300px|miniatura|direita|Estação Nossa Senhora da Piedade, Tubarão A Estrada de Ferro Donna Thereza ChristinaDe acordo com a ortografia atualmente vigente, esta página deveria ser grafada como Estrada de Ferro Dona Teresa Cristina., também chamada de EFDTC, foi uma ferrovia construída por ingleses no sul de Santa Catarina, entre os anos de 1880 e 1884, especialmente para transportar carvão mineral para o porto de Imbituba, extraído inicialmente da região de Lauro Müller. 200px|miniatura|esquerda|Vagão lanchonete da EFDTC, no acervo do Museu Ferroviário de Tubarão

Entretanto, a empresa não prosperou, e a concessão foi encampada pelo governo federal em 1902. Sua concessão a partir de 1997 pertence à Ferrovia Tereza Cristina por um período de 30 anos.

200px|miniatura|esquerda|Estação Ferroviária de Jaguaruna, 2012 250px|miniatura|direita|Antiga estação Braço do Norte da EFDTC em Barra do Norte, destruída na enchente de 1974 200px|miniatura|direita|Bilhete de passagem da EFDTC da estação Braço do Norte a Imbituba, 9 de janeiro de 1946

História A história da ferrovia remonta à descoberta do carvão mineral em solo catarinense. Em meados da década de 1830, tropeiros que faziam o transporte de mantimentos entre Laguna e o planalto serrano, margeando o Rio Tubarão, descobriram acidentalmente algumas pedras que se incendiavam. Não tardou para que a notícia se espalhasse pela região. Em 1832 iniciou-se o primeiro processo de lavra nas cabeceiras do Rio Tubarão. A mineração seguiu fracamente nas primeiras décadas, até que em 1861 o segundo visconde de Barbacena, Felisberto Caldeira Brant Pontes, adquire terras devolutas no lugar denominado Passa Dois, próximo às nascentes do Rio Tubarão, fundando, em conjunto de investidores ingleses, uma companhia de mineração, a The Tubarão Coal Mining Company Limited e uma companhia de transporte férreo, a Donna Thereza Christina Railway Co. Ltd.

O visconde de Barbacena, fazendo valer seu trânsito pela Corte Imperial, consegue em 1874 a concessão para a construção da ferrovia, com seus estudos concluídos em 1878. Pela intervenção do imperador, a ferrovia recebeu o nome de sua esposa, a imperatriz dona Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias.

A construção se inicia em 1880, pela empresa James Perry Co., com engenheiros próprios e também trazidos do Rio de Janeiro, então capital do país, como o teuto-brasileiro Roberto Schiefler. A mão de obra empregada era em sua maioria de imigrantes italianos, que aportaram na região alguns anos antes. A estrada de ferro foi inaugurada em 1 de setembro de 1884, ao som da banda musical de Imaruí. No ano de 1887, a ferrovia teve grande parte de sua malha destruída por forte enchente do Rio Tubarão. As águas arrancaram a ponte da Passagem, paralisando a ferrovia por três meses.

O prejuízo decorrente iniciou o desinteresse dos investidores ingleses na região, aliado à baixa qualidade do carvão catarinense. Estes fatos culminaram com a desistência dos ingleses e a consequente encampação da ferrovia pelo governo brasileiro, em 1902. A sede da ferrovia, estabelecida em Imbituba, foi transferida para Tubarão, no ano de 1906, onde se mantém até os dias de hoje.

Após novas descobertas de carvão na região de Criciúma, a ferrovia foi arrendada pela Companhia Brasileira Carbonífera Araranguá (CBCA). Um novo ramal foi construído, interligando as novas minas, em Criciúma, ao trecho já existente em 1919. Seis anos mais tarde outro trecho foi construído, desta vez ligando até Urussanga, passando pela estação de Esplanada. A cidade de Araranguá recebeu os trilhos da ferrovia em 1927.

O arrendamento da CBCA terminou em 1940. Nestes anos, com a Segunda Guerra Mundial em andamento, o governo brasileiro de Getúlio Vargas celebra com o governo americano os Acordos de Washington, criando o parque siderúrgico nacional e impulsionando novamente a extração de carvão no sul de Santa Catarina. A ferrovia Dona Teresa Cristina tem papel fundamental neste quadro, realizando o transporte do carvão das minas aos portos de Imbituba e ao Porto de Laguna.

Em 1957, é incorporada ao patrimônio da estatal RFFSA – Rede Ferroviária Federal SA. O estabelecimento da Indústria Carboquímica Catarinense (ICC) em Imbituba, no ano de 1978, com o objetivo de aproveitar os rejeitos piritosos do carvão como fonte de enxofre, aumenta significantemente a demanda de transporte ferroviário.

A segunda crise do Petróleo aumentou o interesse pelo uso do carvão nacional, levando a um novo período áureo da ferrovia, entre os anos de 1983 e 1986, quando o transporte alcançou o nível de sete milhões de toneladas/ano. Com a superação da crise do petróleo e o fim da obrigação, em 1990, das siderúrgicas de utilizarem o mínimo de 20% do carvão nacional, e também com a paralisação da ICC em 1992, a demanda de transporte reduziu-se às necessidades de suprimento do Complexo Termoelétrico Jorge Lacerda, situada no município de Capivari de Baixo, cuja primeira unidade iniciou a operação em 1965.

Estações, paradas e postos telefônicos Denominação, imagem, data da inauguração, altitude (m), posição (m) do marco inicial em Imbituba e classificação. Situação na década de 1960.Walter Zumblick, Teresa Cristina. A Ferrovia do Carvão. Florianópolis: Editora da UFSC, 1987. p. 132

DenominaçãoImagemData inauguraçãoAltitude (m)Posição (m)ClassificaçãoImbituba9/18845,910,000EstaçãoVila Nova—18,904,366FechadaRoça Grande250px9/18847,3012,128TelefoneVisconde de Barbacena9/18848,8225,700EstaçãoCabeçuda9/18846,1630,240EstaçãoKm 37—14,7736,554FechadaEstiva9/18848,6741,760EstaçãoCapivari de Baixo194017,5446,759EstaçãoTubarão250px1/9/188410,0952,450EstaçãoOficinas—7,0053,480TelefonePinheiros—12,0058,781ParadaKm 9—13,0061,504ParadaGuarda9/188416,0063,494EstaçãoRio do Pouso250px4/194920,0066,674ParadaPedrinhas—26,0069,188ParadaBraço do Norte250px9/188429,3271,214ParadaPedras Grandes250px9/188439,7077,470EstaçãoPindotiba250px1/10/190858,2883,770ParadaSanta Clara—75,0088,348ParadaOrleans250px1/10/188499,3295,260EstaçãoOratório—133,00101,102ParadaLauro Müller250px1/10/1884197,82110,000Estação

As estações entre Lauro Müller e Imbituba eram, de acordo com o jornal "A Gazeta Orleanense", de 1918:João Leonir Dall'Alba, Colonos e Mineiros no Grande Orleans, 1986. Página 75.

Lauro Müller Oratório Km 99 Orleans km 90 Santa Clara Palmeiras Pedras Grandes Zabotti Braço do Norte Pedrinhas Km 68 Guarda Km 63 Pinheiros São João Oficinas Tubarão Km 50 Km 48 Capivari Estiva Km 37 Km 34 Cabeçuda Bifurcação Laguna Roça Grande Vila Nova Imbituba

O trem partia às 7,14 horas e chegava às 17,13 horas.

Locomotivas As duas primeiras locomotivas foram utilizadas nas obras de construção da ferrovia:José Warmuth Teixeira: Ferrovia Tereza Cristina, uma viagem ao desenvolvimento. Tubarão : Ed. do Autor, 2004 NºNomeFabricante1Visconde de BarbacenaHunslet Engine Company2General Beadle3D. Pedro IINasmyth, Wilson and Company4D. Thereza Christina5Princeza6Santa Catarina7Tubarão8Laguna

As terras cortadas pela ferrovia Walter Zumblick apresenta em seu livro sobre a ferrovia a lista das terras cortadas pela EFDTC.Walter Zumblick: Teresa Cristina. A Ferrovia do Carvão. Florianópolis : Editora da UFSC, 1987. Páginas 39 a 51.