compra do BPN pelo Banco BIC Português, em Resolução do Conselho de Ministros., tendo sido a reprivatização oficializada a 30 de março de 2012.
Uma investigação da revista Visão intitulada "As estranhas manobras da venda do BPN", edição de 17 de Outubro de 2013, veio lançar luz sobre o processo de compra do BPN, determinando segundo explicações do próprio Ministério das Finanças, que apesar da anunciada venda por 40 milhões, os novos accionistas não desembolsaram capital para realizar a compra. Durante o processo de privatização, foi revelada a existência de uma coleção de quadros de Joan Miró guardados num armazém, o que foi encarado como um exemplo dos gastos supérfluos da administração liderada por Oliveira Costa.
Após a injecção de mais de 800 milhões de dinheiro público para recuperar o capital não próprio do BPN, um dos primeiros actos da nova gestão foi a redução dos capitais próprios da nova instituição que resultou da fusão do BIC na estrutura do BPN, com a libertação de 40 milhões de euros que foram utilizados para liquidar o empréstimo contraído pelos accionistas do BIC realizarem a compra do BPN. Foi alegado na altura, que o banco havia sido adquirido com capital injectado pelo estado, o que portanto não é verdade.
Em 2025, o colapso do antigo Banco Português de Negócios continua a pesar nas contas públicas. O Tribunal de Contas estima que o BPN já tenha custado 5,9 mil milhões de euros ao Estado, e ainda resta uma dívida de 5 mil milhões por saldar, sobretudo através da Parvalorem, a empresa pública que gere os ativos tóxicos do banco.
NetPay A rede Netpay era uma rede de pagamentos automática, concorrente direta das redes da Unicre e da SIBS, e tinha como premissa ser a alternativa a surgir no mercado para terminar com a dominância da concorrência monopolizadora do mercado de adquirente.
Redes suportadas A rede Netpay era compatível com os cartões de débito e crédito pertencentes às redes Visa, Visa Electron, Mastercard, e Maestro.
História Em março de 2005, o BPN inicia a fase de testes da rede Netpay, vindo a anunciar publicamente a mesma em setembro do mesmo ano. No mês seguinte, em outubro de 2005, o presidente do BPN, Oliveira e Costa, alega haver concorrência desleal da Unicre à Netpay, e expõe à comunicação social alegações de conluio entre a Unicre e a Visa Portugal, que os leva a ter vantagem na concorrência contra a Netpay.
Em um ano no mercado, a Netpay vê instalados 14 mil terminais de pagamento por todo o país.
Em 2007, a rede Netpay atinge 20% da quota de mercado.
Com a nacionalização em 2008, e posterior reprivatização em 2012, do BPN, a rede Netpay continuou operacional, pelo que, a partir de 2012, esta torna-se parte do portfolio do Banco BIC.
Em 2014, numa operação concertada pelo grupo Anonymous, com o intuito de expor falhas de segurança nos sites da banca portuguesa, o site do Netpay, assim como do BPN e do Banco BIC foram atacados, e estiveram inoperacionais durante algumas horas. Ver também Caso BPN Sociedade Lusa de Negócios
Ligações externas Site oficial da BPN Business Week sobre BPN (en)
Categoria:Banco BIC Categoria:Bancos extintos de Portugal Categoria:Empresas extintas sediadas em Lisboa Categoria:Bancos fundados em 1993 Categoria:Bancos extintos em 2011 Categoria:Fundações em Portugal em 1993 Categoria:Extinções em Portugal em 2011 Categoria:Empresas ex-públicas de Portugal