Pedro Velho de Albuquerque Maranhão (Macaíba, 27 de novembro de 1856 – Recife, 9 de dezembro de 1907), mais conhecido apenas como Pedro Velho, foi um médico e político brasileiro.

Família e Formação

Pedro Velho de Albuquerque Maranhão nasceu na cidade de Macaíba, na província do Rio Grande do Norte, em 27 de novembro de 1856, filho de Amaro Bezerra de Albuquerque Maranhão e de Feliciana Maria da Silva Pedrosa, filha, por sua vez, do comerciante e senhor de engenho Fabrício Gomes Pedrosa, fundador da cidade e possuidor de uma das maiores fortunas do estado.PEIXOTO, Renato Amado. VELHO, Pedro. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/VELHO,%20Pedro.pdf. Acesso em: 18 de janeiro de 2026.

Formou-se em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro em 1881. Casou-se, no mesmo ano, com Petronila Florinda Pedrosa, filha do segundo casamento de seu avô, Fabrício Gomes Pedrosa, com Luísa Florinda de Albuquerque Maranhão, irmã de seu pai, Amaro Bezerra de Albuquerque Maranhão. Desse modo, sua esposa era, também, sua tia e prima; seu avô, seu mais novo sogro. Depois de formado, passou a atuar como médico e boticário.

Em 1885, foi nomeado inspetor da Saúde Pública e tornou-se professor de história no Colégio Ateneu, em Natal. Também foi diretor de um colégio em Macaíba, sendo Augusto Tavares de Lira, seu futuro genro, um de seus alunos.AUTOR DESCONHECIDO. LIRA, Augusto Tavares de. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/LIRA,%20Augusto%20Tavares%20de.pdf. Acesso em: 18 de janeiro de 2026.

Republicanismo

Em 1888, ajudou a fundar a Sociedade Libertadora Norte-Rio-Grandense, de forte caráter republicano. Em 27 de janeiro de 1889, ajudou a fundar o Partido Republicano do Rio Grande do Norte e, em 1º de julho do mesmo ano, o jornal A República. Candidatou-se para deputado geral, pelo partido que fundara, nas últimas eleições do Império.

No episódio da proclamação da República, liderada pelo marechal Deodoro da Fonseca, na cidade do Rio de Janeiro, atuou como forte liderança republicana potiguar, recebendo, dois dias depois, a presidência de seu estado.CASTRO, Celso. PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/PROCLAMA%C3%87%C3%83O%20DA%20REP%C3%9ABLICA.pdf. Acesso em: 18 de janeiro de 2026.LEMOS, Renato. FONSECA, Deodoro da. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/FONSECA,%20Deodoro%20da.pdf. Acesso em: 18 de janeiro de 2026. Mais tarde, o jornal A República evidenciaria seus esforços:AUTOR DESCONHECIDO. Governador. A República. Natal, 21 de dezembro de 1890. Disponível em:https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=138924&pesq=%22Albuquerque%20Maranh%C3%A3o%22&pagfis=808. Acesso em: 2 de abril de 2026.

No segundo aniversário da República no estado, o mesmo jornal ainda escreveria:CASTRO, Nascimento; FILHO, Chaves; MELLO, Braz de A.; MARANHÃO, Augusto. SEM TÍTULO. A República. Natal, 21 de novembro de 1891. Disponível em:https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=138924&pesq=%22Albuquerque%20Maranh%C3%A3o%22&pagfis=1009. Acesso em: 4 de abril de 2026.

Carreira Política

Presidente do Rio Grande do Norte

Foi Antônio Basílio Ribeiro Dantas, último presidente dos tempos imperiais, quem lhe entregou o cargo.ARQUIVO ESTADUAL. Antônio Basílio Ribeiro Dantas. Memorial do Legislativo Potiguar. Disponível em:https://memorial.al.rn.leg.br/index.php/acervo/item/antonio-basilio-ribeiro-dantas-junior. Acesso em: 18 de janeiro de 2026. Sua gestão foi marcada por aliciamentos aos monarquistas regionais, tanto os do Partido Liberal quanto os do Partido Conservador, conquistando o liberal e ex-deputado provincial José Bernardo, o Bispo de Seridó, o qual lançou para o Senado Constituinte, e o conservador e ex-presidente estadual Francisco Amintas da Costa Barros.PEIXOTO, Renato Amado. BERNARDO, José. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/BERNARDO,%20Jos%C3%A9.pdf. Acesso em: 18 de janeiro de 2026.PEIXOTO, Renato Amado. BARROS, Amintas. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/BARROS,%20Amintas.pdf. Acesso em: 18 de janeiro de 2026.

Pedro Velho também foi responsável por costurar o apoio do Exército e da Armada à República na região. Desse modo, soube bem distribuir os cargos da Administração Pública, com os seguintes secretários:GOVERNO DO ESTADO. EXPEDIENTE DO DIA 17 DE NOVEMBRO. A Repúbilca. Natal, 17 de dezembro de 1889. Disponível em:https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=138924&pesq=%22Albuquerque%20Maranh%C3%A3o%22&pagfis=481. Acesso em: 1 de abril de 2026.

•José Moreira Brandão Castelo Branco, auxiliar direto de relações exteriores, ou seja, interestaduais;

•José Bernardo de Medeiros, secretário do Interior;

•Amintas Barros, secretário de Justiça;

•José Avelino Pereira de Vasconcelos, primo de Pedro Velho, secretário de Agricultura, Comércio e Obras Públicas;

•Luiz Emígio Pinheiro da Câmara, secretário da Fazenda;

•Capitão Felipe Bezerra Cavalcanti, secretário da Guerra;

•Capitão-tenente Leoneio Rosa, secretário da Marinha.

Também tratou logo de nomear promotores públicos:GOVERNO DO ESTADO. EXPEDIENTE DO DIA 19 DE NOVEMBRO. A Repúbilca. Natal, 19 de novembro de 1889. Disponível em:https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=138924&pesq=%22Albuquerque%20Maranh%C3%A3o%22&pagfis=481. Acesso em: 1 de abril de 2026.

•Manoel Gomes de Medeiros Dantas, da comarca de Jardim do Seridó;

•Janúncio da Nóbrega Filho, da comarca de Seridó (Caicó, Acari, Currais Novos, entre outros.);Ao analisar o ofício do dia 19 de novembro de 1889, de autoria do autodenominado "Chefe do Executivo", Pedro de Albuquerque Maranhão, é possível relatar duas comarcas distintas: Jardim e Seridó, causando confusão com a atual comarca de Jardim do Serídó. Antigamente, Seridó era uma comarca absoluta, que reunia os termos de Jardim do Seridó, Caicó, Acari, Currais Novos, entre outros. A partir da percepção de sobrecarga jurídico-administrativa, foi necessária a divisão da comarca, criando a inédita de Jardim, que não anulava a do Seridó, mas retirava o termo de Jardim do Seridó. Dessa forma, a comarca do Seridó continuou a existir, sendo correto afirmar que essa era mais centrada no termo de Caicó.

•Luís Manoel Fernandes Sobrinho, da comarca de Canguaretama.

Porém, sua administração era apenas provisória, pois o representante escolhido pelo Governo Provisório era o paulista Adolfo Gordo, republicano histórico que não tinha a confiança do povo potiguar.LANG, Alice Beatriz da Silva Gordo. GORDO, Adolfo. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/GORDO%2C%20Adolfo.pdf. Acesso em: 18 de janeiro de 2026. Querendo se perpetuar no poder sem ferir o ego do Governo Provisório, o dr. Pedro Velho fez diversos malabarismos de palavras, publicando telegramas até na capital, tentando mostrar a insatisfação do povo, mas sem abrir mão do marechal. Publicado em 2 de dezembro na Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro, assim consta transcrito na Gazeta do Natal:AUTOR DESCONHECIDO. TELEGRAMA. Gazeta do Natal. Natal, 19 de dezembro de 1889. Disponível em:https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=721166&Pesq=%22dr.%20Pedro%20Velho%22&id=5082407296106&pagfis=531. Acesso em: 11 de abril de 2026.

Em 29 de novembro, foi publicado telegrama, divulgado pela Tribuna Liberal, comentado mais tarde pela Gazeta do Natal, que convidava o povo a ir às ruas, onde ocorrera os eventos anteriormente descritos. A Gazeta transcreveu o telegrama a 28 de dezembro, constando o seguinte:AUTOR DESCONHECIDO. Importante. Gazeta do Natal. Natal, 28 de dezembro de 1889. Disponível em:https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=721166&Pesq=%22dr.%20Pedro%20Velho%22&id=5082407296106&pagfis=534. Acesso em: 11 de abril de 2026.

A Gazeta do Natal, ao transcrever esse conteúdo, enquanto órgão conservador e opositor, entendeu o movimento como “amotinação”, “tumulto” e “insurreição”. Mais adiante, ainda expôs as táticas pedrovelhistas:

Ao analisar o artigo, é de opinião dos conservadores que, ao espalhar notícias de possível amontinação potiguar contra Adolfo Gordo, Pedro Velho não pretendia, somente, se perpetuar no poder, na função de apaziguador, mas também impressionar e assegurar fatores ainda ocultos. De qualquer forma, a artimanha não mudou a opinião do marechal; e, em 6 de dezembro, Adolfo Gordo tomou posse do governo. Sobre a pequena administração do médico, a Gazeta do Natal escreveu:AUTOR DESCONHECIDO. Currais Novos 12 de Janeiro de 1890. Gazeta do Natal. Natal, 18 de janeiro de 1890. Disponível em:https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=721166&pesq=%22Dr.%20Pedro%20Velho%22&pagfis=549. Acesso em: 12 abril de 2026.

Numa carta assinada por Heráclito Viliar, Oliveira Santos, Umbelino de Mello, Joaquim Guilherme, Luiz Souto e João Agostinho, consta que Pedro Velho pedira que o promotor Janúncio da Nóberga Filho, na véspera da chegada de Gordo, fizesse ameaça, como assim fez, segundo a carta, ao presidente nomeado:VILIAR, Heráclito; SANTOS, Oliveira; MELLO, Umbelino de; GUILHERME, Joaquim; SOUTO, Luiz; AGOSTINHO, João. Carta. O País. Natal, 9 de fevereiro de 1890. Disponível em:https://memoria.bn.gov.br/DocReader/docreader.aspx?bib=138924&pasta=ano%20189&pesq=%226%20de%20mar%C3%A7o%20de%201890%22&pagfis=556. Acesso em: 20 de abril de 2026.

A carta foi publicada no O País e foi transcrita no A República e no O Povo, veículos em que Janúncio pôde se defender das acusações. Apesar de alas conservadoras apoiarem Adolfo Gordo, a ala de Amintas Barros mostrava-se, assim como as de José Bernardo e Pedro Velho, descontente com a indpendência do mandatário, devida por esse ser paulista e alheio às facções potiguares. Isso desconcertou a aliança bem costurada por Pedro Velho. Datado de 19 de janeiro de 1890, um telegrama, transcrito em 25 de janeiro pela Gazeta do Natal, a endereçada, descreveu a situação:AUTOR DESCONHECIDO. Telegrama. Gazeta do Natal. Natal, 25 de janeiro de 1890. Disponível em:https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=721166&Pesq=%22Dr.%20Pedro%20Velho%22&id=4892102940485&pagfis=550. Acesso em: 12 de abril de 2026.

A insatisafação entre os grupos políticos crescia; em 8 de fevereiro de 1890, por interferência de Pedro Velho e do ministro do Interior Aristides Lobo, Adolfo Gordo foi afastado, gerando a ascensão de Jerônimo Câmara, então chefe de polícia, aliado de Pedro Velho, por tempo provisório.PEIXOTO, Renato Amado. CÂMARA, Jerônimo. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/C%C3%82MARA,%20Jer%C3%B4nimo.pdf. Acesso em: 18 de janeiro de 2026. Dois dias depois, Lobo deixou a pasta por discordâncias com o marechal.PINTO, Surama Conde Sá. LOBO, Aristides. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/LOBO,%20Aristides.pdf. Acesso em: 18 de janeiro de 2026.

Vice-Presidente do Rio Grande do Norte

No dia 6 de março, Pedro Velho foi nomeado primeiro vice-presidente do estado pelo Governo Provisório.AUTOR DESCONHECIDO. Vice Governador. A República. Natal, 6 de março de 1890. Disponível em:https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=138924&Pesq=%22Albuquerque%20Maranh%c3%a3o%22&id=5480803225366&pagfis=556. Acesso em: 1 de abril de 2026. Quatro dias depois, Câmara passou a presidência para Xavier da Silveira Júnior, nomeado pelo Governo Provisório, também aliado do ex-mandatário.PEIXOTO, Renato Amado. SILVEIRA, Xavier da. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/SILVEIRA,%20Xavier%20da.pdf. Acesso em: 18 de janeiro de 2026.