A linha de sucessão ao trono britânico é determinada por descendência, religião e legitimidade. Sob o direito comum, a Coroa é herdada pelo filho ou filha mais velha do soberano ou pelo descendente mais velho da linha colateral mais próxima de um soberano sem filhos, desde que ele ou ela seja protestante em comunhão com a Igreja da Inglaterra e receba e mantenha o aval do Parlamento.
Contexto A Declaração de Direitos de 1689, o Decreto de Estabelecimento de 1701 e o Ato de Sucessão à Coroa de 2013 são as principais leis que governam a sucessão, as quais restringem que o trono só pode ser herdado pelos descendentes protestantes legítimos de Sofia de Hanôver que estão em "comunhão com a Igreja da Inglaterra". Casar-se com um católico anteriormente retirava um indivíduo da sucessão, porém esta lei foi abolida em 2015 (antes dele, porém, eram elegíveis os protestantes descendentes dos desqualificados por serem católicos). A partir de setembro de 2022, o primeiro na linha de sucessão é Guilherme, Príncipe de Gales, filho mais velho de Charles III que ascendeu ao trono após a morte de sua mãe, a Rainha Isabel II. Respetivamente, na segunda, terceira e quarta posições estão os três filhos do Príncipe de Gales, o príncipe Jorge de Gales, a princesa Carlota de Gales e o príncipe Luís de Gales. Seguem-se o segundo filho de Charles, Henrique, Duque de Sussex, e os filhos deste, Archie e Lilibeth. Os demais integrantes da linha de sucessão são todos os filhos, netos e bisnetos da rainha Isabel II (r. 1952-2022), seguidos pelos de sua irmã, Margarida, Condessa de Snowdon, e os de seu avô, o rei Jorge V assim por diante.
De acordo com o acordo de Perth, os seis primeiros na linha de sucessão devem ter o consentimento prévio do soberano antes de casarem-se. Sem tal consentimento, eles e seus filhos seriam desqualificados para a sucessão. Além disso, os quatro primeiros na linha de sucessão maiores de 21 anos, além do consorte do soberano, podem fazem parte do Conselho de Estado, desempenhando algumas funções enquanto o rei encontra-se fora do país ou temporariamente incapacitado.
O Reino Unido é um dos reinos da Comunidade das Nações, no qual são estados soberanos que compartilham o mesmo indivíduo como monarca e a mesma linha de sucessão à Coroa. Em 2011, os primeiros-ministros das 16 nações concordaram anonimamente em alterar as regras de sucessão. A preferência para a descendentes primogenitos masculinos foi abandonada - significando que pessoas do gênero masculino nascidos depois de 28 de outubro de 2011 não ultrapassam pessoas do gênero feminino na linha de sucessão - e a pauta sobre o banimento de casamentos reais com católicos foi levantada - acabando por ser abolida em 2015. O monarca, porém, ainda precisa estar em comunhão com a Igreja da Inglaterra. Depois que a documentação necessária foi promulgada em concordância com cada nação da Comunidade das Nações, as mudanças começaram a ter efeito integralmente em 26 de março de 2015.
Linha de sucessão atual
Os 25 primeiros indivíduos listados na linha de sucessão ao trono britânico são descendentes de Isabel II, mãe do atual monarca:
15px Rei Jorge V 15px Rei Eduardo VIII 15px Rei Jorge VI 15px Rainha Isabel II 15px Rei Carlos III (1) 15px Guilherme, Príncipe de Gales (n. 1982) (2)15px Jorge de Gales (n. 2013) (3)15px Carlota de Gales (n. 2015) (4)15px Luís de Gales (n. 2018) (5)15px Henrique, Duque de Sussex (n. 1984) (6)15px Archie de Sussex (n. 2019) (7)15px Lilibet de Sussex (n. 2021) (8)André Mountbatten-Windsor (n. 1960) (9)15px Beatriz do Reino Unido (n. 1988) (10) Sienna Mapelli Mozzi (n. 2021) (11) Athena Mapelli Mozzi (n. 2025) (12)15px Eugênia do Reino Unido (n. 1990) (13) August Brooksbank (n. 2021) (14) Ernest George Ronnie Brooksbank (n. 2023) (15) Adelaide Elizabeth Annina Brooksbank (n. 2026) (16)15px Eduardo, Duque de Edimburgo (n. 1964) (17)15px Jaime, Conde de Wessex (n. 2007) (18)15px Luísa Windsor (n. 2003) (19)15px Ana, Princesa Real (n. 1950) (20) Peter Phillips (n. 1977) (21) Savannah Phillips (n. 2010) (22) Isla Phillips (n. 2012) (23) Zara Tindall (n. 1981) (24) Mia Tindall (n. 2014) (25) Lena Tindall (n. 2018) (26) Lucas Tindall (n. 2021)
História A lei de sucessão atualmente em vigor no Reino Unido deriva das leis de sucessão em Inglaterra e Escócia. Originalmente em ambos os países, não vigoravam leis assegurando a sucessão ao trono. O indivíduo poderia assumir o trono através de herança natural, estatuto, eleição (pelo Parlamento ou algum outro corpo legislativo), nomeação (normalmente por um soberano predecessor), conquista ou prescrição (posse de facto da Coroa). É incerto, no entanto, qual destas bases detinham precedência; eventualmente, a resolução de tais questões não decaía na legalidade das disputas, e sim na influência política e militar dos pretendentes.
Contudo, ao longo do tempo, o trono passou a ser destinado majoritariamente à primogenitura masculina: os mais recentes monarcas a excederem tais costumes necessitaram justificar durante anos sua ascensão e provar a ilegitimidade de seus rivais. Posteriormente, o Parlamento britânico assumiu o controle das regras relacionadas à sucessão real.
Inglaterra thumb|left|180px|Henrique VII conquistou o direito de sucessão em detrimento de Ricardo III. Em 1485, Henrique Tudor, descendente da Casa de Beaufort - uma linhagem feminina da Casa de Lancaster - assumiu o trono inglês como Henrique VII após derrotar Ricardo III que havia sido morto na Batalha de Bosworth Field. Ricardo foi o último monarca da Casa de Iorque e o último da Dinastia Plantageneta. Henrique declarou-se rei retroativamente desde 21 de agosto de 1485, um dia antes de sua vitória sobre Ricardo III em Bosworth, o que fez com que o título régio deste fosse desconsiderado dos Arquivos do Parlamento. Após a coroação de Henrique em Londres em outubro daquele mesmo ano, seu primeiro Parlamento declarou que "a sucessão da Coroa deveria ser, recair, permanecer e ser mantida na mais real pessoa do senhor soberano, Rei Henrique VII, e os seus futuros herdeiros."
Henrique VII foi sucedido por seu filho, Henrique VIII. Embora seu pai fosse descendente dos Lancaster, Henrique VIII pôde reclamar o trono através da linhagem iorquina já que sua mãe, Isabel de Iorque, era irmã e herdeira de Eduardo V. Em 1542, Henrique também assumiu o título de Rei de Irlanda; o que acabou sendo herdado pelos monarcas de Inglaterra e Grã-Bretanha até o Ato de União de 1800, que fundiu ambas as coroas sob a entidade Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda.
Os sucessivos matrimônios de Henrique VIII desencadearam severas complicações à linha de sucessão. O monarca inglês casou-se primeiramente com Catarina de Aragão, de quem nasceu-lhe Maria. De seu segundo casamento, com Ana Bolena, nasceu-lhe Isabel. De seu terceiro casamento, com Joana Seymour, o monarca deu paternidade à Eduardo. Em 1533, um Ato do Parlamento declarou Maria filha ilegítima; o mesmo ocorreria com Isabel em 1536. Ambas permaneceram nesta condição por anos até que um Ato do Parlamento de 1544 permitiu-lhes reentrar na linhagem de sucessão, determinando ainda que "o Rei deve e pode conceder, desejar, limitar, assegurar, apontar ou dispor da Coroa Imperial e outros ditas premissas...por cartas-patente ou sua vontade testamentária manuscrita." Desta forma, Maria e Isabel, por vontade expressa de Henrique VIII, deveriam ser sucedidas pelos descendentes de Maria Tudor (excluindo, entretanto, sua sobrinha Francisca Brandon). Este testamento também excluía os descendentes de Margarida Tudor, a irmã mais velha de Henrique, que reinavam sobre a Escócia. thumb|right|180px|Os sucessivos casamentos de Henrique VIII causaram diversas disputas de sucessão ao trono inglês. Quando de sua morte em 1547, Henrique VIII foi sucedido por Eduardo, seu filho, coroado como Eduardo VI. Eduardo VI foi o primeiro monarca protestante a ascender ao trono inglês; opôs-se fortemente contra a reivindicação dinástica de Maria, que era de confissão católica. Entretanto, tentou por diversas maneiras intervir no curso da linha sucessória visando evitar que um monarca católico romano assumisse o trono inglês. Eventualmente, Eduardo excluiu Maria e Isabel da linha de sucessão, selecionando em seu lugar Joana Grey, que já havia sido excluída anteriormente por ser mulher. Com a morte de Eduardo VI em 1553, Joana Grey foi proclamada Rainha de Inglaterra e reinou por apenas nove dias antes de ser deposta por Maria.
Maria veio a ser sucedida por sua meia-irmã, Isabel, que quebrou os paradigmas de sucessão ingleses ao recusar-se a nomear quaisquer herdeiros. Embora os monarcas predecessores tivessem o direito de nomear e assegurar seus sucessores, o Ato de 1571 devolveu este poder ao Parlamento na premissa de evitar disputas sucessórias e assegurar a autoridade do corpo legislativo. Em meio a diversas disputas inevitáveis, o Parlamento aprovou o Ato de Associação de 1584, pelo qual provia que qualquer indivíduo envolvido em tentativas de suplantar a autoridade do monarca reinante seria removido da linha de sucessão.
Escócia A Casa de Stuart reinou na Escócia desde 1371 através de severas normas de primogenitura até a deposição e exílio de Maria I em 1567; que ainda assim, foi sucedida por seu filho, Jaime VI.
União das Coroas Stuarts Isabel I de Inglaterra foi sucedida por Jaime VI, seu primo em primeiro grau que havia sido removido duas vezes, apesar de que sua sucessão violou o testamento de Henrique VIII, pelo qual Anne Stanley deveria assumir o trono. Jaime assegurou que o direito hereditário fosse superior à provisão estatutária e que como Rei de Escócia fosse poderoso o suficiente para deter qualquer rival. Ele reinou como Jaime I de Inglaterra, consumando assim a União das Coroas, apesar de Inglaterra e Escócia manterem-se separadas até 1707. Sua sucessão foi imediatamente ratificada pelo Parlamento.
O primogênito e sucessor de Jaime, Carlos I, foi deposto e executado em 1649 e a monarquia abolida. Pouco tempo após, foi substituída pelo Protetorado sob a liderança de Oliver Cromwell, que na realidade atuava com poderes monárquicos. Cromwell obteve o direto de nomear seu próprio sucessor, naturalmente seu filho Richard Cromwell. Contudo, os direitos de Richard foram suspensos e este teve de deixar o cargo. A monarquia viria a ser restaurada com a coroação de Carlos II, filho de Carlos I. thumb|right|220px|Após a morte de seu último filho, em 1700, Princesa Ana tornou-se a única na linha de sucessão determinada pela "Declaração de Direitos". Jaime II, um católico, sucedeu seu irmão Carlos II, apesar dos esforços na década de 1670 de excluí-lo em detrimento do Duque de Monmounth que era de filiação protestante. Jaime foi deposto quando seus opositores protestantes forçaram-no a deixar a Inglaterra em 1688, após a Crise de Exclusão. O Parlamento subscreveu que Jaime não havia abdicado os tronos e oferecido seus direitos a Jaime Stuart, mas sim que havia deixado como sucessores os protestantes Maria e Guilherme. Os dois reinaram concomitantemente (ato até então único em toda a história britânica) como Guilherme III de Inglaterra e Irlanda (e II de Escócia) e Maria II de Inglaterra, Escócia e Irlanda. Guilherme insistiu nesta perspectiva como condição de sua superioridade militar sobre Jaime.
A Declaração de Direitos de 1689 determinou a sucessão aos tronos inglês, escocês e irlandês. Os descendentes de Maria II forma os primeiros na linha de sucessão; seguidos por sua irmã Ana e seus descendentes. Finalmente, os descendentes de Guilherme III por qualquer matrimônio futuro foram acrescidos à linha de sucessão. Somente protestante eram permitidos de suceder ao trono inglês e aqueles que contraíssem matrimônio com católicos seriam excluídos.