Jacob Gedleyihlekisa Zuma GCB (Nkandla, 12 de abril de 1942) é um político sul-africano que foi presidente da Africa do Sul, após a vitória de seu partido nas eleições gerais de 2009, até 14 de fevereiro de 2018, quando renunciou. Também presidiu o Congresso Nacional Africano (CNA), partido governante do país, sendo substituído por Cyril Ramaphosa em 18 de dezembro de 2017, e foi vice-presidente da África do Sul de 1999 a 2005.

Zuma é conhecido também por suas iniciais, JZ e pelo nome de seu clã, Msholozi. Tornou-se presidente do CNA em 18 de dezembro de 2007, depois de derrotar o seu rival, Thabo Mbeki, na conferência do partido, em Polocuane.

Zuma já passou por diversos problemas legais; foi acusado de estupro em 2005, porém acabou sendo absolvido no ano seguinte. Além disso, ele disputa uma longa batalha judicial contra acusações de estelionato e corrupção, depois de seu assessor financeiro, Schabir Shaik, ter sido condenado por corrupção e fraude. Em 6 de abril de 2009 a promotoria sul-africana decidiu retirar as acusações, alegando "interferência política".

No dia 14 de fevereiro de 2018, Jacob Zuma renunciou ao cargo de presidente da República da África do Sul logo após um ultimato do seu partido. Jacob é alvo de mais de 800 acusações por corrupção relativa a contratos de armas do final dos anos 1990 e é investigado por supostamente ter usado o Estado para favorecer empresários com concessões públicas milionárias. Em junho de 2021, Zuma foi condenado a quinze meses de prisão por desacato à corte.

Biografia Juventude Zuma nasceu na Zululândia (atual parte de Cuazulo-Natal). Seu pai era um policial, que morreu quando Zuma ainda era um menino. Seu isibongo (nome de clã) é Zuma, e é chamado de maneira afetiva pelo seu "nome de louvor", Msholozi. Frequentou a escola apenas por alguns anos, e não recebeu nenhuma educação formal depois do primário. Passou sua infância mudando-se da Zululândia aos subúrbios de Durban, na região de Umkhumbane (perto de Chesterville).

Prisão e exílio Zuma se envolveu com a política desde cedo, e se juntou ao Congresso Nacional Africano (CNA) em 1959. Tornou-se um líder ativo da ala armada Lança da Nação em 1962, depois do CNA ser banido, em 1961. Em 1963, juntou-se ao Partido Comunista Sul-Africano (SACP). No mesmo ano foi preso com um grupo de 45 recrutas perto de Zeerust, na província ocidental do Transvaal, atualmente parte da província do Noroeste. Condenado por "conspirar para derrubar o governo", foi condenado a dez anos de prisão, que ele serviu na prisão de Ilha Robben, com Nelson Mandela e outros líderes do CNA presos naquele lugar.

Chegou a deixar a África do Sul em 1975, sediando-se primeiro na Suazilândia, e depois em Moçambique, onde teve de lidar com a chegada de milhares de exilados, que viajaram depois do Levante de Soweto.

Tornou-se um membro do Comitê Executivo Nacional do CNA em 1977; também serviu como vice-representante principal do CNA em Moçambique, cargo que ocupou até a assinatura do Acordo do Incomati, entre os governos moçambicano e sul-africano, em 1984. Após a assinatura do acordo, foi designado Representante Chefe do CNA.

Serviu nos conselhos militar e político do CNA quando ele foi formado, no meio da década de 1980, e foi eleito para o politburo do partido em abril de 1989.

Zuma foi obrigado a abandonar o Moçambique em janeiro de 1987, depois de exercer considerável pressão sobre o governo moçambicano, especialmente pelo regime de Pieter Willem Botha. Mudou-se para o quartel-general do CNA, então em Lusaca, na Zâmbia, onde foi designado "Chefe das Estruturas Subterrâneas" e, pouco tempo depois, "Chefe do Departamento de Inteligência". Seu período no cargo permanece motivo de uma considerável controvérsia.

Retorno do exílio Logo após o fim do banimento do CNA, em fevereiro de 1990, Zuma foi um dos primeiros líderes do partido a voltar para a África do Sul, e dar início ao processo de negociações.

Em 1990 foi eleito Diretor do CNA para a região do Sul do Natal, e assumiu um papel de destaque na luta contra a violência política na região, entre membos do CNA e do Partido da Liberdade Inkatha (IFP). Foi eleito vice-secretário geral do CNA naquele mesmo ano, e em janeiro de 1994 foi indicado como candidato do partido para premiê de Cuazulo-Natal.

O IFP, no entanto, liderado por Mangosuthu Buthelezi, colocou uma ênfase particular sobre o orgulho zulu, e o poder político daquele período. Neste contexto, a herança zulu de Zuma desempenhou um papel importante para terminar a violência na região, e enfatizar as raízes políticas (e não tribais) da violência, e conquistar o apoio do povo zulu da região.

Ascensão thumb|right|250px|Jacob Zuma sendo recebido pelos Obama no Metropolitan Museum of Art, 2009.

Zuma tinha alguma experiência anterior na liderança nacional, tendo começado a servir no Comitê Nacional Executivo do CNA em 1977, quando o partido ainda era um movimento de liberação. Quando se tornou presidente do partido já o havia servido por trinta anos. Depois das eleições gerais de 1994, quando o CNA se tornou o partido do governo, apesar de ter perdido a província de Cuazulo-Natal para o IFP, foi indicado como Membro do Comitê Executivo (MEC) de Assuntos Econômicos e Turismo para o governo provincial de Cuazulo-Natal, depois de se afastar para permitir a Thabo Mbeki que concorresse sem oposição para a vice-presidência. Em dezembro do mesmo ano, foi eleito líder nacional do CNA, e executivo do CNA em Cuazulo-Natal, sendo reeleito para o último cargo em 1996. Foi eleito vice-presidente do CNA na Conferência Nacional realizada em Maiquengue, em dezembro de 1997, e foi designado vice-presidente do país em junho de 1999.

Durante este período também trabalhou em Campala, capital do Uganda, tentando mediar o processo de paz do Burundi, juntamente com o presidente de Uganda, Yoweri Museveni. Museveni comanda a Inciativa Regional dos Grandes Lagos, um grupo de presidentes da região que supervisiona o processo de paz no Burundi, onde diversos grupos hutus foram às armas em 1993 contra um governo dominado pelas minorias tutsis, que assassinaram o primeiro presidente eleito a partir da maioria hutu. thumb|left|200px|Presidente Zuma discursando no Fórum Econômico Mundial. O presidente Mbeki retirou Zuma de suas funções como vice-presidente em 14 de julho de 2005, devido a acusações de corrupção ligadas ao acordo de armas no valor de cinco bilhões de dólares, feito pelo governo sul-africano em 1999. A sucessora de Zuma como vice-presidente da África do Sul é Phumzile Mlambo-Ngcuka, esposa de Bulelani Ngcuka. Mlambo-Ngcuka é ministra dos Minérios e Energia desde 1999. Enquanto sua indicação foi amplamente bem-vista pelo setor de negócios, ela foi vaiada publicamente em muitos comícios do CNA, por partidários de Zuma.

Presidência do CNA Em termos de tradição partidária, como vice-presidente do Congresso Nacional Africano, Zuma já era o sucessor de Mbeki. As estruturas do partido realizaram suas conferências em outubro de novembro de 2007, nas quais Zuma apareceu como favorito para o cargo da presidência do CNA e, por consequência, da África do Sul, em 2009. Foi eleito oficialmente presidente do partido em 18 de dezembro de 2007 com 2.329 votos, derrotando os 1.505 votos do presidente sul-africano Thabo Mbeki, em seu segundo mandato na liderança do partido. Em 28 de dezembro o Diretório de Operações Especiais, também conhecido como Scorpions, notificaram Zuma de seu indiciamento na Suprema Corte do país, por diversas acusações de estelionato, lavagem de dinheiro, corrupção e fraude.

Em setembro de 2008 o CNA "retirou" Thabo Mbeki da presidência do país, e colocou o vice, Kgalema Motlanthe, como presidente-interino até a eleição geral de 2009, quando Zuma se tornou o novo presidente.

Orientação política-econômica thumb|250px|Zuma cumprimenta Barack Obama, Naoto Kan e David Cameron, 2010. Economicamente Zuma é um populista, que se descreveu ocasionalmente como "socialista". Recebeu apoio de sindicatos e do Partido Comunista Sul-Africano, além das divisões de jovens e de mulheres do Congresso Nacional Africano. Segundo o jornal britânico The Guardian, Zuma tentou "reassegurar os investidores internacionais de que seus interesses seriam protegidos"; tanto o Guardian quanto o New York Times, no entanto, o citaram falando sobre redistribuição da riqueza, e se alinhando com socialistas e comunistas na procura desta meta. Segundo Jacob Zuma, a aproximação da OTAN nas fronteiras da Rússia resultando na guerra da Ucrânia tem como objetivo destruir o BRICS, coalizão de economias emergentes que já ultrapassou o bloco econômico G7. Zuma alegou que os críticos de sua política eram agentes do "capital monopolista branco".

Acusações de corrupção Zuma se envolveu numa controvérsia depois que seu assessor financeiro, Schabir Shaik, foi acusado de corrupção política e fraude. Bulelani Ngcuka, diretor nacional da promotoria pública na época, investigou tanto Zuma quanto um dos líderes do CNA, Tony Yengeni, depois que alegações de abuso de poder foram levantadas contra ambos. As alegações estavam relacionadas a uma influência inadequada num acordo de compra de armas, e à questão do benefício financeiro obtido como resultado desta influência. Enquanto Yengeni foi considerado culpado, as acusações contra Zuma foram arquivadas; Ngcuka afirmou que "... embora houvesse evidências de corrupção, à primeira vista, elas eram insuficientes para vencer o caso no tribunal." Ngcuka retirou-se para a iniciativa privada, após receber críticas do CNA sobre o incidente.

Em 2004 Zuma tornou-se uma figura chave no julgamento de Schabir Shaik. Shaik, um executivo de Durban, foi interrogado a respeito de um possível suborno ocorrido durante a compra de fragatas classe Valour para a Marinha da África do Sul, certas obras de desenvolvimento no litoral de Durban, e gastos generosos na residência de Zuma, em Nkandla. Em 2 de junho de 2005 Shaik foi considerado culpado, e condenado a 15 anos de prisão. A juíza Hilary Squires descreveu a relação entre Zuma e Shaik como uma "simbiose mutualmente benéfica"; a mídia relatou a declaração de maneira equivocada como "uma relação geralmente corruta", embora esta descrição não apareça nas transcrições do tribunal.

Depois de doze dias de intensa especulação na mídia sobre o seu futuro, o presidente Thabo Mbeki removeu Zuma do cargo de vice-presidente do país, em 14 de junho de 2005. Mbeki declarou, diante de uma sessão conjunta do parlamento, que "no interesse do honrado vice-presidente, do governo, de nosso jovem sistema democrático e de nosso país, seria melhor dispensar o honrado Jacob Zuma de suas responsabilidades como vice-presidente da República e membro do Gabinete." Zuma também renunciou então ao posto de parlamentar.

No período subsequente ao julgamento de Shaik, Zuma foi acusado formalmente por corrupção pela promotoria do país. O caso, no entanto, foi eliminado do rol de casos da Suprema Corte de Pietermaritzburgo depois que a petição da acusação por uma adiação (pedida para permitir à promotoria que obtivesse, de maneira admissível, as formas de documentação necessárias para servir como provas). Ao recusar a petição pelo adiamento, a Corte abriu caminho para o pedido, feito pela defesa, de um efeito suspensivo permanente, que evitaria que Zuma fosse processado criminalmente.

A equipe legal de Zuma continuou a adiar o processo, e, apesar das alegações de Zuma de que desejava que o assunto fosse levado ao tribunal, conseguiu fazer com que provas críticas não pudessem ser apresentadas no tribunal, o que resultou no pedido de adiação da promotoria e na subsequente remoção do caso; a equipe de Zuma, no entanto, não logrou êxito em suas tentativas de fazer com que o tribunal concedesse o efeito suspensivo permanente, o que deixou o caso aberto para uma nova tentativa da promotoria.