Hélio Lobo Leite Pereira (Juiz de Fora, — Rio de Janeiro, ) foi um diplomata, ensaísta, biógrafo e historiador brasileiro.

Biografia

Origens e formação Oriundo de uma família de grande relevância na política brasileira, era filho de Maria Barroso Lobo e de Fernando Lobo Leite Pereira, que atuou como senador por Minas Gerais, além de ter ocupado o cargo de ministro da Justiça e de chanceler durante o governo de Floriano Peixoto. Seu tio paterno, Américo Lobo, foi Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Seguindo a tradição jurídica da sua família, formou-se em 1903 pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro (FND).

Carreira diplomática Ingressou no Itamaraty em 1907, onde logo demonstrou a sua vocação para a diplomacia, onde atuou até 1915. Durante esse período, iniciou a sua produção intelectual sobre a diplmacia brasileira, utilizando-se da Biblioteca do Itamaraty para suas pesquisas. Seus primeiros anos foram marcados pela atuação técnica em tribuinais arbitrais que definiam as fronteiras brasileiras (Brasileiro-Peruano e Brasileiro-Boliviano) e pela participação na junta de jurisconsultos para a codificação do direito internacional americano em 1912.

Passou a trabalhar no gabinete de Lauro Müller, ministro das Relações Exteriores do Brasil, quando foi promovido a segundo-oficial em maio de 1913. Durante o governo de Venceslau Brás (1914-1918), serviu como secretário da Presidência da República. Sua projeção internacional consolidou-se ao fim da Primeira Guerra Mundial, quando atuou como secretário-geral da delegação brasileira no Congresso de Paz de Versalhes (1918-1919).

Ao longo de sua carreira, serviu como cônsul-geral do Brasil em centros estratégicos como Londres, de outubro de 1919 a maio de 1920, e Nova Iorque, de junho de 1920 a outubro de 1925, onde aproveitou a estadia para cursar a Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas da Universidade Columbia. Em 1938, foi o representante brasileiro na Conferência de Évian, realizada na França, para discutir o destino dos refugiados judeus que fugiam do Holocausto na Alemanha Nazista.

Em 1947, ocupou o cargo de Diretor do Instituto Rio Branco (IRBr), a escola diplomática vinculada ao Ministério das Relações Exteriores (MRE), além de retornar às funções de representante do Brasil no Conselho de Administração da Organização Internacional do Trabalho, em Genebra e em Montreal, até 1951.

Resistência política e conflito com Getúlio Vargas Foi enviado para os Países Baixos em 1931 e, enquanto servia em Haia, recusou-se a validar documentos para a compra de armas que seriam usadas pelo Governo Federal contra os revolucionários paulistas da Revolução Constitucionalista de 1932, alegando que não colaboraria com o "morticínio de jovens brasileiros". Por essa postura, foi inativado por dois anos (1932-1934).

Em 1938, foi nomeado como representante do Brasil no Conselho de Adminstração da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Em 1941, foi afastado de suas funções na sede da OIT em Montreal após criticar publicamente a admissão do presidente Getúlio Vargas na Academia Brasileira de Letras.

Vida acadêmica e literária Em 6 de junho de 1918, foi eleito para a cadeira nº 13 da Academia Brasileira de Letras, sucedendo a João Carneiro de Sousa Bandeira; sua posse ocorreu em 26 de novembro de 1919. No campo editorial, contribuiu ativamente para a revista Atlântida entre os anos de 1915 a 1920.

Apesar de seu conflito passado, foi o primeiro jornalista a entrevistar Getúlio Vargas após a sua deposição, devido ao golpe militar que deu fim ao Estado Novo, em 1945. Foi também o primeiro repórter que entrou no quarto presidencial do Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, após o suicídio de Vargas, em 1954. Obras

Sabres e togas (1906); O Tribunal Arbitral Brasileiro-Boliviano (1910); De Monroe a Rio Branco - (paginas de diplomacia americana) (1912); Brasil, Terra cara... (1913); O Brasil e seus princípios de neutralidade (1915); ...Aos estudantes do Rio da Prata (1918); Coisas diplomáticas (1918); A passo de gigante, (1923); Coisas americanas e brasileiras (1925); Brasilianos e yankees (1926); No limiar da Ásia, (1935); Um Varão Da Republica, Fernando Lobo. A Proclamaçao Do Regime Em Minas, Sua Consolidação No Rio de Janeiro (1937); Manuel de Araújo Porto-Alegre (ensaio biobibliográfico) (1938); O pan-americanismo e o Brasil... (1939); O domínio do Canadá (1942).

Ligações externas

Atlantida : mensário artístico literário e social para Portugal e Brazil (cópia digital)

Categoria:Naturais de Juiz de Fora Categoria:Alunos da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro Categoria:Membros da Academia Brasileira de Letras Categoria:Diplomatas de Minas Gerais Categoria:Embaixadores do Brasil no Uruguai Categoria:Ensaístas de Minas Gerais Categoria:Biógrafos do Brasil Categoria:Escritores de Minas Gerais Categoria:Historiadores de Minas Gerais Categoria:Ministros do Governo Venceslau Brás Categoria:Família Lobo