A , também conhecida como a Corrida a África ou ainda Disputa pela África, era proliferação de reivindicações europeias conflitantes ao território africano durante o período do neoimperialismo, entre a década de 1880 e a Primeira Guerra Mundial em 1914. Envolveu principalmente a França e o Reino Unido, mas também a Itália, Bélgica, Alemanha, Portugal, Espanha e, com menos intensidade, os Estados Unidos. Este participou da fundação da Libéria.Enrico Corradini, Repórter do Primeiro Congresso Nacionalista: Florência, 3 de dezembro de 1919.

A segunda metade do século XIX, em torno do ano 1880, assistiu à transição do "imperialismo informal", que exercia o controle através da influência militar e da dominação econômica para um domínio mais direto. As pretensões de mediar a concorrência imperial, tal como a Conferência de Berlim (1884 - 1885), entre o Reino Unido, França e Alemanha não pôde estabelecer definitivamente as reivindicações de cada uma das potências envolvidas. Essa disputa pela África esteve entre os principais fatores que deram origem à Primeira Guerra Mundial.

Abertura do continente A abertura da África à exploração ocidental havia começado no final do . Até 1835, os europeus já haviam traçado mapas da parte do noroeste africano. Entre os exploradores europeus mais famosos estavam David Livingstone, quem traçou os planos do vasto interior, e Alexandre Serpa Pinto, quem a cruzou numa complicada expedição e traçou mapas de seu interior. Árduas expedições nas décadas de 1850 e 1860 por Richard Burton, John Hanning Speke e James Augustus Grant descobriram os grandes lagos centrais e a nascente do Rio Nilo. No final do século, os europeus haviam cartografado o Nilo desde seu nascimento, o percurso do Rio Niger, e o traçado dos rios Congo e Zambeze.thumb|400px|Comparação da divisão política do Continente Africano em 1880 e 1913|esquerda

De qualquer maneira, logo no início dos conflitos pela posse da África, as nações ocidentais controlavam apenas 10% do continente. Em 1875 os territórios mais importantes tanto pela sua extensão quanto pela sua riqueza eram Argélia, sob domínio francês; Colônia do Cabo, controlado pelo Reino Unido e Angola, que estava sob o português.CAMPOS, Flávio de; MIRANDA, Renan Garcia. A escrita da História. Escala educacional. 1ª edição. São Paulo, 2005. p. 412 e 413. ISBN 85-7666-266-3

Os avanços tecnológicos facilitaram a expansão de grandes distâncias. A industrialização provocou avanços significativos nos transportes e comunicações, especialmente na utilização de Vapores, ferrovias e telégrafos. Os avanços médicos também foram de grande importância, em especial, a descoberta da cura para as enfermidades tropicais. O desenvolvimento da quinina, um tratamento efetivo contra a malária, permitiu que a vasta região tropical pudesse ser acessível aos europeus.

Causas da disputa África e os mercados globais thumb|direita|150px|David Livingstone foi um dos primeiros europeus a explorar o interior da África

A África subsaariana, uma das últimas regiões do mundo ainda não afetada pelo "Imperialismo Formal" e a "civilização" tornou-se uma região atrativa para as potências europeias por razões econômicas e raciais. Durante uma época em que a balança comercial da Grã-Bretanha mostrava um déficit em seu crescimento, com os mercados continentais se encolhendo e, cada vez mais protecionistas devido a Longa Depressão, a África oferecia ao Reino Unido, Alemanha, França, entre outros países, um mercado aberto no qual se aproveitava o grande excedente de produção e um mercado que importa mais da metrópole do que exporta.

thumb|230px|esquerda|Esboço do Canal de Suez realizado em 1881. O Canal era uma das grandes ambições europeias para ampliar seus mercados à nível global

Devido ao fato de o Reino Unido ter se desenvolvido como a nação mais importante da sociedade pós-industrial, os serviços se transformaram num setor da economia britânica. As exportações financeiras mantinham a economia do Reino Unido em pé, especialmente os investimentos de capital fora da Europa. Particularmente para o desenvolvimento de mercados abertos na África (predominantemente em assentamentos coloniais), Oriente Médio, sul e sudeste da Ásia e Oceania.

Além disso, o capital excedente era em geral mais rentável que investir no exterior, onde a mão de obra barata, competência limitada e matérias-primas abundantes desencadearam a grande exploração do continente africano. Outro atrativo para o Imperialismo foi a demanda por recursos não disponíveis e/ou escassos da Europa, - recursos dos quais os consumidores europeus já haviam se acostumado, e, a indústria do Velho Mundo se tornara novamente dependente.

De qualquer maneira, na África - exceto na região da atual União Sul-Africana em 1909 - a quantidade de capital investido pelos europeus era relativamente baixa, comparado com outros países, antes e mesmo após a Conferência de Berlim. Consequentemente, as companhias envolvidas no comércio tropical africano eram relativamente poucas, à parte da Companhia Mineradora de Beers de Cecil Rhodes. Essas observações podem diminuir o valor dos argumentos pró Imperialistas de alguns Grupos de pressão coloniais como "Alldeutscher Verband", ou como Francesco Crispi ou Jules Ferry, que afirmavam que alguns mercados protegidos na África resolveriam os problemas dos preços baixos e da superprodução, causados pelos mercados continentais em diminuição. Contudo, de acordo com a clássica tese de John A. Hobson, exposta em sua obra Imperialismo de 1902, que influenciaria em autores tais como Lenin, León Trotsky e Hannah Arendt. Esta diminuição nos mercados Continentais foi um fator chave para o novo período Neoimperialista à nível global. Historiadores posteriores haviam notado que tais estatísticas só anularam o fato de que o controle formal da África tropical tinha grande valor estratégico numa era de rivalidades imperiais, enquanto isso o Canal de Suez havia permanecido como uma localização estratégica. A Febre do ouro de Witwatersrand de 1886, que levou à fundação de Johannesburgo e foi um fator importante na Segunda Guerra dos Bôeres em 1889, contou com a "conjunção do supérfluo dinheiro e da supérflua mão de obra que se deram as mãos entre si para abandonar, juntos, o país", que é por si só, de acordo com Hanna Arendt, o novo elemento da era imperialista.

- thumb|direita|200px|Almirante Alfred von Tirpitz Enquanto a África tropical não era uma região de grandes investimentos, o vasto interior entre a África do Sul, rica em ouro e diamantes, e o Egito tinham, contudo, um alto valor estratégico, importante para assegurar o fluxo do comércio exterior. O Reino Unido estava sob uma intensa pressão política, especialmente devido aos partidários do Partido Conservador para proteger os mercados lucrativos na Índia britânica, Dinastia Qing (China) e América Latina dos rivais usurpadores. Desta forma, proteger a importante via marítima entre o leste e oeste - O Canal de Suez - era crucial. A rivalidade entre o Reino Unido, França, Alemanha, entre outras potências europeias esteve presente na maior parte do período da colonização.

Desse modo, enquanto a Alemanha, que havia sido unificada sob o domínio da Prússia após a Batalha de Sadowa em 1886 e a Guerra franco-prussiana em 1870, dificilmente seria uma potência colonial antes do período do Neoimperialismo e, participaria das disputas. Tornou-se uma potência industrial em crescimento que incomodava o Reino Unido, porém não havia tido a oportunidade de controlar territórios extracontinentais, principalmente devido ao fato de ter a sua unificação tardia, uma fragmentação em vários estados e uma falta de experiência na Navegação moderna. Fator que mudaria sob a liderança de Otto Von Bismarck, quem implementou a "Weltpolitik" (política mundial) e, após de coordenar as bases de isolamento da França com a aliança entre a Alemanha e o Império Austro-Húngaro e mais tarde com a Tríplice Aliança com Itália exigiu a Conferência de Berlim, a qual fixou as regras para um maior controle efetivo dos territórios estrangeiros. O expansionismo alemão conduziria ao Plano Tirpitz, implementado pelo Almirante von Tirpitz, quem também defendeu os decretos de frota em 1898, atrativo numa luta armada com o Reino Unido. Em 1914, os decretos haviam dado à Alemanha a segunda maior força naval do mundo, aproximadamente 40% menor que a frota da Marinha Real Britânica. De acordo com Tirpitz, essa agressiva política naval estava respaldada mais pelo Partido Nacional Liberal da Alemanha do que pelos conservadores, demonstrando que as principais sustentações do imperialismo das nações europeias eram a burguesia.

A Weltpolitik de Bismarck thumb|esquerda|200px|Otto von Bismarck personagem importante na disputa pela África

A Alemanha iniciou sua expansão mundial na segunda metade do sob a liderança de Bismarck, este, encorajado pela burguesia nacional. Alguns deles, dizendo ser do pensamento de Friedrich List, defenderam a expansão nas Filipinas e no Timor; outros decidiram se estabelecer em Formosa (atual Taiwan), etc. Ao final da década de 1870, estas vozes isoladas começaram a ser reveladas por uma verdadeira política imperialista, conhecida como Weltpolitik, que foi ressaltada pela tese mercantilista. Em 1881, Wilhelm Hübbe Schleiden, um advogado, publicou "Deutsche Kolonisation", na qual dizia que " o fomento de uma consciência nacional demandava uma política exterior independente. O Pangermanismo foi assim ligado às jovens companhias imperialistas da nação. Nos primórdios do ano 1880, o "Deutscher Kolonialverein" foi criado e teve sua própria revista em 1884, a "Kolonialzeitung". Esse grupo colonial também foi revelado pelo grupo nacionalista "Alldeutscher Verband".

Assim, a Alemanha se transforma na terceira potência colonial na África, adquirindo um império de 2,6 milhões de quilômetros quadrados e 14 milhões de habitantes, principalmente em suas possessões africanas, como a Sudoeste Africano Alemão, Togolândia, Camarões alemãs e Tanganica. A disputa pela África levou Bismarck a propor a Conferência de Berlim, que se realizou entre 1884 e 1885. Depois do Entente cordiale de 1904 entre França e Reino Unido, a Alemanha tentou isolar a França em 1905, com a Primeira Crise do Marrocos. Isto levou à Conferência de Algeciras, na qual a influência da França sobre o Marrocos foi recompensada pela troca de outros territórios e em seguida a Crise de Agadir ou Segunda Crise do Marrocos em 1911. Junto com o Incidente de Fachoda de 1898 entre França e Reino Unido, esta sucessão de crises internacionais prova a amargura da luta entre os diferentes impérios, fato que culminou na Primeira Guerra Mundial.

O conflito de imperialismos rivais Enquanto Pierre de Brazza estava explorando o Reino do Congo para a França, Henry Stanley também o explorou durante o início de 1880 em nome de Leopoldo II da Bélgica, quem conquistaria seu próprio Estado livre do Congo. Ao pretender defender o humanitarismo e denunciar a escravidão, Leopoldo II usou das táticas mais desumanas para explorar suas conquistas recentes. Seus crimes foram descobertos em 1905, porém permaneceu sob as autoridades até 1908, quando foi obrigado a ceder o controle para o governo belga.

A França ocupou a Tunísia em maio de 1881 e Guiné em 1884, que em parte convenceu a Itália para se unir em 1882 à Aliança Dual entre a Alemanha e o Império Austro-húngaro, formando assim a Tríplice Aliança. No mesmo ano, o Reino Unido ocupou o Egito Otomano, que dominava o Sudão e parte da Somália.

Em 1870 e 1882, Itália tomou posse das primeiras partes de Eritreia, enquanto a Alemanha declarou Togolândia, Camarões e Sudoeste Africano Alemão sob seu domínio em 1884. A África Ocidental Francesa foi fundada em 1895, e a África Equatorial Francesa em 1910.