Desenvolvimento psicossexual é uma teoria psicanalítica que descreve o desenvolvimento da personalidade humana a partir das experiências de prazer, vínculo e satisfação ligadas à sexualidade infantil em diferentes estágios. Para Freud, os seres humanos possuem desde o nascimento uma energia sexual (libido) que os levam a buscar prazer e que se concentra em zonas do corpo diferentes ao longo do crescimento, resultando em cinco fases (oral, anal, fálico, latente ou de latência e genital). As experiências tidas na infância contribuem para a formação da personalidade, dos gostos e dos interesses do indivíduo na fase adulta.

Por mais que as fases sejam sucedidas naturalmente, pode haver perturbações no processo. Ao experimentar um conflito forte com relação à satisfação de um desejo, o ego da criança recorre a mecanismos de defesas para proteger-se, criando um ponto de fixação na fase em que se encontra. Caso chegue a fase adulta sem conseguir liberar a energia concentrada no mecanismo de defesa, o ego do neurótico passa a se relacionar com o mundo através dela, levando o indivíduo a repetir o mesmo modelo infantil fixado no passado com pessoas do presente.

Histórico Ao contrário das concepções teóricas predominantes de sua época, Freud formulou uma noção de sexualidade mais ampla, não restrita à reprodução, defendendo que ela existe desde a infância, mas se expressando de maneira própria. Por estar vinculada aos processos psíquicos, passou a ser chamada de psicossexualidade.

O desenvolvimento psicossexual ocorre por meio de fases nas quais a libido se concentra predominantemente em determinadas zonas erógenas do corpo, ou seja, períodos da infância em que a busca de prazer se organiza em torno da estimulação de regiões corporais específicas. Por mais que a sucessão de fases ocorra naturalmente, conflitos psíquicos ou angústias podem interferir em determinada fase, levando à mobilização de mecanismos de defesa do ego como forma de se proteger daquilo que considera um obstáculo à satisfação de seu desejo. Assim, surge um ponto de fixação na fase em que a libido estava concentrada, o que constitui um fator de predisposição ao desenvolvimento de uma neurose na fase adulta.

Desenvolvimento psicossexual freudiano

Fase oral

A primeira fase do desenvolvimento psicossexual é a fase oral, que vai desde o nascimento até os 18 meses de idade,Jerald Kay; Allan Tasman; Jeffrey A. Lieberman. Psiquiatria. Editora Manole. p. 49. ISBN 978-85-204-1165-0. em que a boca da criança é o foco de gratificação libidinal derivado do prazer de se alimentar no seio da mãe, e da exploração oral do seu ambiente, ou seja, a tendência em colocar objetos na boca. O id domina, porque nem o ego nem o super ego estão ainda totalmente desenvolvidos, e, uma vez que a criança não tem personalidade (identidade), cada ação é baseada em princípio do prazer. No entanto, o ego infantil está se formando durante o estágio oral; dois fatores contribuem para sua formação: (i) no desenvolvimento de uma imagem de corpo, a criança é discreta do mundo externo; por exemplo, a criança compreende a dor quando é aplicada ao seu corpo, identificando, assim, os limites físicos entre seu corpo e meio ambiente; (ii) experimentar uma gratificação atrasada leva à compreensão de que comportamentos específicos satisfazem algumas necessidades, como por exemplo chorar gratifica certas necessidades.Penelope Leach (2013). Your Baby and Child. Knopf Doubleday Publishing Group. ISBN 978-0-307-59442-6.

Fase anal

Entre a idade de 1 e 3 anos, a atenção da criança passa a se voltar para os processos de eliminação. Quando os pais começam o treinamento de usar o vaso sanitário, a criança pode ganhar aprovação ou expressar rebeldia ou agressão "segurando" ou "liberando". Assim, um treinamento rude pode causar uma fixação que pode se atrelar à personalidade.Dennis Coon; John Mitterer (2008). Introduction to Psychology: Gateways to Mind and Behavior. Cengage Learning. p. 401. ISBN 1-111-78253-9.

Fase fálica

Freud teorizou que o estágio fálico se desenvolvia entre a idade de 3 e 6 anos. Neste período, haveria um interesse sexual maior que faria com que a criança se sentisse fisicamente atraída ao seu genitor de sexo oposto. Em homens, a atração leva ao Complexo de Édipo, quando meninos sentem uma rivalidade com seu pai pelo amor da mãe. Em mulheres, o fenômeno foi chamado de Complexo de Electra, mas Freud recusou essa denominação porque a considerou dispensável. Chamou o fenômeno apenas de Complexo de Édipo Feminino.

Fase latente

De acordo com Freud, existe um período de latência dos 6 anos até a puberdade. Neste período, o desenvolvimento psicossexual está suspenso. Portanto, é um momento sereno comparado com os seis primeiros anos de vida. O estágio de latência é resultado em parte das tentativas dos pais de punir ou desencorajar a atividade sexual em seus filhos. Caso a supressão parental tenha sucesso, as crianças reprimirão seu impulso sexual, dirigindo sua energia psíquica para a escola, as amizades e outras atividades não sexuais.Jess Feist; Gregory J. Feist (2008). Teorias da Personalidade. p. 45. ISBN 978-85-8055-000-9.

Fase genital

O estágio genital começa na puberdade, quando um aumento das energias sexuais ativa todos os conflitos não resolvidos dos anos anteriores. Este ressurgimento é a razão pela qual a adolescência pode ser povoada de emoção e conflitos.

Ver também Personalidade anal-expulsiva

Bibliografia

Categoria:Teoria psicanalítica Categoria:Sigmund Freud Categoria:Psicologia do desenvolvimento