A língua cherokee, ou ᏣᎳᎩ ᎧᏬᏂᎯᏍᏗ (tsalagi gawonihiisdi), falada pelo povo indígena Cherokee. Apesar da grande população de descendentes, atualmente, é um idioma vulnerável, com aproximadamente 20 mil falantes, sendo sua maioria adultos e idosos. Um dos mecanismos que colaborou com a sobrevivência do idioma foi a criação do silabário cherokee, desenvolvido por Sequoyah no século XIX. Essa é a única língua iroquesa meridional ainda utilizada.
Os cherokees, originalmente, habitavam o Sudeste dos Estados Unidos e, em 1838, foram forçados a se mudar para o "Território Indígena" no oeste do país, devido aos conflitos do período colonial. Tendo povos estabelecidos nos estados de Oklahoma, Carolina do Norte, Geórgia, Alabama, Missouri, Arkansas e Tennessee. Devido ao frequente contato com os colonizadores e outras povos nativos, a língua cherokee recebeu uma influência significativa de idiomas como o inglês e as línguas delaware.
Etimologia A língua cherokee, ou cheroqui, recebe o nome do mesmo povo que a fala, os indígenas Cherokees.
Esse nome, porém, é uma variação estrangeira, uma vez que o povo nativo se refere a si mesmo como ᏣᎳᎩ (Tsalagi). Acreditasse que houve uma transposição fonética de tsalagi para chalaque pelo explorador espanhol Hernando de Soto, que posteriormente seria adaptada para cheraqui pela língua francesa, até por fim chegar a cherokee.
Distribuição A língua é falada pelos nativos e descendentes do povo Cherokee, uma nação indígena norte-americana de com cerca de 300 mil pessoas* e com apenas 2 mil falantes. Há grupos cherokees residentes nos estados de Oklahoma, Carolina do Norte, Geórgia, Alabama, Missouri, Arkansas e Tennessee, nos Estados Unidos.
Dialetos Devido sua dispersão pelo país, o idioma desenvolveu dois dialetos principais, o Oriental (também chamado de Kituwa ou Qualla), que é falado na região leste do país, onde fica a Carolina do Norte, e o Ocidental (ou Overhill), que é mais recente, falado no oeste, na região de Oklahoma.
Em relação a escrita e gramática, ambos os dialetos são identicos. As principais diferenças entre eles são a pronuncia de certas sílabas, como Ꮵ (tsi), enquanto o dileto oriental tem uma pronuncia semelhante ao som de /z/, o ocidental se aproxima mais de /ch/ ou /j/. Outro exemplo é a silaba Ꮟ (si), pronunciada como /shi/ no dialeto Kituwa.
Tal fenômeno se deve pela dispersão da nação cherokee pelo território norte-americano, o que proporcionou diferentes experiências e influências e resultou em algumas divergências. Acredita-se que o dialeto Oriental recebeu maior influência linguística dos euroupeus, principalmente na região sul do pais, com franceses e espanhóis, o que levou a este grupo desenvolver o som de /r/, antes não presente na língua. Já o dialeto Ocidental recebeu maior influência de outras línguas nativas, em consequência da migração para o "Território Indígena".
História
Antecedentes Originalmente, o povo cherokee habitava no sudeste do país (aproximadamente onde se localiza a Carolina do Norte). Porém, devido a adesão a política de "Remoção Indígena" no século XIX e a descoberta de ouro em seu território, em 1829, as relações dos nativos com o governo inglês se tornaram conturbadas, levando a disputas legais e de interesse. O conflito teve fim com o Tratado de New Echota, não reconhecido por grande parte dos cherokees e que implicou na remoção forçada dos desse povo para o "Território Indígena" no oeste (atual estado de Oklahoma) e a criação de acampamentos militares em estados próximos ao território nativo (como Tennessee, Carolina do Norte e Alabama) para comportar os indígenas até sua realocação.
Algumas comunidades cherokees são amplamente conhecidas, como a Nação Cherokee (Cherokee Nation) e o Grupo Unido Keetoowah dos Índios Cherokee (United Keetoowah Band of Cherokee Indians), em Oklahoma, e Grupo Oriental dos Índios Cherokee (Eastern Band of Cherokee Indians), na Carolina do Norte. Algumas outras possuem apenas reconhecimento estatal e muitas outras ainda são negligenciadas.
História da Escrita O sistema de escrita dos cherokees é um silabário composto por oitenta e seis caracteres, desenvolvido pelo cherokee Sequoyah no século XIX. Inspirado pelos colonos que utilizavam da escrita como meio de comunicação, Sequoyah, sem nunca ter frequentado a escola e sem saber ler, escrever ou falar inglês, dedicou doze anos de sua vida para criar uma ferramenta semelhante para seu povo. Ele estudou a fonética de seu idioma, pegou elementos dos alfabetos latino e grego e os redesenhou á sua própria maneira, para então atribuir a eles os sons de sílabas.
No princípio a ideia não foi bem recebida por algumas pessoas, em especial por curandeiros supersticiosos que acusavam Sequoyah de bruxaria. Apesar das adversidades, logo o povo cherokee reconheceu a invenção e a importância dela. Em poucos meses, milhares de cherokees já haviam aprendido a ler e escrever em seu idioma.
Graças a Sequoyah, agora as pessoas poderiam se comunicar com parentes, fazer registros acerca de sua vida, negócios, instituições e cultura cherokee. O silabário também tornou viável a construção de uma constituição cherokee e planos para o desenvolvimento de literatura, biblioteca, museu, imprensa e academia nacionais.
Foi também criado um jornal nacionalista, Cherokee Phoenix, que, usando o silabário, atuou em defesa dos direitos cherokees, do progresso da nação e condenava as políticas governamentais e negava rumores acerca de sua migração, que seria forçada pelo estado, e não por vontade própria, como circulava em alguns locais.
História do Ensino Anteriormente, assim como diversas línguas, o cherokee era utilizado apenas dentro dessa população e ensinado de forma oral, pela convivência.
Quando Sequoyah, inventa um silabario próprio para o idioma, ele proporciona o ensinamento e estudo aprofundado da própria língua. Seus primeiros alunos foram sua filha e seu cunhado , e conforme Sequoya ensinava as pessoas, mais a ideia ganhava visibilidade. Até ser oficialmente proclamada como o silabario nacional da língua cherokee, em ... .
A adesão à escrita fez com que milhares de cherokees pudessem se alfabetizar na língua nativa em poucos meses, mesmo sem terem fundado escolas ou professores num primeiro momento. Apenas em 15 de outubro de 1825, Comitê e Conselho Nacional Cherokee, aceita uma resolução que projetava uma academia nacional feminina como um desenvolvimento futuro.
Fonologia Consoantes Os sons que representam as consoantes na língua cherokee são: +Consoantes CherokeeBilabialPós-alveolarPalatalVelarGlotalPlosiva/t//k//ɂ/Nasal/m//n/Fricativa/s/Aproximante/y//w/Aproximante lateral/l/ As consoantes do cherokee apresentam características particulares que influenciam diretamente a pronúncia e a estrutura sonora da língua. O fonema /h/ é um segmento mudo, cuja realização depende das vogais ou ressonantes vizinhas; ele não possui um timbre próprio, funcionando como uma leve aspiração moldada pelo contexto fonético. Já /ʔ/ varia entre um fechamento glotal completo após vogais, em alguns dialetos, e uma glotalização acompanhada de queda tonal em outros; após consoantes, porém, sempre aparece como golpe glotal pleno. Além disso, quando uma palavra começa por vogal, um /ʔ/ automático é inserido foneticamente, embora não seja escrito, por ser totalmente previsível.
O único som realmente labial da língua é /m/, extremamente raro e praticamente restrito à palavra ama “água”. Não há /p/ nem /b/ no sistema fonológico. Algumas consoantes apresentam variações alofônicas: sílabas grafadas com /g/, exceto /ga/, são pronunciadas de forma mais próxima a /k/, por terem articulação mais forte; o /d/ pode soar como o /t/ do inglês, especialmente antes de /o, u, v, ou/ quando ocorre antes de /l/ e /s/. Sequências iniciadas por /ts/ costumam ser realizadas como /ch/, às vezes aproximando‑se de /j/. Sílabas com /tl/ podem alternar para /dl/, e formas como /do, du, dv/ podem se aproximar de /to, tu, tv/, frequentemente com nasalização perceptível em /v/, usada inclusive para ênfase em certos dialetos.
Por fim, algumas palavras exibem um /h/ intrusivo, nunca escrito, mas ouvido como uma respiração suave antes ou depois da sílaba, uma característica variável e condicionada pelo fluxo fonético natural da fala .
Vogais As vogais do cherokee consistem em cinco vogais orais — /a/, /e/, /i/, /o/, /u/ — e uma vogal nasalizada, /v/. As vogais posteriores /o/ e /u/ distinguem‑se principalmente pela posterioridade, mas também apresentam um leve arredondamento labial, característica que as aproxima de diversas realizações do semivogal /w/. Entre muitos falantes, especialmente na Carolina do Norte, o fonema /o/ é articulado de forma relativamente baixa, aproximando‑se do timbre de /ↄ/.
+Vogais CherokeeAnteriorCentralPosteriorBaixa/a/Média/e//v//o/Alta/i//u/
Prosódias A prosódia do cherokee é marcada por dois sinais principais: o acento /´/ e o comprimento vocálico /:/. O acento indica altura alta, ou seja, uma elevação perceptível na entoação da sílaba onde aparece. Já o símbolo /:/ marca uma duração mais longa da vogal precedente, funcionando como um prolongamento audível do som vocálico.
Além disso, o cherokee possui três graus fonéticos de duração vocálica: vogais longas, vogais curtas e um terceiro tipo — vogais extra‑curtas, encontradas especialmente em certos /a/ e /i/. Essas vogais extra‑curtas correspondem a vogais epentéticas, inseridas por processos morfofonológicos. Elas são sempre previsíveis pelo contexto, e por isso não são representadas na escrita, já que não há contraste significativo entre vogais curtas e extra‑curtas (não são vistas diferenças suficintes entre /a/ e /ă/ ou entre /i/ e /ĭ/ para diferenciá-las).
Fonotática A fonotática do cherokee é marcada por simplicidade estrutural e forte dependência de processos morfofonêmicos. A língua prefere sílabas do tipo CV, com V inicial também comum, enquanto combinações CC são praticamente inexistentes sem intervenção de regras formais. Quando dois morfemas entram em contato criando um encontro consonantal, a língua resolve automaticamente essa sequência por epêntese de /i/, garantindo que se mantenha a estrutura silábica básica permitida. De maneira semelhante, hiatos entre vogais não são permitidos e o sistema introduz /w/ após o prefixo u:- e /y/ após prefixos com i: para impedir sequências vocálicas proibidas, mantendo a fluidez fonotática sem quebrar padrões silábicos.
A presença de laringeais (/h/ e /ʔ/) é o fator fonotático mais importante. A regra central do cherokee diz que, quando uma laringeal ocorre em sílaba não final e é precedida por vogal curta não acentuada ou por ressonante (com ou sem vogal curta), ela se desloca para a esquerda (uma metátese obrigatória que muitas vezes causa deleção vocálica se o som seguinte não for ressonante). Isso reorganiza a palavra internamente e explica grande parte da variação superficial do idioma, especialmente na junção entre prefixos e raízes verbais.pdf). Além disso, o sistema permite que /n/ se vocalize em /v/ diante de sequências laringal + consoante, um padrão previsível que também faz parte do funcionamento fonotático das bases verbais composta.
As vogais curtas átonas são altamente instáveis e podem ser reduzidas, deslocadas ou até eliminadas por processos de metátese e contração. Vogais longas, por outro lado, tendem a gerar glotalização ou inserção de /ʔ/ em ambientes átonos, marcando fronteiras morfológicas e reforçando padrões prosódicos regulares. Existe fonotaticamente uma oclusiva glotal automática em contexto inicial, não grafada, mas previsível a partir do sistema fonológico, preservando ataques silábicos bem formados.
Gramática Morfologia