Lutero Sarmanho Vargas (São Borja, — Porto Alegre, ) foi um médico, político e diplomata brasileiro. Filho mais velho do presidente Getúlio Vargas e da primeira-dama Darcy Vargas, teve papel central na articulação do trabalhismo e serviu como oficial médico durante a Segunda Guerra Mundial.
Biografia Formou-se em Medicina pela Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil, em 1937. Tornou-se cirurgião-chefe do Centro Médico-Pedagógico Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro.
Em julho de 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, Lutero viajou à Itália para servir como tenente-médico do Grupo de Aviação de Caça. Tendo regressado ao Brasil com o fim do conflito, em 1945, voltou a trabalhar no Centro Médico.
Carreira política no Regime Vargas Com a redemocratização e o fim do Estado Novo, Lutero Vargas figurou entre os fundadores do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Em outubro de 1950, foi eleito deputado federal pelo antigo Distrito Federal, assumindo o mandato simultaneamente ao retorno de seu pai à Presidência da República. Foi o deputado federal mais votado em todo país, alcançando 85.645 votos.
O mandato de Lutero foi marcado pela instalação de uma CPI que investigava empréstimos concedidos pelo Banco do Brasil ao jornalista Samuel Wainer para a criação do jornal Última Hora. A Acusação: A CPI concluiu que Lutero foi o articulador central entre Wainer e investidores, facilitando repasses financeiros sem as garantias habituais. O Desfecho Jurídico: Embora a comissão tenha solicitado o indiciamento criminal, a maioria governista na Câmara dos Deputados negou a licença para processar Lutero, preservando sua imunidade parlamentar.
Em 1951 foi aberta uma CPI para investigar empréstimos milionários do governo Vargas ao jornalista Samuel Wainer, realizadas sem as devidas garantias contábeis, para fundar o jornal pró-governo Última Hora. A CPI concluiu que Lutero Vargas foi o principal intermediário da relação entre Wainer e os investidores privados.“Relatório final da CPI da Última Hora”. Citado por Adelina Alves Novaes e Cruz, Célia Maria Leite Costa, Maria Celina Soares D’Araújo e Suely Braga da Silva, Impasse na democracia brasileira (1951-1955), pp. 242-6. Ante as evidências, a CPI encaminhou a conclusão ao judiciário, para responsabilizá-los criminalmente. Mas a maioria getulista da Câmara negou autorização para processar Lutero que possuía mandato parlamentar.Ascensão e Queda de Getúlio Vargas – Affonso Henriques – Record 1977, 3 vol. pg. 265
Depois desse incidente, Lutero Vargas entrou em constantes atritos com o jornalista Carlos Lacerda, declarado opositor do governo Vargas. Lacerda chamou Lutero de “o filho rico do pai dos pobres”, “degenerado”, “meliante” e “ladrão”As ofensas proferidas por Lacerda faziam parte de uma estratégia de oposição sistemática ao governo Vargas, focando na vida pessoal e no patrimônio dos familiares do presidente para desestabilizar o apoio popular ao trabalhismo., acusando-o de ter amealhado um patrimônio incompatível com o exercício da medicina. Lutero Vargas processou o jornalista por injúria e difamação.Última Hora, 29 de maio de 1954.
Sobral Pinto escreveu uma carta à Lutero Vargas afirmando que "se houvesse resquício de decência nesta terra, o escândalo financeiro da Última Hora teria determinado a queda do sr. Getúlio Vargas.”DULLES, John W. F. Sobral Pinto: A consciência do Brasil. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2001. pp. 44-5. Lutero respondeu revelando nas páginas da Última Hora um caso de adultério cometido por Sobral Pinto.A resposta de Lutero foi publicada com destaque na edição de 12 de julho de 1954 do jornal Última Hora, intensificando o clima de hostilidade entre os apoiadores de Vargas e os intelectuais vinculados à UDN.
Nas eleições de 1954, Lutero e Carlos Lacerda, da União Democrática Nacional (UDN), disputaram uma vaga na Câmara Federal. No dia 5 de agosto daquele ano, entretanto, ocorreu o Crime da rua Tonelero, acirrando a campanha contra Vargas. O pistoleiro que executou o atentado, Alcino João do Nascimento, afirmou que Lutero foi o mandante.José Augusto Ribeiro, A Era Vargas, vol. 2, p. 86 Lutero acabou envolvido no inquérito, mas não foi indiciado. Em 24 de agosto, seu pai, Getúlio Vargas, cometeu suicídio.
Carreira política depois do Regime Vargas Reelegeu-se deputado e, no final de 1954, tornou-se presidente do diretório carioca do PTB (cargo que ocupou até 1962).
Em 1958 tentou entrar para o Senado, mas não conseguiu. Elegeu-se deputado à Assembleia Constituinte de Guanabara, em outubro de 1960. Dois anos depois, Lutero foi nomeado embaixador do Brasil em Honduras, posição que manteve até o Golpe Militar de 1964. Tornou-se então presidente nacional do PTB.
Apenas duas semanas antes do Ato Institucional Número Dois, Lutero presidiu a última reunião do diretório nacional do PTB.
Em 1979, quando se iniciou o debate acerca da reorganização partidária, Lutero apoiou sua prima, Ivete Vargas, para reconstruir o PTB. Contudo, três anos depois, retirou seu apoio em virtude da candidatura de Sandra Cavalcanti, uma figura remanescente do lacerdismo. Assim, recomendou Leonel Brizola, do Partido Democrático Trabalhista (PDT). Embora tenha vencido as eleições ao cargo de governador do Rio de Janeiro, Brizola não teve seu governo apoiado por Lutero.
Vida pessoal Em 1940 casou-se com Ingeborg ten Haeff, natural de Düsseldorf, com quem teve uma filha, Cândida. Eles se conheceram em um restaurante em Berlim, quando ele estava aperfeiçoando seus estudos na Alemanha.
No Brasil, longe do marido e afastada de sua filha, Ingeborg não vê outra alternativa senão — já em 1944 —, partir do país, em direção à Nova York.Muylaert, Roberto "1943" ISBN 8562969125 Bússola Editorial 2012
Nos Estados Unidos, Ingeborg se tornou uma artista plástica bem-sucedida vivendo seus últimos anos em Washington Square, no Greenwich Village. Ela casou-se mais duas vezes, vindo a falecer em 2011. Sua relação com a filha, Cândida, que cresceu com os Vargas, e morreu em 2001 nunca foi boa.Ibidem Muylaert 2012
Notas
Referências
Ligações externas Verbete biográfico no CPDOC-FGV — Detalhes exaustivos sobre a carreira política e diplomática. Perfil no Museu de História da Medicina (MUHM) — Foco na atuação como cirurgião e tenente-médico na FEB. Memorial Ingeborg ten Haeff — Cronologia da vida e obra de sua primeira esposa em Nova Iorque.
Categoria:Naturais de São Borja Categoria:Médicos do Rio Grande do Sul Categoria:Alunos da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro Categoria:Deputados federais do Brasil pelo Rio de Janeiro Categoria:Deputados estaduais da Guanabara Categoria:Embaixadores do Brasil em Honduras Categoria:Membros do Partido Trabalhista Brasileiro (1945) Categoria:Filhos de presidentes do Brasil Categoria:Família Dornelles Vargas Categoria:Brasileiros de ascendência portuguesa