Mappin foi uma tradicional loja de departamentos brasileira. Com origem na criação em 1913 do escritório Mappin Stores (Brazil) Limited. sediada na Bishopsgate 156 em Londres na inglaterra. Seu proprietário era Walter John Mappin,, que colocou Sir Frederick H.Richmond como Presidente da nova empresa.. A primeira loja Mappin foi inaugurada em um sabado , 29 de novembro de 1913 , dividindo espaço com a Loja Mappin & Webb que já ocupava um predio na Rua 15 de Novembro, 26 no Centro de São Paulo.

A Mappin teve foco inicialmente na venda de roupas femininas e crianças, artigos de armarinhos e cortinas, voltado para as mulheres da elite paulista. . Em 1919, se mudou para o Edifício Barão de Iguape na Rua São Bento . A companhia teve que rever a sua estratégia e mudar o foco de seus negócios após a quebra da Bolsa de Nova Iorque em 1929. Diante das dificuldades financeiras iniciadas em 1990 , apesar de várias tentativas de recuperacão de mercado o Mappin, teve falência decretada em 1999.

Em 2019, a marca Mappin passou ao comando da Marabraz, com retorno da operação através do comércio eletrônico, depois de 19 anos da sua falência.

Histórico

Antecedentes A origem do negócio do Mappin remete-se ao fato dos irmãos Mappin já possuírem negócios no Brasil, apesar de nunca terem visitado a América do Sul. No Brasil, a Mappin & Webb, uma empresa fabricante de pratarias foi trazida em 1912 pelos irmãos Walter e Hebert Mappin que abriram primeiramente uma filial na Rua do Ouvidor no Rio de Janeiro, e em seguida, abriram uma filial em São Paulo.

Os Irmãos Mappin em 1913, tiveram a iniciativa de criar uma loja de departamento colocando o inglês John Kitching como diretor e investiram cerca de £1.000.000 e montaram uma nova loja totalmente independente de Mappin & Webb, surgindo assim uma loja-irmã, a Mappin Stores, com história e administração independente, com sede administrativa em Londres.

História Com objetivo de aumentar seus negócios no Brasil devido ao enorme retorno financeiro que o país emergente proporcionava, no ano de 1913 fundam o Mappin Stores. A primeira loja inaugurada na rua 15 de Novembro, região central de São Paulo em 29 de novembro de 1913, na sua primeira fase trazia o conceito dos grandes magazines franceses do "Palais de La Femme", ou seja, um grande estabelecimento voltado a satisfazer as necessidades de consumo feminino. Inicialmente foram estabelecidos onze departamentos com quarenta funcionários. Em 1914, passou a oferecer moda masculina.

Pioneira com o conceito de Lojas de Departamentos reunindo produtos de diversos tipos em um único local. Em seu interior eram vendidos além de roupas femininas e masculinas, produtos de origem importada da Europa e forneciam serviços como Salão de Cabeleireiro Feminino e um concorrido Salão de Chá, que atraiam um público ainda maior para o espaço que se tornou um dos principais pontos de encontro da Capital.

O interior da loja era muito luxuoso, possuía grandes lustres de cristais, móveis de madeira maciça e tapetes enormes importados da Europa. O ambiente proporcionava muito glamour para a elite paulista que frequentava constantemente as salas individuais com vendedores que traziam todas as mercadorias escolhidas no catálogo da loja, que era uma ideia extremamente inovadora na época. A loja era tão importante que, em 1914, foi palco da primeira exposição de arte de Anita Malfatti.

Diante do grande sucesso da nova loja, em 1916 a diretoria providenciou a abertura de uma filial na então capital federal, o Rio de Janeiro, localizada na Avenida Senador Vergueiro, 147, e outra unidade, esta localizada em Santos na Rua Santo Antonio, 21-23 no Centro. Porém, as duas filiais não deram o retorno esperado e foram fechadas anos depois.direita|miniaturadaimagem|250x250px|O tradicional relógio no prédio da primeira grande loja localizada na Praça Ramos de Azevedo.

Realizava liquidações semestrais, de inverno e verão, que tornaram-se verdadeiros acontecimentos na cidade e levavam famílias inteiras reunidas para às compras, inclusive, foi o primeiro estabelecimento a utilizar de técnicas de promoções temáticas principalmente na época de Natal em que a loja vendia decorações dos mais diversos tipos. Em 1919, já em seu novo endereço no Prédio Barão de Iguape na Rua São Bento, que em abril de 1922 foi aberta a Praça do Patriarca José Bonifácio bem em frente à Loja, que contava com 35 departamentos e cerca de 200 funcionários. O prédio, localizado na Praça do Patriarca, construído pelo Escritório Ramos de Azevedo e recebeu um relógio em sua fachada que, mais tarde, seria transferido para a próxima sede da loja.

No dia 20 de janeiro de 1922, a loja foi parcialmente destruída por um grande incêndio mas conseguiu diminuir o prejuízo com a liquidação "Salvos do Incêndio Mappin", com as mercadorias que restaram chamuscadas após a catástrofe, formando filas enormes em frente à loja. Foi a primeira vez que os mais pobres conseguiram entrar na loja.

Em 1929, com a crise econômica, o café perdeu grande valor afetando diretamente à elite paulistana da época. Na década de 30 as mercadorias ficaram paradas nas prateleiras. Foi então que John Kitching resolveu exibir os preços em etiquetas colocadas em todas as peças à venda na loja. A solução seria marcar os preços e, com isso, facilitar a compra para um público mais amplo. O Mappin inovou mais uma vez sendo o pioneiro a introduzir etiquetas de preços nas vitrines, atraindo consumidores de camadas mais populares. Com isso chegaria outra novidade na loja: o crediário. E desta forma o Mappin ganhou fôlego, retomou o crescimento.

A possibilidade de popularização apresentada pelo Diretor John Kilching de fazer concessões e expandir os espectros sociais, atingindo um público mais popular, assim como acontecia com as lojas de departamento mundo afora, porém a tradição do nome Mappin & Webb imperava para Walter John Mappin que dava nome a loja-irmã, e que também estava acostumado a servir a elite do setor cuteleiro e de presentes finos em seu país de origem, a Inglaterra. A Mappin & Webb e a Mappin Stores possuíam administração e gerências diferentes no Brasil, eram lojas com funcionamento independentes.

Desta forma, em 1936, a Mappin & Web, encerra atividades na Capital Paulista, Com o inicio da Segunda Guerra , o Mappin Stores é colocado à venda na Bolsa de Valores de Londres .

Mappin – Segunda Fase Em 1938 o investidor inglês Mr. Alfred Sim compra a Mappin Stores, porém com a condição de mudar o nome original, sendo permitido utilizar Mappin como nome de fantasia, quando é criado o famoso logotipo, a partir de então passou a ser Casa Anglo-Brasileira. Sua intenção principal era alterar a estrutura de vendas do Mappin, dando características mais brasileiras à loja e ampliando definitivamente seu público consumidor.

Uma de sua primeiras providências foi a mudança para um prédio maior para adaptar-se à nova realidade econômica, e poder pensar em sua expansão. Já restabelecida economicamente, em 1939, a marca pôde expandir para o novo prédio na Praça Ramos de Azevedo. O edifício foi reformado pelo valor de 400 contos de réis na época e criava toda uma atmosfera de requinte para a clientela que, além de serem atendidos em salas de estar particulares, era servido com chás e petits-fours. As novas instalações contavam com 5357m² em cinco andares que abrigavam 50 departamentos e mais de 500 funcionários. A inauguração em 14 de abril de 1939 foi celebrado dias antes com um Jantar, organizado pela Senhora Alfred Sim, reservado somente a convidados no Restaurante do Mappin no seu novo e enorme prédio na Praça Ramos de Azevedo que foi alugado da Santa Casa de Misericórdia entre 1939 ate a falência em 1999 .miniaturadaimagem|Foto do Edifício João Brícola, o icônico prédio que abrigou a unidade mais conhecida do Mappin, em 2018 O Edifício João Brícola, foi construído pelo arquiteto Elisário Bahiana, mesmo que projetou o Viaduto do Chá e o Jockey Club, e havia sido construído para ser a sede do Banespa mas, por conta da localização considerada distante do centro financeiro da época, houve uma troca e o prédio tornou-se propriedade da Santa Casa. Na época, era possível realizar as compras, também, pelo telégrafo, pelo telefone - bastava discar o número 45, ou pelos correios ao encaminhar os pedidos para uma caixa postal.

Possuía um famoso jingle que fazia parte das principais campanhas publicitárias da época, se tornando viral entre a população brasileira que, até hoje, se recorda da letra e ritmo da música:

Em 1947, foi inaugurado uma nova seção de roupas voltada para a classe média da população, que já era alvo das principais lojas da cidade.

Alguns anos depois, na segunda metade da década de 40, o Mappin começaria a sentir o peso da aceleração da economia brasileira que atraia novos concorrentes. e passou a ter dificuldades. A empresa apresentou grande dificuldade em entender às necessidades desse novo público que, queria ter acesso a produtos de grande qualidade sem precisar pagar muito por isso. Em 1948, abriu seu capital na bolsa de valores. O controle acionário foi vendido em 1950, passando a ser controlada pela família Alves Filho.

O novo administrador, o advogado Alberto José Alves, fazendeiro e Industrial da Fábrica de Tecidos Santa Margarida em Guaranésia e seu filho, o negociador de café, advogado Alberto Alves Filho promoveriam uma série de mudanças na operação da empresa, principalmente sua total popularização, como a substituição dos produtos importados pelos nacionais, novas políticas de crediário e de funcionamento. O empresário Alberto Alves Filho seguiu inovando a frente do Mappin, deixando a empresa cada vez mais popular e conhecida e, em 1972, abriu o capital da empresa.

Alves Filho enxergando a necessidade de adequação à nova realidade econômica de seus consumidores, substituiu os produtos importados por nacionais para que tivessem uma maior rotatividade de seus estoques e menor margem, criou novas políticas de crédito que permitiam o parcelamento do pagamento em até dez vezes e abriu o capital da empresa, além de ter criado famosas propagandas de TV que passavam na extinta Rede Tupi e aumentaram ainda mais a popularidade da loja varejista. Em 1973, a empresa já apresentava um aumento de vendas de cerca de 54,86%.

No final da década de 70, se tornou a primeira empresa da América Latina a implantar o PDV - caixa no ponto de venda, que trouxeram ganhos de produtividade extremamente significativos.

Em 1982, e no ano seguinte, o Mappin foi considerado a empresa do ano e segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Gallup, 97% da população paulistana conhecia a empresa.

Antonio Alves Filho comandou até seu falecimento em 1982, assume a frente da empresa sua esposa Cosette Alves. Nos os próximos anos, a marca investiu na compra de outras empresas concorrentes do setor como a Sears que, na época, possuía cinco unidades no país.

Em 1995, era a única loja de departamentos completa do Brasil com mais de 85 mil itens distribuídos em seções como Eletrodomésticos, Eletrônicos, Eletro-portáteis, Confecções, Móveis, Esportes, Lazer, Bazar e Cama/Mesa/Banho.

Todos esses investimentos acabaram por trazer um prejuízo, anunciado no ano de 1995, de quase 20 milhões de reais e dar um grande "passo" em direção a venda da empresa que ocorreu no ano seguinte. Em 1996 passou pelo seu momento mais difícil, acusou um aumento do prejuízo no Balanço Financeiro que levaria o fechamento da loja e teria demissão em massa. Diante da situação que se agravara, e num gesto final de tentar salvar o Mappin aceitou a proposta do investidor Ricardo Mansur, conhecido por recuperar empresas, e vendeu a loja para o mesmo. Mansur tinha um plano perfeito e aval do próprio presidente do Bradesco, presente na assinatura do Contrato de Venda. Mas as estratégias para salvar a loja não deram certo. Ricardo Mansur perdeu mais dinheiro do que quando entrou no negócio. Suas empresas entraram em liquidação.