Darius Kasparaitis (Elektrėnai, Lituânia, 16 de outubro de 1972), é um jogador lituano de hóquei no gelo que defendeu a seleção da Rússia.

Nos tempos de União Soviética, seu nome era russificado para Дарюс Владович Каспарайтис (Daryus Vladovich Kasparaytis ou Darjus Vladovič Kasparajtis, em romanizações literais).

Carreira Kasparaitis era um jogador durão, apesar de não muito alto (1,80 metro), e sempre foi idolatrado pelas torcidas dos times que defendeu por seu estilo simples, que nunca se colocava à frente dos objetivos do time."Penguins Q&A", Dejan Kovacevic, Pittsburgh Post-Gazette, 20/3/2002 A revista New York definiu seu jogo de trancos assim, em 2006: "Quando [um adversário] está acelerando rumo ao ataque com seus companheiros de linha, e de repente [ele] olha para o lado e um deles simplesmente desapareceu, isso dá o que pensar.""Dinosaur on ice", Keith Gessen, New York, 16/1/2006, pág. 34

Ele deixou a Lituânia aos 14 anos para treinar na Rússia, quando ambos os países ainda faziam parte da União Soviética. Depois de um ano, ele quis voltar, por estar com saudades de casa e "não querer morar com russos", mas sua mãe, Laima, ordenou que ele ficasse lá. Em 1988-89, aos 16 anos, estreou pelo Dínamo Moscou. Foi o primeiro lituano convocado para a seleção juvenil soviética"How Do You Say Tough Guy in Lithuanian?", Joe Lapointe, The New York Times, 8/3/1993 e, com ela, ganhou medalhas de prata nos Campeonatos Europeu (foi eleito para o time das estrelas dessa competição)Dan Diamond, James Duplacey, Ralph Dinger, Igor Kuperman e Eric Zweig, Total Hockey, Total Sports, 1998, pág. 1161 e Mundial Juvenil de 1991, e neste último chegou a dar um murro no rosto do goleiro de seu time por ele "não dar o máximo de si"."No time like overtime", E. M. Swift, Sports Illustrated, 17/5/1993, pág. 29 No ano seguinte, seu último no Dínamo, ganhou o Campeonato Soviético e também duas medalhas de ouro com a seleção da Comunidade de Estados Independentes: no Mundial Juvenil (quando foi eleito melhor defensor da competição) e nos Jogos Olímpicos de Inverno em Albertville — foi o único jogador não-russo na seleção."Plenty Unified Enough", Steve Rushin, Sports Illustrated, 2/3/1992, pág. 29

New York Islanders Nesse mesmo ano, foi escolhido pelo New York Islanders com a quinta escolha geral do recrutamento, conseguida em uma troca"He Shoots, He Scores! (In 2 Languages!)", Joe Lapointe, The New York Times, 26/6/1993 que custou aos Isles suas escolhas de primeira (oitava geral) e segunda rodada, repassadas ao Toronto Maple Leafs."Rangers Stay at Home And Draft L.I. Twins", Joe Lapointe, The New York Times, 21/6/1992 A decisão dos Leafs foi estranha, porque o gerente geral do time, Cliff Fletcher, tinha dito durante a Olimpíada de Inverno que estava "de olho em Kasparaitis havia alguns anos"."Luxury Takes Back Seat For N.H.L. Talent Scouts", Filip Bondy, The New York Times, 16/2/1992 Com a primeira escolha recebida, os Leafs selecionaram Brandon Convery, que disputou apenas 72 jogos (e nenhuma temporada completa) na NHL, por Leafs, Vancouver Canucks e Los Angeles Kings.HockeyDB.com: Brandon Convery Kaspar tornou-se o terceiro russo a ser recrutado na primeira rodada, depois de Alexei Kovalev um ano antes e de Alexei Yashin, com a primeira escolha de 1992."What's Wrong With This Picture?", Jon Scher, Sports Illustrated, 12/10/1992, pág. 37 O gerente geral dos Islanders, Bill Torrey, também disse que não se poderia esperar do novo jogador o comportamento "robótico" que era o estereótipo dos jogadores treinados na União Soviética. A negociação para o Dínamo liberá-lo tomou algum tempo,"Islander Defensemen Are Looking Over Shoulders", Joe Lapointe, The New York Times, 17/9/1992 mas resolveu-se quando Kasparaitis assinou um contrato de dois anos que lhe pagaria 900 mil dólares e tornou-se o primeiro jogador da ex-União Soviética a defender os Isles" Islanders Take First-and-10 Approach", Joe Lapointe, The New York Times, 6/10/1992 e ainda o primeiro lituano a jogar na NHL. Na época em que ele foi para os Estados Unidos, jogadores europeus ainda tinham fama de "delicados", mas ele foi um dos jogadores que começaram a mudar essa perspectiva."Kasparaitis Ready to Be Bully of Broadway", Jason Diamos, 15/7/2002 "Kasparaitis parece pequeno, mas ele joga de maneira mais dura", avaliou Scott Lachance, atacante dos Islanders, que tinha defendido os Estados Unidos nas Olimpíadas de Inverno e atuou contra o lituano. "Ele é um garoto realmente durão. Ele assume seu papel e vai te acertar quando você estiver com a cabeça baixa.""Lachance Keeps Tabs on Two New Prospects", Joe Lapointe, The New York Times, 10/9/1992

Em Long Island, começou com algumas expulsões"In the End, the Islanders Are Not a Gracious Host", Joe Lapointe, The New York Times, 21/10/1992 e penalidades desnecessárias,"Rookie Goalie's First Victory a Big One", Joe Lapointe, The New York Times, 20/12/1992 além de outros erros, humildemente reconhecidos, como quando perdeu um disco no lance do gol da vitória do Washington Capitals, no final do jogo de 5 de dezembro, e lamentou: "Foi meu erro. Grande erro. Perdi a partida.""Islanders' Woeful Week Ends. Finally.", Joe Lapointe, The New York Times, 6/12/1992 Mas não demorou a mostrar serviço,"An Islander Rookie Hopes to Make Impact", Joe Lapointe, The New York Times, 9/9/1993 mesmo demorando um pouco para conseguir dominar o inglês, o que não o impedia de pregar peças nos seus novos colegas constantemente. Com seu estilo imprudente, mas despreocupado,"Lace Up: Ice Is for More Than Highballs Now", Joe Lapointe, The New York Times, 7/9/1993 ele usava o corpo (nem sempre legalmente) e seus trancos, especialmente nas estrelas dos adversários, eram aplaudidos pela torcida — ou vaiados, quando o jogo era fora de casa, mesmo que em um estádio neutro."Islanders Beat the Blues in Overtime Show for Texans", The New York Times, 16/12/1992 Com menos de um mês de NHL, marcou seu primeiro gol (na derrota por 4 a 3 para os Kings, em 27 de outubro)"Three-Goal Flurry Foils the Islanders", Robin Finn, The New York Times, 28/10/1992</ref> e já era considerado "o melhor novato dos Islanders em uma década"."Islander Uncertainty Beyond Sideboards", Joe Lapointe, The New York Times, 29/10/1992

Scott Stevens, do New Jersey Devils, que já tinha sólida reputação com seus trancos, avaliou: "[Kasparaitis] usa o corpo, e você tem de estar sempre atento a ele.""Turgeon and a Rookie Throw Devils Off", Alex Yannis, The New York Times, 17/1/1993 O plano de Kaspar era construir uma reputação como a de Stevens. "Quando eu chego à NHL, tenho de vender meu nome", explicava. "‘Kasparaitis, esse cara não é jogador fácil. Esse é jogador durão.’ Preparem-se para mim. Hóquei é um jogo de homem." Às vezes, ele passava dos limites na busca por tal fama, como quando chutou Kevin Dineen, do Philadelphia Flyers, depois de uma briga"Kasparaitis Plays and Waits", The New York Times, 1/12/1992 e ganhou uma multa de quinhentos dólares e uma advertência da liga."Kasparaitis Warned", The New York Times, 3/12/1992

Esse estilo gerava críticas de adversários. "Se você joga sujo, isso ainda vai prejudicá-lo", avisava Ken Daneyko, dos Devils. "Você vive pela espada, você morre pela espada.""This Time, Devils Play the Role of Home Wrecker", Joe Lapointe, The New York Times 1/11/1992 Um jornal lituano publicou uma história dizendo que os Devils queriam "matar" Kasparaitis, e o defensor teve de ligar para sua mãe na Lituânia — sua conta de telefone batia em mil dólares mensais —, só para dizer que estava vivo. Seus primeiros incidentes com Mark Messier, que mais tarde viria a ser seu colega de time no New York Rangers foram nessa temporada, quando trocou socos com ele em um jogo"Big-City Rangers Are Yokels on Long Island", Joe Lapointe, The New York Times, 27/12/1992 e o empurrou com seu taco para dentro do gol em outro. Mario Lemieux também sofreu com ele na temporada regular"Mario the Magician Offers Thrill a Minute", Joe Lapointe, 5/11/1992 e sofreria mais ainda nos playoffs — e também mais tarde tornar-se-ia colega de time de Kaspar. Ele questionava por que as estrelas ganhavam um suposto tratamento especial por parte dos árbitros. "Eu não entendo por que as pessoas aqui dizem: ‘Grande estrela, não pode tocar’", reclamava. "Não pode tocar essas pessoas? Lemieux, Messier, Steve Yzerman. Eu gosto tocar às vezes." Ele não poupava as estrelas, mas também não se intimidava nem com os mais durões. Em março, levou a melhor contra Dale Hunter, intimidador dos Capitals, e comemorou depois: "Eu gosto de durões.""Islanders Knock a Peg From Under Capitals", Joe Lapointe, The New York Times, 8/3/1993

No fim da temporada regular, o técnico Al Arbour já confiava tanto nele e em seu parceiro, o também novato Vladimir Malakhov, que colocou ambos no gelo durante o último minuto de uma partida contra os Flyers, quando o adversário tirou seu goleiro para colocar um novo atacante e pressionar pelo empate."Islanders in 4th Place After Defeating Flyers", Joe Lapointe, The New York Times, 31/3/1993 Os dois novatos ajudaram a segurar a vitória por 2x1.

Ao longo de sua primeira temporada, ficou de fora de 5 dos 84 jogos do time, embora uma dessas ausências tenha sido graças a uma suspensão automática por dois incidentes com taco"Islanders' New Nasty Boy Must Sit Out", Joe Lapointe, The New York Times, 9/11/1992 e outra por decisão do técnico,"This Time, His Number Will Raise to the Roof", Joe Lapointe, The New York Times, 20/2/1993 que deu um descanso ao seu defensor depois de ele se recuperar de dores nas costas."Islanders Send Their Fans Home Early and Happy", Joe Lapointe, 17/2/1993 Cansado por não estar acostumado à longa temporada da NHL e com uma lesão na lombar,"Islanders Play Travel Agent, Send Devils To Pittsburgh", Alex Yannis, The New York Times, 17/4/1993 ficou fora da última partida da temporada regular, mas acabou por atuar em todas as partidas do time nos playoffs. Na série de abertura, contra os Capitals, Kasparaitis teve grandes momentos, como quando evitou um tranco de Todd Krygier ao desacelerar e aproveitar o próprio embalo do adversário para levantá-lo."Absolutely, Positively: It's Islanders in Overtime", Joe Lapointe, The New York Times, 22/4/1993 Depois da terceira vitória na série, na prorrogação, o ídolo lituano da torcida jogou seu taco para a plateia como souvenir."Islanders Continue Thriving in Overtime", Joe Lapointe, The New York Times, 25/4/1993 A classificação em seis partidas levou o time às finais da Divisão Patrick, contra o Pittsburgh Penguins, que ganhara o Troféu dos Presidentes como melhor time da temporada regular, com 32 pontos de vantagem sobre os Islanders.

"Vários amigos meus em Long Island diziam que me pagariam o jantar se ganhássemos um jogo", contou Kasparaitis oito anos depois. "Estávamos preparados para jogar duro, mas não esperávamos ganhar a série, porque aquele time foi um dos melhores que nós tínhamos enfrentado.""Kasparaitis a hit in '93 playoff upset", Dave Molinari, Pittsburgh Post-Gazette, 12/4/2001 Quando os Isles venceram o primeiro jogo, o lituano previu que uma eventual classificação "seria grande boom na América. Sensação. Isles são como time normal contra melhor time da NHL"."Presto! Islanders Pull Penguins Out of Hat", Joe Lapointe, The New York Times, 3/5/1993 Apesar de os Islanders endurecerem a série, perdiam por três jogos a dois, e Kaspar não tinha aparecido muito nos cinco primeiros jogos. Antes do jogo 6, disseram a ele que era "hora de acertar alguém", porque o time precisava dele. "Há muito tempo eu não ouço a torcida gritar "Darius! Darius!", respondeu ele. "Hoje eu quero ouvir.""Spring Heat Can't Melt Islanders' New Ice Age", Joe Lapointe, The New York Times, 13/5/1993