História da Terra 250px|alt=A Terra vista do espaço, com a África, a Antártida e extensas nuvens sobre os oceanos. A Terra fotografada pela tripulação da Apollo 17, em 7 de dezembro de 1972. Formação do planeta Há cerca de 4,54 bilhões de anosWilliam L. Newman. "Age of the Earth". Publications Services, USGS. 9 de julho de 2007. Consultado em 20 de setembro de 2007. Em inglês. Éons Hadeano, Arqueano, Proterozoico e Fanerozoico"International Chronostratigraphic Chart, v2026/06". International Commission on Stratigraphy. junho de 2026. Consultado em 17 de setembro de 2026. Em inglês. Divisão cronológica Escala de tempo geológico
A história da Terra abrange o desenvolvimento natural do planeta Terra, desde sua formação até o presente.Steven M. Stanley. Earth system history. 2.ª edição. Nova York, Freeman. 2005. ISBN 978-0-7167-3907-4. Em inglês.F.M. Gradstein, James George Ogg, Alan Gilbert Smith, organizadores. A Geological Time Scale 2004. Cambridge University Press. 2004. Reimpressão com correções em 2006. ISBN 978-0-521-78673-7. Em inglês. Quase todos os ramos das ciências naturais participam do estudo do passado terrestre, caracterizado por mudanças geológicas constantes e pela evolução dos seres vivos. A escala de tempo geológico, definida por convenção internacional, organiza os intervalos desde a formação do Sistema Solar até o presente. A Terra se formou há cerca de 4,54 bilhões de anos pela acreção de material da nebulosa solar.G. Brent Dalrymple. "The age of the Earth in the twentieth century: a problem (mostly) solved". Special Publications, Geological Society of London. vol. 190, n.º 1, p. 205–221. 2001. doi 10.1144/GSL.SP.2001.190.01.14. Bibcode 2001GSLSP.190.205D. Em inglês.Gérard Manhès, Claude J. Allègre, Bernard Dupré, Bruno Hamelin. "Lead isotope study of basic-ultrabasic layered complexes: Speculations about the age of the earth and primitive mantle characteristics". Earth and Planetary Science Letters. vol. 47, n.º 3, p. 370–382. 1980. doi 10.1016/0012-821X(80)90024-2. Bibcode 1980E&PSL.47.370M. Em inglês.
Colisões e a energia liberada no interior do planeta provocaram extensa fusão das rochas. Os materiais mais densos afundaram e formaram o núcleo, enquanto os silicatos constituíram o manto e a crosta. Uma colisão da proto-Terra com outro corpo planetário, chamado Theia nos modelos de grande impacto, é a explicação mais aceita para a origem da Lua. O resfriamento permitiu a formação de uma superfície sólida e a permanência de água líquida.Tracy Vogel. "Moon Formation". NASA. Consultado em 17 de setembro de 2026. Em inglês. O Hadeano abrange as primeiras etapas dessa formação. Na escala internacional, começa há 4.567 milhões de anos e termina há 4.031 ± 3 milhões de anos. Seguem-se o Arqueano e o Proterozoico, durante os quais a vida microbiana se diversificou e surgiram os eucariontes e organismos multicelulares. O Fanerozoico, iniciado há cerca de 538,8 milhões de anos, divide-se em três eras. No Paleozoico, a vida se expandiu nos mares e ocupou a terra firme. No Mesozoico, os dinossauros se diversificaram e surgiram as aves e os mamíferos. No Cenozoico, muitas linhagens de mamíferos e aves se expandiram após a extinção dos dinossauros não avianos. Fósseis atribuídos ao gênero Homo têm cerca de 2,8 milhões de anos, enquanto os mais antigos atribuídos a Homo sapiens têm aproximadamente 300 mil anos.Brian Villmoare et al. "Early Homo at 2.8 Ma from Ledi-Geraru, Afar, Ethiopia". Science. vol. 347, n.º 6228, p. 1352–1355. 20 de março de 2015. doi 10.1126/science.aaa1343. PMID 25739410. Em inglês.Daniel Richter et al. "The age of the hominin fossils from Jebel Irhoud, Morocco, and the origins of the Middle Stone Age". Nature. 2017. doi 10.1038/nature22335. Em inglês.
A data da origem da vida não é conhecida. Há vestígios de atividade biológica amplamente aceitos com cerca de 3,5 bilhões de anos, entre eles estruturas produzidas por comunidades microbianas.J. William Schopf, Anatoliy B. Kudryavtsev, Andrew D. Czaja, Abhishek B. Tripathi. "Evidence of Archean life: Stromatolites and microfossils". Precambrian Research. vol. 158, n.º 3–4, p. 141–155. outubro de 2007. doi 10.1016/j.precamres.2007.04.009. Bibcode 2007PreR.158.141S. Em inglês.J. William Schopf. "Fossil evidence of Archaean life". Philosophical Transactions of the Royal Society B. vol. 361, n.º 1470, p. 869–885. Londres, Royal Society. 29 de junho de 2006. doi 10.1098/rstb.2006.1834. PMID 16754604. PMC 1578735. Em inglês. Na Austrália Ocidental, sedimentos da Formação Dresser, com 3,48 bilhões de anos, contêm estruturas atribuídas a tapetes microbianos.Nora Noffke, Daniel Christian, David Wacey, Robert M. Hazen. "Microbially Induced Sedimentary Structures Recording an Ancient Ecosystem in the ca. 3.48 Billion-Year-Old Dresser Formation, Pilbara, Western Australia". Astrobiology. vol. 13, n.º 12, p. 1103–1124. New Rochelle, NY, Mary Ann Liebert, Inc. 16 de novembro de 2013. doi 10.1089/ast.2013.1030. PMID 24205812. PMC 3870916. Bibcode 2013AsBio.13.1103N. Em inglês. O grafite de rochas metassedimentares de 3,7 bilhões de anos da Groenlândia e o carbono contido em um zircão de 4,1 bilhões de anos da Austrália foram interpretados como possíveis produtos biológicos. Essas interpretações não estabelecem, por si sós, a existência de vida nessas datas.Yoko Ohtomo, Takeshi Kakegawa, Akizumi Ishida, Toshiro Nagase, Minik T. Rosing. "Evidence for biogenic graphite in early Archaean Isua metasedimentary rocks". Nature Geoscience. vol. 7, n.º 1, p. 25–28. Londres, Nature Publishing Group. janeiro de 2014. doi 10.1038/ngeo2025. Bibcode 2014NatGe..7..25O. Em inglês.Elizabeth A. Bell, Patrick Boehnke, T. Mark Harrison, Wendy L. Mao. "Potentially biogenic carbon preserved in a 4.1 billion-year-old zircon". Proceedings of the National Academy of Sciences. vol. 112, n.º 47, p. 14518–14521. 24 de novembro de 2015. doi 10.1073/pnas.1517557112. PMID 26483481. PMC 4664351. Bibcode 2015PNAS.11214518B. Em inglês. Edição antecipada, publicada na internet antes da edição impressa.
A fotossíntese oxigênica transformou a química dos oceanos e da atmosfera. O oxigênio começou a se acumular de forma duradoura na atmosfera durante o Grande Evento de Oxigenação, há cerca de 2,4 bilhões de anos, muito antes de alcançar concentrações próximas das atuais.Timothy W. Lyons, Christopher T. Reinhard, Noah J. Planavsky. "The rise of oxygen in Earth's early ocean and atmosphere". Nature. vol. 506, p. 307–315. 19 de fevereiro de 2014. doi 10.1038/nature13068. Em inglês. Organismos multicelulares já existiam antes do Ediacarano, mas os grandes organismos desse período e a diversificação animal do início do Cambriano ampliaram a diversidade de formas encontrada no registro fóssil.S. Xiao, M. Laflamme. "On the eve of animal radiation: phylogeny, ecology and evolution of the Ediacara biota". Trends in Ecology and Evolution. vol. 24, n.º 1, p. 31–40. 2009. doi 10.1016/j.tree.2008.07.015. PMID 18952316. Bibcode 2009TEcoE.24..31X. Em inglês.Erik A Sperling, Richard G Stockey. "The Temporal and Environmental Context of Early Animal Evolution: Considering All the Ingredients of an 'Explosion'". Integrative and Comparative Biology. vol. 58, n.º 4, p. 605–622. outubro de 2018. doi 10.1093/icb/icy088. PMID 30295813. Em inglês. A maioria das espécies que existiram se extinguiu.Beverly Peterson Stearns, Stephen C. Stearns. Watching, from the Edge of Extinction. p. prefácio x. Yale University Press. 2000. ISBN 978-0-300-08469-6. Em inglês. O número de espécies viventes também é incerto. Uma estimativa publicada em 2011 calculou cerca de 8,7 milhões de espécies eucarióticas, com incerteza de 1,3 milhão, e estimou que aproximadamente 86% desse total ainda não haviam recebido descrição científica. Esses valores se referem ao levantamento de 2011, não a uma contagem atual de toda a vida, que também abrange bactérias e arqueias.C. Mora, D.P. Tittensor, S. Adl, A.G. Simpson, B. Worm. "How many species are there on Earth and in the ocean?". PLOS Biology. vol. 9, n.º 8, p. e1001127. 23 de agosto de 2011. doi 10.1371/journal.pbio.1001127. PMID 21886479. PMC 3160336. Em inglês.
A crosta terrestre muda desde sua formação, assim como a vida desde seu surgimento. As espécies evoluem, adquirem novas formas, dão origem a outras espécies ou se extinguem diante das mudanças no ambiente físico. A tectônica de placas modifica os continentes e oceanos e afeta os seres que os habitam.
Estudo da história da Terra miniatura|esquerda|300px|Cientista examina um testemunho de gelo obtido na Antártida. Camadas de gelo preservam isótopos, poeira, cinzas vulcânicas e bolhas de ar que permitem reconstruir mudanças na atmosfera e no clima do passado. A história da Terra não ficou preservada como um registro contínuo. Rochas foram fundidas, metamorfizadas, erodidas ou recicladas pela tectônica de placas, enquanto a deposição de sedimentos deixou lacunas que podem representar milhares ou milhões de anos. A reconstrução do passado resulta da combinação de vestígios diferentes. Rochas registram ambientes e acontecimentos geológicos, fósseis registram organismos e ajudam a correlacionar camadas, isótopos radioativos fornecem idades numéricas, minerais magnéticos guardam antigas orientações do campo terrestre e sedimentos, corais e gelo conservam sinais de climas passados.William L. Newman. "Age of the Earth". Geologic Time. United States Geological Survey. Consultado em 18 de setembro de 2026. Em inglês.D. G. Smith, R. J. Bailey, P. M. Burgess, A. J. Fraser, organizadores. Strata and Time: Probing the Gaps in Our Understanding. Geological Society of London. 2015. ISBN 978-1-86239-655-5. Em inglês.
Como o passado terrestre é reconstruído miniatura|320px|A ordem dos acontecimentos pode ser deduzida das relações entre as rochas. O dique D corta as unidades mais antigas, mas não a camada E, depositada depois dele. A falha F desloca essa camada e é ainda mais recente.
Na estratigrafia, a posição e as relações entre as rochas permitem estabelecer a ordem dos acontecimentos. Numa sucessão sedimentar que não tenha sido invertida, as camadas inferiores são mais antigas que as superiores. Uma intrusão de magma ou uma falha é posterior às rochas que corta. Esses princípios fornecem uma idade relativa, mesmo quando ainda não se sabe quantos anos cada unidade possui."The Laws of Superposition and Cross-Cutting Relations". Fossils, Rocks, and Time. United States Geological Survey. Consultado em 11 de setembro de 2026. Em inglês."Rocks and Layers". Fossils, Rocks, and Time. United States Geological Survey. Consultado em 11 de setembro de 2026. Em inglês.
Os fósseis permitem comparar camadas de regiões distantes. Espécies surgiram e desapareceram em épocas diferentes, e sua sucessão permite reconhecer rochas formadas em intervalos semelhantes. A composição dos sedimentos e os fósseis encontrados neles também permitem reconstituir antigos mares, rios, lagos, florestas e outros ambientes. O registro pode ter interrupções. Quando a deposição para ou a erosão remove uma camada, parte da sequência deixa de existir naquele local."Relative Time Scale". Geologic Time. United States Geological Survey. Consultado em 11 de setembro de 2026. Em inglês."Geologic Framework". United States Geological Survey. 2008. Consultado em 11 de setembro de 2026. Em inglês.
A datação radiométrica acrescenta idades numéricas a essa sequência. Isótopos radioativos se transformam em outros isótopos a taxas mensuráveis. As proporções entre os elementos originais e os produtos de seu decaimento permitem calcular quando certos minerais se formaram ou foram modificados. Camadas vulcânicas entre sedimentos podem, por exemplo, estabelecer limites para a idade dos fósseis encontrados acima ou abaixo delas. A comparação de diferentes sistemas isotópicos reduz a dependência de uma única medição."Radiometric Time Scale". Geologic Time. United States Geological Survey. Consultado em 11 de setembro de 2026. Em inglês.