A temporada de furacões no oceano Atlântico de 2005 foi a segunda mais ativa temporada de furacões no Atlântico na história registrada, atrás de 2020, quebrando repetitivamente recordes anteriores. O impacto da temporada foi geral e ruinosa, com no mínimo 3.910 mortes e danos registrados de mais de 172 bilhões de dólares. Dos sistemas tropicais que fizeram landfall, ou seja, que atingiram diretamente a costa, cinco dos sete furacões 'maiores' - Dennis, Emily, Katrina, Rita e Wilma - foram responsáveis pela maior parte da destruição. Os estados mexicanos de Quintana Roo e Iucatã e dos estados dos Estados Unidos da Flórida e Luisiana foram atingidos por dois furacões cada; Cuba, as Bahamas, Haiti, além dos estados americanos do Mississippi, Texas, além do estado mexicano de Tamaulipas foram atingidos por um furacão 'maior' cada. Os efeitos mais catastróficos da temporada foram sentidos na costa do golfo dos Estados Unidos, onde uma maré de tempestade de 10 metros de altura do furacão Katrina causou enchentes devastadoras que inundaram Nova Orleans, Luisiana, e destruiu várias construções na costa do Mississippi. Outra intensa maré ciclônica foi sentida na Guatemala, onde o furacão Stan combinado com um sistema extratropical causou correntes de lama mortais.
A temporada começou oficialmente em 1 de junho de 2005 e durou até 30 de novembro, embora tenha persistido efetivamente até Janeiro de 2006 devido à atividade tropical continuada. Um número recorde de vinte e oito tempestades tropicais e subtropicais se formaram, dos quais um recorde de quinze sistemas se tornaram furacões. Destes, sete se fortaleceram para furacões 'maiores', sendo que um recorde de cinco sistemas tornaram-se furacões de categoria 4 e, destes, um recorde de quatro se tornaram furacões de categoria 5, a maior categorização da escala de furacões de Saffir-Simpson. Entre estas tempestades de categoria 5 estavam os furacões Katrina, o mais custoso ciclone tropical da história, e Wilma, o ciclone tropical atlântico mais intenso da história. __TOC__
Previsões sazonais +Previsões de atividade tropical na temporada de 2005FonteDataTempestadestropicaisFuracõesFuracõesmaioresUECMédia(1950–2000)9,65,92,3NOAAMédia1162UEC3 de Dezembro de 20041163UEC1 de Abril de 20051373NOAA16 de Maio de 200512–157–93–5UEC31 de Maio de 20051584NOAA2 de Agosto de 200518–219–115–7UEC5 de Agosto de 200520106Atividade final28157 As previsões de atividade de furacões são emitidas antes de cada temporada de furacões pelo notado especialista em furacões Dr. William M. Gray e seus associados na Universidade do Estado do Colorado (UEC) e separadamente por meteorologistas da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), do governo dos Estados Unidos. Antes e durante da temporada de 2005, o Dr. Gray emitiu quatro previsões, cada vez aumentando o nível previsto de atividade. A NOAA emitiu duas previsões, uma pouco antes da temporada e uma dois meses após o começo dela, aumentando drasticamente o nível previsto de atividade na segunda previsão. Apesar de tudo, todos os meteorologistas erraram suas previsões para bem abaixo da atividade real da temporada.
Previsões de pré-temporada Em 3 de Dezembro de 2004, a equipe do Dr. Gray emitiu a sua primeira previsão de longo prazo para a temporada de 2005, prevendo uma temporada ligeiramente acima da média. Além disso, a equipe previu chances grandemente aumentadas de um furacão maior atingir a costa Leste dos Estados Unidos e a península da Flórida. Embora a previsão previsse atividade acima da média, o nível de previsão foi significativamente menor do que a temporada de 2004. Em 1 de Abril de 2005, após a confirmação de que as condições de El Niño não se desenvolveriam, o Dr. Gray e sua equipe revisou a previsão de Dezembro para cima, esperando treze tempestades tropicais no lugar de onze, e sete furacões no lugar de seis. Além disso, a chance de uma tempestade atingir os Estados Unidos foi aumentada ligeiramente.
Em 16 de Maio de 2005, dezesseis dias antes da temporada começar, a NOAA emitiu a sua previsão para a temporada de 2005, prevendo uma chance de 70% de atividade tropical acima do normal. O valor de energia ciclônica acumulada (ECA) para a temporada foi prevista ser 120-190% do valor médio de ECA, estimado em 87,5 × 104 kt² Pouco depois, em 31 de Maio, um dia antes da temporada começar oficialmente, a equipe do Dr. Gray revisou a sua previsão de Abril para cima, sendo que foi prevista a formação de 15 tempestades dotadas de nome, 8 furacões e 4 furacões maiores.
Previsões durante a temporada Em 2 de Agosto, depois de uma atividade extraordinária durante o começo da temporada, a NOAA liberou uma previsão atualizada para o restante da temporada, subindo significativamente o nível esperado de atividade para cerca de o dobro daqueles de uma temporada normal. O valor de ECA foi agora previsto para ficar entre 180 a 270 % da média. A NOAA também notou uma certeza maior do que o normal na previsão de atividade acima do normal. Em 5 de Agosto de 2005, o Dr. Gray e seus associados fizeram o mesmo e emitiram sua previsão atualizada. Embora nem a NOAA nem o Dr. Gray nunca previssem níveis tão altos de atividade, mesmo nas previsões durante a temporada eles erraram para baixo o real nível de atividade. O valor real de ECA provaria ser 248 × 104 kt² - 277% da média.
Resumo sazonal
Sistemas Junho e Julho thumb|direita|220px|O furacão Dennis atingindo a Flórida
Tempestade tropical Arlene
Em 8 de Junho, quase dois meses antes do que quando a temporada de 2004 começou, a tempestade tropical Arlene formou-se no Caribe ocidental, cruzando Cuba antes de fazer landfall no Panhandle da Flórida em 11 de Junho. Arlene causou apenas danos moderados, embora um banhista fosse surpreendido por correntes de retorno e se afogasse em Miami Beach, Flórida.
Tempestade tropical Bret
A tempestade tropical Bret formou-se na baía de Campeche em 28 de Julho e fez landfall no estado mexicano de Veracruz na manhã seguinte. A tempestade danificou centenas de residências e causou enchentes que mataram duas pessoas.
Furacão Cindy
O furacão Cindy no golfo do México em 4 de Julho. Sendo tratado como uma tempestade tropical, Cindy fez landfall em Luisiana em 5 de Julho como um furacão mínimo, causando mais de 130 mm (5 pol.) de chuva, gerando vários tornados, causando inundações em algumas áreas costeiras, incluindo Coden, Alabama, e matando três pessoas. Cindy foi classificado para um furacão em análises pós-tempestade.
thumb|esquerda|200px|Imagem de satélite do furacão Emily perto de seu pico de intensidade
Furacão Dennis
Em 5 de Julho, o furacão Dennis formou-se no Caribe oriental; cruzou Granada antes de se intensificar num furacão de categoria 4, o ciclone tropical mais intenso já observado num mês de Julho no Atlântico, como uma pressão mínima de 930 mbar (hPa). Dennis atingiu Cuba com força total e então, fez seu landfall final no Panhandle da Flórida. Ou furacão matou 89 pessoas (a maioria no Haiti) e causou 4 a 6 bilhões de dólares em prejuízos em Cuba e nos Estados Unidos.
Furacão Emily
Logo depois, o Emily formou-se no Oceano Atlântico em 11 de Julho. Emily adentrou o mar do Caribe e rapidamente se intensificou para um furacão de categoria 4, quebrando o recorde do furacão Dennis como o ciclone tropical mais intenso no Atlântico num mês Julho quando sua pressão mínima alcançou 929 mbar (hPa). Emily então alcançou brevemente a intensidade de um furacão de categoria 5 - tornando-se o furacão de categoria 5 que mais cedo se formou numa temporada de furacões. Emily cruzou a Península de Iucatã como um furacão de categoria 4 antes de atingir o estado mexicano de Tamaulipas como um furacão de categoria 3. Emily matou no mínimo 14 pessoas através do curso de sua trajetória. Foram relatados danos estimados em 400 milhões de dólares.
Tempestade tropical Franklin
A tempestade tropical Franklin formou-se próximo às Bahamas em 18 de Julho. A tempestade seguiu para nordeste e tornou-se extratropical ao largo da costa do Canadá Atlântico sem mesmo tendo ameaçado a costa.
Tempestade tropical Gert A tempestade tropical Gert formou-se logo depois a Franklin, em 24 de Julho. Gert atingiu o estado mexicano de Veracruz onde Emily tinha atingido poucos dias antes; cerca de 1.000 pessoas foram retiradas devido à ameaça de enchentes, mas nenhum dano ou fatalidade foi relatado.
Agosto Tempestade tropical Harvey
Como Julho, Agosto também teve um começo muito ativo: a tempestade tropical Harvey formou-se a sudoeste de Bermudas em 3 de Agosto. Harvey provocou chuvas leves em Bermudas assim que seguia para nordeste; tornou-se extratropical em 8 de Agosto no Oceano Atlântico aberto.
Furacão Irene
A depressão tropical que se tornaria o furacão Irene formou-se a oeste das ilhas do Cabo Verde em 4 de Agosto. O sistema seguiu para oeste e para o norte e não alcançou a força de furacão até 14 de Agosto, momento em que o sistema tornou-se o segundo furacão do tipo Cabo Verde da temporada. Irene começou a seguir para nordeste e alcançou brevemente a intensidade de um furacão de categoria 2 antes de se enfraquecer e se tornar extratropical em 18 de Agosto. Irene nunca representou uma ameaça para a costa.
thumb|200px|O olho do furacão Katrina como visto de um avião "caçador de furacão"
Depressão tropical Dez
A Depressão tropical Dez formou-se a leste das Pequenas Antilhas em 13 de Agosto. O sistema se dissipou no dia seguinte. Seus remanescentes logo se fundiram com outro sistema e contribuíram para a formação do furacão Katrina.
Tempestade tropical Jose
A Tempestade tropical Jose formou-se na baía de Campeche em 22 de Agosto. A tempestade intensificou-se velozmente mas rapidamente alcançou a costa e fez landfall no estado mexicano de Veracruz em 23 de Agosto, prevenindo uma maior intensificação. Jose forçou 25.000 pessoas a saírem de suas residências em Veracruz e matou seis pessoas no estado de Oaxaca; além disso, foram relatados mais dois desaparecidos. Ao todo, os danos no México causados pela tempestade chegaram a 45 milhões de dólares (valores em 2005).
Furacão Katrina
O furacão Katrina formou-se em meados de Agosto sobre as Bahamas. O sistema tornou-se uma tempestade tropical em 24 de Agosto e alcançou a intensidade de furacão antes de fazer landfall no sul da Flórida como um furacão mínimo. Algumas horas depois, a tempestade seguiu para o golfo do México e intensificou-se rapidamente num furacão de categoria 5 enquanto cruzava a corrente de Loop em 28 de Agosto. Katrina fez landfall em 29 de Agosto perto da foz do rio Mississippi como um furacão de categoria 3 extremamente grande. Maré ciclônica equivalente a um furacão de categoria 5 (já que Katrina tinha se enfraquecido somente algumas horas antes) causou danos catastróficos ao longo das costas da Luisiana, Mississippi e Alabama. Diques que separavam o lago Pontchartrain de Nova Orleans, Luisiana foram arrebentadas pela maré, inundando cerca de 80% da cidade. Danos por ventos foram relatados bem distante da costa, impedindo os esforços de ajuda. Katrina é estimado ser o responsável por no mínimo 81,2 milhões de dólares em prejuízos, fazendo do furacão o desastre natural mais custoso da história dos Estados Unidos. Katrina também foi o furacão mais mortífero nos Estados Unidos desde o furacão de Okeechobee de 1928, matando no mínimo 1.836 pessoas.
Tempestade tropical Lee
A Tempestade tropical Lee formou-se no Oceano Atlântico aberto em 31 de Agosto, mas dissipou-se alguns dias depois sem ameaçar a costa.
Setembro thumb|200px|O furacão Ophelia ao largo da costa da Carolina do Norte
Furacão Maria