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História da humanidade é o registro da trajetória dos seres humanos desde a pré-história até o presente. Os humanos modernos surgiram na África há cerca de 300.000 anos e, a princípio, viviam da caça e da coleta. Saíram da África durante a última era glacial e, quando ela terminou, há 12.000 anos, já haviam chegado a todos os continentes, exceto à Antártida. Pouco depois, a Revolução Neolítica, na Ásia Ocidental, trouxe o primeiro cultivo sistemático de plantas e criação de animais. Muitos grupos abandonaram o nomadismo e passaram a viver como agricultores sedentários em povoações permanentes. A crescente organização das sociedades humanas exigiu sistemas de contabilidade e de escrita.

As primeiras civilizações surgiram na Mesopotâmia, no Egito, no Peru, no vale do Indo e na China, dando início à Antiguidade no quarto milênio a.C. Essas civilizações permitiram a formação de impérios regionais e o surgimento de ideias filosóficas e religiosas que transformaram o pensamento humano. O hinduísmo surgiu no fim da Idade do Bronze. Na Era Axial, desenvolveram-se sistemas de pensamento como o budismo, o confucionismo, a filosofia grega, o jainismo, o judaísmo, o taoismo e o zoroastrismo. O cristianismo nasceu depois, como uma ramificação do judaísmo. O período pós-clássico, aproximadamente entre 500 e 1500 d.C., compreendeu o surgimento do islamismo e a prosperidade da China sob as dinastias Tang e Song. As civilizações se expandiram para outras regiões e o comércio entre as sociedades aumentou. Impérios como o Bizantino, os califados islâmicos e o Império Mongol surgiram e se desfizeram. A invenção da pólvora e da prensa de impressão nesse período teve grandes consequências nos séculos seguintes.

Na Idade Moderna, aproximadamente entre 1500 e 1800, as potências europeias exploraram e colonizaram regiões por todo o mundo, intensificando as trocas culturais e econômicas. Na Europa, as mudanças intelectuais, culturais e tecnológicas dessa época compreenderam o Renascimento, a Reforma Protestante, a Revolução Científica e o Iluminismo. No século XVIII, o acúmulo de conhecimentos e técnicas alcançou uma massa crítica que deu origem à Revolução Industrial. Esse processo sustentou a Grande Divergência e abriu o período contemporâneo, por volta de 1800. O rápido crescimento da capacidade de produção ampliou o comércio internacional e a colonização, aproximando as civilizações no processo de globalização e consolidando o domínio europeu ao longo do século XIX. Nos últimos 250 anos, que compreenderam duas guerras mundiais devastadoras, aceleraram-se o crescimento populacional, a agricultura, a indústria, o comércio, o conhecimento científico, a tecnologia, as comunicações, a capacidade militar e a degradação ambiental.

O estudo da história humana reúne conhecimentos de disciplinas como história, arqueologia, antropologia, linguística e genética. Para facilitar a compreensão do conjunto, os pesquisadores dividem a história da humanidade em períodos, por meio de diferentes critérios.

Pré-história

Origens humanas

Os humanos evoluíram na África a partir dos grandes primatas, pela linhagem dos hominínios, que surgiu entre 7 e 5 milhões de anos atrás.Bulliet et al. 2015a, p. 1: "Os seres humanos evoluíram ao longo de milhões de anos a partir de primatas na África.", tradução livre. Christian 2011, p. 150: "Mas descobriu-se que as diferenças entre humanos e chimpanzés correspondiam a apenas cerca de 10% das diferenças entre os grandes grupos de mamíferos, o que apontava para uma separação entre as duas linhagens há aproximadamente 5 a 7 milhões de anos.", tradução livre. Dunbar 2016, p. 8: "Por convenção, os taxonomistas chamam a família dos grandes primatas, que compreende os humanos, de hominídeos. Todos os membros da linhagem que levou aos humanos modernos e que surgiram após a separação do último ancestral comum de Homo e Pan são chamados de hominínios. A literatura mais antiga usava, respectivamente, os termos hominoides e hominídeos.", tradução livre. Wragg-Sykes 2016, pp. 183–184. Diferentemente dos demais primatas, os hominínios desenvolveram o bipedalismo, a capacidade de andar sobre duas pernas.Dunbar 2016, p. 8. Lewton 2017, pp. 116–117. Há cerca de 3,3 milhões de anos, começaram a usar ferramentas rudimentares de pedra, dando início ao Paleolítico.de la Torre 2019, pp. 11567–11569. Stutz 2018, pp. 1–9: "O Paleolítico abrange a maior parte dos vestígios arqueológicos humanos. Seu início é definido pelas ferramentas de pedra mais antigas conhecidas, datadas em 3,3 milhões de anos e encontradas no sítio de Lomekwi, no Quênia.", tradução livre. As primeiras etapas da evolução dos hominínios coincidiram com mudanças climáticas que tornaram a África mais seca e fria e reduziram suas florestas.Scarre 2024, p. 47. Essas mudanças, sobretudo a alternância entre períodos glaciais e interglaciais, iniciada há 3,2 milhões de anos, podem ter sido decisivas para a evolução humana.Scarre 2024, p. 78.

O gênero Homo evoluiu de Australopithecus.Strait 2010, p. 341: "Entretanto, Homo quase certamente descende de um ancestral australopitecíneo, de modo que pelo menos um ou alguns australopitecíneos pertencem diretamente à linhagem humana.", tradução livre. Seu vestígio mais antigo é uma mandíbula de 2,8 milhões de anos encontrada na Etiópia.Villmoare et al. 2015, pp. 1352–1355. A espécie mais antiga já nomeada é Homo habilis, que existia há pelo menos 2,3 milhões de anos.Spoor et al. 2015, pp. 83–86: "O último é morfologicamente mais derivado que OH 7, mas 500.000 anos mais antigo, o que aponta para a origem da linhagem de H. habilis antes de 2,3 milhões de anos e para uma diversidade de espécies muito antiga no gênero Homo.", tradução livre. A principal diferença entre Homo habilis e Australopithecus era o cérebro, cerca de 50% maior.Bulliet et al. 2015a, p. 5: "O que mais distinguia Homo habilis dos australopitecíneos era um cérebro quase 50% maior.", tradução livre. H. erectus surgiu há cerca de 2 milhões de anosHerries et al. 2020, p. 14. e foi a primeira espécie de hominínio a sair da África e se espalhar pela Eurásia.Dunbar 2016, p. 10. Os hominínios começaram a usar o fogo para se aquecer e cozinhar talvez já há 1,5 milhão de anos, mas certamente há 400.000 anos.Gowlett 2016, p. 20150164: "Sabemos que vestígios de queima ocorrem em sítios arqueológicos a partir de cerca de 1,5 milhão de anos, com vestígios de fogueiras propriamente ditas entre cerca de 700.000 e 400.000 anos. Sabemos também que havia técnicas mais elaboradas há cerca de meio milhão de anos e que elas passaram a empregar adesivos preparados com fogo.", tradução livre. Wiesner-Hanks 2015, p. 19.

Há cerca de 600.000 anos, o gênero Homo começou a se diversificar em novas espécies. Primeiro surgiu H. heidelbergensis, na África e na Europa, e depois os neandertais, na Europa, e os denisovanos, na Sibéria.Scarre 2024, pp. 71, 83, 86, 112. A evolução humana não seguiu uma sequência simplesmente linear ou ramificada, pois houve cruzamentos entre espécies aparentadas.Hammer 2013, p. 68. Yong 2011, p. 35. Wiesner-Hanks 2015, p. 25. Neandertais, denisovanos, Homo sapiens e outros hominínios ainda não identificados cruzaram entre si e geraram híbridos.Ackermann, Mackay, Arnold 2015, p. 2.

Primeiros humanos

miniatura|upright=1.8|Dispersões sucessivas de Homo erectus, em amarelo, e Homo neanderthalensis, em ocre, durante a primeira saída da África, e de Homo sapiens, em vermelho, na segunda saída da África. Os números expressam datas em anos antes do presente.

Homo sapiens surgiu na África há cerca de 300.000 anos, a partir de H. heidelbergensis.Hublin et al. 2017, pp. 289–292. Fagan, Durrani 2021, seção 3. Enter Homo Sapiens (c. 300,000 Years Ago and Later). Coolidge, Wynn 2018, p. 5. Os humanos seguiram evoluindo nos milênios seguintes e, há 125.000 anos, já eram anatomicamente modernos.Scarre 2024, p. 103. Há 100.000 anos, enterravam seus mortos, usavam adornos e pintavam o corpo com ocre vermelho.Christian 2015, pp. 318–319. Scarre 2024, pp. 104, 108. Uma das mudanças mais profundas, cuja data é desconhecida, foi o desenvolvimento da linguagem sintática, que ampliou muito a capacidade humana de comunicação.Christian 2015, pp. 344–346.

Os humanos do Paleolítico viviam da caça e da coleta e eram, em geral, nômades.Christian 2015, p. 22: "A maioria das comunidades paleolíticas vivia da coleta e da caça, deslocando-se como nômades por territórios familiares.", tradução livre. Entre as primeiras expressões artísticas estão as pinturas rupestres e as esculturas de marfim, pedra e osso.Wiesner-Hanks 2015, pp. 40–41. As pinturas rupestres são geralmente interpretadas como manifestações de uma espiritualidade animistaMcNeill, McNeill 2003, pp. 17–18. ou xamânica.Christian 2015, pp. 357–358, 409. Além da voz humana, os instrumentos musicais mais antigos conhecidos são flautas de osso do Jura Suábio, na Alemanha, com cerca de 40.000 anos.Morley 2013, pp. 42–43. Svard 2023, p. 23.