Centro de História da Universidade de Lisboa (CH-ULisboa) é uma unidade de investigação científica sediada na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, dedicada ao estudo da História em várias áreas cronológicas e temáticas.Informação institucional do Centro de História da Universidade de Lisboa. Disponível em: https://chul.letras.ulisboa.pt/ A sua origem remonta à criação do Centro de Estudos Históricos, em 1958, tendo conhecido várias reorganizações institucionais ao longo da segunda metade do século XX.
Antecedentes e fundação O atual Centro de História tem origem no antigo Centro de Estudos Históricos e Arqueológicos, fundado em 1942 no âmbito do Instituto para a Alta Cultura e anexo à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Em 1952 este organismo foi dividido em duas secções: uma de História, sob a direção de Virgínia Rau, e outra de Arqueologia, dirigida por Manuel Heleno.
Na sequência da constituição, durante a I República, da secção de Ciências Históricas e Geográficas e, a partir de 1926, da secção de Ciências Histórico-Filosóficas, a reforma de 1957 autonomizou a História no seio da Faculdade de Letras de Lisboa.A. H. de Oliveira Marques, Notícia Histórica da Faculdade de Letras de Lisboa (1911–1961), Lisboa, 1970, separata da revista Ocidente, vol. 79, n.os 388–390, pp. 7–74.
Em 26 de fevereiro de 1958, o Centro de Estudos Históricos e Arqueológicos foi extinto, dando lugar a dois novos organismos autónomos: o Centro de Estudos Arqueológicos, anexo ao Museu Etnológico "Dr. Leite de Vasconcelos", e o Centro de Estudos Históricos, anexo à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. A direção deste último ficou a cargo de Virgínia Rau.
O Centro de Estudos Históricos (1958–1974) O Centro de Estudos Históricos foi criado com o objetivo de promover e desenvolver a investigação científica no domínio da História. Uma das suas primeiras iniciativas foi a organização de uma biblioteca especializada destinada a apoiar os trabalhos de investigação.
Sob a direção de Virgínia Rau, o Centro reuniu um conjunto de investigadores que viriam a desempenhar um papel importante na historiografia portuguesa da segunda metade do século XX, entre os quais Maria do Rosário Themudo Barata, Joaquim Barradas de Carvalho, António Borges Coelho, Iria Gonçalves, Jorge Borges de Macedo, A. H. de Oliveira Marques, José Mattoso, Eduardo Borges Nunes, Joel Serrão, Joaquim Veríssimo Serrão, Maria José Ferro Tavares e Maria José Lagos Trindade.
A atividade científica do Centro caracterizou-se pela participação regular em congressos e colóquios nacionais e internacionais, incluindo a organização do Congresso Internacional de História dos Descobrimentos (1960) e vários colóquios de estudos luso-brasileiros e de História Económica e Social.
O Centro desenvolveu vários projetos de investigação coletiva, entre os quais o Álbum de Paleografia Portuguesa e o chamado Projecto LL4 (1971–1973), dedicado ao estudo das estruturas sociais e económicas do mundo rural medieval, à presença italiana na expansão portuguesa e à diplomacia do século XVII.
Atividade editorial e a revista Do Tempo e da História Em 1965, o Centro iniciou a publicação da revista Do Tempo e da História, destinada a divulgar os resultados da investigação desenvolvida no seu âmbito e a acolher estudos de historiadores portugueses e estrangeiros.Ernesto Castro Leal, «Memória e Historiografia. Notas sobre a revista “Do Tempo e da História” (1965-1972)», Clio, nova série, vol. I, Lisboa, 1996. A revista publicou cinco volumes entre 1965 e 1972.
Paralelamente, o Centro promoveu a edição de fontes históricas e de estudos monográficos, incluindo dissertações académicas consideradas relevantes para a investigação histórica.
O programa científico do Centro organizava-se em torno de três grandes áreas: História das Estruturas da Sociedade Portuguesa, Demografia Histórica e História das Relações Internacionais de Portugal.
Reorganização após 1974: o Centro de História das Universidades de Lisboa (1974-1980) Após a morte de Virgínia Rau, em 1973, e na sequência da Revolução de 25 de Abril de 1974, o Centro de Estudos Históricos foi reorganizado e passou a designar-se Centro de História das Universidades de Lisboa.
A direção passou a ser assegurada por uma comissão diretiva. Esta fase foi marcada por dificuldades financeiras e institucionais, relacionadas com a extinção do Instituto de Alta Cultura e a criação do Instituto Nacional de Investigação Científica.Hugo Soares, «The National Institute for Scientific Research (INIC): Pathway and Influence in Portuguese Science Policy (1976-1992)», HoST – Journal of History of Science and Technology, vol. 13, n.º 2, 2019.
Durante este período o Centro reorganizou as suas linhas de investigação e lançou a revista Clio, que começou a ser publicada em 1979.
O Centro de História da Universidade de Lisboa (1981–1989) No início da década de 1980, o Centro passou a designar-se Centro de História da Universidade de Lisboa. A estrutura manteve-se assente numa comissão diretiva e em várias linhas de investigação.
Durante esta fase, registou-se um aumento significativo da atividade na área da Arqueologia, com a criação da Unidade de Arqueologia dirigida por Victor dos Santos Gonçalves.
Paralelamente, mantiveram-se linhas de investigação em História Medieval, Moderna e Contemporânea, bem como em História da Cultura e das Mentalidades.
O Centro de Arqueologia e História da Universidade de Lisboa (1990–1993) Em 1990, o crescente peso da Arqueologia levou à mudança de designação para Centro de Arqueologia e História da Universidade de Lisboa. Em 1993, a instituição foi dividida em dois organismos autónomos: o Centro de História da Universidade de Lisboa e o Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa.André Pereira, «Da CAALG à UNIARQ: a génese do Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa», Ophiussa, 2021.
Reorganização a partir de 1993 Após 1993, o Centro de História da Universidade de Lisboa retomou o modelo de direção uni-pessoal. Joaquim Veríssimo Serrão foi nomeado diretor, exercendo funções até 1995. As linhas de investigação passaram a abranger um amplo espectro cronológico e temático, incluindo História Antiga, Medieval, Moderna, dos Descobrimentos, Contemporânea e História da Arte. Os investigadores do Centro passaram a coincidir, em grande medida, com os docentes do Departamento de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Nesta fase, foi também realizada uma reorganização da biblioteca do Centro, com trabalhos de catalogação e reestruturação do acervo.Tiago Alexandre Palaré Barros Pinto, O Arquivo do Centro de História da F.L.U.L.: Memória Institucional e Catálogo (1954–1995), dissertação de mestrado em Ciências da Documentação e Informação Arquivística, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2012.
Desenvolvimento recente Ao longo das décadas seguintes, o Centro de História da Universidade de Lisboa consolidou-se como uma das principais unidades de investigação em História em Portugal. A sua atividade passou a enquadrar-se nos sistemas nacionais de avaliação científica e de financiamento da investigação, nomeadamente através da Fundação para a Ciência e a Tecnologia.
Em 2015, o Centro passou a incorporar o Centro de História do extinto Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT), bem como o corpo dos seus investigadores de carreira. O programa de reestruturação (2015-2017) levou a uma renovação da equipa. Os eixos de investigação alargaram-se, privilegiando uma abordagem mais global e comparativa da História.
A agenda científica do CH-ULisboa sofreu também um profundo realinhamento. O Centro passou a organizar a sua atividade em cinco grupos de investigação: Culturas e Sociedades de Encontro, Dinâmicas Imperiais, Estudos de Corte e Diplomacia, História Militar e Usos do Passado.
Publicações O Centro edita monografias e volumes coletivos e publica a revista Cadmo – Revista de História Antiga.https://cadmo.letras.ulisboa.pt/ As edições do CH-ULisboa estão acessíveis em acesso aberto no repositório da Universidade de Lisboa.
Diretores (ou Secretários da Comissão Directiva) do Centro de História da Universidade de Lisboa Virgínia Rau (1958–1973) Jorge Borges de Macedo (1973–1974) Joaquim Barradas de Carvalho (1975–1980) Joel Serrão (1980) Francisco de Sales Loureiro (1981–1989) Victor dos Santos Gonçalves (1989–1993) Joaquim Veríssimo Serrão (1993–1995) José Nunes Carreira (1995–2002) João Medina (2002–2007) António Ventura (2007–2010) José Augusto Ramos (2010–2012) Hermenegildo Fernandes (2012–2019) Luís Filipe Barreto (2019–2022) José da Silva Horta (desde 2022)
Ver também História de Portugal Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
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