O afogamento simulado (waterboarding) é uma forma de tortura na qual a pessoa é deitada de costas e imobilizada, com a cabeça inclinada para trás (a chamada "posição de Trendelenburg"), e água é lançada sobre a face e para dentro das vias respiratórias. Por meio do sufocamento forçado e da inspiração de água, o torturado passa pelo processo de afogamento e é levado a acreditar que a sua morte é iminente.
Diferentemente da prática de apenas submergir em água o rosto do torturado pela frente, o afogamento simulado provoca, quase de imediato, o reflexo faríngeo. Embora nem sempre provoque danos físicos duradouros, o afogamento simulado inclui o risco de dor intensa, danos aos pulmões, dano cerebral causado pela falta de oxigênio, ferimentos (inclusive fraturas ósseas) causados quando o torturado se debate contra as amarras, e até mesmo a morte. Em carta dirigida ao Procurador-Geral dos EUA, Alberto Gonzales, mais de 100 professores de direito estadunidenses afirmaram inequivocamente que o afogamento simulado é uma tortura e que a prática é um delito criminal punível segundo o código penal federal dos EUA. Os efeitos psicológicos podem perdurar por anos após o procedimento. Exemplos históricos A técnica do afogamento simulado é considerada tortura por uma variada gama de autoridades, inclusive juristas, políticos, veteranos de guerra,Segundo John McCain, Senador estadunidense pelo Partido Republicano e candidato à presidência em 2008, que foi torturado como prisioneiro de guerra no Vietnã do Norte, o afogamento simulado é "tortura, o mesmo que apontar uma pistola na cabeça e disparar um tiro de festim", e pode causar dano psicológico à vítima "de maneira talvez incurável". agentes de serviços de informações, Um ex-funcionário graduado da direção de operações da CIA foi citado dizendo que "Claro que era tortura. Experimente e você verá". Outro "ex-graduado na direção de operações" disse "Sim, é tortura". juízes militares "Afogamento simulado (waterboarding) é desumano, é tortura e é ilegal"; e "afogamento simulado equivale a tortura ilegal em qualquer circunstância". Do Contra-Almirante Donald J. Guter, Marinha dos EUA (reformado), Judge Advocate General da Marinha, 2000-02; Contra-Almirante John D. Hutson, Marinha dos EUA (reformado), Judge Advocate General da Marinha, 1997-2000; General de Divisão John L. Fugh, Exército dos EUA (reformado), Judge Advocate General do Exército, 1991-93; General de Brigada David M. Brahms, Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA (reformado), Staff Judge Advocate, 1985-88. e organizações de direitos humanos. "Não há dúvida de que afogamento simulado é tortura, apesar da relutância da administração em dizê-lo.", Kenneth Roth, diretor-executivo da Human Rights Watch..
O waterboarding tem sido utilizado em diversos lugares e em vários pontos da história, incluindo as diversas Inquisições, pelos militares dos Estados Unidos durante a Guerra Filipina-Americana, pelas forças da ordem americanas, pelos oficiais japoneses durante a Segunda Guerra Mundial, pelos franceses durante a Guerra da Argélia, pelos EUA durante a Guerra do Vietname (apesar da proibição da prática pelos generais americanos), pelo regime de Pinochet no Chile, pelos Khmers Vermelhos no Camboja, pelo Exército Britânico na Irlanda do Norte, e pela polícia sul-africana durante a era do Apartheid. Na sequência da Segunda Guerra Mundial, os EUA executaram criminosos de guerra japoneses condenados, entre outros crimes, por "waterboarding" a prisioneiros de guerra americanos.
Em 2007, causaram escândalo nos Estados Unidos as notícias veiculadas pela imprensa segundo as quais o Departamento de Justiça dos Estados Unidos havia autorizado a prática do waterboarding, e que a Agência Central de Inteligência (CIA) havia submetido a afogamento simulado prisioneiros extrajudiciais.No contexto da "Guerra ao Terrorismo", prisioneiros capturados pelas autoridades estadunidenses que não são sujeitos ao devido processo legal previsto pela jurisdição dos EUA. A CIA admitiu haver sujeitado, ao procedimento, Khalid Sheikh Mohammed, Abu Zubaydah e Abd al-Rahim al-Nashiri, suspeitos da Al-Qaeda.
No Brasil, durante o regime militar, a prática foi usada na tortura de presos políticos pelas autoridades.Brasil: Nunca Mais, 7a edição, editora Vozes, Petrópolis, 1985, p. 36. Na América Latina, também é conhecida como "submarino". O sistema já foi usado pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante como método de tortura.Captives held by Islamic State were waterboarded Durante a Segunda Guerra Mundial, o Império do Japão usou este método e foi condenado também por isso no Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente.Waterboarding Used to Be a Crime
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