"Rehab" é uma canção gravada pela cantora e compositora britânica Amy Winehouse para o seu segundo álbum de estúdio, Back to Black (2006). A composição foi realizada inteiramente por Winehouse e a sua produção, por Mark Ronson. A faixa foi influenciada pelas tentativas dos empresários musicais da cantora de fazê-la internar-se em uma clínica de reabilitação para tratar o seu alcoolismo. Enquanto caminhava pelas ruas de Nova Iorque com Ronson, em 2006, a artista comentou sobre o ocorrido, de modo que o produtor, imediatamente, apercebeu-se de que a história poderia ser transformada em uma canção. Incentivada pelo rapaz, Winehouse retornou ao estúdio de gravação àquele dia e compôs o tema em apenas três horas. A sua gravação ocorreu em março de 2006, nos estúdios Dap King, Chung King — ambos em Nova Iorque — e Metropolis — em Londres.

Considerada a canção-assinatura de Winehouse, "Rehab" deriva de origens estilísticas de R&B contemporâneo, com influências do soul e jazz dos anos 1960, bem como dos grupos femininos coetâneos. Liricamente, a faixa relata a supracitada insistência de seus empresários para que a artista inicie um tratamento contra o seu consumo compulsivo de bebidas alcoólicas, enquanto ela apresenta as justificativas de sua recusa. Lançada como o primeiro single de Back to Black em 23 de outubro de 2006 no Reino Unido através da gravadora Island Records, a canção foi disponibilizada para vendas em outros países ao longo de 2007. Na América do Norte, por sua vez, foi liberada como o segundo single do disco através da Universal Music, tendo sido enviada às estações radiofônicas apenas em maio de 2007. O tema foi recebido com aclamação pelos críticos musicais, os quais elogiaram a sua sonoridade sessentista, a sua letra autobiográfica e a produção de Ronson, e enfatizaram a entrega vocal da intérprete. Consequentemente, foi eleito um dos melhores lançamentos do ano por publicações como Time e Slant Magazine, e recebeu nomeações a várias premiações ao redor do mundo, inclusive ao Grammy Award de 2008, onde conquistou três troféus, entre os quais "Canção do Ano" e "Gravação do Ano".

Comercialmente, "Rehab" converteu-se no primeiro êxito de Amy Winehouse. O single registrou a mais alta estreia da cantora na tabela musical do Reino Unido, a UK Singles Chart, e converteu-se em seu primeiro lançamento a alcançar uma colocação entre as dez melhores posições, atingindo o sétimo lugar. Adicionalmente, alcançou o segundo lugar na UK R&B Chart. Nos Estados Unidos, o tema registrou êxito similar, tendo alcançado o nono lugar na Billboard Hot 100 e uma posição entre as cinco melhores colocações em tabelas alternativas publicadas pela Billboard, incluindo a liderança da R&B Singles Chart. Em ambos os territórios, "Rehab" é a canção mais vendida de Winehouse a solo, tendo sido premiada com "Disco de Platina" pela British Phonographic Industry (BPI) e com "Dupla Platina" pela Recording Industry Association of America (RIAA). Internacionalmente, o êxito repetiu-se: a canção classificou-se entre os quinze primeiros colocados nas tabelas de diversas nações, entre as quais Canadá, Dinamarca, França e Nova Zelândia, alcançou a liderança na Hungria, na Noruega, no Chile e nas rádios de Espanha, de Flandres, do Líbano e do Brasil, e foi uma das mais reproduzidas nas estações brasileiras ao longo de 2007 e 2008. Mundialmente, a canção vendeu mais de cinco milhões de unidades.

O vídeo musical relativo à canção foi dirigido por Phil Griffin e foi lançado em 8 de setembro de 2006 na plataforma digital YouTube. Filmado nas dependências de um vetusto edifício em Londres, exibe a cantora e os integrantes de sua banda a executarem o tema nos diversos cômodos de um apartamento, na sala de um psiquiatra e, ao fim, no cômodo de uma clínica de reabilitação. A gravação chegou à primeira posição entre as mais solicitadas pelos telespectadores do programa Total Request Live e do VH1, e concorreu ao troféu "Vídeo do Ano" nos MTV Video Music Awards de 2007. Como forma de divulgação, a cantora apresentou a canção em festivais musicais, programas televisivos e premiações, entre os quais o Glastonbury, o Later with Jools Holland e o BRIT Awards, e incluiu-a no repertório de sua turnê. Além disso, "Rehab" foi regravada por diversos artistas, incluindo Girls Aloud, Paolo Nutini e Seether, e apresentada ao vivo por Fergie, Kanye West e Taylor Swift.

Desenvolvimento Antecedentes

Com o lançamento de seu disco de estreia, Frank, Winehouse passou a maior parte do ano de 2004 excursionado pelo Reino Unido, como forma de divulgação. A turnê rendeu à sua gravadora resultados positivos financeiramente, mas contribuiu em nada para a criatividade da artista.Rui Miguel Abreu (23/7/2015). "Amy Winehouse: vida trágica, grande música, talento desperdiçado". Blitz. Consultado em 3 de fevereiro de 2017. Isto porque Winehouse apenas escrevia sobre acontecimentos pessoais, como a própria afirmou em entrevistas, de modo que a promoção de seu disco não atendia às suas expectativas como letrista.Chloe Diski (8/10/2006). "What I Know About Men..." . The Guardian. Consultado em 3 de fevereiro de 2017. A ausência de criatividade logo se transformou em um bloqueio de escritor e a cantora permaneceu cerca de dezoito meses sem realizar sequer uma composição.Jacqui Swift (26/10/2006). "Wine, Woman and Song" . The Sun. Consultado em 3 de fevereiro de 2017. Por essa altura, Winehouse costumava frequentar pubs em Londres e consumir cannabis. Num dos supracitados estabelecimentos, em Camden Town, a artista envolveu-se com um rapaz chamado Blake Fielder-Civil. Como Blake não utilizava aquele tipo específico de substância psicoativa, Winehouse abandonou o uso de cannabis e passou a acompanhá-lo nas bebidas alcoólicas.Jenny Eliscu (14/6/2007). "Amy Winehouse: The Diva and Her Demons" . Rolling Stone. Consultado em 3 de fevereiro de 2017. Os dois iniciaram um romance pouco depois, mas Blake era comprometido e preferiu preservar a sua relação a permanecer com Winehouse.Marcus Dunk (10/8/2007). Amy's Downward Spiral" . The Daily Express. Consultado em 3 de fevereiro de 2017.

O rompimento provocou graves alterações no estado de humor da cantora, que se viu em momentos deveras sombrios.Dorian Lynskey (26/6/2015). "Billboard Cover: Sam Smith, Mark Ronson and More on Amy Winehouse's Lasting Legacy, Tragic End and Eye-Opening New Documentary" . Billboard. Nielsen Business Media, Inc. Consultado em 3 de fevereiro de 2017. Deprimida, Winehouse começou a ingerir bebidas alcoólicas de maneira excessiva e a alimentar-se mal, o que, agravado por seus transtornos alimentares, culminou com a sua drástica perda de peso.Jim Carroll (1.º/12/2006). "From the Archive: Amy Winehouse, Act Two - 'This Time, I Know What Is Going On'" . The Irish Times. Consultado em 3 de fevereiro de 2017. Ao aperceber-se de seu comportamento autodestrutivo, Nick Shymansky — empresário musical e amigo de Winehouse — tentou convencê-la a procurar a ajuda de um profissional. Juntamente com Nick Godwyn, ele tentou levá-la a uma clínica de reabilitação, para que a artista tratasse o seu alcoolismo.Jessamy Calkin (2015). "Amy Winehouse: Behind The Controversial Documentary" . The Daily Telegraph. Consultado em 3 de fevereiro de 2017. Embora estivesse relutante, Winehouse concordou em ir à Priory Clinic, mas antes decidiu contatar o seu pai, Mitch, para ouvir o que ele pensava a este respeito. Mitch, por sua vez, incentivou-a a declinar da proposta.Nick Shymansky (2/7/2015). "Amy Winehouse Said No When I Asked Her to Go to Rehab – The Song She Wrote About It Turned Her Into a Star, But Five Years Later She Was Dead" . The Independent. Consultado em 7 de fevereiro de 2017. Já contrária à ideia de internar-se e com o incentivo de seu pai, a cantora recusou o tratamento. Posteriormente, a artista rompeu o seu contrato com a empresa 19 Entertainment, propriedade de Simon Fuller. Como Godwyn e Shymansky recusaram-se acompanhá-la, ela substituiu-os por Raye Cosbert, o seu promotor de eventos.

Mark Ronson e a elaboração de "Rehab" thumb|200px|esquerda|Mark Ronson foi responsável pela produção e ideia da composição de "Rehab". Por essa altura, a gravadora de Winehouse a pressionava por qualquer material novo, tendo em vista os meses em que a cantora passara completamente inativa. "Completaram-se dois anos desde o lançamento do último disco e [executivos da gravadora], de fato, disseram-me, 'Ao menos queres fazer um novo disco?', e eu disse-lhes, 'Asseguro-vos de que o farei em breve' [...] 'Quando eu começar a compô-lo, eu irei escrever, e escrever, e escrever. Apenas preciso de começar'", relatou a cantora."Police: Singer Amy Winehouse Dies" . Yahoo! News. 23/7/2011. Consultado em 7 de fevereiro de 2017. Para ajudá-la a fazer fluir o seu processo criativo, Guy Moot, presidente criativo da empresa EMI Publishing do Reino Unido e do continente europeu, resolveu apresentá-la a Mark Ronson."Vai ficar". Billboard Brasil. Edição: 22. Agosto/2011. Págs.: 52-3. Nielsen Business Media, Inc. ISSN: 977-217605400-2. Embora conhecesse o seu trabalho, Ronson nunca fora apresentado formalmente à cantora.

Àquele momento, Winehouse encontrava-se em Nova Iorque, em busca de alguém com quem trabalhar em seu segundo disco, de modo que os dois puderam ser apresentados um ao outro dias depois no estúdio de Ronson. Após conversarem sobre música, a cantora exibiu-lhe os grupos musicais que escutara, afirmando-lhe almejar que seu disco soasse como aqueles artistas. Ronson, então, comprometeu-se em elaborar algo àquela noite e mostrar-lhe o resultado no dia seguinte. Inspirado pelos músicos que Winehouse lhe havia apresentado, o produtor elaborou parte do instrumental da faixa homônima de Back to Black e, conforme o combinado, levou a gravação para a artista no dia seguinte. Winehouse ficou deveras contente para com o resultado, de modo que decidiu prolongar a sua estadia em Nova Iorque, retornando ao estúdio do produtor por diversas vezes nas semanas seguintes.

Num intervalo entre as sessões em estúdio com Ronson, a cantora decidiu caminhar pelas ruas de Nova Iorque, tendo o produtor a acompanhado.Chris Harris (1.º/2/2008). "Amy Winehouse's 'Rehab,' 'The Theme Song Of Modern-Day Celebrity Trash Culture': Behind The Grammys" . MTV News. Consultado em 5 de fevereiro de 2017. Durante o trajeto, Winehouse narrou-lhe as tentativas de seus empresários de levá-la a uma clínica de reabilitação. Ao descrever o acontecido, a artista cantarolou o que viria a ser o gancho de "Rehab": "They tried to make me go to rehab, but I said, no, no, no". "Eu apenas cantarolei o gancho em voz alta, como um gracejo. Foi realmente muito bobo", relatou a cantora em entrevista ao Daily Mail, em 2007. Ronson, por sua vez, perguntou-lhe quem havia escrito aquilo e Winehouse respondeu-lhe que foi a própria quem o fizera meses antes, visando incluir a frase em uma canção. O produtor, então, incentivou-a a trabalhar com o trecho imediatamente.Paul Jeffrey (3/8/2007). "Amy Winehouse: Blake and I are Mr and Mrs Normal!" . Daily Mail. Consultado em 2 de fevereiro de 2017. Ronson comentou sobre o acontecido: "Eu apenas considerei aquilo uma frase muito cativante. E, tu sabes, [eu pensei] que deveríamos voltar [ao estúdio] e tentar escrever uma canção com aqueles dizeres. Aquilo soou instantaneamente como um gancho a mim".Terry Gross (31/12/2015). "The Story Behind Mark Ronson's Hit Song 'Uptown Funk'" . National Public Radio. Consultado em 2 de fevereiro de 2017.