Drakengard 2, chamado no Japão de , é um jogo eletrônico de RPG de ação desenvolvido pela Cavia e publicado pela Square Enix e Ubisoft. É o segundo título da série Drakengard e foi lançado exclusivamente para PlayStation 2 em junho de 2005 no Japão, fevereiro de 2006 na América do Norte e março de 2006 na Europa. A história gira em torno de Nowe, um menino criado pelo dragão Legna, e sua luta contra a tirânica facção dos Cavaleiros. Assim como o Drakengard original, a jogabilidade apresenta uma mistura de batalhas terrestres e combate aéreo com mecânicas de RPG.

Vários membros da equipe de produção do Drakengard original retornaram nas mesmas funções, incluindo o produtor Takamasa Shiba, a roteirista Sawako Natori e o desenhista de personagens Kimihiko Fujisaka. Entretanto, o diretor Yoko Taro estava ocupado com outros projetos e foi substituído por Akira Yasui, com os dois discutindo por diferenças criativas. O jogo foi projetado para ser mais atraente para o público geral, possuindo uma história mais leve e com menos temas maduros em contraste com seu antecessor predominantemente sombrio. A trilha sonora foi composta por Ryoki Matsumoto e Aoi Yoshiki como uma mistura de j-pop com música convencional de jogos eletrônicos, além de evocar as emoções dos vários personagens e da guerra.

O jogo teve uma recepção mista para negativa ao ser lançado, com os principais elogios sendo direcionados para sua história, enquanto seus gráficos foram considerados desinteressantes e a jogabilidade universalmente criticada por ser má projetada. Drakengard 2 teve um bom desempenho comercial no Japão, chegando a vender mais de 206 mil cópias. O título também recebeu uma romantização escrita por Jun Eishima. Uma tentativa de desenvolver o terceiro jogo da série acabou levando a produção do spin-off Nier em 2010, enquanto o verdadeiro terceiro título Drakengard 3 foi lançado em 2013.

Jogabilidade

Drakengard 2 é um RPG eletrônico de ação em que a jogabilidade consiste em missões terrestres e aéreas. A história dita quais missões ficam disponíveis e suas resoluções, porém novas versões "remixadas" chamadas de "missões livres" são desbloqueadas para a medida que o jogador progride na narrativa, permitindo que ele cumpra os objetivos com os elementos de enredo removidos. É possível sair de uma das áreas jogáveis de Drakengard 2 e ir para a outra a partir do mapa. O jogador melhora os personagens jogáveis entre os vários capítulos e missões por meio de pontos de experiência adquiridos em batalha: habilidades e armas dos personagens, além das habilidades do dragão, podem ser melhoradas gradualmente. O jogo é visto a partir de uma perspectiva em terceira pessoa com câmera fixa, que acompanha o progresso do personagem através das áreas. Estão disponíveis colecionáveis na forma de armas e itens como armaduras, pontos de vida e itens especiais necessários para desbloquear certos níveis. Drakengard 2 tem três níveis de dificuldade: fácil, normal e difícil.

A jogabilidade de combate é bem similar a de seu predecessor. O jogo possui batalhas terrestres no estilo hack and slash e confrontos aéreos. O jogador controla vários personagens nas seções terrestres, trocando entre eles através do menu de pausa. Cada um dos personagens jogáveis utiliza armas diferentes; eles dispõem de ataques físicos que infligem dano à curta distância e ataques mágicos usados a fim de infligir dano à distância. Os ataques mágicos variam de personagem a personagem. Armas, habilidades mágicas e personagens sobem de nível e ficam mais fortes a medida que o jogador ganha pontos de experiência em combate.

A jogabilidade aérea envolve o voo com o dragão Legna, que é controlado pelo jogador com o objetivo de atacar formações inimigas e grandes estruturas no solo ou aeronaves no céu. Também é possível fazer uma transição rápida entre a jogabilidade terrestre e a aérea durante missões principalmente terrestres. O dragão dispara dois tipos diferentes de bola de fogo: um ataque perseguidor que inflige dano a apenas um oponente e um ataque disperso que inflige danos a um grupo de inimigos. Além disso, Legna pode realizar um ataque especial chamado "Dragon Overdrive", que mata unidades inimigas normais instantaneamente e inflige grandes danos a oponentes mais fortes. O dragão também ganha pontos de experiência e sobe de nível, infligindo maior dano e ficando mais forte. Os ataques também ficam mais fortes a partir de determinados pontos da narrativa.

Sinopse Mundo

Drakengard 2 se passa em uma terra não nomeada quase duas décadas depois dos eventos do primeiro final de Drakengard. No jogo original, duas potências, o Império e a União, travaram uma guerra religiosa pelo controle dos Selos, amarrações mágicas conectadas a uma Deusa do Selo que impedia que entidades sombrias conhecidas como Observadores aparecessem no mundo mortal e destruíssem a humanidade. Caim e Angelus, um humano e uma dragão que fizeram um pacto ritual que ligou suas duas almas, envolveram-se no conflito e tentaram manter tanto os Selos quanto a Deusa em segurança. Entretanto, eles falharam e Angelus tornou-se um novo selo a fim de impedir o fim do mundo. Dezoito anos depois, os Selos são protegidos pelos Cavaleiros do Selo, que acabam crescendo até tornaram-se uma força dominante no mundo.

Personagens O protagonista do jogo é Nowe, um Cavaleiro do Selo que possui poderes super-humanos. Seu companheiro é Legna, um dragão que ajudou a criá-lo e estava envolvido nos eventos de dezoito anos antes. Acompanhando os dois na jornada estão Manah, a principal antagonista do jogo anterior que agora procura libertar as pessoas da opressão dos Cavaleiros; Eris, uma Cavaleira do Selo e amiga de infância de Nowe; e Urick, um ex-Cavaleiro que fez um pacto com o Ceifador em troca de sua mortalidade. O vilão principal é Gismor, o líder dos Cavaleiros do Selo. Personagens do Drakengard original que retornam são Caim, o protagonista anterior; Angelus, uma dragão e a atual Deusa do Selo; e Seere, ex-companheiro de Caim e agora o Hierarca da União. Personagens menores incluem os Guardiões dos Selos: Zhangpo, Hanch e Yaha.

Enredo

Nowe torna-se um Cavaleiro do Selo pleno, porém começa a duvidar da ética dos métodos dos Cavaleiros durante sua primeira semana, já que os selos exigem sacrifícios humanos para permanecerem fortes. Nowe encontra Manah em sua segunda missão para garantir a proteção de um selo, com ela matando o guardião Zhangpo e destruindo o selo. Manah é sentenciada a morte na fogueira, porém usa suas habilidades mágicas para fugir. Nowe é aprisionado em sua volta por Gismor, que revela ter matado seu pai adotivo Oror. Nowe consegue escapar com a ajuda de Legna, sendo perseguido pelos Cavaleiros que desejam persuadi-lo a retornar. Os dois acabam encontrando Manah e juntam-se na missão dela para destruir os selos e, ela acredita, libertar as pessoas da opressão dos Cavaleiros. Nowe e Manah lutam e derrotam Hanch e destroem o segundo selo. Urick junta-se ao grupo com o objetivo de derrotarem um grupo de bandidos. Eles são atacados por Cavaleiros, mas são inesperadamente salvos por Caim, que também quer destruir os selos a fim de libertar Angelus da dor de ser a Deusa do Selo. O grupo derrota Yaha e destroem mais um selo, entretanto Manah é mais uma vez capturada pelos Cavaleiros e sentenciada a morte. Nowe consegue resgatá-la e seguir para o próximo selo, que costumava ser protegido por Urick antes dele ter fugido por medo de Caim. Nowe e Urick enfrentam Caim, que fere Urick mortalmente. Este morre feliz e o selo é destruído.

Nowe e Manah prosseguem para o último selo, que é protegido por Gismor. Ele é ferido e transforma-se em um ser das sombras que usa Eris para bloquear o último ataque de Nowe. Este acredita que Eris morreu, perseguindo Gismor com Manah, porém no caminho encontram Seere, que tenta impedi-los sem sucesso. Gismor revela-se ser um sobrevivente do Império à procura de vingança. Ele é derrotado e destrói o selo, libertando Angelus do aprisionamento. Seere revela as verdadeiras consequências das ações de Manah, com Nowe e Legna indo atrás de Angelus. Eles descobrem que a dragão ficou insana pela dor de ser o último selo. Caim pede para que Angelus seja morta e os dois compartilham um último momento juntos antes de desaparecerem. O mundo começa a entrar em caos com a destruição dos selos e Manah fica louca pelas memórias de suas ações dezoito anos antes. Legna leva Nowe até a Fortaleza do Dragão Sagrado, onde escutam uma profecia que conta que Nowe é uma Nova Raça criada a fim de auxiliar os dragões em sua guerra contra os Observadores. Nowe reencontra Eris, que foi curada por Seere, e liberta Manah de sua insanidade. Legna leva os três até a Terra Prometida, uma fortaleza que contém o Caixão de Ossos, um objeto dado aos dragões pelos Observadores que pode acelerar a evolução de Nowe como a Nova Raça.

O jogo possui três finais diferentes, cada um desbloqueado caso o jogo seja jogado mais vezes. No primeiro final, Legna prepara-se para iniciar a profecia, porém Nowe escolhe encontrar uma nova Deusa. Legna convoca os dragões para a batalha, mas Seere lidera um exército de golens contra eles. Manah e Nowe se beijam, o que inicia a transformação do segundo na Nova Raça. Nowe e Legna se enfrentam, com o dragão sendo morto. Eris revela que irá tornar-se a nova Deusa. O mundo é restaurado, porém Nowe e Manah sentem-se tristes porque nenhuma outra solução pode ser encontrada. No segundo final, eles chegam na Terra Prometida e Legna revela o destino de Eris, com Nowe escolhendo seguir o plano do dragão. O Caixão acaba o rejeitando e se funde com Manah. Nowe e Legna enfrentam Manah, que se sacrifica com o objetivo de destruir o poder do Caixão. Nowe, Legna e Eris então lideram os Dragões Sagrados na guerra contra os Observadores. No terceiro final, as coisas acontecem igual ao segundo final, porém Manah consegue derrotar o Caixão quando este o ataca. Legna convoca os Dragões Sagrados e os eventos ocorrem como no primeiro final. Depois da destruição de Legna e do Caixão, tanto os Observadores quanto os dragões desaparecem, deixando o mundo seguro e libertando os humanos a criarem um novo futuro para si mesmos.

Desenvolvimento Drakengard 2 foi anunciado em dezembro de 2004. Vários membros da equipe do Drakengard original retornaram para a sequência, como o produtor Takamasa Shiba, a roteirista Sawako Natori e o desenhista de personagens Kimihiko Fujisaka, além também do ator Shinnosuke Ikehata, que tinha dublado os personagens de Caim e Angelus. O diretor original Yoko Taro inicialmente tinha proposto a ideia de uma aventura espacial envolvendo dragões, porém isto foi vetado logo no começo. Yoko acabou não se envolvendo na criação da narrativa como tinha acontecido em Drakengard, estando ocupado com outros projetos, porém ele mesmo assim conseguiu observar o desenvolvimento da sequência. Yoko e o novo diretor Akira Yasui tiveram diferenças criativas, com o primeiro anos depois descrevendo a relação dos dois em Drakengard 2 como uma história de "amor e ódio". A relação entre os dois diretores acabou por inspirar a história para uma das armas do jogo. Yoko voltou para o projeto bem tarde no processo de produção para trabalhar como editor de vídeo para os trailers e cenas de computação gráfica. O elenco japonês tinha vários atores de filme e televisão, incluindo Ryo Katsuji, Saki Aibu, Koyuki Kato e Yoshio Harada. Shiba comentou que achava que tinham conseguido reunir um bom elenco de dubladores para o jogo.