A viola de mão ou vihuela (em castelhano) é um instrumento de cordas ibérico aparentado com o alaúde renascentista, de que retoma o acordo em quarta, e não um antepassado da guitarra, com a qual coexistia, embora partilhem um formato parecido . A sua primeira menção é feita no Reino de Aragão, no nordeste de Espanha, no século XV, tendo sido, em seguida, o seu uso generalizado no restante território de Espanha, nomeadamente em Castela, no centro e norte do país, e em Portugal. O fundo da viola de mão ou vihuela é plano e conta com seis ou sete ordens de cordas que se acredita que afinavam em uníssono. As cordas eram de tripa, sendo as mais graves banhadas em prata. O seu tamanho era variável, as mais pequenas afinadas em Lá e Sol (em referência à primeira corda) e as maiores em Fá, Mi e Ré.
É geralmente aceite que a primeira corda era simples, se bem que há violistas (vihuelistas) que usam duas primeiras. Algumas violas de mão contavam com uma só roseta central e outras até cinco, de madeira talhada ou de pergaminho e era frequente a decoração da tampa com incrustações de chapa de madeira a formar as características figuras geométricas que conferiam uma estética muito especial ao instrumento. Os trastes eram iguais aos de todos os instrumentos de cordas da época: eram móveis, de tripa enrolada ao redor do braço. No princípio em número de nove ou dez e mais adiante até doze.
A primeira pessoa a publicar uma coleção de música para a viola de mão foi o compositor valenciano Luis de Milán, da Coroa de Aragão. O seu livro El maestro de 1536 é dedicado ao rei João III de Portugal. O português Belchior Dias, violeiro lisboeta do fim do século XVI, fabricou violas de mão de que temos actualmente um ou dois exemplares. Um dos tocadores portugueses actuais de viola de mão é o Tiago da Neta, professor da Academia de música de Alcobaça.
História A viola de mão é um instrumento que alcança o seu máximo esplendor na Península Ibérica durante o século XVI, em torno de um ambiente cortesão e nas capelas musicais de reis e nobres. Foi muito popular em Espanha e Portugal. Tendo em conta as contínuas viagens de Carlos V e Felipe II por toda a Europa, o seu âmbito não ficou reduzido à Península. Encontra-se também no sul da Itália, devido ao tráfego comercial no sul do Mar Mediterrâneo, assim como na América latina a seguir à chegada dos Portugueses e dos Espanhóis. Se revisitarmos os inventários de instrumentos musicais nas cortes espanholas, observamos uma evidente presença de alaúdes, que na Espanha eram conhecidos como vihuelas de Flandres, o que nos leva a acreditar numa possível convivência de ambos os instrumentos na mesma época.thumb|300x300px|left|Viola de mão.Durante os séculos anteriores os instrumentos de cordas adquiriram uma progressiva configuração, já em meados de 1400, o Arcipreste de Hita estabelece a diferença entre a viola de mão (vihuela de peñola) tocada com palheta, e a viola de arco (vihuela de arco) tocada com arco feito de madeira e crina de cavalo. Mas as fontes mais valiosas são os próprios tratados dos vihuelistas e o tratado de Fray Juan Bermudo. Em comparação com outros instrumentos de corda do Renascimento, o número de vihuelas conservadas é muito reduzido. Estão catalogados somente quatro exemplares. No final do , a viola de mão caiu em desuso e entrou na moda a guitarra barroca de cinco ordens, à qual foram frequentes as modificações para adapta-la às novas exigências. Fato que possivelmente terá contribuido para que poucas vihuelas originais se tenham conservado. thumb|222x222px|Viola de arco (Vihuela de arco) e viola de mão, ou plectro, (Vihuela de péñola) nas Cantigas de Santa Maria de Afonso X, o Sabio, de Leão e Castela. Um dos instrumentos conservados encontra-se no Museu Jaquemart André de Paris e é conhecido como a Vihuela de Guadalupe, muito provavelmente fabricada em Lisboa no fim do século XVI pelo violeiro português Belchior Dias. Este instrumento é pouco representativo, porque as suas dimensões não são comuns aos instrumentos da época. Não podemos esquecer, no entanto, que no século XVI não existia uma altura normalizada de diapasão e que a altura da afinação se obtinha com base na experiência e nas necessidades do intérprete. Podemos encontrar outra vihuela na Igreja da Companhia de Jesus de Quito (Equador). Trata-se de uma relíquia que pertenceu a Santa Mariana de Jesus e encontra-se na urna junto ao seu corpo. Poucos a viram devido ao seu não fácil acesso. Um terceiro instrumento encontra-se no Museu dos Instrumentos do Conservatório de Paris. Trata-se de um soberbo exemplar cujas características mais destacadas são o fundo e a roseta (que não é talhada mas colada sobre a tampa com um fundo de pergaminho). Um outro instrumento digno de menção é o conservado no Museu Royal College of Music de Londres. Este instrumento pertenceu e foi construído pelo português Belchior Dias (Lisboa, 1581). A escola vihuelista espanhola teve uma importante contribuição para o desenvolvimento da linguagem musical do século XVI.
Repertório A primeira pessoa a publicar uma coleção de música para a viola de mão foi o compositor valenciano Luis de Milán, com o volume Libro de música de vihuela de mano intitulado El maestro de 1536, dedicado ao rei João III de Portugal. O sistema de notação utilizado nesse e em outros livros de música para vihuela é a tablatura numérica. A música é facilmente executada um violão moderno usando a afinação padrão (44434) ou a afinação do alaúde clássico e da vihuela (44344).
Os livros de música para vihuela impressos que sobreviveram são, em ordem cronológica: 'El Maestro' de Luis de Milán (1536) 'Los seys libros del Delphin' de Luis de Narváez (1538) 'Tres Libros de Música' de Alonso Mudarra (1546) 'Silva de sirenas' de Enríquez de Valderrábano (1547) 'Libro de música de Vihuela' de Diego Pisador (1552) 'Orphénica Lyra' de Miguel de Fuenllana (1554) 'El Pamasso' de Estevan Daça (1576).
Ligações externas Link com muitas fotos de vihuelas
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