direita|miniaturadaimagem|150x150px|Tubo ornamental em metal. direita|miniaturadaimagem|150x150px|Estatueta totonaque. thumb|Pedra do Sol dos astecas, no Museu Nacional de Antropologia (México) in Cidade do México A Arte pré-colombiana é uma designação que compreende todas as manifestações artísticas levadas a cabo pelos povos nativos mesoamericanos desde pelo menos 13.000 a.C., anteriores à conquista da América Latina pelos europeus, principalmente espanhóis e portugueses, que tiveram início no final do século XV e início do século XVI. Em muitos lugares, a era pré-colombiana continuou por algum tempo após esses eventos ou passou por uma fase de transição posteriormente. Muitos tipos de artefatos perecíveis que antes eram muito comuns, como tecidos, geralmente não foram preservados, mas a escultura monumental pré-colombiana, os trabalhos em ouro, a cerâmica e a pintura em cerâmica, paredes e rochas sobreviveram com mais frequência.

De autoria anônima, a arte pré-colombiana compreende diversas tipologias, como a arquitetura, a escultura (incluindo relevo e estatuária), a pintura, a joalharia e ourivesaria, a cerâmica e objetos de uso doméstico e ornamentos. Os materiais mais frequentes são a pedra, o tecido, o barro e o metal. Estes povos tinham profundo domínio sobre o metal.

Todas as obras foram feitas por artesãos, cuja função é transpor para estes objetos representações pré-determinadas pelas crenças ou ciências populares.

A primeira arte pré-colombiana a se tornar amplamente conhecida nos tempos modernos foi a dos impérios que floresciam na época da conquista europeia, os incas e os astecas, parte da qual foi levada intacta para a Europa. Gradualmente, a arte de civilizações anteriores que já haviam entrado em colapso, especialmente a arte maia e a arte olmeca, tornou-se amplamente conhecida, principalmente por suas grandes esculturas em pedra.

Muitas culturas pré-colombianas não possuíam sistemas de escrita; por isso, a arte visual expressava as cosmologias, visões de mundo, religião e filosofia dessas culturas, além de servir como recursos mnemônicos. Os artesãos das Américas Antigas utilizavam uma ampla variedade de materiais (obsidiana, ouro, conchas de spondylus), criando objetos que incorporavam os significados considerados inerentes aos próprios materiais.<ref> Essas culturas frequentemente atribuíam valor às qualidades físicas das obras de arte, em vez de às imagens, valorizando características auditivas e táteis, a qualidade do acabamento e a raridade dos materiais. Várias obras de arte foram descobertas a grandes distâncias de seu local de produção, indicando que muitas civilizações pré-colombianas interagiam entre si. Muitas sociedades utilizavam matérias-primas trazidas de longe, sugerindo que a dificuldade de aquisição era uma fonte de valor.<ref>

Para muitas dessas culturas, as artes visuais iam além da aparência física e serviam como extensões ativas de seus proprietários e índices do divino. <ref>

Mesoamérica As culturas mesoamericanas são geralmente divididas em três períodos (ver cronologia mesoamericana):

Pré-clássico (até 200 d.C.)

Clássico (aprox. 200–900 d.C.)

Pós-clássico (aprox. 900 a 1580 d.C.).

O período pré-clássico foi dominado pela altamente desenvolvida civilização olmeca, que floresceu por volta de 1200–400 a.C. Os olmecas produziam estatuetas de jade e criavam cabeças colossais, de traços marcantes, com até 2 metros (6,6 pés) de altura, que ainda hoje se erguem misteriosamente na paisagem. A tradição mesoamericana de construir grandes centros cerimoniais parece ter se iniciado sob os olmecas.

Durante o período Clássico, a civilização dominante foi a maia. A realeza maia encomendou obras de arte que comemoravam suas conquistas e garantiam seu lugar na história. Cenas que retratam vários rituais e eventos históricos são acompanhadas de textos hieroglíficos para permitir que o observador identifique as figuras, épocas e locais importantes, em vez de depender de características físicas que poderiam ser esquecidas com o passar do tempo. A interpretação das ações representadas nas obras de arte anda de mãos dadas com a compreensão do texto decorativo que está entrelaçado na imagem. Desvendar esse texto hieroglífico é fundamental, pois elimina o anonimato e o mistério das cenas e revela registros detalhados daqueles que detiveram o poder ao longo da história da civilização. Assim como os povos do Mississipi, na América do Norte, tais como os Choctaw e os Natchez, os maias se organizavam em grandes comunidades agrícolas. Eles praticavam suas próprias formas de escrita hieroglífica e até mesmo astronomia avançada. A arte maia, consequentemente, concentra-se na chuva, na agricultura e na fertilidade, expressando essas imagens principalmente em relevos e decoração de superfícies, bem como em algumas esculturas.Glifos e figuras estilizadas eram usados para decorar obras arquitetônicas, como o templo piramidal de Chichén Itzá. Murais datados de cerca de 750 d.C. foram descobertos durante as escavações na cidade de Bonampak, em 1946.

O período pós-clássico (séculos X a XII) foi dominado pelos toltecas, que criaram esculturas colossais em forma de blocos, como as utilizadas como colunas independentes em Tula, no México. Os mixtecas desenvolveram um estilo de pintura conhecido como Mixtec-Puebla, visível em seus murais e códices (manuscritos), nos quais todo o espaço disponível é coberto por figuras planas em desenhos geométricos. A cultura asteca no México produziu algumas obras de arte dramaticamente expressivas, como os crânios decorados de prisioneiros e esculturas em pedra, das quais Tlazoltéotl (Coleção Woods Bliss, Washington), uma deusa em trabalho de parto, é um bom exemplo. A arte asteca, assim como a de outras culturas mesoamericanas, também se concentrava no culto às divindades e na representação dos valores de sua sociedade. Ao criar sua arte, os astecas também se interessavam pelo naturalismo, pois criar algo realista transmitia melhor sua mensagem por meio da obra de arte. Por exemplo, as estátuas dos Guerreiros Águia são esculturas de cerâmica em tamanho real que demonstram esse senso de naturalismo. Os astecas acreditavam que esses guerreiros águia representavam o valor da beleza juvenil, o que pode ser observado na escultura, com as feições jovens e suaves do rosto do guerreiro.

América do Sul Nos Andes centrais do Peru, a civilização Chavín floresceu entre aproximadamente 1000 a.C. e 300 a.C. Os Chavín produziam cerâmicas de pequena escala, muitas vezes com forma humana, mas com traços animais, como patas de pássaro, olhos de réptil ou presas felinas. As representações de onças-pintadas são um tema comum na arte Chavín. A cultura Chavín também é conhecida pelos espetaculares murais e esculturas encontrados em seu principal sítio religioso, Chavin de Huantar; essas obras incluem a Estela de Raimondi, o Lanzón e o Obelisco de Tello.

Contemporânea à cultura de Chavín estava a cultura de Paracas, da costa sul do Peru, mais conhecida hoje por seus tecidos elaborados. Essas incríveis peças, algumas das quais podiam medir noventa pés de comprimento, eram utilizadas principalmente como envoltórios funerários para os pacotes de múmias de Paracas. A arte de Paracas foi fortemente influenciada pelo culto de Chavín, e os dois estilos compartilham muitos motivos em comum.

Na costa sul, a civilização de Paracas foi imediatamente sucedida por um florescimento da produção artística na região do vale do rio Nazca. O período Nazca é dividido em oito fases cerâmicas, cada uma delas retratando motivos animais e humanos cada vez mais abstratos. Essas fases vão da Fase 1, com início por volta de 200 d.C., até a Fase 8, que entrou em declínio em meados do século VIII. O povo Nazca é mais famoso pelas Linhas de Nazca, embora seja geralmente considerado como criador de algumas das mais belas cerâmicas policromáticas dos Andes.

Na costa norte, os Moche sucederam aos Chavín. Os Moche viveram seu apogeu por volta de 100–800 d.C. e estavam entre os melhores artesãos do mundo pré-colombiano, produzindo encantadores vasos com retratos (cerâmica Moche), que, embora realistas, estão repletos de referências religiosas, cujo significado hoje se perdeu. Para os Moche, a cerâmica funcionava como principal meio de disseminação de informações e ideias culturais. Os Moche fabricavam vasos de cerâmica que retratavam e recriavam uma infinidade de objetos: frutas, plantas, animais, retratos humanos, deuses, demônios, bem como representações gráficas de atos sexuais. Os Moche também são conhecidos por sua metalurgia (como a encontrada no túmulo do Senhor de Sipán), bem como por suas proezas arquitetônicas, como a Huaca de la Luna e a Huaca del Sol, no vale do rio Moche.

Após o declínio da civilização Moche, dois grandes impérios coexistentes surgiram na região dos Andes. No norte, o Império Wari (ou Huari), com sede em sua capital de mesmo nome. Os Wari são conhecidos por suas realizações em arquitetura e escultura em pedra, mas sua maior especialidade era a cerâmica. Os Wari produziam magníficas peças cerâmicas de grandes dimensões, muitas das quais retratavam imagens do Deus do Cajado (Deus dos Báculos), uma importante divindade dos Andes que, durante o período Wari, passou a ser especificamente associada à região do Lago Titicaca, na atual fronteira entre o Peru e a Bolívia. Da mesma forma, os contemporâneos dos Wari do Império de Tiwanaku, também centrado em torno de uma capital com o mesmo nome, tinham o Deus do Cajado em igual estima. O Império de Tiwanaku começou a se expandir a partir do Titicaca por volta de 400 a.C., mas seu “Período Clássico” de produção artística e poder político ocorreu entre 375 e 700 d.C. Tiwanaku é atualmente conhecida por sua magnífica cidade imperial na margem sul do Lago Titicaca, hoje na Bolívia. Especialmente famosa é a Porta do Sol, que retrata uma grande imagem do Deus do Cajado ladeada por outros símbolos religiosos que podem ter funcionado como um calendário.

Após o declínio do Império Wari no final do primeiro milênio, o povo Chimú, com sede em sua capital, Chimor, começou a construir seu império nas costas norte e central do Peru, possuiam influência para além da cultura mochia. Os Chimú foram precedidos por um estilo cerâmico simples conhecido como Sicán (700–900 d.C.), que se tornou cada vez mais decorativo até se tornar reconhecível como Chimú no início do segundo milênio. Os Chimú produziram excelentes obras retratísticas e decorativas em metal, notadamente em ouro, mas especialmente em prata. Os Chimú também são conhecidos por seu trabalho com penas, tendo produzido muitos estandartes e cocares feitos de uma variedade de penas tropicais, que eram moldadas em desenhos de bired e peixes — ambos muito valorizados pelos Chimú. Essas obras chimus, principalmente ligadas à metalurgia e arquitetura, posuiam seus desenhos como grande influência em uma área relevante da arte Chimú, a arte têxtil.Os Chimú são mais conhecidos por seu magnífico complexo palaciano de Chan Chan, localizado ao sul da atual Trujillo, no Peru; hoje Patrimônio Mundial da UNESCO. Os Chimú entraram em declínio muito rapidamente devido a pressões externas e à conquista pelo Império Inca em expansão, em meados do século XV.